sábado, 4 de junho de 2011

O mundo genial e suburbano do Arcade Fire





A BBC de Londres disse que The Suburbs, o novo e tão aguardado terceiro disco do grupo canadense, é indiscutivelmente melhor que Ok Computer, considerado a grande obra do Radiohead. Então, a galera foi à loucura. Os integrantes do Radiohead são considerados deuses do rock pra galera indie e Ok Computer é considerado o grande disco deles e talvez o melhor da história, então, se The Suburbs for realmente melhor, teremos o melhor disco da história. Então lá foi a galera escutar o disco esperando que “Empty Room” fosse a nova “Karma Police”, esperando que Win Butler tivesse tiques espásmicos como o Thom Yorke, e é óbvio que isso não aconteceu. O Arcade Fire tem muita identidade pra querer ser comparado a qualquer banda.
O Arcede fire começou em 2003 vinda do Canadá e no mais recente Grammy 2011 ganhou todos os prêmios, inclusive de álbum do ano, por The Suburbs, lançado em 2010, sucesso comercial e de crítica, mas a tríade sagrada de discos do Arcade Fire vem com os Cds: Funeral (2004), Neon Bible (2007). E todo mundo sabe que os dois primeiros são geniais. E The Suburbs não é melhor dos três.
O Arcade Fire, além de uma banda, é praticamente uma família. Win é casado com Régine e é irmão do Will. Gara, Neufeld, Parry e Kingsbury são como seus filhos adotados e essa família recebe constantemente a visita do amigo Owen Pallet. O ambiente perfeito, onde a melancolia de cada integrante só é sobreposta pelo amor. Amor à vida, amor por si mesmo e aos próximos. Um ambiente onde você pode se submeter ao medo e ao sofrimento, mas que alguém, na hora exata, vai estar lá pra te resgatar.
Em The Suburbs, os irmãos Butler resolveram contar suas vidas, a infância difícil e sobre a vida nos subúrbios. E pra contar essas histórias, além das magníficas orquestrações, a banda adicionou a crueza do rock e obscuridade dos synths. Uma mistura de Depeche Mode com Neil Young, como eles mesmos dissseram. O primeiro clipe oficial de "The Suburbs", a faixa-título do disco quem assina é o diretor Spike Jonze de filmes como: Quero ser john Malkovich, Três reis, Adaptação, Onde vivem os monstros etc. Seria esse o projeto secreto de Jonze com a banda, ou apenas um recorte de algo maior? O clima de ficção científica com adolescentes com suas brincadeiras que aos poucos ficam mais agressivas, é o clima que o clipe de Joke quer passar da banda para os fãs.
O disco é uma história e cada música se encaixa, montando um mosaico de nostalgias e sentimentos. As letras cheias de significado, carregam a melancolia de sempre, com fagulhas de esperança pra serem acessas.
Os destaques são as excelentes “Modern Man”, “Rococo”, “Empty Room” e “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”. Nessas quatro faixas vamos do som barroco de “Rococo” ao extremo pop com “Modern Man”.
O disco ganha pontos porque além de ser sincero e ousado, tem um apelo pop essencial, brincando com os estilos musicais sem perder a classe. A única ressalva, o único porém, é que a história de The Suburbs ficaria muito mais linda se a voz doce de Régine Chessagne aparecesse mais.
Sem mais elogios na ponta dos dedos, repito que esse, por enquanto, é o disco do ano e um dos maiores discos da história. E acredito que esse não é o clímax da carreira dos canadenses do Arcade Fire. Podem anotar, muita coisa melhor ainda virá.
Até porque hoje em dia não fácil se tornar um gênio hoje em dia, quanto maior a oferta de bandas, maior a competitividade pelo posto de “godlike genious” que as revistas britânicas gostam de oferecer em suas premiações anuais. Mas quem são esses gênios, afinal? O tal troféu sempre vai parar, com contradição, nas mãos dos coroas The Cure, Manic Street Preachers e até Joy Division.
Os gênios estão aqui, agora e na frente dos nossos narizes. Com os seus três discos lançados, o Arcade Fire se comporta com uma banda que tem muito mais história. Funeral, de 2004, é um dos melhores debuts da década passada; o conceitual e mais difícil é Neon Bible, gravado durante 2006 em uma igreja condenada no Quebec, passou longe da popular crise do segundo disco e, de quebra, apareceu com um dos projetos gráficos mais incríveis dos últimos anos. Se houvesse uma crise do terceiro disco, o septeto canadense também não se sentiria ameaçado.
The Suburbs não é um clássico, mas simplesmente porque os clássicos são definidos pelo tempo. Que tal a gente voltar nessa conversa daqui a dez anos? Quando o momento chegar, não duvide da presença do disco no ranking dos melhores da história.
Mais versos de Régine Chassagne e uma maior participação de Owen Pallett, vulgo Final Fantasy, responsável pelos arranjos de cordas do Arcade, não fariam mal a ninguém mas, quando os dois aparecem, haja coração. Os violinos frenéticos abafam a guitarra distorcida e o rock jovial de “Empty Room”, em que Régine, com versos tímidos em francês, consegue conquistar qualquer um com a frase “Toda minha vida é com você”.
Aos 30 anos, Win Butler soa saudosista em algumas faixas. Aliás, essa é a primeira impressão que o disco passa com “The Suburbs”, música carregada por uma baladinha no piano com cara de anos 60. O mesmo piano eficiente e, dessa vez, monotônico reaparece em “We Used To Wait”, mais uma composição que dá gosto cantar junto. Não pela primeira vez, o Arcade Fire se destaca como um grupo de letristas praticamente impecáveis.
The Suburbs não tem uma música mediana sequer a única coisa que você vai ouvir nele são hinos ainda não descobertos e, para te ajudar a descobrir isso, nada melhor do que ouvir o disco no shuffle/random algumas vezes. Em alguns casos, como “Rococo”, o termo “hino” pode ser levado ao pé da letra: não há como não pensar em um “estádio” e “Arcade Fire” são palavras que finalmente começam a combinar, como dá pra notar logo abaixo lotado por pessoas brandando o título da música, só com a base de cordas para sustentá-las.
As melhores composições não se concentram em um único pólo do disco. “Ready To Start”, que aparece logo no início, só encontra uma faixa à sua altura na segunda metade do álbum essa seria “Month of May”, primeira vez em que os canadenses se aventuram e marcam ponto fazendo rock cru, chiado e quase punk.

As investidas do septeto em uma pegada mais leve e doce, como a da inesquecível “Crown of Love” (Funeral, 2004), não falham.“Half Light” não é o ápice do disco, mas “Suburban War” compensa o que ela fica devendo. Alguns versos de “The Suburbs” reaparecem aqui, com uma nova melodia, acompanhados por notas de guitarra que podem te lembrar daquela música do Blink 182 . Régine chega a seu momento de glória com “Sprawl II (Moutains Beyond Mountains)”, em que lidera os vocais sobre uma balada totalmente inusitada, com cara de pop oitentista, mas que não chega a se encaixar nas pistas.
Os subúrbios vão indo embora em baixo tom com o segundo round de “The Suburbs”, mais curto e dramático, parecendo um desabafo choroso de um Win Butler mais nostálgico e criativo do que nunca: “Se eu pudesse ter de volta o tempo que desperdiçamos, sei que eu adoraria desperdiçá-lo novamente”.

Fonte: Rockinrollpress

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mais que uma simples lolita


O pai é alemão, o avô materno negro. Dessa mistura de raças surgiram os imensos e hipnotizantes olhos azuis e a boca carnuda de Bruna Linzmeyer, de 18 anos, que esta chamando a atenção da mídia por roubar a cena com o sucesso de sua personagem (Leila, uma estudante de moda) e tirar o fôlego dos telespectadores mais afoitos no horário nobre na novela Insensato coração. Nascida em Corupá, Santa Catarina, ela deixou a cidade aos 16 anos para tentar a sorte em São Paulo. Como modelo, percebeu que seu 1,61 metro não ajudaria. Resolveu focar na carreira de atriz. Um ano depois, o diretor Luiz Fernando Carvalho a descobriu e a convidou para Afinal, o que querem as mulheres? Minissérie em que vivia a sedutora lolita russa Tatiana Dovichenko. “Não vou ser uma Lolita, tenho capacidade para mais”, afirma, com voz de menina. A fama não a assusta. “Sou pé no chão”, diz a atriz, que gosta de andar por Copacabana, bairro que escolheu para morar no Rio de Janeiro. E sua vida amorosa também parece ir bem. Ela está namorando, o também ator Michel Melamed, de 34 anos.
Se Bruna Linzmeyer fosse Alice, aquela do País das Maravilhas, certamente faria o coelho correr atrás dela, e não o contrário como mostra a história de Lewis Carooll. Bruna diz que a Leila de Insensato coração tem aquela veia jovem de quem tudo quer num simples piscar de olhos. E que olhos! Nem vamos nos ater muito a eles. É que Bruna não gosta de ser apenas um par de olhos azuis. Sabe como é...Nos perturbadores olhos de Bruna, a inquietude inerente à idade está estampada a cada observação que faz da própria biografia. É de se espantar que a menina, até meio franzina, que chega com um exemplar de jornal embaixo do braço e cita Freud com a mesma desenvoltura com que fala de suas sandálias Havaianas, tenha mesmo acabado de sair da adolescência.
“ Estou sempre em conflito e isso me leva a vários lugares. Me deixo seduzir e seduzo a vida para que ela se apresente a mim da melhor forma. Sou movida por paixões, pelo que me encanta ” Tenta traduzir-se.
Bruna é cheia de metáforas, de frases construídas, de referências culturais quase manjadas para pseudointelectuais, mas deixa-se transparecer ao falar da infância em Corupá, quando gostava de subir em árvores, tomar banho de cachoeira, correr até a casa dos avós alemães ou ouvir os sábios segredos do irmão mais velho, que trocou o futuro de artista pelo de bancário. Daí você fica sabendo que esta bela menina-mulher esquece de marcar as consultas médicas, tem dificuldade em manter a casa organizada e descobriu um gosto por andar de chinelos que antes não tinha. A única rotina que aceita e gosta é a de gravar a novela e correr por aí.
“ Correr me traz sensação de liberdade, sinto meu corpo todo, aquele vento batendo, a música no máximo... Poderia mudar o mundo correndo” Define.
Todo Brasil se apaixonou aos poucos por Bruna e automaticamente por sua personagem forte, decidida e moderna que de menina suburbana que morava em Florianópolis no início da novela, voltou uma mulher totalmente repaginada e madura de Londres, com cabelos bem mais curtos e arrojados no estilo dark-punk de garotas londrinas. Esse estilo descolado e fashion tem virado grande referência de moda para muitas adolescentes atualmente.
“ Deixei de ser virgem aos 16 também, como a Leila, e foi tudo tranquilo ”. Limita-se a dizer.
Bruna só não encontrou ainda uma fórmula para aplacar a saudade. Pelo menos uma vez por mês, voa até a cidade natal para se reabastecer.
“ Preciso disso, estar perto da minha família me faz ter os pés no chão e perceber que, qualquer coisa que queira fazer, sempre poderei voltar para lá ”. Diz ela.
Por vezes, ouvindo Bruna discorrer sobre qualquer assunto, é fácil esquecer dos seus 18 anos. Mas basta uma resposta para ter certeza de que a moça de belos olhos e boca à la Angelina Jolie ainda tem estrada pela frente, pois tem sido muito elogiada e tem mostrado muita paixão pelo que faz. É uma garota inteligente que adora ler, além de possuir uma beleza única. Beleza que sempre se destacou desde de seu primeiro trabalho na tevê em Afinal o que pensam as mulheres? Bruna ficou praticamente nua em algumas cenas, fazendo subir a testosterona de muitos moçoilos por aí. Foi o que chamou a atenção da revista Playboy, que a quer em suas páginas mais breve possível, ótimo para os fãs de Bruna, que poderiam ver a moça como veio ao mundo na revista masculina, mas como eu disse poderiam vê-la nua, porque para a decepção de todos os mais assanhadinhos, a atriz que foi mesmo sondada pela publicação, mas não pretende negociar e nem pretende posar nua tão cedo. Poxa! Que pena! Que pena mesmo!

Fonte: Uol.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vade retro Bolsonaro!


Com essa cara de doido e essa frase: “Soldado que vai a guerra e tem medo de morrer é covarde”. O capitão do exército e deputado federal Jair Bolsonaro do (PP-RJ) diz estar pronto para uma guerra, no caso a luta vai ser para evitar uma possível cassação por quebra de decoro parlamentar depois de ter dado declarações racistas e homofóbicas na TV Bandeirantes. Bolsonaro participava do quadro “O povo quer saber”, do humorístico CQC, na segunda-feira 28, quando respondeu a pergunta da cantora Preta Gil, que indagara o deputado sobre como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. A resposta: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram bem educados. E não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”. E quando perguntado por uma telespectadora, se ele fosse convidado para sair num desfile gay, se iria? A resposta: “Eu não iria porque eu não participo de promover os maus costumes, até porque acredito em Deus, tenho uma família e a família tem que ser preservada a qualquer custo, senão uma nação simplesmente ruirá”.
E eu me pergunto: meu Deus qual o limite imunidade parlamentar? Pelo artigo 53 da Constituição diz que deputados e senadores não podem ser processados na Justiça por suas opiniões. Eita Brasil injusto hein? Esse cidadão não pode ficar impune. A liberdade de expressão é uma coisa, racismo e homofobia são coisa completamente diferentes. Cadê a OAB?
Preta Gil nesse história toda, deu o primeiro tiro. Afirmou via twitter que iria processar o deputado e argumentou, em tom de desabafo: “Sou uma mulher negra, forte e irei até o fim contra esse deputado racista, homofóbico, nojento”. A declaração de Preta Gil repercutiu e o assunto tomou forma na internet. Em questão de horas Bolsonaro já estava no topo do Trending Topics Brasil. Na terça-feira 29, a guerra já alcançava o Congresso com 20 parlamentares assinando três representações contra Bolsonaro. “Representamos ao Conselho Nacional de Defesa da Pessoa Humana, à Procuradoria Geral da República. Afinal, racismo não é crime? ” Escreveu o deputado Brizola Neto em seu blog.
A partir daí a situação para Bolsonaro passou a ficar tensa. Temendo perder o mandato, o deputado precisou levantar a bandeirinha branca. No seu site pessoal, o parlamentar divulgou “nota de esclarecimento”: “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay. O próprio apresentador, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.” A verdade é que Bolsonaro recuou porque ele sabe que racismo é crime, o que facilitaria uma cassação de mandato por quebra de decoro. Uma prisão é mais complicada, visto a sua imunidade parlamentar.
Na retaguarda virtual de Bolsonaro estão seus dois filhos, que também são políticos; o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado estadual Flávio Bolsonaro. Ao verem a tag #forabolsonaro nas primeiras posições do Trending Topics Brasil, os pimpolhos embarcaram na guerra para tentar recuperar a imagem do papai. Carlos Bolsonaro, o mesmo que defende a esterilização de mendigos, escreveu no twitter, em letras garrafais: “Papai mandou eu obedeço com muito orgulho. Se os filhos respeitassem os pais nos dias de hoje, certamente teríamos um país melhor! Continuem forçando a barra em cima do que não existe! No fim sairemos vencendo porque estamos do lado da verdade! ”. Embora mais contido, Flávio Bolsonaro involuntariamente complicava ainda mais situação. “ Vejam o vídeo com imparcialidade e vejam se há nexo entre pergunta e resposta? Claro que não! Não adianta quererem taxar o Bolsonaro de racista, sua história é sua maior defesa!”
Não é bem assim. A história de Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda. Vale conferir que o medo, agora, é inédito. O deputado é famoso por suas declarações homofóbicas e sempre sair ileso delas. Foram mais de 20 processos abertos contra ele na Câmara, mas nenhum capaz de punir o deputado. Sequer lhe enfraquecer a imagem. Nas últimas eleições Bolsonaro conseguiu se reeleger para o seu sexto mandato como deputado federal, pelo Rio de Janeiro, com mais de 100 mil votos. Foi o 11° mais votado do Estado. São mais de 20 anos de Congressos e uma ampla coleção de polêmicas das mais absurdas. Seu alvo predileto são os homossexuais. Em novembro do ano passado, Bolsonaro esbravejava em repúdio ao kit contra a homofobia, que visa combater a discriminação dentro das escolas públicas. “É um estímulo ao homossexualismo. É um incentivo a promiscuidade”, dizia. Em outra ocasião, o deputado sugeriu aos pais darem palmadas nos seus filhos para eles “aprenderem a serem homens”. “Se o filho começa a ficar meio gayzinho, leva um coro. Aí ele muda o comportamento dele”.
Em 2008, Bolsonaro era protagonista de uma das cenas mais lamentáveis da Câmara. Num bate-boca com a então deputada Maria do Rosário, hoje ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, o parlamentar empurrou e chamou a colega de “vagabunda”. Em outros momentos, taxou Lula de “homossexual”, Dilma de “assassina especialista em assalto e furto” e promoveu uma singela homenagem ao então presidente FHC: “durante a ditadura militar deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”. O golpe de 1964 impetrado pelos militares, para Bolsonaro, foi uma “revolução”. Chega a ser constrangedor em sua página pessoal na internet ele divulgar um editorial do jornal O Globo, escrito pelo finado Roberto Marinho, defendendo com amor o regime ditatorial. Garrastazu Médici, um dos mais sanguinários presidentes da ditadura, para o deputado, foi um “homem ético”.
Enfim, nem a história e nem o próprio Bolsonaro ajudam. Diante de toda a repercussão do caso envolvendo Preta Gil, Bolsonaro distribuiu entrevistas para vários portais e engrossou a rejeição à sua imagem. “Aceito meu filho ter relacionamento com qualquer mulher, menos com uma com o comportamento da Preta Gil. Quem é o pai dela? Gilberto Gil. Aquele que vive dando bitoquinha em macho por aí”, dizia ao site da Veja. Sem citar o nome do deputado Jean Willys, um dos que assinou a representação contra o parlamentar, Bolsonaro atacava: “Eu estou entrando agora com uma representação no Conselho de Ética, para que eu possa ser ouvido lá e acabe com essa polêmica. Ou eu vou deixar que um deputado homossexual, não sei se é ativo ou passivo, queira crescer em cima de mim?”
O caminho para uma cassação não é curto. E, diante do histórico de impunidade no Congresso, além de longo, de difícil êxito. Para se ter idéia, o corregedor responsável pelo encaminhamento da representação ao Conselho de Ética é Eduardo da Fonte, partidário de Bolsonaro. Cabe a Fonte enviar ou não o processo. Só depois de encaminhado é que poderá ser aberto um pedido de cassação. E pedido é o que não falta. Na quarta-feira, dia 30, a OAB-RJ entrou com um processo contra o deputado e há na internet um abaixo-assinado com mais de 82 mil assinaturas pedindo a cassação do mandato do parlamentar. A petição intitulada "Proteja o Brasil do Bolsonaro" está em todas redes sociais.
Aos que acham que ele tem todo o direito de discordar, um aviso: liberdade de expressão tem de existir, sim. Mas não se pode dizer impunemente, em rede nacional, coisas como estas. Até para isso há limite. Uma vez que se descamba para apologia ao racismo, por exemplo, deixa-se de ser uma opinião. Torna-se crime. O mesmo se aplicaria a homofobia, mas infelizmente políticos como Bolsonaro atrasam a lei que criminaliza o ódio e a violência contra homossexuais automaticamente atrasam o país. Ainda que de uma maneira que não tenha agradado a todos, o “CQC” fez bem, sim. Mas poderia ter feito bem antes, mas antes tarde do que nunca. E chega de Bolsonaro na TV. E porque não mandar esse senhor pra puta que pariu ele? Vade retro satanás! Ou melhor: vade retro Bolsonaro!

Fonte: Colunistas do IG

domingo, 20 de março de 2011

Efemeridade

Hoje vou melhorar para amanhã ser melhor
O tempo pode passar depressa demais
Não sou de deixar nada pra depois
Não sou muito de paciência
Impaciente falha humana
Tudo pode mudar
Tudo pode não chegar
O último dia
Uma última chance
O presente já passou
O futuro já existe
Na efemeridade primitiva do mundo
Onde Saturno e Cronos se confundem
Nunca temos todo o tempo do mundo
O tempo corre só enquanto há vida
A vida deixa sempre uma obra
A calma, a dança, a loucura, a cura
Obras-primas de uma vida
Numa vida breve que se encurta
Curto fio que encerra o fim dos dias.

(Codinome Pensador)

segunda-feira, 7 de março de 2011

E o Oscar foi para...


Quando a atriz Natalie Portman recusou aos dez anos de idade ser modelo para se dedicar a sua carreira cinematográfica, nem imaginava que neste ano de 2011 ganharia o Oscar de melhor atriz, por sua elogiadíssima atuação no filme dark-psicológico Cisne Negro do cineasta cult Darren Aronofsky, onde interpreta uma bailarina escalada para o papel principal do balé O lago dos cisnes de Tchaikovsky, só que essa novo panorama gera toda uma enorme obsessão e esse sonho se torna um pesadelo.
Para Nina, a personagem de Natalie, interpretar o Cisne Branco, não é um problema. Ela, afinal, partilha com a personagem suas qualidades metódicas e virginais, é pura, inocente e encantadora. O desafio é o Cisne Negro, a encarnação da sensualidade e da sedução. Se ele quiser estampar o cartaz da companhia, agora que a primeira bailarina foi aposentada, Nina terá que superar seus medos e como a protagonista do balé, transformar-se. Mas o brilhantismo e o mérito de Natalie está na forma que ela usa a superação da personagem aos limites físicos e barreiras psicológicas de maneira literal. Refém da perspectiva de Nina, é visivel acompanhar a desintegração da sua sanidade enquanto ela enfrenta a pressão do diretor, a superproteção da mãe e a chegada de uma excitante bailarina concorrente. Natalie entregou-se totalmente à personagem, perdeu peso e até aprendeu a dançar, mesmo que ainda que em vários momentos tenha sido ajudada pelas suas dublês. Natalie está impecável. Tão perfeita que pra mim, que adorei o filme, foi até covardia ela participar da premiação do Oscar deste ano. Os sentimentos de Nina são visíveis a cada olhar, cada movimento que a atriz leva o filme de 108 minutos sem pressa, sem exagero e todo o seu esforço no final é simplesmente sublime.
Nascida Natalie Hershlag em Jerusalém, mudou-se para os Estados Unidos com apenas 3 anos de idade, judia, vegetariana, formou-se em Psicologia na Universidade de Harvard. Mas foi aos doze anos que estreiou ao lado do ator Jean Reno, no filme O profissional de Luc Besson, que foi um sucesso e revelou Natalie para o mundo, participando desde de então de dezenas de filmes e trabalhando com os mais prestigiados diretores como: Woody Allen em Todos dizem eu te amo, Tim Burton em Marte ataca!, George Lucas em três episódios da série Guerra nas estrelas, James McTeigue em V de Vingança, Milos Forman em Sombras de Goya, Anthony Minghella em Cold Mountain, Mike Nicchols em Closer- Perto demais, que lhe deu uma indicação em 2005 ao Oscar de melhor atriz codjuvante mas perdeu para atriz Cate Blanchett como a elegante Katharine Hepburn no filme O Aviador de Martin Scorsese.
Cisne Negro é definitivamente a consagração da carreira de Natalie Portman aos 29 anos. Que emocionada ao receber a estatueta dourada das mãos do também oscariado ator Jeff Bridges, vencedor do Oscar de melhor ator em 2010, pelo cantor country alcoólatra do filme Coração Louco. Ela fez questão agradecer aos pais: "Obrigada aos meus pais, que me deram a vida e a oportunidade para trabalhar no que mais amo", afirmou a atriz que está grávida de cinco meses, agradeceu também ao futuro marido, o bailarino Benjamin Millipied, autor das coreografias do filme: “Ao meu amor lindo, Benjamin, que me deu o mais importante papel da minha vida.” Disse Natalie.


Assim como Nathalie Portman ganhou o prêmio de melhor atriz, o ator britânico Colin Firth, foi o grande agraciado com o prêmio de melhor ator no filme o Discurso do Rei por seu desempenho como o Rei George VI, que vem a ser pai da rainha Elizabeth II, e de sua ascensão de Duque de York à rei da Inglaterra, depois da morte de seu pai o Rei George V e da renúncia de seu irmão, o Rei Edward VIII.
O filme O Discurso do Rei mostra o que acontece em um dos momentos em que a Inglaterra mais precisava, às vésperas da 2ª Guerra Mundial, o Rei não conseguia falar em público pois tinha ataques fortíssimos de uma insuportável gagueira. Entra na estória, então, Lionel Logue papel do sempre excelente ator Geoffrey Rush, um fonoaudiólogo pouco convencional que consegue mostrar progresso no tratamento do rei, que já havia passado pelas mãos de dezenas de outros especialistas. Essa relação do Rei com o excêntrico fonoaudiólogo que dá origem a diversas situações, questionamentos e descobertas, constituindo uma base forte e interessante de todo o filme.
E mostrar os desdobramentos dessa relação de forma plena e cuidadosa é algo que o diretor Tom Hooper consegue com maestria, apesar de ser um novato e com uma filmografia de apenas três filmes, Tom Hooper foi o ganhador do Oscar desse ano e levou para casa o prêmio de melhor diretor. Hooper consegue guiar em seu filme tudo com muita naturalidade, sem cortes excessivos, sem takes ousados, com uma fotografia objetiva e movimentos de câmera discretos. Esse é, talvez, o grande mérito do filme, ser emocionante sem ser piegas, ser burocrático sem ser desinteressante, ser tocante sem ser forçado, ser sutilmente engraçado sem ser brega e ser dramático sem exageros, tudo isso bem ao gosto do jeitinho inglês de fazer cinema.
Eu achei a estória do filme interessantíssima e claro que pouco conhecida, eu não conhecia esse aspecto íntimo ao mesmo tempo que teve grande reflexo na História, considerando o sofrimento dos ingleses durante esse período e a resistência deles aos avanços de Hitler, algo que o resto do Ocidente demorou ainda mais para perceber. E é assim que o filme O Discurso do Rei se torna na minha opinião bastante emocionante e engajante.
Colin Firth está sensacional como o Rei George VI, porque ele consegue passar humanidade, dignidade, medo, inteligência, todas essas expressões apenas com o olhar. Ele se entrega de corpo e alma ao papel, assumindo um verdadeiro rei de forma tragicômica em toda suas nuances, gestos, fala e expressões e comandando todas as cenas em que aparece sem precisar ser a tal figura imponente que está representando no filme. Além disso tudo, ele é gago. Mas não é um gago clichê. Ele é um gago atormentado, aterrorizado mesmo.
O Discurso do Rei não é apenas um filme que mostra aparentemente um simples discurso de um rei que não conseguia superar a gagueira, mas mostra muito mais que isso, mostrar sim que o poder da palavra pode mudar um país, pode confortar um povo em seus mais difíceis momentos e pode trazer esperança, união e paz.
Colin Firth, que vai fazer 51 anos em setembro, ganhou fama na série de televisão Orgulho e Preconceito em 1995 e passou a ser admirado e cobiçado pelas mulheres, de tal forma que foi adquirindo prestígio para ser catapultado ao cinema onde atuou em filmes premiados como: O Paciente Inglês, Shakespeare Apaixonado e cults como: Apartamento Zero e Valmont, mas o estrelato veio mesmo com o popular: O Diário de Bridget Jones de 2001, contracenando com Renée Zellweger e Hugh Grant, em 2008 participou da adaptação para o cinema do musical Mamma Mia!, grande sucesso de bilheteria tendo no elenco a consagrada Meryl Streep. Em 2010, obteve sua primeira indicação ao Oscar na categoria de melhor ator pelo filme O Direito de amar em que atuou ao lado de Julianne Moore. E para muitos críticos a premiação com o Oscar de melhor ator para Colin Firth, é muito merecida e faz justiça por ele ter perdido ano passado o prêmio com o filme O Direito de amar. Filme este que mostra um Colin Firth com uma atuação irrepreensível e inesquecível, como um professor homossexual retraído que fria e organizadamente planeja seu suicídio. A entrega do ator é tão grande no filme, que às vezes faz de seu personagem em alguns momentos a única coisa palpável do filme.
E que venham outros filmes para nos emocionar e prêmios para engrandecer esses que são considerados, a melhor atriz e melhor ator de 2011 .

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Eu vi. Filme: A Origem

Sinopse: Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um habilidoso ladrão, o melhor de sua geração, na perigosa arte da extrair segredos valiosos das profundezas do inconsciente durante o sono com sonhos, quando a mente está mais vulnerável. Essa rara habilidade de Cobb o tornou peça fundamental no traiçoeiro mundo da espionagem industrial, mas também o tornou um fugitivo internacional e ele perdeu tudo o que mais amava.
Agora, Cobb tem sua chance de redenção, um último trabalho que pode dar-lhe sua vida de volta se ele conseguir o impossível, a inserção. Ao invés do roubo perfeito, Cobb e sua equipe de especialistas têm que obter o inverso: sua tarefa não é roubar uma idéia, mas plantar uma. Se eles conseguirem, terão o crime perfeito. Mas nem todo seu planejamento poderia prepará-los para um perigoso inimigo que parece prever cada movimento da equipe. Um inimigo que apenas Codd consegue enfrentar.

Ficha técnica: Título original: Inception. Lançamento: 2010 (EUA). Direção: Christopher Nolan. Gênero: Ficção Científica. Elenco: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Michael Caine, Tom Berenger.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Butoh, a dança do homem-árvore






O butoh é uma dança que surgiu no Japão pós-guerra em meio aos protestos estudantis no Japão e ganhou o mundo na década de 1970. Criada por Tatsumi Hijikata na década de 50, o butô é também inspirado nos movimentos de vanguarda: expressionismo, surrealismo, construtivismo.
O butoh, é o resultado, não artístico, mas muito mais filosófico, da confluência de duas culturas completamente opostas e nitidamente anacrônicas: a ocidental, que vinha sendo consubstanciado pelos idos da modernidade de uma ideologia americana dos anos 50; e pela oriental, extremamente embasada em séculos e séculos da mais pura tradição milenar japonesa. Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, os expoentes e criadores da arte butoh, buscaram nas vanguardas européias, como no expressionismo, no cubismo e no surrealimo, e nas danças japonesas, como Nô e Bugaku, a inspiração para a criação de suas artes. Seguindo a estética de artes que tinham como proposta a subversão de convenções, caracteristicamente assumidas pelas vanguardas, o butoh busca uma forma de expressão que não seja necessariamente coreografada, nem presa a movimentos estereotipados que remetam a uma técnica específica. O butoh preocupa-se em expressar a individualidade do butoka, sem máscaras e véus de alegoria; expressar o que o ser humano tem de verdade em sua alma, em seu espírito, mesmo que para isso desvende o que pode haver de mais sórdido, solitário e trevas no interior do dançarino. E para que isso seja expresso, não cabe que o meio pela qual se dá a expressão seja preso à convenções que mascaram a verdade da alma humana. O que deve ser feito, segundo a filosofia butoh, é libertar-se das formas do corpo e do pensamento. Kazuo Ohno, utilizou por muitos anos termos bastante sugestivos para a transmissão de seus conhecimentos aos seus discípulos, tais quais: o corpo morto, o qual sugere um corpo e uma alma vazia, livre, leve, sem empecilhos que o impeça de expressar-se. Aqui também está incluso a ideia do olho de peixe, que lembra os olhos de um cadáver, sem vida e estático, porém, assim como o peixe, extremamente vivo e pronto para reagir, assim como deve ser o butoka; crayze dance, free style, referindo-se ao livrar-se de convenções que estipulam os movimentos do corpo e da mente, uma expressão pura, completamente concernente à peculiaridade de cada butoka; o passado, os mortos, segundo Kazuo, só somos hoje o que somos, graças aos nossos mortos; aqui está inclusa a ideia do zen budismo da transitoriedade das coisas, de que é necessário a morte para que haja a vida. Como toda a arte que fica grafada nas páginas da história, o butoh expressa o que é universal, expressa o que é o ser humano com a sua torpe verdade. Assim, tanto para o butoka quanto para aqueles que o vêem dançar, as máscaras sociais são arrancadas e a verdade de cada um é brutalmente desvendada causando, consequentemente, uma espécie de alvoroço interior que nos obriga a sair de nossas estaticidades e conformações em busca do nosso verdadeiro eu. Assim, se compreende o intento de Hijikata ao pretender o butoh não como uma simples dança, mas como uma filosofia.
Um conceito de moderno para definir o butoh, seria de uma espécie de um teatro fundido à dança de vanguarda, se inspirou na "Ausdruckstanz" e em outras modernas tendências europeias e continua se abrindo a influências e assimilações, pós anos 50 anos, como a capoeira e a música pop da atualidade.
Corpos embranquecidos com pó-de-arroz japonês, lentidão sobre-humana, delicadeza e ternura beirando o kitsch, estertores, esgares, convulsões, morbidez, posturas corporais extremas, seminudez, sugestões de sangue, morte... Tão fácil é enumerar o repertório de formas do butoh quanto é duro definir satisfatoriamente essa arte corporal. Pois ela se originou e habita nos interstícios entre os conceitos, morto-vivo, belo-horrendo, masculino-feminino, isto é, na superação de gêneros e dualismos.
Michael Haerdter e Sumie Kawai, autores do livro Butoh, rebellion des körpers (Butoh, a rebelião do corpo), chamam a atenção para o processo de americanização, uma dependência com componentes "não apenas político-econômicos, mas também psicológicos", que tomara o Japão, "um país de contradições", após a Segunda Guerra Mundial.
Na dança do butoh, um inimigo era a modern dance, com sua fixação na pura forma. E o cultivo das artes cênicas tradicionais japonesas era percebido como uma camisa-de-força, feita de movimentos e gestos preservados e repetidos com minúcia pelos séculos adentro.
Os impulsos decisivos para romper com esse estado de estagnação artística partiram da Ausdruckstanz alemã. Interessante notar que a dança expressionista desenvolvida nas décadas de 20 e 30 por Mary Wigman e seus discípulos Harald Kreutzberg e Gret Palucca também se originara da revolta contra o balé clássico. E, para tal, seus criadores igualmente recorreram a influências "exóticas".
Por recusar-se a ser cristalizado como técnica, ou a formar escola, a natureza do butoh continua escapando a definições simplistas. Segundo um de seus maiores mestres, Kazuo Ohno: “O butoh é o que aprendi a inspirar e expirar, e cresci num determinado lugar. Impossível querer ensinar ou aprender essa vivência totalmente pessoal." Segundo ele, butô seria "o cadáver que quer se levantar, a todo preço e apaixonadamente"; "a luta de coisas invisíveis em meu corpo". "Minha dança nasceu da lama", comentava. Ou: "Não se esqueçam de fazer a tentativa de conviver com seus mortos".
O flerte com a morte é uma das constantes desse teatro-dança em perpétua mutação. Um componente extremo que conferiu trágica notoriedade ao grupo Sankai Juku em 1985: durante uma apresentação em Seattle, Washington, em que os intérpretes ficavam pendurados de cabeça para baixo de um alto edifício, uma corda partiu-se, e um deles precipitou-se na calçada abaixo, morrendo em seguida.
Porém, cinco décadas de sua origem, o teatro-dança japonês continua vivo e disposto a continuar assimilando influências estranhas, seja o flamenco, a capoeira ou o hip hop. Sua rede se espalha, e são numerosas as trupes de butô por todo o mundo.
Apesar da advertência de Hijikata, muitos tentam comunicar a natureza do butô. Na Alemanha, nomes como Minako Seki e Tadashi Endo (presença frequente no Brasil), lecionam regularmente. E a dançarina Sayoko Onishi dirige a Accademia Internazionale di Butoh na Sicília, Itália, em colaboração com Yoshito Ohno, filho de Kazuo.
O butô provou, igualmente, sua capacidade de ser assimilado: a legendária montagem de Macunaíma de 1978, do diretor brasileiro Antunes Filho, ilustra hoje publicações sobre o butô. Nos anos 90, a diretora norte-americana Julie Taymor integrou o veterano Min Tanaka em sua montagem do Oedipus Rex de Stravinsky, ao lado de Jessye Norman.
O butoh teve em Kazuo Ohno, seu grande mestre do teatro butoh, Kazuo foi mais que um dançarino e coreógrafo japonês, conhecido como o homem-árvore, por seus movimentos exóticos que lembravam as hastes finas de bambus, árvore que é considerada sagrada no Japão. Ele esteve três vezes no Brasil, nos anos de 1986, 1992 e 1997. Na primeira, Ohno visitou o país a convite do diretor Antunes Filho. “Ele foi fundamental na dança contemporânea e nas artes cênicas, trouxe para o Ocidente uma linguagem e uma técnica antes desconhecidas por nós. Foi uma revolução em relação ao que nós tínhamos como referência”, diz a encenadora, atriz e coreógrafa Maura Baiocchi, que conheceu Ohno na Universidade de Brasília em 1986 e foi uma das pioneiras na introdução do butô no país. Kazuo morreu ano passado com 103 anos, nasceu em 1906 na cidade de Hakodate, no Japão.
O corpo estava frágil e já há uns anos que vivia acamado, depois de outros tantos em cadeira de rodas mas, ainda assim, a dançar era vital para a sua vida, Kazuo que chegou algumas vezes nos seus últimos dias de vida a ser carregado ao colo ao palco pelo filho, Yoshito Ohno. Em 2004, ele anunciou o abandono dos palcos, mas a sua energia, contudo, não acabava, por isso, ele foi chamando de homem-árvore, um homem que revolucionou da dança mundial.
Com uma maestria incomum e brilhante adquirida com anos de formação, que singularizou Kazuo e fez dele uma das maiores referências mundiais da criação contemporânea. Diz-se que um bailarino deve iniciar o seu percurso cedo, e ele começou apenas aos 43 anos, depois de ter sido professor de Educação Física e soldado, acabando como prisioneiro de guerra na Nova Guiné.
Kazuo disse em uma de suas últimas entrevistas: “ Como é que eu posso dançar, como é que eu posso exprimir certas coisas se cada vez tenho menos força e menos energia? Mas sou capaz, porque sei que não estou sozinho, dentro de mim habita a minha família que me dá a força que necessito. O butoh é uma dança que valoriza a vida, mas que o faz assim convocando a morte, pois não se pode pensar na vida sem pensar na morte". Filosofou Kazuo.
Em 2009 o rosto de Kazuo Ohno, foi a capa de um álbum da banda britânica Antony & The Johnsons, intitulado Crying light, álbum dedicado a ele.

Fonte: Conexão dança

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O palhaço do ano


Eu estava pensando quem eu poderia eleger como o mais autêntico brasileiro do ano, se for para eleger o óbvio seria fácil, me vem à cabeça logo muitos nomes, desde da nossa presidenta eleita Dilma Rousseff, passando pelo nadador Tiago Pereira, pela cantora Ivete Sangalo, pelo apresentador Marcelo Tas e até mesmo pelo galãzinho do momento Fiuk.
Mas eu queria alguém no sentido mais verdadeiro da palavra brasileiro, no sentido literal daquele famoso slogan publicitário “ Sou Brasileiro não desisto nunca!”. E na minha opinião brasileiros assim são muitos raros e merecem ser homenageados sempre, até porque ser brasileiro no Brasil é muitíssimo difícil por todos os inúmeros problemas que já sabemos, pela nossa educação de baixíssimo nível, falta de emprego, falta de saneamento básico, falta de saúde, corrupção, desigualdade social, altos índices de criminalidade e mesmo assim surge dentro de nós, não sei de onde uma superação diária que faz com que nos sejamos malabaristas, como muitos pais e mães de família que sustentam suas casas com apenas um ridículo salário mínimo. Isso que é ser brasileiro, quando a perseverança vence todo e qualquer obstáculo e o pensamento de desistir é quase inexistente, apesar dos obstáculos e das muitas dificuldades. Há tempos que não se via o brasileiro tão empolgado com sua força interior. Sua auto-estima que estava em baixa, por problemas já mencionados, subiu a níveis surpreendentes, o espírito de patriotismo elevou-se também. Isso não estou falando da boca pra fora, é um dado pesquisado e comprovado pela Associação Brasileira de Anunciantes.
E comecei a imaginar e visualizar a imagem de um pobre menino no interior do Ceará, numa cidadezinha chamada Itapipoca, que com oito anos começou a trabalhar em um circo onde atuava como palhaço, acompanhado pela alcunha de Tiririca, o apelido lhe foi dado devido à personalidade muito forte de que gozava. O apelido foi dado pela mãe, quando o filho se mostrava mal-humorado e zangado.
Anos depois já adulto, Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, fazia apresentações sempre em barracas, espécies de pequenos circos, muito comuns no Nordeste, e se tornaram cada vez mais constantes. Devido ao grande sucesso alcançado nesses espetáculos, os barraqueiros da região pagaram as primeiras mil cópias do CD de estréia, que bateu índices recordes de vendagem com mais de 1,5 milhão de cópias, isso graças à exaustiva execução nas rádios da canção de estilo regional nordestino intitulada Florentina. Distribuída inicialmente pelas regiões de Juazeiro e Pernambuco, pouco tempo depois a música se tornou conhecida nacionalmente. A gravadora Sony Music comprou o disco e o lançou nacionalmente.
Tiririca também bateu recordes de audiência em programas televisivos, que anteriormente pertenciam ao grupo Mamonas Assassinas e outra canção sua obteve também gigantesco sucesso que foi Eu sou chifrudo.
Ainda com o primeiro CD houve um fato causou muita polêmica, a canção Veja os cabelos dela, que foi considerada por muitos como racista. Com essa acusação os discos foram apreendidos, a execução das canções pelas rádios foi proibida e Tiririca foi processado por racismo. Ao fim, ele acabou sendo absolvido da acusação.
Em 1997, Tiririca gravou o segundo CD, com destaque para as canções O Padroeiro do Ceará, Índia e Ele é corno mas é meu amigo. Depois de um breve afastamento da mídia motivado por problemas pessoais, ressurge em 1999 com o lançamento do terceiro CD, lançado pela independente Indie Records. O maior sucesso do disco foi a canção Casado com uma viúva. Outra gravação de Tiririca foi a música Índia, de Cascatinha e Inhana. A grande diferença, porém, é que durante a música inteira Tiririca só cantou a primeira frase da letra original: "Índia seus cabelos”.
Realizando uma série de espetáculos, no mesmo ano ingressou na Rede Record onde fez parte do elenco fixo do humorístico Escolinha do Barulho, abandonando temporariamente a atividade musical. Antes chegou a apresentar um programa infantil na Rede Manchete. Posteriormente transferiu-se para o SBT, onde tinha um quadro fixo no programa A praça é nossa. Lançou o CD Alegria do forró e retornou à Rede Record onde participa do programa Show do Tom, apresentado pelo também humorista Tom Cavalcante. Recentemente se tornou principal influência de bandas como Cine e Restart.
Neste ano, Tiririca, se lançou como Tiririca lançou sua candidatura para Deputado Federal pelo estado de São Paulo por meio do Partido da República. Utilizava um bordão que era bem a sua cara e seu estilo humorístico que dizia: "Vote no Tiririca, porque pior do que tá não fica". Tal bordão levaram um candidato a deputado estadual a representá-lo junto ao Ministério Público Eleitoral, sob o fundamento de que estaria afrontando o Congresso Nacional e o poder público em geral. A representação, contudo, foi arquivada.
Meses depois, Tiririca é apontado como um analfabeto pela Revista Época, o que também pode impugnar sua candidatura. No dia 3 de outubro de 2010 Tiririca torna-se o Deputado Federal mais votado do Brasil e eleito pelo estado de São Paulo com 1.348.295.
Em 30 de outubro último, a defesa de Tiririca alegou que ele sofre de transtorno de desenvolvimento da expressão escrita, uma deficiência motora que o impediria de segurar uma caneta com firmeza. A defesa afirma que Tiririca contou com o auxílio de sua mulher para escrever de próprio punho a declaração de alfabetização, exigida pela Lei Eleitoral. A mulher de Tiririca teria apoiado sua mão sobre a mão do marido para ajudá-lo a firmar a caneta no momento da redação. Por causa da deficiência, diz a defesa, Tiririca também estaria impossibilitado de fazer testes de escrita.
Após muita polêmica dia 17 de dezembro, o candidato foi o primeiro a ser diplomado na Assembléia Legislativa em São Paulo. Tiririca foi aplaudido de pé pelas pessoas que estavam nas galerias e pretende focar seus projetos nas áreas de educação e cultura, na defesa de artistas circenses em geral.
O palhaço/humorista Tiririca e agora Deputado Tiririca, é o melhor exemplo de brasileiro no mais extenso sentido da palavra, sempre sentiu na pele todas as mazelas de ser pobre, nordestino e claro brasileiro que sempre se virou para sobreviver a essa sua trajetória de vida sofrida, sempre tomou bofetada na cara e sempre deu risada para não chorar e apesar dos pesares chegou aonde chegou, chegou no Congresso Nacional com seu 1 milhão de votos.
Há quem discorde e diga que Tiririca é uma vergonha nacional, por ele não ter escolaridade. Pra mim vergonha nacional é o Senado autorizar que parlamentares a utilizarem passagens aéreas extras para lazer, é Senadores ganham diárias para ficar em casa, é a Câmara pagar horas extras durante o recesso de festas de final de ano, é a dengue matando a população pobre do Brasil, são gastos de publicidade do governo federal, é o Apagão aéreo nos nossos aeroportos, são os escândalos das obras do PAC, é a venda da Brasil Telecom, é a CPI da Pedofilia, é o escândalo dos cartões corporativos, são as fraudes dos exames e das provas da OAB e do ENEM. Isso sim são vergonhas nacionais. Agora vim me dizer que a eleição do palhaço Tiririca é deprimente já é ser demais preconceituoso. Se Tiririca é um mero puxador de votos, isso é mérito dele que é um artista dos mais populares, diferentemente de alguns políticos que ganham a notoriedade por falcatruas e corrupção. Pelo menos Tiririca é um palhaço de verdade, no melhor sentido da palavra palhaço. Não é como alguns cidadãos digníssimos que não são palhaços mais adoram colocar um nariz de palhaço na cara do povão brasileiro.
Tiririca para mim o brasileiro do ano, não só pelo façanha de ter se tornado o segundo Deputado Federal mais votado da história do país, só perdendo para o já falecido Deputado Enéas Carneiro, mas exatamente por transformar seu humor de palhaço em votos e provando assim que é um palhaço sim e um anarquista digno de boas idéias diante da maioria de nossos políticos que são meio sem graça. E com sua gozação de palhaço/humorista atraiu a simpatia de seus eleitores. E o palhaço Tiririca o que é? É ladrão de mulher? Não! Tiririca é o palhaço do ano ou melhor o brasileiro do ano.

(Codinome Pensador)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tô ouvindo: CD Efêmera da Tulipa Ruiz


Se você ainda não ouviu falar na cantora e compositora Tulipa Ruiz é bem provável que mais dia, menos dia, isso aconteça. Afinal de contas, a paulista vem sendo apontada por muitos como uma das novas promessas da atual cena musical brasileira e acaba de lançar seu álbum de estréia "Efêmera". Apesar de ser seu primeiro trabalho, a artista já é figura conhecida no meio musical e se favorece de um fator bastante plausível nos dias atuais: em meio a um desgaste natural da velha MPB, ela faz parte de uma safra promissora da música brasileira. Ambientado em uma esfera alegre e colorida, o disco traz muita originalidade, tanto na parte sonora, quanto nas composições.
Seguindo o caminho inverso de muitos artistas, Tulipa começou a fazer música sem pretensão de se profissionalizar. No entanto, para os que pensam que seu talento e dom para a música são obras do acaso, ledo engano! Pois sua bagagem vem de berço. Ela é filha de Luiz Chagas (ex-guitarrista da histórica banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção) e irmã do violonista e guitarrista Gustavo Ruiz (Mariana Aydar, Junio Barreto, Trash Pour 4 e Dona Zica), que também assina a produção de "Efêmera". Não bastasse cantar e compor bem, ela é ainda desenhista e responsável pela capa de seu debut.
Nascida em Santos (litoral de São Paulo), criada no interior de Minas e desenvolvida na capital paulista, Tulipa filtra influências de todos esses ambientes. Daí se explica o fato de as letras do disco, que compila 11 belas canções, sendo dez autorais e quatro parcerias, abordarem tantos elementos da natureza. Como, por exemplo, em "A Ordem das Árvores" (faixa 05), cenas urbanas paulistanas, retratadas em "Às Vezes" (faixa 09), personagens inventados, abordado em "Pedrinho" (faixa 04) e situações reais pessoais, apresentados em "Pontual" (faixa 02) e "Só Sei Dançar Com Você" (faixa 11).


Dona de uma voz doce e, ao mesmo tempo, marcante, Tulipa reverencia tais atributos de modo exemplar neste seu primeiro trabalho, que vem associado a excelentes arranjos. Além do pai e do irmão, a cantora ainda contou com a participação no disco dos músicos Dudu Tsuda (teclado), Márcio Arantes (baixo e co-produtor do disco) e Duani Martins (bateria). Aliás, banda que vem a acompanhando também nos shows de divulgação do álbum. Com várias participação especiais, entre elas, de Kassin, trio Negresko Sis (formado pelas cantoras Céu, Anelis Assumpção e Thalma de Freitas), Stéphane San Juan, Zé Pi, Iara Rennó, o álbum consegue reunir artistas e músicos das mais variadas influências sem "perder o pé". Muito pelo contrário, algo que nos surpreende é a coesão aparente existente entre todos.
O que nos leva à conclusão de que salvo o talento promissor da idealizadora do projeto, "Efêmera" é mais um cruzamento de ótimas idéias e escolas musicais. Melodista e letrista espirituosa, Tulipa consegue desenhar canções cheias de poesia, bom humor e feminilidade. Repleto de músicas que trazem algo de retrô e uma leveza pop cativante, o álbum é o resultado da miscelânea e união de diversas influências, cuja sonoridade remete ao tropicalismo, passando pelo soft rock dos Anos 60 à gloriosa Gal Costa dos 70. Porém, sem soar como algo antigo, mas sim, contemporâneo, com cheiro de novo, é importante ressaltar!
O mais bacana deste projeto é que o álbum, além de trazer criações de Tulipa, ainda abre espaço para outros artistas mostrarem a sua criatividade, como é o caso dos diversos desenhos de tulipas espalhados no encarte, assinados não apenas por sua titular, mas também por músicos e amigos. Entre eles, Edith Derdik, Karina Buhr, Rômulo Fróes, Na Ozzetti, Alexandre Órion, Rafael Castro, Marko Mello, Érika Machado, Gustavo Aimar, Luciana Cottini e Victor Zalma.
Enfim, em um País de grandes cantoras, Tulipa revela influências, mas não se perde em imitações enfadonhas. Tanto que não é à toa, que a paulista vem despontando na cena musical brasileira, diante da enorme gama de artistas que estão na batalha por um espaço e por apresentar o seu trabalho. E talvez o diferencial da cantora esta no fato de apesar de ser também compositora, por outro lado, rejeita o ecletismo das intérpretes moderninhas, ao investir em diversos caminhos sonoros. Ela, que tem em Milton Nascimento como principal parâmetro no desenvolvimento de seu trabalho, consegue reunir com maestria a riqueza, seja ela musical ou imagética, em um mesmo produto. O que apenas denota o seu talento promissor para a arte, de forma geral.

Lista de músicas:

1 - Efêmera
2 - Pontual
3 - Do amor
4 - Pedrinho
5 - A ordem das árvores
6 - Sushi
7 - Brocal dourado
8 - Aqui
9 - Ás vezes
10 - Da menina
11 - Só sei dançar com você

Fonte: Radar cultural

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma fotografia sem pudores






Robert Mapplethorpe nasceu em 1946, em Floral Park, Queens, Nova York. Definido hoje por muitos críticos como um dos maiores fotógrafos de sua época, ele tinha um estilo polêmico e rigoroso em todos os aspectos da sua obra. Explorou como ninguém o nú artístico sob uma ótica clássica e composição purista, still life de flores e portrait de personalidades do meio artístico e cultural. Ficou mais conhecido por suas fotografias de nu e sua maneira controversa de abordar o erotismo. Algo que predomina em quase todos os seus trabalhos. Suas fotografias tinham composições muito sofisticadas, suas naturezas mortas eram refinadas e suas imagens da sexualidade explícita do universo sadomasoquista, despertaram tanto a idolatria quanto a fúria da sociedade norte-americana. Enfim... Sua arte teve vários caminhos, mas foi na fotografia que este homem dúbio e incansável celebrizou-se. Uma vez no auge do sucesso, ele disse: " Eu venho da América suburbana. Um bom lugar para quem quer aprender de verdade com a vida e para quem não tem medo de ganhar o mundo." Essa frase resumiria um pouco das idéias inovadoras e de sua personalidade inquieta.
Em 1963, Mapplethorpe matriculou-se no Pratt Institute of Brooklyn, onde estudou desenho, pintura e escultura.Logo foi influenciado por artistas como Joseph Cornell e Marcel Duchamp, ele também experimentou com diferentes materiais em colagens mixed-media, incluindo imagens cortadas de livros e revistas. Ele adquiriu uma câmera Polaroid em 1970 e começou a produzir suas próprias fotografias para incorporar as colagens, dizendo que se sentia "que era mais honesto”. Nesse mesmo ano, ele e sua namorada Patti Smith, a quem tinha conhecido três anos antes e que era bissexual como ele, se mudaram para o Chelsea Hotel.
Patti Smith era naquela década, era uma poeta, uma artista, uma estrela do rock e até um pouco de um xamã. Considerada a madrinha do punk, por saber integrar a sua poesia e o seu estilo de performance com três acordes do rock . Foi quando sua amizade com Robert Mapplethorpe gerou um romance dos mais selvagens e aqueles dois jovens sem dinheiro ou conexões mais tarde viriam a atingir tal o extremo sucesso, Smith com sua música e Mapplethorpe com sua fotografia. Os dois lutaram para ter comida e abrigo, mantendo um olhar para tudo que vinham e viviam com a finalidade de fazer arte. Smith deixou Nova York para Detroit em 1979 para viver com o homem que viria a se casar, o falecido ex-guitarrista do MC5, Fred "Sonic" Smith, assim como a carreira de Mapplethorpe como um dos fotógrafos de arte mais chocante e potente estava atingindo seu apogeu (como seu preto -e-branco dos prostitutos homossexuais, S & M atos, flores e de crianças estavam a caminho do acervo do museu).
Mapplethorpe rapidamente encontrou satisfação tirando fotos Polaroid, por direito próprio e Polaroids na verdade, poucos realmente aparecer em suas obras mixed-media. Em 1973, a Galeria de Luz em Nova York, montou sua primeira galeria de exposições a solo, "Polaróides". Dois anos depois, ele adquiriu uma câmera médio formato Hasselblad e começou a fotografar seu círculo de amigos e conhecidos artistas, músicos, socialites, estrelas de cinema pornográfico, e os membros do S & M subterrânea. Ele também trabalhou em projetos comerciais, criação de capa do álbum de Patti Smith e Television e uma série de retratos e imagens do partido para Interview Magazine.
No final dos anos 70, Mapplethorpe cresceu cada vez mais interessados em documentar o New York S & M cena. As fotografias resultantes são chocantes pelo seu conteúdo e notável por seu domínio técnico e formal. Ele disse na época: " Eu estou olhando para o inesperado. Estou à procura de coisas que eu nunca tinha visto antes ... Eu estava em posição de tomar as fotos. Senti a obrigação de fazê-las. Enquanto isso em 1977, sua carreira continuava a crescer, foi quando a Robert Miller Gallery em Nova Iorque tornou-se seu distribuidor exclusivo.
Ao longo dos próximos vários anos, trabalharam em uma série de retratos e estudos de figura, um filme, e o livro “Senhora, Lisa Lyon”. Ao longo da década de 80, Mapplethorpe produziu um bando de imagens que ao mesmo tempo desafio e aderir a padrões estéticos clássicos: composições estilizadas de nus masculinos e femininos, flores delicadas naturezas-mortas e retratos de estúdio de artistas e celebridades, para citar alguns de seus gêneros preferidos. Ele apresentou e refinou as técnicas e formatos diferentes, incluindo a cor de 20 "x 24" Polaroids, fotogravuras, platina, impressos em papel e roupa, Cibachrome e transferência de corante de cor impressa. Em 1986, ele projetou cenários para Childs dance performance Lucinda, Retratos de Reflexão, criou uma série Fotogravura de Rimbaud Uma estação Arthur no Inferno, e foi encomendada pelo curador Richard Marshall para tirar retratos de York novos artistas para a série e livros, 50 Artistas de Nova York.
Apesar de sua doença, ele acelerou os seus esforços criativos, alargou o âmbito da sua investigação fotográfica, e aceito encomendas cada vez mais desafiador. O Museu Whitney de Arte Americana montou sua primeira grande retrospectiva do museu americano, em 1988, um ano antes de sua morte em 1989.
Era louco em suas aventuras sexuais e tinha manias: usar caveira como símbolo, dormir em uma gaiola gigante, com lençóis pretos na cama. Tudo isso adquiriu um aspecto trágico ao descobrir que tinha AIDS.
O senso provocativo e poderoso de seu trabalho, o estabeleceu como um dos mais importantes artistas do século XX. Hoje Mapplethorpe é representada por galerias em América do Norte e do Sul e Europa e sua obra pode ser encontrada nas coleções dos principais museus de todo o mundo. Além do significado da arte histórica e social de sua obra, seu legado vive através do trabalho da Fundação Robert Mapplethorpe. Ele criou a Fundação em 1988 para promover a fotografia, museus apoio para a arte e a exposição fotográfica, e para financiar pesquisas médicas na luta contra a AIDS.

Fonte: Interview Magazine

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Todos os sentimentos em todos os sentidos

Quando o amor consegue captar alma da poesia
Surge a sublimação de todos os sentidos
Todos os sentimentos são nobres
Todos os sentidos são cinco

Tudo vira interpretação, reconhecimento
Reconhecer o amor através dos olhos
Olho, imagem, retina, cores
Enquadram e focam no âmago da alma

A alma chora enquanto canta
Uma música que nos leva a ouvir a nós mesmos
Que acalma e cura o nosso coração
Sem revelar esse segredo, essa façanha

Que nos levar a querer descobrir esse mundo curioso
Pele a pele, tato a tato
Num contato com a intuição, com o afeto
Que está na palma da mão de cada um de nós

A obscuridade que se mistura a cada paladar
Milhões de papilas à procurar
Dentro de um mesmo eixo, dentro de um único ser
Saboroso aperitivo, pedacinho de cosmos.

Sente-se o cheiro de todos os elementos
Perfume, suor, secreção, alfazema
Sinto que minhas narinas tem personalidade
Me fazendo sentir uma emoção paranasal.

Todos os sentimentos em todos os sentidos
Me tocam bem fundo, me envolvem de repente
Para descobrir no final
Que no encontro do amor com a poesia surgiu uma paixão.

(Codinome Pensador)

Eu vi. Filme: O segredo dos seus olhos


Sinopse: Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta. Ficha técnica: Título original: El Secreto de sus Ojos. Lançamento: 2009 (Argentina). Direção: Juan José Campanella. Gênero: drama. Elenco: Ricardo Darín , Soledad Villamil , Pablo Rago , Javier Godino , Guillermo Francella.

O senhor do labirinto e da arte


Arthur Bispo do Rosário perambulou numa delicada região entre a realidade e o delírio, a vida e a arte. Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis (doentes psiquiátricos, alcóolatras e desviantes das mais diversas espécies), local onde foi diagnosticado como um esquizofrênico-paranóico e onde recebeu o número de paciente 01662, permanecendo por mais de 50 anos. Natural de Japaratuba no Sergipe, Arthur Bispo é descendente de escravos africanos, foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca. Nasceu no ano de 1909 ou 1911,não se sabe ao certo.
Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e curiosamente, também em sua terra natal. Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador. Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. A utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique. Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e ano passado virou filme, pelas mãos do cineasta pernambucano Geraldo Motta.
O filme é intitulado O Senhor do Labirinto e teve sua premiére no Festival de Cinema do Rio este mês, maior evento audiovisual da América Latina, o mesmo ressalta a vida e obra do artista sergipano, interpretado pelo ator Flávio Bauraqui. E sendo devidamente premiado neste festival com o prêmio de Melhor Longa Metragem de Ficção pelo Júri Popular. A produção cinematográfica teve o apoio do Governo do Estado, através do Banco do Estado de Sergipe (Banese). O filme foi gravado quase que 90% em solo sergipano com exceção de duas cenas que foram feitas no Rio de Janeiro. No papel de Arthur Bispo do Rosário, o ator Flávio Bauraqui tem seu melhor momento de protagonista no cinema e faz bom uso dele. Com uma atuação acima da média para protagonistas e usando uma maquiagem pesada para viver Bispo do Rosário mais velho, que deu mais veracidade à sua interpretação que foi muito elogiada pela crítica. “Gosto de desafios. Foi um dos personagens que eu mais sofri fazendo, mas adorei todo o processo”, disse o ator.
Produziu mais de mil obras consagradas no mercado internacional de arte contemporânea que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada como instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário. Bispo do Rosário criou um universo lúdico de bordados, durante os mais obscuros períodos da psiquiatria, época dos eletrochoques, lobotomias e tratamentos violentos aplicados para o controle de crises. Diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata eram utilizado por ele em suas obras, que seriam classificados anos depois como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas do seu trabalho, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de mísseis e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.
Sem se dar conta, Bispo não só driblou os mecanismos de poder no manicômio como utilizou sobras de materiais dispensados no hospital para criar suas obras, inventando um mundo paralelo.
Dizia-se um escolhido do todo-poderoso, encarregado de reproduzir o mundo em miniaturas. Eram suas representações, afirmava. Paradoxalmente, as obras, que deveriam representar tudo o que havia na Terra acabariam reconhecidas como peças de vanguarda, incluídas por críticos em importantes movimentos artísticos. Sua arte genial chegou a representar o Brasil na prestigiada Bienal de Veneza, além de correr museus pelo mundo, a exemplo do Jeu de Paume, em Paris. Curiosamente, em vida, Bispo recusava o rótulo de artista, dado o caráter divino de sua tarefa. Mas a potência de sua obra ignora limites e até hoje atravessa fronteiras, transgredindo convenções e levando espectadores de todo o mundo ao encantamento.
Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha. Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.
A história da loucura de Bispo remonta à noite de 22 de dezembro de 1938, quando, aos 29 anos, conduzido por um imaginário exército de anjos, andou pelas ruas do Rio com um destino certo: ia se apresentar na igreja da Candelária, no centro. Peregrinou pelas várias igrejas enfileiradas na rua Primeiro de Março e terminou no Mosteiro de São Bento, onde anunciou a uma confraria de padres que era um enviado, incumbido de julgar os vivos e os mortos. Detalhes dessa narrativa, meio real, meio ficcional, constam de um estandarte bordado por Bispo, uma das belas peças de sua vasta obra, que mistura autobiografia e auto ficção. É nesse estandarte que Bispo registra a frase-síntese de sua vida e obra: “Eu preciso destas palavras escritas para viver”. A palavra tinha para ele status extraordinário, por isso seus bordados estão repletos de nomes de pessoas, trechos poéticos, mensagens.
O dia 24 de dezembro de 1938 foi um divisor de águas psíquico para Bispo. Era Natal, ele se convertia na figura de Jesus Cristo, mas acabaria sob o domínio da psiquiatria. Interditado pela polícia dois dias após a sua anunciação, foi enviado ao Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, onde rótulos não tardariam a marcar sua ficha: negro, sem documentos, indigente.
Arthur Bispo do Rosário não é o nosso Duchamp e muito menos o nosso Van Gogh, mas olhando com atenção para a obra de Duchamp, vamos compreender melhor a de Bispo do Rosário, pois, apesar dos sotaques, ambos conversam no mesmo registro, falam do mesmo modo e dos mesmos assuntos.
A diferença de importância ou de qualidade entre as duas obras, só está na enorme diferença com que cada uma foi abordada e estudada. Só se pode dizer é que ficamos totalmente deslumbrados nessa teia de símbolos e signos que foi maravilhosamente inventada por esses artistas, por uma erudição mas também pela formidável ignorância dos homens em meio à sua irremediável solidão. Foi nas cavernas, nos campos, nas praças, nos mares e nos portos que se inventou e se reinventa até hoje a linguagem e a arte, e não nos mosteiros, nem nas universidades, erudita ou autodidata, a criação vem sempre depois, o que vem antes é o talento e a intuição com sanidade ou não, quando vemos tudo já está criado e no final não importa a vaidade, o prestígio e a efemeridade de qualquer discurso, opinião ou nota para a criação artística, o que importa mesmo é o que a arte gera. Um quadro pode até desaparecer, a arte pode até morrer mas o que fica e conta é a semente.

Fonte: Canalcontemporâneo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ela é simplesmente a minha Clarice

Não se preocupe em entender Clarice, apenas a deixe fluir
E ela te invade como uma leve brisa ou como uma forte ventania
Uma força que vem da sua solidão e da sua ânsia constante de tentar acertar
Caleidoscopicamente ela é mutante, fascinante, dilacerante, inconstante
Caleidoscopiamente ela é apenas Clarice
Sempre buscando uma liberdade que sempre é pouca, muito pouca.

Criando sua própria verdade, reinventando sua própria maneira de existir
Num estilo ímpar dentro de um mundo de ficção clariceana
Personagem dela mesma numa estrutura sintática caótica
Uma Virgínia Woolf, uma psicóloga das letras, uma estrangeira misteriosa
Uma mulher de várias caras, mas de um só coração selvagem
Selvagem no seu jeito de escrever, de escrever irreproduzível.

A última das Clarices, a primeira das flores de nome Lispector
Vinda de uma natureza inteligente, densa, sensível, sem igual
A mulher que nunca descansa, a mulher que nunca desisti
Uma Macabéia para não se esquecer jamais
Ela é um enigma, um sopro de vida, uma bela fera, um quase tudo
Ela é simplesmente a minha Clarice.

Uma densa personalidade para apenas uma menina com seus livros
Num jogo impulsivo de se tornar adulta sem ser madura
Maturidade que lhe trazia uma lucidez vazia, um inferno humano
Que resumia a vida apenas em um inspirar e um expirar
Num monólogo interior que a levava sempre ao infinito de si mesma
Infinito do inconsciente, do inalcançável, do que não se entende.

Entender não é o bastante, se queremos ultrapassar qualquer explicação
Mas nem tudo está perdido se dermos amor e recebermos amor
É assim que todo mundo aprende a viver de verdade
Mantendo-nos fortes, humanos e felizes muito mais do que somos
Assim nos transformamos lentamente no que ela escrevia
Assim vamos viver a vida até a sua última gota.

Sentir a sensação de achar nossa essência, um sentimento de iluminação
Sentir o sabor de cada letra de Clarice a nos devorar, a nos falar
Não contando apenas histórias, mas nos mostrando a vida
Tornando-nos personagens dialogando com sua epifania inquieta de criação
Mostrando-nos o indizível através das pulsações de sua escrita
Feito uma navalha amolada, rasgando todos os nossos véus do mundo real.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Que casalzinho é esse?



Homônimos segundo a nossa língua portuguesa significa: nome que se dá a um substantivo próprio, notadamente topónimos ou seja nome próprio de um lugar, continente ou localidade e nomes próprios, cuja grafia é idêntica. E o melhor exemplo disso acontece com o casalzinho do momento: a cantora country Taylor Swift e o ator e galãzinho teen Taylor Lautner, Jacob da trilogia Crepúsculo, Lua nova e Eclipse. É Taylor para todos os gostos e em dose dupla.
Vamos falar primeiro de Taylor Alison Swift, conhecida apenas como Taylor Swift é além de cantora e compositora de música pop country, é também atriz e tem 20 anos.
Ela assinou contrato pela pela primeira vez com a gravadora Big Machine Records em 2006 e debutou nas paradas musicais de country aos 16 anos, com o seu single Tim McGraw. Seu álbum de estréia de mesmo nome foi lançado em novembro do mesmo ano e ganhou quatro vezes platina nos Estados Unidos e uma no Canadá. Cinco singles da cantora foram top 10 nos Charts Country e Top 30 no Hot 100 da Billboard. Em 2007, ela recebeu o prêmio Horizon Award da Associação de Música Country norte-americana (CMA).
Em 11 de novembro de 2008, ela lançou seu segundo álbum, Fearless, que ficou em primeiro lugar na Billboard 200 durante onze semanas até o momento, vendendo em apenas três meses, mais de três milhões de cópias, ganhando três vezes o certificado de platina nos Estados Unidos. Número esse, que no momento, já ultrapassou os cinco milhões de cópias. Mundialmente seu álbum já vendeu mais de 6.000.000 cópias. A canção Change, desse álbum, foi selecionada como parte da trilha sonora para apoiar a delegação dos EUA nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Um incidente muito chato aconteceu durante o MTV Video Music Awards de 2009, Kanye West subiu ao palco e pegou o microfone de Swift durante os agradecimentos dela por ter ganho o Melhor Video Feminino com a música "You Belong With Me", dizendo que o clipe da cantora Beyoncé interpretando "Single Ladies", concorrendo pelo mesmo prêmio, era um dos melhores clipes de todos os tempos e fazendo com que as pessoas presentes no local o vaiassem. Ele entregou o microfone de volta para a atordoada e chateada Swift, que não terminou seus agradecimentos. West foi retirado do restante do show por seu mau comportamento. Durante o comercial, a cantora Pink andou perto do rapper e sacudiu a cabeça em desgosto. Quando Beyoncé mais tarde ganhou o prêmio de Vídeo do Ano por "Single Ladies", ela chamou Swift de volta para o palco para que ela pudesse terminar seus agradecimentos. Após a premiação, West pediu desculpas pela sua atitude em seu blog.
Swift foi indicada em 2008 ao Grammy na categoria de Melhor Cantora Revelação, mas perdeu a disputa para Amy Winehouse. Já em 2009 Taylor ganhou o prêmio de melhor videoclipe feminino na VMA em Nova Iorque. Também em 2009 venceu quatro CMA Awards, incluindo a categoria mais prestigiada, a de Entertainer do Ano e cinco American Music Awards, inclusive a de Artista do Ano. Neste ano de 2010, ocorreu o 52nd Annual GRAMMY Awards, em que Taylor ganhou quatro das oito indicações que concorria e acabou por derrubar e quebrar um dos prêmios.
Taylor revelou que o nome de seu terceiro álbum de estúdio, vai ser intitulado Speak Now e que deverá ser lançado em 25 de outubro de 2010.
Em 2011, a cantora estreia como atriz no cinemas americanos no filme Valentine's Day (Dia dos namorados), na estória que tem vários casais que terminam e voltam a namorar nas vésperas do Dia dos Namorados. Swift será aluna-atleta da escola Henderson. O filme traz também o seu homônimo, o ator Taylor Lautner, que no filme faz o papel de seu namorado.
Mais as coincidências entre o casal Taylor não ficam apenas nos seus nomes iguais e no casal romântico que eles vão viver no cinema, os dois começaram a namorar na vida real em 2009, relutaram a assumir o namoro, que durou até o início de 2010, como publicou a revista americana Us.
“Continuamos a amizade mesmo depois de não termos mais um relacionamento amoroso. Mantemos contato, pois temos amigos em comum. Além disso, iremos nos encontrar na estréia do filme que fizemos juntos, em que nos beijamos apaixonadamente. Não ficou nenhum tipo de rancor”, disse a cantora em tom de total maturidade ao diário britânico News of the World.


Já o outro lado da moeda ou melhor o outro Taylor dessa estória, o ator Taylor Lautner, que ficou mundialmente famoso por atuar como Jacob Black nos filmes Crepúsculo em 2008, Lua Nova em 2009 e Eclipse em 2010. Começou a sua carreira em 2001, atuando em um filme feito para televisão chamado Shadow Fury. Posteriormente teve papéis em séries como: Summerland, no Bernie Mac Show e em Eu, a Patroa e as Crianças. Em 2005, estrelou como Sharkboy em As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3D, um filme que expôs suas habilidades nas artes marciais. O ator começou a estudar caratê com seis anos de idade. No ano seguinte, ele começou a ganhar torneios e foi convidado para treinar com um time já havia sido campeão mundial de caratê sete vezes, o Mike Chat, então com oito anos, foi convidado para representar o seu país. Lautner é do estado de Michigan nos EUA.
Logo ele conseguiu o papel de Elliot Murtaugh no filme Doze é demais 2. Taylor afirmou que na época, embora ele estivesse tendo sucesso na sua carreira de ator, ele também pretendia terminar o ensino médio.
Teve pequenos papéis em séries e outros shows de televisão e filmes, incluindo The Nick & Jessica Variety Hour. Ele apareceu como ele mesmo na America's Most Talented Kids, fazendo uma exibição de artes marciais. Além de tudo, Taylor tem tudo sucesso como dublador, onde dublou papéis em episódios de O Que Há de Novo, Scooby-Doo, Charlie Brown.
Em outubro de 2008, Taylor então ganhou o personagem Jacob Black em Crepúsculo, filme adaptado do romance de Stephenie Meyer. Após boatos de que Taylor seria substituído por outro ator para o papel de Jacob Black, pois diziam que ele não se encaixava no papel do personagem. Foi confirmada sua presença em Lua Nova, a segunda parte da série Crepúsculo, após ganhar cerca de 14 quilos só de músculos para ficar com o papel. Na série ele vira lobo e tem que dividir sua vida entreos seus amigos e Bella, a mocinha da estória interpretada pela atriz Kristen Stewart.
Lautner acabou de filmar o filme Valentine's Day (Dia dos namorados) onde interpreta Tyler Harrinton, que namora Felícia, personagem da cantora de country Taylor Swift, que estréia em fevereiro de 2011 nos cinemas americanos. O ator já tem contratos assinados com o cinema até 2013. Depois de interpretar um lobisomem em Crepúsculo e Lua Nova e deixar o astro Robert Pattinson um pouco apagado, Taylor dará vida há dois super-herói nas telonas. O estúdio Paramount já confirmou que ele estará no elenco de Max Steel, famoso personagem de computação gráfica que virou brinquedo, onde fará o papel título, no longa que contará a história de um garoto de 19 anos que acidentalmente se expõe a uma energia transfásica e ganha superpoderes e salvará o mundo. E em outros projetos viverá o personagem baseado no também brinquedo Strech Armstrong, boneco cujas pernas e braços esticam como elástico e um mutante no filme no próximo X-Men: First Class, este último já foi confirmado pela 20th Century Fox.
Taylor tornou-se o jovem ator mais bem pago de Hollywood com apenas 18 anos, recebendo um cachê de 7,5 milhões de dólares, ganhando prêmios de ator revelação e de melhor performance masculina em 2009 e 2010, respectivamente, no MTV Movies Awards e no People Choice Awards.
Mas fica a pergunta Taylor Lautner será apenas um rostinho bonito ou um ator de talento? O próprio ator já disse em entrevista, que se sente muito desconfortável e preocupadopelo fato das pessoas estarem prestando mais atenção no seu corpo e que a crítica não elogie o principal que é o seu trabalho.
Acho bom mesmo ele não se sentir a última bolacha do pacote, até porque ainda não o vimos em nenhum papel que exigisse mais de seu poder interpretativo de ator e menos do seu poder de símbolo sexual teen. E a loirinha da Taylor Swift, é apenas mais uma voz legalzinha, como milhares dessas meninas que existem por aí? Pode até ser, inclusive música country é uma das que mais vendem lá nos EUA assim como no Brasil, só que aqui chamamos pelo nome de sertanejo, porém o talento dessa gatinha de beleza angelical não pode ser descartado, inclusive o respeitadíssimo jornal New York Times, descreveu Taylor Swift como uma das mais refinadas compositoras pop do momento. Esse casalzinho promete! Será? Quem viver verá!

Fonte: Hollywood news.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eu vi. Filme: A estrada

Sinopse:o mundo foi destruído há mais de 10 anos, mas ninguém sabe o que exatamente aconteceu. Como resultado, não há energia, vegetação ou comida. Milhões de pessoas morreram, devido aos incêndios, inundações ou queimadas que se seguiram ao cataclisma. Neste contexto vivem um pai (Viggo Mortensen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee), que sobrevivem de quaisquer alimento e vestuário que conseguem roubar. Apesar dos contratempos, eles seguem viagem pela estrada, sempre rumo ao oeste dos Estados Unidos.
Ficha técnica: Título original: The Road. Lançamento: 2009 (EUA). Direção: John Hillcoat. Gênero: Drama. Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Guy Pearce, Charlize Theron.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Bandidos e mocinhos

Com tantos crimes hediondos acontecendo no nosso país e sendo cobertos pela imprensa nacional com tanta repercussão e glamourização, acaba virando um perigo muito grande para a nossa sociedade brasileira que altamente receptiva à celebridades durante a cobertura de um crime dessa natureza, o criminoso-psicopata se torna então o fetiche do momento. Se torna uma fonte mórbida de prazer. Um prazer movido talvez pelo mesmo sentimento das pessoas que se aglomeram no entorno de uma cena de acidente e que vai ser realimentado por outro acontecimento. Se nos dias atuais prevalece o gosto pela violência e pelo mórbido, a mídia jornalística está diante de um dilema que exige um posicionamento. Resumindo, estamos vivendo numa sociedade doente e urgentemente precisando de sérios cuidados.
Lembrei agora de um fenômeno cinematográfico da década de 90, chamado de Quentin Tarantino que com seus filmes, como: Cães de Aluguel e Pulp Fiction, celebrizou para o grande público sua obra pop com personagens facilmente denominados como psicopatas.
Seria bom se tivessem feito sucesso por elementos como a narrativa circular com que o diretor estrutura suas tramas. Mas a violência praticada por pessoas que não sabem o que é sentir dor não está apenas no âmbito do cinema. É a chamada glamourização de psicopatas que é um traço de nossa sociedade atual do nosso país, que também pode ser visto em representações da realidade. Pra mim isso é o retrato sórdido da mídia ou o cinema mostram o que a sociedade masoquista e hipócrita quer. Mas é importante também levar em conta o efeito destas representações na vida das pessoas. Estudiosos afirmam que a representação também constrói a realidade na medida em que a reproduz. Será? Quem são os verdadeiros bandidos e os mocinhos dessa história?
Com toda essa glamourização dessas criaturas abomináveis que matam em série ou mesmo matam com requintes de crueldade, acho que estamos criando cobras pra nos morder. As pessoas normais, quer queira, quer não, são influenciadas por esses maníacos insensíveis e é exatamente nesse momento que um sociopata reprimido pode sair do armário e nos atacar na primeira esquina escura que ele encontrar.
Desde da década de 70, que esses casos de maníacos ganham jornais e revistas e chamam à atenção da sociedade que vivemos, se formos lembrar. Temos: o assassinato da socialite Ângela Diniz pelo namorado Doca Street, cujo julgamento foi acompanhado de perto por milhões de brasileiros, temos um outro caso de comoção muito maior, o assassinato da jovem atriz Daniela Perez, que em 1993, foi furiosamente estocada pelo ator e colega de novela Guilherme de Pádua e sua mulher Paula Tomaz. Daniela foi morta com uma tesoura e uma chave de fenda. Temos Suzane Von Richthofen, que em 2002 abriu a porta de casa para que o então namorado, acompanhado do irmão entrassem no quarto de seus pais e os assassinassem a golpes de barras de ferro. Suzane disse meses depois que era uma menina perturbada, tentando convencer assim à todos. Na verdade ela estava evitar uma condenação judicial mais rigorosa. E só pra finalizar um caso mais recente e não menos monstruoso, que paralisou o Brasil, que foi o assassinato da menina Isabella Nardoni, morta em 2008, aos 5 anos de idade, após ser espancada e jogada da janela de seu apartamento, no 6º andar. Pelo próprio pai, Alexandre Nardoni e sua mulher Ana Carolina Jatobá, que atiraram a criança para a morte, segundo os laudos da polícia.
Se fôssemos procurar a origem dessa violência que vivemos é só observarmos a terrível descrição do comportamento humano, uma coisa infernal, uma coisa dantesca, o ser humano infelizmente está perdendo todos os escrúpulos. E me pergunto: O que é mesmo um ser humano sem escrúpulos? Não ter escrúpulos para mim é aquele cidadão ou cidadã que só pensa em si mesmo e não se preocupa em ser justo com os outros, que comete muitos delitos de conduta social e moral e o pior, que na maioria das vezes não senti nenhuma culpa, remorso ou compaixão pelo atos errados que cometeu.
Até a arte na atualidade é extremamente violenta, a arte cinematográfica, como já citei acima o Tarantino, a arte televisiva, com sua submissão à violência, parece ter subjacente ao ideal nazista de conduzir a sociedade ao extermínio. Parece que a arte só pode ser feita desse modo e quando a gente fala que não é possível que seja assim, os críticos dizem que a gente está sendo censurando ou sendo conservadores. Eu acho que, de algum modo, censurados são aqueles que não podem fazer o seu tipo de arte: será se a ternura, a doçura também não podem fazer parte da arte? A esperança por uma política com ética e honesta e a utopia não podem fazer parte da arte? Ou que Drummond precisava de violência para fazer a sua poesia de vanguarda? Porque a violência do sacrifício de criar um a arte não é como a primavera brotando, rasgando, com sua violência para nascer. Será que sou o último dos românticos? Quero acreditar que não.
O problema é que o mal está sendo banalizado, ou sei lá, estamos infelizmente criando uma espécie de olimpíada da crueldade. Como diria Jim Morrison do alto de sua insanidade sensata: “A única obscenidade que conheço é a violência."

(Codinome Pensador)