sábado, 19 de junho de 2010

O mundo ficou mais burro sem Saramago


Morreu ontem em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha, onde morava desde de 1993, o escritor português José Saramago, aos 87 anos, de falência múltipla orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu acompanhado pela sua família e despedindo-se de uma forma serena e tranquila. Saramago que em 1998 ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa.
Saramago era um homem de uma lógica absurda e um dos meus escritores favoritos e para ser bem sincero, ele mudou a minha vida com sua imaginação, polêmica, ironia sútil e suas idéias inovadoras e corrosivas sobre a sociedade atual e o ser humano. Sinto-me orfão com sua morte, como ele mesmo disse, que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar.
Combatia as religiões com fúria, dizia que elas embaçam nossa visão, mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui. Uma lucidez do grau que ele tinha é um privilégio de poucos, impossível eu não escapar do clichê mas definitivamente o mundo ficou mais burro e mais cego com a morte de Saramago. Tenho certeza que neste mundo há finais que também são começos, mortes que são nascimentos. Ele foi embora, infelizmente, mas ficou para sempre entre nós amantes da boa literatura.
A vida de José de Sousa Saramago, (Saramago que é uma planta crucífera, rasteira e comestível que cresce na região de Vila Nova de Milfontes em Portugal. Essa planta era comida para afastar a fome dos Saramagos, que eram os seus pais, camponeses da aldeia portuguesa de Azinhaga), começa em 16 de Novembro de 1922 com o seu nascimento. Da casa pobre do Ribatejo vem para Lisboa onde vive até aos doze anos, cumpre a instrução primária numa escola da Morais Soares e dois anos no Liceu Gil Vicente até se iniciar em estudos mais ligados ao trabalho como serralheiro mecânico na escola industrial Afonso Domingues, em Xabregas. Aos 22 anos casa-se e tem a sua primeira filha Violante. Em 1947, a Minerva publica um romance seu, intitulado A Viúva, pelo autor e transformado em Terra de Pecado, pela editora. Torna-se editor literário e só em 1966 surge um livro de poemas do então desconhecido José Saramago.
Para mim bons escritores a gente encontra a assinatura sem procurar, ela nasce da prática, da repetição, do trabalho da própria atividade literária. Outros a buscam de forma consciente e clara, num diálogo aberto com o leitor. Assim foi Saramago.
Ele tinha um jeito próprio de escrever, inaugurado em 1980 com Levantado do Chão. Adota à partir deste livro o uso intensivo da vírgula como sinal fundamental da pontuação do texto, ocupando a função de todos os outros sinais, menos o ponto final.
Muitos críticos diziam que a forma Saramago se manteve nos romances a partir de então e pode muito bem ser reproduzida. Por isso mesmo, muitos o liam como um repetidor de si próprio, com seus parágrafos sem hora para acabar, suas “circunavegações” em torno de pequenos temas, suas passagens radicais do narrador para as personagens que, como um novelo, enrolavam-se sobre si mesmo para ganhar a estrutura de um romance.
Em Memorial do Covento narra o período de construção de um Convento, em Mafra, em cumprimento de promessa feita pelo rei D. João V. Concomitantemente, é narrada a construção de uma passarola, sonho do padre Bartolomeu com os auspícios do rei, mas perigosamente à margem do Santo Ofício. Uma das questões corticais neste romance é a fronteira entre a história e a ficção. Saramago não se vê como um escritor histórico mas antes como um autor de uma história na História. O seu argumento traduz-se numa estratégia narrativa que entrecruza três planos relevando o da ficção da História e o do fantástico em detrimento do plano da História.
Com Objeto Quase, José Saramago denuncia o estado de animalização do homem e a materialização da violência como um capítulo comum, doloroso da história da humanidade. Objeto Quase é uma coletânea de seis histórias breves e tensas em um gênero não muito praticado por ele, os climas são variados, podendo ir do humor sarcástico ao lirismo romântico, os personagens também, mas algo os une intimamente: o pessimismo, onde se espelha não somente o presente, mas o futuro também. Vemos nesta obra o homem "coisificado" e as coisas "humanizadas. Um reflexo de nossa sociedade, que se preocupa mais com a segurança dos pertences do que com o próprio cidadão.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles. Depois que viu seu livro Ensaio sobre a Cegueira no cinema, o escritor falou: "Este é um livro que escrevi com uma franqueza terrível, com o qual eu queria que o leitor sofresse tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele descrevi uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso, e talvez Fernando Meireles adaptando meu livro para o cinema eu tenho tido uma espécie de redenção onde expulsei todos os demônios que ainda me afligiam”.
É possível tentar emulá-lo e não custa deixar o exemplo mais evidente. Em 2003, o repórter da Folha de S.Paulo Ivan Finotti, num texto irônico, descreveu-o assim: “O homem sentado chama-se José Saramago, nasceu na aldeia de Azinhaga, em Portugal, foi serralheiro, mecânico, desenhista industrial, funcionário público, editor, tradutor e jornalista, é escritor de profissão e tem oitenta anos, posto que à vista pareça menos idoso. Não está listado no rol das profissões deste homem, mas uma de suas atribuições mais frequentes tem sido a de criar controvérsias. Realmente Saramago era sinônimo de polêmica".
A possibilidade e a vontade de reproduzir algumas de suas técnicas só mostram o quanto seu estilo foi, ao mesmo tempo, desafiador para os leitores e popular. Como poucos escritores, Saramago pode ser criticado ou elogiado até por quem não o leu, mas sabe que seus parágrafos são longos, seus livros não usam aspas ou travessão, há letras maiúsculas depois das vírgulas indicando o início da fala das personagens. A discussão literária, com ele, era um direito garantido a quem quer que se dispusesse a enfrentar sua obra.
Quando o Prêmio Nobel veio, nos anos 90, a polêmica divisão dos portugueses entre os fãs de Saramago e os de António Lobo Antunes ganhou força internacional, eles, que não se falavam, alimentavam o Fla-Flu literário. Ainda que Lobo Antunes tenha a preferência dos críticos, é preciso reconhecer que ambos tinham mãos fortes e projetos opostos, ou seja, os dois são craques.
Para além disso, havia a política: Saramago era um comunista dos mais clássicos, para não dizer caretas, e transpôs para sua literatura toda essa sua formação e engajamento. Mesmo quando vai para o passado, um de seus olhos estava necessariamente visualizando o presente. Talvez o exemplo mais radical disto seja o romance A Jangada de Pedra, que trata da complexa relação da Península Ibérica com a Europa, justamente no momento em que Portugal está entrando na União Europeia. Tem também o seu livro mais polêmico, aquele que fez com que deixasse a Portugal carola mesmo depois da Revolução dos Cravos, que foi O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
Saramago, que já foi filiado ao Partido Comunista Português, se definia também como adepto da democracia. Para ele, a falta de debate sobre esse assunto transformava-a em “uma santa no altar, de quem não se espera milagres” e que existe nos tempos de globalização da economia “apenas como uma referência”. “Não se repara que a democracia em que vivemos é sequestrada, condicionada, amputada”. “O poder de cada um de nós limita-se na esfera política a tirar um governo de que não gosta e colocar outro de que talvez venha a gostar. Mas as grandes decisões são tomadas em outra esfera. E todos sabemos qual é: as grandes relações financeiras internacionais.” Disse ele durante um debate em Portugal.
O escritor dizia-se obrigado a mudar um mundo injusto que encontrou. “O espaço ideológico e político onde eu podia esperar pelo menos alguma coisa que me confirmasse essa idéia era muito claro. Era a esquerda, a esquerda comunista. Aí estou”, resumiu durante entrevista do jornal Folha de S.Paulo, em 2008.
Era um grande fã da ironia, afirmou na ocasião que a pergunta sobre sua militância de esquerda apesar dos crimes cometidos na União Soviética é “inevitável em qualquer entrevista”. “Poderia perguntar à pessoa se ela era católica. Provavelmente me diria que sim. E eu teria que perguntar, para seguir na mesma linha: ‘Depois da inquisição, como é que você continua a acreditar?’”, afirmou o escritor.
“Sou aquilo que se podia chamar de um comunista hormonal. Da mesma maneira que tenho no corpo, não sei onde, um hormônio que me faz crescer a barba, há outro hormônio que me obriga, mesmo que eu não quisesse, por uma espécie de fatalidade biológica, a ser comunista. É muito simples”, disse.
Apesar de ser um histórico defensor do regime cubano, Saramago ensaiou um rompimento em 2003, quando 75 dissidentes foram presos e três pessoas foram executadas em um julgamento sumário.
Em uma carta, escreveu: "De agora em diante Cuba segue seu caminho, eu fico aqui. Cuba perdeu minha confiança e fraudou minhas ilusões".
Pouco depois, em entrevista a um jornal cubano, reatou: "Não rompi com Cuba. Continuo sendo um amigo de Cuba, mas me reservo o direito de dizer o que penso, e dizer quando entendo que devo dizê-lo".
Era ateu convicto transforma as passagens bíblicas em matéria literária e política, em que são questionados dogmas católicos, como a virgindade de Maria e valorizados modos de vida comunitários, em oposição ao modo de vida capitalista. Provocou, assim, a ira de cristãos, mas também daqueles que fazem sua profissão de fé no capitalismo mais ortodoxo.
Em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, por outro lado, segue uma tradição de fazer da Bíblia, um livro popular por excelência, fonte de criação literária crítica, uma vertente que tem seu ponto literário mais alto na saga dedicada a outro livro José e seus irmãos, de Thomas Mann.
Como sua obra em poesia começando com Poemas Possíveis de 1966 até 1975 com Provalvemente alegria e em prosa, onde se destacam Objeto Quase de 1978, Levantado do Chão de 1980, Memorial do Convento de 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis de 1984, A Jangada de Pedra de 1986, O Evangelho Segundo Jesus Cristo de 1991, Ensaio Sobre a Cegueira de 1995, As Intermitências da Morte de 2005, Caim de 2009, O Caderno 2 de 2010, os seus ensaios com Deste Mundo e do Outro de 1971 até Discurcos de Estocolmo em 1999, teatro com A Noite de 1979 até 2005 com Don Giovani ou dissoluto absolvido, diários de memórias com Os cadernos de Lanzarote Vol. 1 a 5 e um único conto infantil chamado A maior flor do mundo. Saramago até se dar ao luxo de se “repetir” na forma que, nunca é demais lembrar, inventou mas se manteve até o fim da vida buscando criar em torno de novos temas, mostrando uma vitalidade incomum para um escritor de quase 90 anos.
Numa palavra ele mostrava em seus textos uma resposta ao vazio que poderia iluminar uma vida com uma centelha cósmica de verdade, criatividade e sabedoria. Agora só nos resta falar um muito obrigado para o mestre Saramago e nunca deixar que se apague esse riquíssimo universo de uma constelação literária de primeira grandeza e criação estética impecável criado por ele, que nos alegrou até o seu último dia de vida.

Fonte: Uol.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Esse sentimento chamado saudade

Saudade dor que a gente sente
Daquilo que sentimos ausente e queremos ao lado
A alma chora, canta
Faz-se uma ode ao amor que está distante
Saudade, invenção da língua portuguesa
Sensação com sua própria natureza
Emoção com sua própria beleza
Sentida por todos, entendida por poucos
Saudade, apetite de um coração
Que no auge, engole a gente
Com apenas sete pequenas letras
Uma infinita explicação
Saudade rima com felicidade
Rima com ausência, rima com partir
Para chegar a hora de voltar, consumar o momento e rever
Te ver novamente para não ter que sentir esse sentimento
Chamado saudade.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O fotógrafo do invisível






Henri Cartier Bresson, nasceu em Chanteloup na França em 1908, foi um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo. Cartier Bresson era filho de pais de uma classe média, relativamente abastada. Quando criança, ganhou uma câmera fotográfica Box Brownie, com a qual produziu inúmeros instantâneos. Sua obsessão pelas imagens levou-o a testar uma câmera de filme 35mm. Além disto, Bresson também pintava e foi para Paris estudar artes em um estúdio.
Em 1931, aos 22 anos, Cartier-Bresson viajou à África, onde passou um ano como caçador. Porém, uma doença tropical obrigou-o a retornar à França. Foi neste período, durante uma viagem a Marselha, que ele descobriu verdadeiramente a fotografia, inspirado por uma fotografia do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista Photographies, mostrando três rapazes negros a correr em direção ao mar, no Congo.
Quando explodiu a Segunda Guerra Mundial, Bresson serviu o exército francês. Durante a invasão alemã, Bresson foi capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra. Tentou por duas vezes escapar e somente na terceira obteve sucesso. Juntou-se à Resistência Francesa em sua guerrilha pela liberdade. Quando a paz se restabeleceu, Cartier Bresson fundou em 1947, a agência fotográfica Magnum junto com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour. Começou também o período de desenvolvimento sofisticado de seu trabalho.
Revistas como a Life, Vogue e Harper's Bazaar contrataram-no para viajar o mundo e registrar imagens únicas. Da Europa aos Estados Unidos da América, da Índia à China, Bresson dava o seu ponto de vista especialíssimo. Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural. Chegou a fazer fotos de grande importância histórica como, o término do domínio britânico na Índia, a queda de Pequin em 1949 e foi o primeiro fotógrafo ocidental que teve permissão de fotografar a Rússia comunista após a morte de Stálin em 1954.
Na década de 1950, vários livros com seus trabalhos foram lançados, sendo o mais importante deles "Images à la Sauvette", publicado em inglês sob o título "The Decisive Moment" em 1952. Em 1960, uma megaexposição com quatrocentos trabalhos rodou os Estados Unidos em uma homenagem ao nome forte da fotografia. Cartier Bresson chegou a ser chamadora por alguns de "o olho do século".
Para Cartier Bresson, fotografar era definido como um ato livre, espontâneo e discreto. E se descrevia como um solitário que disparava cliques com intensa alegria e uma concentração religiosa. O reconhecimento é um fardo muito pesado para se carregar. Não quero ser fotografado, identificado, quero ser anônimo. A celebridade é horrível. Eu sou libertário. Tenho horror ao poder. A notoriedade como fotógrafo é uma forma de poder que repudio. Dizia que via o mundo como uma coreografia que permite tanto ao objeto da fotografia como ao próprio fotógrafo participar na dança.
Era assim mesmo Henri Cartier Bresson, o fotógrafo do invisível, sem tripé ou qualquer artefato tecnológico, procurando sempre os momentos decisivos da vida apenas com sua máquina fotográfica nas mãos e tentando passar despercebido. Nunca uso o flash: Considero-o uma grande falta de educação. Fotografar pra mim é colocar, na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração. Detesta fotos retocadas e cenários artificiais. Não acho nem um pouco atraente essas fotografias artísticas modernas, que são fortemente encenadas e vinculadas à publicidade e a essas maravilhas da manipulação de imagens em computadores. Disse o fotografo.
Os seus últimos trinta anos da vida dedicou-se exclusivamente à pintura e ao desenho. Sua carreira profissional terminou à partir de 1973, mas continuou a fotografar apenas Fotografia, só retratos, e apenas para os amigos. Nada de novo, pois famosos são os retratos que captou de artistas como Pablo Picasso, Alberto Giacometti, Pierre Bonnard e Henri Matisse e de escritores como Paul Claudel, Paul Valéry, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus.
“A máquina fotográfica é um bloco de notas, o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma. Eu faço pintura, estudei pintura desde os 15 anos. A fotografia é o problema do tempo. Tudo desaparece. Com a fotografia, existe uma angústia que não há com o desenho. O presente concreto ocorre numa fração de segundos, o que é desagradável e ao mesmo tempo, maravilhoso. É uma luta contra o tempo o qual, por sua vez, é uma invenção do homem. A pintura e o desenho obrigam-me a pensar no aqui e agora e no amanhã. Para mim, só há duas coisas que contam: o instante e a eternidade ”. Palavras de um gênio da fotografia prestes a morrer com 95 anos, em agosto de 2004. Sua morte foi uma perda irreparável para os profissionais e admiradores da fotografia artística e do fotojornalismo.
Cartier Bresson gerou uma nova concepção fotográfica no século XX. E mudou o conceito de que antes tinha a fotografia artística de que era arte de fotografar de maneira não convencional de que não existe uma preocupação de retratar a realidade e de colocar uma impressão intelectual e não emocional. Suas fotos são repletas de sensibilidade, simplicidade e autenticidade. Como diria esse mestre da fotografia em uma de suas frases mais famosas: “A fotografia pra mim, por si só não me interessa, mas sim me interessa, a comunicação que se faz entre o mundo e o homem, através deste instrumento maravilhoso do tamanho da mão que não faz passarmos desapercebidos por este planeta”.

Fonte: Focusfoto

terça-feira, 8 de junho de 2010

Anatomia amorosa

Tudo em você me excita, me erotiza
Todos os teus lados
Frente e verso
Convexo a se despir
Côncavo a explodir
Descubro a órbita do teu corpo
Sugo toda tua força gravitacional
Me energizo, me altero, me transformo, me esfrego
Cremoso na tua pele nua
Tua pele branca
Superfície plana, pena e papel
Sorvo de ti uma poesia
Mordo o cheiro dos teus lábios
Chego a um céu vermelho cor da tua boca
Gozas um gozo sem fim
Quando você se abre pra mim
Abre-se os teus poros
Abre-se um canal sexual
Tuas mãos leves
Me levam a percorrer a comprida via de tuas pernas
Olho o teu olhar, que logo vira o meu olhar
Chego ao fim do teu anatômico percurso
Te inicio no sexo
Te desejo da cabeça aos pés
Meus pés se misturam aos teus vinte nove ossos
Com o destino certo, como se já soubesse o caminho
O caminho que se abre para eu encontrar todos os pontos do teu corpo
Te abraço, te aperto, te prendo, te pertenço
E desabas sobre mim como pluma flutuando, como perfume no ar, como peso corporal, como vontade natural
De amar com todos os sentimentos
De amar completamente.

(Codinome Pensador)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A musa premiada


A atriz francesa Juliette Binoche, musa do 63º Festival de Cinema de Cannes, conquistou neste último dia 23, o prêmio de melhor interpretação feminina pelo desempenho no filme "Copia Conforme", do iraniano Abbas Kiarostami.
Juliette Binoche nasceu em Paris em março de 1964, filha de uma atriz e de um escultor que se divorciaram quando ela tinha 4 anos.
No filme que lhe valeu o prêmio maior para uma atriz em Cannes deste ano, ela encarna uma mulher que retoma a relação com o marido na Toscana, num filme que fala sobre a impossibilidade de amar, com personagens que se movem entre verdades e mentiras.
A atriz francesa, de 46 anos, é formada em teatro, encarnou quase sempre personagens exigentes, mulheres em busca de poder, guiadas pelo gosto do desconhecido ou de grande humanidade e confrontadas com dramas da vida.
Musa de Leos Carax, "enfant terrible" do cinema francês, foi lançada pelo diretor em "Mauvais sang" (1986) e posteriormente dirigida por ele em "Os amantes de Pont-Neuf" (1991). Mas seu primeiro filme mesmo foi Liberty Belle (1982). O seu aspecto gracioso e delicadamente "mignone" que emprestou inocência aos filmes Vie de Famille (1984), Je Vous Salue Marie (Eu Vos Saúdo, Maria, 1985). Sua beleza européia lhe fez posar nua há dois anos atrás para a capa da Playboy francesa em plenos 43 anos mostrando uma boa forma invejável. Sua pele branca e seus cabelos negros, fazendo o gênero beleza natural e delicada mas com inteligência e idéias claras foi essa imagem da mulher parisiense que fez ela virar a queridinha da marca francesa de cosméticos Lâncome há alguns anos atrás e seu rosto clássico virou o frasco do perfume Poeme.
Em foi com dois filmes que a triz viveu sua primeira experiência no exterior com "A insustentável leveza do ser" (1987), de Philip Kaufman, com Daniel Day-Lewis, no qual chamou a atenção da crítica e do grande público com sua beleza e seu talento.
Depois na produção inglesa "Relações Proibidas" (1992), com Jeremy Irons e "O morro dos ventos uivantes" (1992), também rodou "Azul", do polonês Krzysztof Kieslowski, que em 1993 e assim marca uma nova etapa em sua carreira, com um prêmio de interpretação em Veneza e o César francês de melhor atriz. Retirou-se para ser mãe em 1994, voltando à tela como a heroína de Le Hussard Sur le Toit (1995) e nesse mesmo ano foi escolhida pela Empire Magazine como uma das 100 estrelas mais sexys da história do cinema. Em 1996 ganhou o Oscar da Melhor Atriz. Com a sua secundária mas hipnotizante personagem Hana no filme The English Patient (O Paciente Inglês), naquela que foi uma das maiores surpresas da história do Oscar.
Atuou em filmes de época como "O cavaleiro do telhado e a dama das sombras" (1996), participou de Alice et Martin (1998), Les Enfants du Siècle (1999), Éloge de l'Amour (1999), La Veuve de Saint-Pierre (2000) e Code Inconnu: Récit Incomplet de Divers Voyages (2000), antes de entrar na pele de Vianne Rocher no filme Chocolat (Chocolate, 2000), que lhe valeu mais uma indicação para o Oscar de Melhor Atriz.
Fez depois outros filmes de menor destaque, voltaria ao grande clã do cinema em: Décalage Horaire (2002), um romance realizado por Danièle Thompson; Country of My Skull (Um Amor em África) (2004), um drama em que contracenou com Samuel L. Jackson e com Michael Haneke filma "Código desconhecido" e "Caché" (2005). Com Abel Ferrara faz "Mary" e com Hou Hsiao Hsien trabalha em "A viagem do balão vermelho" (2007), antes de atuar sob a direção de Abbas Kiarostami em "Shirin" (2008) e "Copia Conforme" (2010).
"Binoche é uma grande artista com alcance internacional, mas eu trabalho com ela em um clima de total descontração, como quando trabalha-se com atores não profissionais", disse em Cannes o diretor iraniano, que já apresentou dez filmes neste Festival, três deles candidatos a Palma de Ouro.
Além de atuar, Binoche dança, pinta e escreve poesia. Uma fotografia de Juliette Binoche, com calça e blusa pretas e com um pincel nas mãos, ilustrou neste ano o cartaz do Festival de Cannes. Juliette é sem dúvida para verdadeiros cinéfilos como eu, uma musa, uma bela, uma das maiores e melhores atrizes da atualidade.

Fonte: Yahoo

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ain't no mountain high enough

Now if you need me call me
No matter where you are,
No matter how far.
Just call out my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry.

Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you baby.

Remember the day
I set you free
I told you could always count on me, darling
From that day on
I made a vow
I'll be there when you wanted
Some way, somehow.

Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you baby.

No wind,
No rain,
Or winter's cold
Can stop me baby
Cause you are my goal
If you're ever in trouble
I'll be there on the double
Just send for me baby.

My love is alive
Deep down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
Just as fast as I can
Don't you know that.

Their ain't no mountain high enough,
Ain't no valley low enough,
Ain't no river wide enough,
To keep me from getting to you baby.

Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from you.

Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from you.

Autores: Nickolas Ashford & Valerie Simpson.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O maestro da era Youtube


Gustavo Dudamel se tornou um popstar à parte do mundo dos CDs. Ele é o regente-símbolo de nossa época, em que a internet é a melhor amiga do fã de música clássica.
O mundo da música clássica tem um relacionamento tenso com a fama. Por um lado, todos sentem falta dos dias em que Arturo Toscanini, Leonard Bernstein e Leontyne Price estavam na crista da onda e apareciam sempre em capas de revistas. Por outro lado, sempre que um músico clássico se aproxima da celebridade, o que inclui um anúncio de Rolex, uma foto na revista People e, talvez, o último quadro do programa David Letterman, os céticos começam a se preocupar com sua integridade artística. Esta ansiedade não é totalmente injustificada: Luciano Pavarotti passou de grande tenor lírico da era moderna para tema de piadas sobre gordos. A noção de incompatibilidade entre o comércio e a arte tem origem no marxismo universitário, e se opõe ao ideal de Beethoven, Verdi e Mahler, que se relacionavam apaixonadamente com o público em geral. Logicamente, é possível que um compositor ou intérprete clássico fique famoso sem se render à cultura da celebridade. Tal virtuoso pode até persuadir uma nação distraída com fatos vazios a prestar atenção em uma sinfonia de quarenta e cinco minutos.
Hoje, todos os olhos estão voltados para um maestro venezuelano de 29 anos, Gustavo Dudamel, que assumiu o cargo de diretor musical da Filarmônica de Los Angeles em outubro do ano passado. Há apenas cinco anos no circuito internacional, Dudamel já se tornou um dos mais famosos músicos clássicos vivos, com a ajuda de programas de TV, matérias nas primeiras páginas de jornais e vídeos no YouTube. Ao assumir a Filarmônica, durante um concerto no Hollywood Bowl, foi ovacionado como um astro pop por uma plateia de 18 mil pessoas. E o que émais impressionante, é que acabou por fazer silêncio durante sua apresentação da Nona Sinfonia de Beethoven. Isso aconteceu no movimento lento da peça, quando Dudamel conduzia os sons expressivos e intrincados dos violinos contra o suave coral dos sopros, neste momento, o burburinho cessou e Beethoven reinou. Tais feitos, a ovação e o silêncio explicam porque este jovem causou tremores inesperados de otimismo no mundo clássico.
Há três elementos básicos por trás da força de Dudamel. O primeiro é o comando surpreendentemente natural da arte da regência. A notícia de seu talento não foi espalhada por departamentos de relações públicas, mas sim por relatos maravilhados de colegas ilustres, como o italiano Claudio Abbado e o britânico Simon Rattle. O segundo é a energia contagiante que conquista almas endurecidas. A dura máscara da seriedade não é para ele; seus olhos brilhantes e feições contorcidas sugerem que ele adora o que faz. E por último, sua origem latina empresta uma nova cor a uma arte vista como exclusivamente caucasiana. Ele é produto de El Sistema, a lendária rede venezuelana de jovens orquestras, que encontra talentos nas áreas mais pobres do país, e sua atitude é diametralmente oposta à dos músicos saídos de conservatórios.
Dudamel pode ainda se queimar com toda a essa atenção, mas os sinais sugerem o contrário. Pessoalmente, é possível perceber uma dureza por trás de seu entusiasmo. Ele é obcecado pela música, intensamente ambicioso e bastante radical. Em outubro, no Hollywood Bowl, antes da apresentação da Nona Sinfonia, ele conduziu a EXPO Center Youth Orchestra, uma espécie de divisão de jovens talentos da Filarmônica, em uma interpretação difusa, porém alegre, da Ode à Alegria, o quarto movimento da Nona de Beethoven. Pessoas na platéia perceberam que os cobiçados assentos perto do palco, geralmente reservados aos beneméritos, estavam ocupados pelas famílias dos músicos jovens, muitos dos quais vieram de um bairro barra-pesada da cidade. Foi um gesto incisivo, quase político, algo que o lendário Leonard Bernstein teria feito em sua estréia.
Dudamel já provou que é um mestre das grandes ocasiões. O verdadeiro teste de suas habilidades virá gradualmente, com as tarefas diárias de uma orquestra americana: reger, planejar temporadas, contratar músicos, buscar doações e caso ele seja um milagreiro, mudar as feições da audiência. Um pouco antes do dia de Ação de Graças, voltei a Los Angeles para conferir como Dudamel e a Filarmônica trabalhavam em condições normais, em uma série de apresentações no Walt Disney Concert Hall. Foram leituras bem pensadas e elegantes, prova da versatilidade de Dudamel. Porém, nada que mereça entrar em uma cápsula do tempo. Apesar de passar a imagem de regente impulsivo, um selvagem com braços irrequietos e pés dançantes, suas escolhas musicais tendem a ser controladas, às vezes um tanto previsíveis. Ele favorece o som exuberante e pesado em Mozart, como em uma velha gravação do austríaco Herbert von Karajan. Há mais cordas que sopros, na proporção de cinco para um, o que é problemático em termos de equalização, apesar de os sopros da Filarmônica compensarem com uma série de solos vibrantes. Os tempos estavam lentos, beirando a sonolência no Andante da sinfonia Praga e no Minueto da Júpiter. Dudamel estava excelente no movimento lento da Júpiter, quando alcançou os mesmos requintes que fizeram o movimento lento de sua Nona de Beethoven tão memorável. Em geral, porém, este Mozart precisava de ritmos mais vigorosos, contrastes dinâmicos mais claros e detalhes mais aguçados de frases e articulação.
O Concerto de Berg, também, foi curiosamente sossegado. O maestro trabalhou para ressaltar seu solista. Shaham apresenta esta peça com uma doçura incomum, obtendo, algumas vezes, uma qualidade vocal vívida. Dudamel manteve-se ao fundo, oferecendo uma tela onde Shaham podia usar todas suas tintas. Como um todo, o programa foi rico em sutilezas e pobre em eletricidade. Foi bom ver Dudamel desafiando a si mesmo e a orquestra com tanto vigor no início de seu trabalho como diretor; a opção mais fácil seria preencher a temporada com peças românticas para agradar a audiência. Dudamel foi ruidosamente ovacionado após soarem as últimas notas da Júpiter. A orquestra e a plateia pareciam emocionadas.
Alguns relatos elegeram Dudamel o salvador da música clássica, mas Los Angeles não necessita de um messias; esta orquestra já havia sido salva. O finlandês Esa-Pekka Salonen revolucionou a Filarmônica em seus dezessete anos de trabalho , ele reorganizou a programação tendendo mais para a música moderna, com uma incansável campanha para convencer plateias do poder do novo e da estética da aventura. Felizmente, a visão de Salonen parece, agora, firmemente implantada na identidade da orquestra. O compositor John Adams assumiu um cargo no grupo e, quando eu estava na cidade, um festival com sua curadoria acontecia no Disney Hall. A apresentação de abertura foi um tanto caótica, mas teve reviravoltas surpreendentes: o quarteto Kronos interpretou uma poderosa obra do compositor cinematográfico Thomas Newman; o duo Matmos apresentou duas peças eletrônicas hipnoticamente densas; o grupo Ad Hoc Ensemble mostrou uma sinuosa criação de vanguarda do guitarrista Michael Einziger, da banda Incubus; e, por volta da meia-noite, Terry Riley, o pai do minimalismo, subiu à bancada do órgão e mandou um brilhante improviso de blues.
Concertos com tamanha liberdade seriam espantosos em qualquer orquestra; na Filarmônica eles são rotineiros. Como Dudamel irá se adaptar ao experimentalismo da Filarmônica é o que estamos para ver, mas ele parece ansioso para continuar com o legado de Salonen, adotando uma série de novas peças e acrescentando trabalhos de compositores sul-americanos. Com Salonen, a Filarmônica tornou-se a orquestra mais interessante da América; com Dudamel, tem tudo para manter o título.

Fonte: Revista Bravo!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não tem Neymar vamos de Nilmar mesmo


O anúncio dos brasileiros convocados para a Copa do Mundo deste ano, deixou o país literalmente parado na semana passada. Na televisão, rádio ou internet, todos queriam saber quem eram os escolhidos para representar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África do Sul. Em Bandeirantes, região norte do estado do Paraná, não foi diferente. Afinal, um motivo em especial fez a festa na cidade: o atacante Nilmar de 25 anos de idade, que joga no Villareal da Espanha, entrou na lista do técnico Dunga para o mundial.
No posto de gasolina do irmão de Nilmar, cerca de 400 conterrâneos e conferiam os convocados em um telão. Todos foram à loucura quando o nome do jogador foi anunciado. “A emoção foi grande. Houve carreata com trio elétrico e em Bandeirantes só se fala nisso. É a primeira Copa dele. Até agora não caiu a ficha”, disse Fabrício Honorato da Silva, o irmão de Nilmar.
Ao lado dos pais de Nilmar, o irmão Fabrício não conteve a emoção e falou. “E pensar que até pouco mais de dez anos ele jogava bola no campinho ao lado da escola aqui perto de casa. Era o campo do São Bento, onde tudo começou. De lá, ele tentou jogar no União, mas foi para o Matsubara com 13 anos. Nessa época, ele ainda ajudava meu pai trabalhando como garçom. E agora está convocado para a Copa. É um sonho para a nossa família”.
Ao vivo, para uma rádio da cidade, a Cabiúna, Nilmar agradeceu aos que foram às ruas comemorar. O jogador também prometeu visitar Bandeirantes, sua cidade natal, na próxima semana. “Esse último ano foi maravilhoso para mim na Seleção. Já avisei meu pai para pagar um churrasco para a galera. Tá tudo pago”, comemorou, também lembrando o futuro nascimento de sua filha.
Nilmar e Kléberson mantêm uma tradição que vai se repetir pela oitava vez: a de paranaenses em Copas do Mundo. Quem desbravou o caminho foi o curitibano Patesko, que atuou nos mundiais de 1934 e 1938. Quarenta anos depois, o também curitibano Dirceu Guimarães empalcou três Copas seguidas: 1974, 1978 e 1982. Belletti, Rogério Ceni, o próprio Kléberson e o paulistano “naturalizado” curitibano Ricardinho atuaram em 2002. Na Copa passada, em 2006, apenas Rogério Ceni, nascido em Pato Branco, esteve naquele mundial.
Nilmar teve sua primeira chance como profissional no Internacional de Porto Alegre, quanto tinha apenas dezoito anos. A partir de então, começou a ter destaque e obter seu espaço no ataque colorado. Em 2004, foi campeão Gaúcho com o Inter, sendo o artilheiro da equipe. E neste mesmo ano Nilmar foi negociado com o Lyon, da França.
Em 2005 no retorno ao Brasil Nilmar passou pelo Corinthians e Palmeiras. Em 2009 retorna a Europa jogando no Villarreal da Espanha como atacante, o Villareal desenbolsou cerca de R$ 44 milhões pelo atleta, com contrato firmado é de duração de cinco anos. Nos últimos meses de 2009, Nilmar conseguiu a façanha de marcar seis gols em quatro partidas seguidas pela seleção brasileira. E agora foi convocado para uma vaga de atacante da seleção canarinho nessa Copa 2010 trazendo mais prestígio e mídia para sua carreira.


Já o outro jogador o Neymar do Santos, que é a nova sensação do futebol brasileiro que podesse ser a surpresa nesse hexacampeonato mundial como seu talento nos pés que levou o Santos pela décima oitava vez à conquistar o título do Campeonato Paulista, se consagrou como o artilheiro do mesmo e que está sendo considerado o “Messi brasileiro”, uma referência ao melhor jogador do mundo em 2009, o argentino Lionel Messi e pelos os espanhóis do time do Real Madrid. Mesmo assim ficou de fora dos convocados da seleção para a Copa, apesar dos apelos da imprensa e dos torcedores. Neymar assistiu junto com seus companheiros de time à convocação do técnico Dunga para a Copa deste ano. Estavam Reunidos em um hotel, os atletas torciam pela inclusão do atacante e do meia Paulo Henrique Ganso, que era a nossa esperança aqui de Belém do Pará, na lista da Seleção brasileira, mas ao final do anúncio oficial, o sentimento entre as estrelas do Peixe era de frustração.
Visivelmente abatido, o jogador falou com a imprensa, considerado “selecionável”, e disse que já estava pensando no próximo Mundial, que acontecerá em 2014 aqui no Brasil e falou que não pode parar aqui, vou lutar para ir para próxima Copa, disse o craque de apenas 18 anos. Enquanto isso o convocado Robinho dava declarações à imprensa e se mostrando muito feliz por está na lista do técnico Dunga, mas lamentou a ausência dos companheiros de equipe. “Não tive tempo de conversar com o Neymar e com o Ganso, mas é claro que todo jogador que espera uma convocação e não é convocado fica triste”, concluiu.
Neymar também disse que, a partir de agora, deixa de ser candidato a uma vaga na seleção para se tornar mais um torcedor da seleção. "Infelizmente, não fui convocado, mas agora é hora de torcermos pelo Brasil", revelou o atacante santista. A vida é assim mesmo, alegria de uns e frustração de outros. Então boa sorte para a nossa Seleção Brasileira rumo à Johannesburgo no primeiro jogo dia 15 de junho contra a Coréia do Norte. Pra frente Brasil!

Fonte: G1

Mafalda



















quinta-feira, 13 de maio de 2010

A mulher que me deu a luz

Me vi num escuro aquoso e logo ela me deu vida
Logo a luz dos olhos dela irradiaram sobre os meus
Uma luz me deu de presente uma benção, o amor e sua dedicação
Clareou sobre mim sua força irresistível de mãe
Um brilho que vinha de seu sorriso grande e aberto
Fiquei totalmente dependente dessa mulher
Resplandece sobre mim o clarão de sua imagem de mãe
A mulher que me deu a luz.

Três letras onde cabem todos os sentimentos do mundo
Mãe, mulher de verdade, mãe, geradora da felicidade
Única mulher que tem o dom incondicional da emoção
Nunca se engana como as mensagens que vem do seu coração
Só ela consegue me iluminar mesmo estando em qualquer lugar
Só ela tem a luz que me liberta e me faz ver o fim do túnel
Que mulher que leva sempre consigo sua doçura e seu brilho raro?
A mulher que me deu a luz.

Sei que sua luz de estrela guia sempre todos os meus passos
Me ilumina nesse mundo que mostra uma vida sem poesia
Para eu seguir na minha missão no caminho da calmaria
Resplandece em mim sua cara, sua beleza, sua alma
Sempre com seu brilho espectral que une todas as cores
Sempre com sua essência sem igual que vai dos cabelos aos pés
Só essa mulher ilumina o que há de mais escuro em mim
A mulher que me deu a luz.

(Codinome Pensador)

Eu vi. O filme: Um olhar do paraíso

Sinopse: 6 de dezembro de 1973. Norristown, Pensilvania, subúrbio da Filadélfia. Susie Salmon (Saoirse Ronan) está voltando para casa quando é abordada por George Harvey (Stanley Tucci), um vizinho que mora sozinho. George a convence a entrar em um retiro, por ele construído. Lá dentro, Susie é assassinada. Os pais de Susie, Jack (Mark Wahlberg) e Abigail (Rachel Weisz), inicialmente se recusam a acreditar na morte da filha, mas precisam aceitar a situação quando seu gorro é encontrado em meio a um milharal, junto a destroços do retiro que estão repletos de sangue. Em meio às investigações, a polícia conversa com George mas não o coloca entre os suspeitos. Com o tempo Jack e Lindsey (Rose McIver), a irmã de Susie, passam a desconfiar de George. Toda esta situação é observada por Susie, que agora está em um local entre o paraíso e o inferno. Lá ela precisa lidar com o sentimento de vingança que nutre em relação a George e a vontade de ajudar sua família a superar o trauma de sua morte.
Ficha técnica: Título original: The Lovely Bones/ Lançamento: 2009/ Gênero:drama/ Direção: Peter Jackson/ Elenco: Saoirse Ronan (Susie Salmon), Mark Wahlberg (Jack Salmon), Rachel Weisz (Abigail Salmon), Susan Sarandon (Vovó Lynn), Stanley Tucci (George Harvey), Rose McIver (Lindsey Salmon).

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O homem que sabia demais de cinema


Há exato trinta anos, em 29 de abril de 1980, o mundo perdia Sir Alfred Joseph Hitchcock, considerado o mestre dos filmes de suspense da história do cinema. Nascido no leste londrino e educado por jesuítas, Hitchcock entrou na indústria do cinema em 1920 como desenhista de legendas de filmes mudos, mas logo se tornou diretor de arte, roteirista e diretor assistente. Fez nove filmes mudos, entre eles O pensionista em 1926, o primeiro com a sua marca: a breve aparição na frente da câmera. Após a chegada do som, o britânico soube dominar a nova tecnologia e em 1940 foi convidado para ir a Hollywood dirigir a adaptação de Rebbeca, a mulher inesquecível. A película foi consagrada com a estatueta da academia e Hitchcock se transformou em um dos diretores mais promissores de Hollywood. Numa época em que os estúdios controlavam os atores e diretores, Hitchcock foi o pioneiro na independência de contrato. Dessa forma, ele escolhia os filmes que iria dirigir e para quem iria trabalhar.
Em Festim Diabólico de 1948, Hitchcock consegue uma tensão crescente que poucos diretores já conseguiram passar para as telas. Nada de fantasmas ou aparições, Festim Diabólico trata do real, apresentando os maiores defeitos e qualidades das emoções humanas, funcionando tanto como um simples entretenimento quanto um estudo aprofundado de personagens. Gravado totalmente em estúdio. É seu primeiro filme colorido, mas não é experimental por causa disso: ele foi filmado em apenas 10 tomadas de oito minutos cada uma. Oito minutos de filme, para a época, era o máximo que um rolo de filme podia suportar. Mas boa parte dos cortes presentes entre essas tomadas são imperceptíveis, o que torna a técnica do filme ainda mais genial. A história de Festim Diabólico é simples mas repleta de personagens que tornam o filme complexo e dinâmico, no sentido de imprevisível. É levemente baseada em um caso real de 1924, quando dois jovens Leopold e Loeb, raptaram e mataram um garoto de 14 anos, na cidade de Chicago. O caso teve grande repercussão em jornais da época. Ambos foram julgados, mas conseguiram escapar da pena de morte, sendo apenas aprisionados. Loeb morreu na prisão e Leopold saiu dela após 45 anos, morrendo no início dos anos 70. Era quase evidente que ambos eram homossexuais, mesmo que isso nunca tenha sido dito como certo. Em Festim Diabólico, Hitchcock pega apenas a premissa geral para criar o roteiro e mantém a suspeita de homossexualismo, da forma mais sutil possível, tanto que muitas pessoas nem desconfiam quando assistem ao filme. O crime tem motivo intelectual, na cidade de Nova York, Brandon (John Dall) e Phillip (Farley Granger) assassinam seu amigo David, por considerarem-se superiormente intelectuais em relação a ele. O assassinato, com uma corda, que é a primeira cena. Com toda a frieza e arrogância do mundo, eles resolvem provar para eles mesmos sua habilidade e esperteza: esconderão o cadáver em um grande baú, que servirá como mesa e estará exposto no meio da sala de estar do apartamento deles, durante uma festa que realizarão logo em seguida. Tudo torna-se ainda mais interessante ao descobrirmos que entre os convidados estarão o pai, a noiva e a tia da vítima. Nesse filme não se usa o clichê Hitchcockiano da loira sensual, que é usado em outros filmes, embora Janet (Joan Chandler) seja muito bonita, ela não é personagem de destaque do filme em momento algum e também não é loira de qualquer forma.
Disque M para matar de 1951 é um filme policial que reinventa o processo tradicional desse gênero. Em Disque M para matar, o cineasta vai longe e põe-se distante sua obra acabada não é construída em obediência aos recursos típicos do cinema da época e segue segundo a sua melhor e mais racional utilização de meios de narrativa e outra, os diálogos se arrastam explicativamente, sem aquele dinamismo funcional. É o que é mostrado nos primeiros instantes do filme, nos quais mostra Grace Kelly, a rica Margot Wendice, beijando domesticamente seu marido, seguidos da notícia e da chegada de um navio e a repetição da cena, desta vez com um beijo apaixonado de miss Kelly no seu amante. O trunfo do filme é a trama em torno do assassino, onde a observação sardônica do diretor encontra tradução apenas nas palavras ditas e muito pouco no jogo de cena ou mesmo na interpretação dos atores. Impressionante também é a interpretação de Grace Kelly como uma mulher rica e infiel, dividida entre o amante americano e o marido. É fantástica a transformação de seu rosto ao longo do filme, desde o início em que está alegre, feliz, entre o marido e o amante, até a mulher arrasada, destruída, da metade do filme em diante.
Em 1954, Hitchcock dirigiu o clássico, Janela Indiscreta, onde um fotógrafo (James Stewart), observa seus vizinhos do prédio da frente com um binóculo. Seu par romântico no filme era ninguém mais, ninguém menos que novamente é a diva Grace Kelly. O mais interessante desse filme, foi o set. Hitchcock destruiu o subsolo de um estúdio para construir o prédio da frente do fotógrafo, desse modo, ele conseguiria um ângulo tal que daria para filmar o prédio por inteiro.
Em O homem que sabia demais filmado em 1956, Hitchcock faz uma de suas aparições clássicas de costas para a câmera, no mercado marroquino, antes do assassinato. Tudo começa no Marrocos, onde uma tradicional família está passando alguns dias, aproveitando uma viagem a trabalho de seu chefe, o médico Benjamin (James Stewart). Fascinados com os costumes locais, logo eles fazem amizade com outro casal ocidental, os Drayton (Brenda De Banzie e Bernard Miles) e com o misterioso francês Louis Bernard (Daniel Gélin). O que era para ser uma viagem tranquila, no entanto, passa a assumir a forma de um pesadelo quando Bernard morre assassinado em pleno mercado público, não sem antes revelar a Benjamin que um importante líder de estado será assassinado em Londres. A idéia de Benjamin é contar tudo à polícia, mas os responsáveis pela morte de Bernard e pela conspiração descoberta por ele sequestram seu filho pequeno, para impedí-lo de fazer qualquer denúncia. Sentindo-se desprotegidos, o médico e sua mulher, a ex-cantora Josephine (Doris Day) partem para Londres, dispostos a reaver o filho e evitar a tragédia prevista pelo francês, que eles descobrem que trabalhava para o FBI. Dessa vez, ao invés de apenas um homem jogado no centro do furacão, ele vai ainda mais longe, fazendo tremer as estruturas de uma família inteira e uma família cuja mãe é Doris Day, a epítome do suburbano, do trivial. Aliada a James Stewart, escolhido por Hitchcock principalmente por representar o homem comum, Day cria um núcleo familiar com o qual qualquer espectador pode tranquilamente se identificar.
Em Um corpo que cai de 1958, o mundo conhece o “Hitchcock Zoom“, um truque de câmera utilizado para passar ao espectador a sensação de vertigem sofrida pelo protagonista através da distorção de perspectiva. Scotty ( James Stewart) é um detetive que descobre sofrer de acrofobia (medo de lugares altos) ao presenciar um colega cair do telhado de um prédio. Devido à sua condição, aposenta-se, mas é contratado por um velho amigo para investigar a sua mulher, Madeleine (Kim Novak), que aparenta estar possuída por uma ancestral suicida. Esse filme é considerado a grande obra prima de Hitchcock, principalmente por trabalhar muitos dos temas caros ao diretor, como a obsessão, o perigo de cair, o envolvimento de um homem comum numa trama insólita e a ambientação de cenas tensas em lugares famosos. Neste filme o diretor aparece novamente em cena aos exatos 11 minutos, caminhando com um terno em frente ao estaleiro de Gavin Elster.
Em 1960, Hitchcock atingiria o seu ápice. Com Psicose é um dos filmes mais lembrados de todos os tempos. Talvez não pelo o nome, mas por uma cena em particular: a morte da protagonista na metade do filme. O som estridente, a cortina rasgada e a atriz Janet Leigh nua no chuveiro fizeram da cena uma perfeição em técnica, ângulo e atuação. A loira fria, que dessa vez decidiu roubar dinheiro do banco em que trabalha, não tem o tempo de se redimir e acaba sendo morta por um psicopata com um provável complexo de Édipo. Hitchcock na época das filmagens de Os pássaros em 1963 se baseou num conto de mesmo nome da escritora britânica Daphne Du Maurier e é protagonizado por Rod Taylor, Jessica Tandy e Tippi Hedren, esta última uma descoberta de Hitchcock. O filme inovou na trilha sonora e em efeitos especiais, e por este último motivo foi nomeado para o Oscar. Tippi Hedren, mãe da então futura atriz Melanie Griffith e ganhou o Globo de Ouro.
O seu último filme foi em 1976, Trama Macabra / Intriga em Família com Karen Black e Bruce Dern.
Em 1980, Alfred Hitchcock recebeu a KBE da Ordem do Império Britânico, da mãos da Rainha Elizabeth II. Ele morreria quatro meses depois, de insuficiência renal, em sua casa em Los Angeles.
Foi indicado seis vezes ao Oscar, mas nunca levou a estatueta. Só em 1968, ele recebeu da Academia o Irving G. Thalberg pela sua filmografia. O suspense de Hicthcock distinguia-se do elemento surpresa mais característico do cinema de terror. O suspense é acentuado pelo uso de música forte e dos efeitos de luz. Nos filmes hitchcockianos, a ansiedade do espectador aumenta pouco a pouco enquanto, o personagem não tem consciência do perigo. São apresentados dados ao telespectador que o personagem do filme não sabe, criando uma tensão no espectador em saber o que acontecerá quando o personagem descobrir. Em Psicose, o próprio Hicthcock diz que fez sua melhor e preferida cena, quando somente o espectador sabe que a velha assasina está lá em cima, enquanto o detetive sobe a escada e com a câmera de um ângulo de cima, vê a porta se entreabrir, e o esperado acontece, a assassina mata o detetive, que cai escada a baixo juntamente com o foco da câmera na mão com uma faca a golpear a vitima até a morte. Essa cena descrita poderia soar muito sangrenta, agressiva e causar calafrios, é esta mesmo a intenção, afinal estamos falando do mestre do suspense, do eterno e saudoso mestre Alfred Hicthcock.

Fonte: Cinema10

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O fenômeno Fiuk


Fiuk, nome artístico e esquisito do paulistano Filipe Kartalian Ayrosa Galvão de 19 anos, que está sendo conhecido pelo grande público por interpretar Bernardo na décima sétima temporada do seriado global “Malhação ID” e por ser vocalista da banda Hori. É filho do cantor romântico Fábio Júnior e da artista plástica Cristina Karthalian. Terceiro filho de quatro irmãos: Cleo Pires (que é filha da também atriz Glória Pires), Krizia, Tainá e Záion.
Diz que sempre foi alvo constante de brincadeiras no colégio que estudava. “Os moleques me chamavam de Fabinho e eu ficava muito bravo”, lembra. Quando o jovem começou a aprender violão e a alimentar sonhos de formar uma banda, resolveu adotar o codinome Fiuk. “Quem inventou esse apelido foi o melhor amigo dele, Edson, filho do jardineiro da nossa casa”, conta Cristina, a mãe do rapaz.
A popularidade do rapaz aumentou há quatro meses atrás, quando ele passou a liderar o elenco de “Malhação ID”. Fiuk virou um dos campeões de correspondência da Rede Globo e viu o cachê e de sua banda de pop rock, multiplicar-se por dez: de 2 000 para 20 000 reais por show. No Twitter, tem mais de 323 000 seguidores.
Fiuk deu seu primeiro passo na carreira artística foi como músico e hoje é vocalista da Banda Hori que faz o estilo emocore e foi formada em 2004. Depois de algumas mudanças na formação, a banda consiste também como Max Klein (guitarra solo e vocal), Renan Augusto (guitarra base e vocal), Fê Campos (baixo) e Xande Bispo (bateria). Fábio Jr, bancou a produção do primeiro videoclipe e dos CDs demo da banda de Fiuk, o disco de estreia, lançado pela Warner, vendeu 10 000 cópias. Também também dividiu o palco com o filho no Domingão do Faustão, no fim do ano passado. Os dois cantaram a música “Pai” e não seguraram as lágrimas. “Foi muito emocionante, pois ele fez essa música para o meu avô, que morreu antes de eu nascer”, conta o galã teen.
Vem mesmo ganhando espaço e sucesso como ator protagonisando o “Malhação ID” nas tardes da Globo, cantando aliás a música de abertura da atração e não é por menos que acaba de ter uma canção de sua autoria confirmada na trilha nacional do fenômeno cinematográfico Crepúsculo e se prepara para estrear nos cinemas brasileiros com o filme “ As melhores coisas do mundo” da consagrada diretora Laís Bodanzky do premiado “Bicho de sete cabeças”.
O filme reúne reúne nomes conhecidos da boa safra de novos atores da dramaturgia brasileira para contar a história de um adolescente chamado Mano (interpretado pelo desconhecido ator Francisco Miguez), paulista de classe média que enfrenta os conflitos típicos da idade, em meio ao burburinho de uma tradicional vida escolar. Amparada por um elenco de protagonistas escolhidos entre os próprios alunos de uma instituição de ensino, Bodanzky fez um filme leve, sem grandes pretensões, mas que satisfaz o público espectador justamente por não teatralizar a representação de uma geração que não precisa ser distorcida para parecer exagerada. “As Melhores Coisas do Mundo” é um filme jovem, para jovens e seu ritmo ágil pode incomodar quem espera por um drama sóbrio e maduro. Baseado na série de livros “Mano”, dos escritores Gilberto Dimenstein e Heloisa Pietro, o roteiro é marcado por situações que só uma mente adolescente poderia prever.
Apesar de iniciantes, os novos atores surpreendem e conseguem atuações que, de tão espontâneas, beiram o cinema documental. Como é o exemplo de Fiuk, que faz o personagem Pedro, um jovem romântico e idealista, irmão do protagonista e dos sempre excelentes Caio Blat, no papel de um dos professores do colégio, Denise Fraga e Zé Carlos Machado, os pais de Mano. O uso de características mais comuns ao cinema documental, como a presença de não atores e roteiro feito em colaboração com os personagens, aliadas ao fato de que boa parte da história acontece nos corredores de um colégio real, aproximam o filme “As Melhores Coisas do Mundo” de outra produção recente, “Entre os Muros da Escola”, que em 2008 venceu a Palma de Ouro, em Cannes. O filme de Bodanzky também possui inegável qualidade estética. Embora seja convencional em sua direção, ela não perde a oportunidade de brincar com a câmera e exibe técnicas interessantes que permitem congelar o tempo ao redor do protagonista. A diretora fez um filme que, se não é a perfeita representação do jovem brasileiro, é tudo aquilo o que ele não tem coragem de mostrar.
“ A minha vida é a música. Quero tocar cada vez melhor, compor cada vez melhor, cantar cada vez melhor, diz ele pilhado às 11 da manhã tentando equilibrar um copo descartável de café, milk- shake de morango e uma porção de pão de queijo antes de começar mais um dia de gravação nos estúdios do Projac. Mas não quero deixar de atuar, pois ser ator também é uma grande paixão na minha vida. Diz o rapaz. Fiuk namora e mora junto há dois anos com a produtora de moda Natália, de 37 anos, ou seja, a diferença de idade entre os dois é de 18 anos. “ Gosto de mulheres mais velhas. Elas são mais decididas. Não tem tanto nhenhenhém.” Diz em tom bem decidido. Na verdade Fiuk é apenas um jovem de 19 anos deslumbrado, no melhor sentido da pelavra deslumbrado, com todo esse circo que é o showbiz e que queira, ou não, para a nossa sorte ou azar, ainda ouviremos falar muito deste carinha.

Fonte: Famaosfera

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tô lendo. O livro: O meu nome é Legião (Antônio Lobo Antunes)


"O meu nome é legião" começa numa noite em um bairro afastado de Lisboa quando oito garotos, um branco, um preto e seis mestiços, com idades entre 12 e 19 anos, roubam dois carros e ao alcançam uma autoestrada, passam a praticar crimes bárbaros madrugada adentro. Gusmão é um policial desiludido, ignorado pelos colegas e em vias de se aposentar, redige um inquérito sobre os oito jovens delinquentes e seus atos bárbaros ao longo dessa madrugada.
O texto, aparentemente técnico e objetivo, aos poucos se transforma em uma trama narrativa de múltiplas vozes, em que vários narradores tomam a palavra, cada qual com sua versão dos fatos e suas lembranças, criando um mosaico de contrastes sobre a injustiça e a dor na forma de um relatório policial sobre os crimes cometidos por essa gangue de garotos. Há muita violência e a forte sugestão de ódio racial, o que remete ao período colonial. Aos poucos, o policial em final de carreira que anota os fatos deixa-se levar por memórias e pensamentos aparentemente aleatórios.
A narração então se desenvolve por vias de curvas quase impossíveis e cruzamentos bruscos e inesperados. A impressão é que o livro ganha vida própria, toma as rédeas para si. A pontuação se rebela, os parágrafos são cortados no meio por estranhos parênteses, as falas surgem inesperadamente, confundindo-se com os fluxos de consciência, nem sempre com o habitual travessão. Imagens variadas passam pelos olhos à medida em que as vozes e testemunhos se alternam ou se sobrepõem.
Resumindo, o livro trata de desigualdades: raciais, sociais, geográficas, da violência urbana extremada e em última instância, do mal que nos invade como demônios, fala também de um sentimento oposto,sublime e maior à toda essa violência, que é o amor, amor pela humanidade, compaixão e altruísmo que falta as pessoas no dias de hoje. É assim mesmo que o próprio escritor vê seu romance, que considera um de seus melhores.
O título, resumo simbólico do enredo, surgiu para Antunes só no final da escrita. Vem de um episódio no Evangelho de São Lucas. Jesus se encontra com um homem nu e desfigurado, possuído por espíritos malignos, e pergunta por seu nome. E ele responde: "O meu nome é legião".

Ficha Técnica:
Autor: Antônio Lobo Antunes
Editora: Alfaguara / Objetiva
Categoria: Literatura Estrangeira (Romance)
Páginas: 336

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"Senhor, tende piedade de deles!”


Todo o Brasil ficou estarrecido vendo pela tevê nas últimas semanas a catástrofe ocorrida pelas chuvas incessantes no Rio de Janeiro. E como se não bastasse esse episódio se espalhou também por Santa Catarina, Bahia e São Paulo, que compartilharam dessa mesma tragédia. Eu pensei em todo esse drama brasileiro e foi quase inevitável na minha conversa diária com Deus, não pedir piedade para essas pessoas todas que ficaram sem casa, sem roupa, sem comida, sem os familiares e sem nada, tendo que recomeçar do zero.
Por acaso li uma matéria em uma revista há alguns meses atrás, onde uma teóloga norte-americana abordava com muita propriedade assuntos referentes às tragédias naturais diretamente ligadas as tragédias sociais, ela se referiu ao um tal “ Espírito Santo da Terra”, que próximo ao fim dos tempos, esse espírito aumenta as tragédias naturais e o desequilíbrio social. Esses sinais estariam mais frequentes e intensos nos útimos anos. Isso tudo está citado em (Lucas 21:28). “O refreador Espírito de Deus está agora mesmo sendo retirado do mundo. Furacões, tormentas, tempestades, incêndios, inundações, desastres em terra e mar, seguem-se um ao outro em rápida seqüência. Os homens não discernem as sentinelas angélicais que retêm os quatro ventos para que não soprem sem que os filhos de Deus estejam selados, mas quando Deus mandar que seus anjos soltem os ventos, haverá uma tal cena de luta que pena nenhuma pessoa na Terra sobreviverá para descrever”.
Vi também o Arnaldo Jabor que disse brilhantemente em sua crítica semanal no Jornal da Globo: “ Diante das tragédias da natureza, só nos resta tremer, calar, sentir-nos impotentes diante dos atos de Deus. Mas o que aconteceu no Rio, nos obrigar a pensar que quando as águas rolam, percebe-se com mais clareza a outra tragédia, a tragédia social. O Rio é lindo, é maravilhoso, é a cidade mavilhosa povoada por pessoas pobres e desamparadas mas não na hora da chuva, desamparados no sol, na normalidade das coisas do dia-a-dia, que vivem num cotidiano desgraçado, vivem em favelas intocadas pelo poder público há centenas de anos. No outro lado dessa calamindade, vivem os privilegiados, o lado rico da sociedade que veem essa tragédia com horror, mas pela televisão e do alto de seus prédios super chiques e protegidos. Essas tragédias só nos revelam as décadas de escravismo disfaçados, as décadas de encostas precárias e sempre prestes a desabar. Dar pra ver a ignorância das vítimas que se recusam a sair do perigo, dar pra ver o sofrimento mudo de seres invisíveis que não notamos no dia-a-dia, dar pra ver o sofrimento que só grita e chora quando filhos e pais morrem soterrados na lama. Estamos vivendo os dias mais terríveis e que os governantes ajudaram a piorar a cidade e o estado carioca. A chuva nos mostra a realidade do Rio com mais nitidez do que quando há o sol, o céu, o sul e os barquinhos que navegam só no mar e não nas vielas e ruas dessa cidade pobre.”
As favelas cariocas, como todos nós sabemos e aprendemos na escola, nasceram na guerra de Canudos, com a desmobilização das forças que combateram Antônio Conselheiro, no fim do século 19 e vieram para o Rio, acamparam-se em um de seus morros, onde seus descendentes continuaram a morrer, como no sertão baiano: a tiros, de fome, e por fim, nos desabamentos. Como o Rio não fosse exceção na ordem social de domínio, como quase todas as cidades brasileiras, reproduziu-se o mesmo modelo de ocupação urbana e de exploração de trabalho, porque as autoridades em suas mais diversas esferas, só enxergam nos homens e mulheres dos bairros dos subúrbios e das favelas apenas uma fonte de mão-de-obra barata a ser explorada diariamente e um celeiro de votos para a confirmação da ordem política. A letra da lei é bonita e mas só vale no papel, como todos nós já sabemos. É fácil, na tragédia, transferir a responsabilidade para a população, incriminando como sempre fizeram ao longo de nossa história. Porém, é negado aos pobres e aos miseráveis o direito de habitar com o mínimo de dignidade, apesar disso estar escrito em nossa constituição. Enquanto nossos homens e mulheres menos favorecidas não forem amparados com a mínima dignidade que merecem e nossas crianças crescerem sem esperança no futuro, nada está em sua ordem natural, e com chuva ou qualquer outra forma de tragédia sempre cairá sobre os mais pobres. E o que é mais revoltante pra mim, é ver na tevê a cara de pau e ao mesmo tempo de choro de nossos governantes diante das famílias que jamais terão como se proteger de um amanhã sem a menor perspectiva de vida.

(Codinome Pensador)

sábado, 10 de abril de 2010

Só para sentir e não para pensar

A distância entre o racional e o transcendental é muito vasta
Tendo nesse meio um universo onírico de devaneios e surrealidade
Como no Império dos sonhos de Lynch
Como na La dolce vita de Fellini
Onde as fontes jorram não só água mas puro estilo romântico e barroco
Alimentando assim nosso insconsciente, nossa imaginação

Não há caminho tão longe e tão perto para Cassiel e Damiel
Mensageiros elevados acima de qualquer sentimento
Que apenas andam por entre a gente sem poder nos sentir
Ao menos eles podem voam de verdade quando querem
E nós nem isso
Voamos sim, mas sem asas apenas em vôos imaginários

Eles em sua imortalidade infinita e nós na nossa mortalidade limitada
Devemos sempre ouvir o som dos sinos e ficar em silêncio
Se dar ao menos uma chance só para sentir e não para pensar
Sentir a presença, a manifestação, a proteção
Talvez seja possível de sentir e acreditar no invisível
Talvez não haja tantos mistérios assim entre o céu e a Terra.

(Codinome Pensador)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Andy Warhol, sempre pop e sempre vivo.


A exposição Andy Warhol, Mr. América foi aberta ao público neste último dia 20, onde fica em cartaz até o dia 23 de maio. São 44 filmes, 26 pinturas, 58 gravuras, 39 fotos, 44 filmes e duas instalações expostas na Estação Pinacoteca em São Paulo. A mostra foi organizada pelo The Andy Warhol Museum, de Pittsburgh, nos EUA. Grande parte das peças que integram o conjunto foram criadas quando o artista morava na lendária Factory, em Nova York, um estúdio onde trabalhava, reunia amigos e promovia festas. A mostra, que já passou por Bogotá, na Colômbia e por Buenos Aires, na Argentina, centra-se no período entre 1961 e 1968, considerado o mais prolífico da trajetória deste artista pop.
Quando iniciou sua Factory, em 1964, Warhol tinha duas obsessões na vida: ganhar dinheiro e ficar famoso, não necessariamente nessa ordem. O próprio loft, com as paredes cobertas com papel alumínio e o teto e o chão pintados com tinta prateada, acabou virando uma boa estratégia para o tão desejado sucesso. Warhol fazia questão de deixar sua porta sempre aberta para acolher as celebridades em alta e elas retribuíam com uma assiduidade de cartão de ponto. A modelo, atriz e socialite Edie Sedgwick tornou-se companhia constante. O cantor Bob Dylan também era um frequentador habitual do endereço, assim como Lou Reed e John Cale, membros da banda The Velvet Underground, que tinha justamente Warhol como empresário. O mais americano dos artistas americanos adorava uma fofoca, gastava horas ao telefone e não perdia uma boa festa. Tudo em nome da fama e do dinheiro. Aos poucos, transformou-se em um produto. Sua casa, a Factory, virou marca. E sua atitude, suas companhias, enfim, sua imagem pública converteu-se em um meio para valorizar sua obra. O também artista Charles Henri Ford definiu muito bem certa vez o estilo de vida do amigo: "Andy numa ilha deserta não seria Andy".
Andy Warhol é o nome sem dúvida o mais representativo, controvertido e conhecido do movimento chamado Pop Art, surgido na Inglaterra na década de 1950, mas que floresceu somente nos anos 1960. Os artistas da época usavam produtos do capitalismo, como embalagens e propagandas, para expressar arte, fazendo assim uma crítica ao consumo de massa, após estudar apurado nos símbolos e produtos do mundo da propaganda nos EUA, passaram a transformá-los em tema de suas obras, isso tudo fincado nas raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp. Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, a Pop Art operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. Baseado nisso surge Andy Warhol com sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe e Che Guevara. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade. Da mesma forma e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos, dinheiro, icônicos da história da arte, como a Mona Lisa. Produziu filmes e discos, incentivou o trabalho de outros artistas e teve uma revista mensal. Além disso, muito do que era considerado brega, virou moda e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado e aproximou a arte das massas, desmitificando, já que se utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.
A obra de Andy Warhol expunha uma visão irônica da cultura de massa. No Brasil, seu espírito foi subvertido, pois, nosso pop usou da mesma linguagem, mas transformou-a em instrumento de denúncia política e social, através de artistas como: Duke Lee, Baravelli, Fajardo, Nasser, Resende, Aguilar e Antonio Henrique Amaral.
Andrew Warhola ou Andy Warhol como o conhecemos, nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, filho de imigrantes da classe operária originários de Mikó, hoje chamada Miková, no nordeste da Eslováquia. Nos primeiros anos de estudo, Warhol teve coreia, uma doença do sistema nervoso que provoca movimentos involuntários das extremidades, que se acredita ser uma complicação da escarlatina e causa manchas de pigmentação na pele. Às vezes quando estava confinado à cama, desenhava, ouvia rádio e colecionava imagens de estrelas de cinema ao redor de sua cama. Warhol depois descreveu esse período como muito importante no desenvolvimento da sua personalidade, do conjunto de suas habilidades e de suas preferências.
Aos 17 anos, em 1945, entrou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design. Logo após mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker, além de fazer anúncios publicitários e displays para vitrines de lojas. Começa aí uma carreira de sucesso como artista gráfico ganhando diversos prêmios como diretor de arte do Art Director's Club e do The American Institute of Graphic Arts. Fez a sua primeira mostra individual em 1952, na Hugo Galley onde exibe quinze desenhos baseados na obra de Truman Capote. Esta série de trabalhos é mostrada em diversos lugares durante os anos 50, incluindo o MOMA, Museu de Arte Moderna, em 1956 e passa a assinar Warhol.
Em 1968, Valerie Solanis, fundadora e única membro da SCUM (Society for Cutting Up Men - Sociedade para castrar homens) invade o estúdio de Warhol e o fere com três tiros, mas o ataque não é fatal e Warhol se recupera, depois de se submeter a uma cirurgia que durou cinco horas. Este fato é tema do filme "I shot Andy Warhol" (Eu atirei em Andy Warhol), dirigido por Mary Harron, em 1996.
Em 1987 ele foi operado à vesícula biliar. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte. Ele sumiu da vida para entrar para eternidade de milhões de fãs e vira ícone pop e eterno das artes pláticas contemporânea. E fica eternizada também sua mais conhecida frase: “In the future everyone will be famous for fifteen minutes”. No futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos. Aqui estamos nós , após 23 anos depois da sua morte: em pleno reality show, isto é, dá para dizer que Warhol de certa forma antecipou a superexposição da vida pessoal que, com a internet e seus populares sites de relacionamentos, blogs e Twitters da vida, tornou-se uma característica marcante do século XXI. Isso só prova mais ainda como um caipira de Pittsburgh tinha uma tremenda sensibilidade e genialidade para entender o presente e assustadora habilidade para antecipar o futuro.

Fonte: Uol

domingo, 14 de março de 2010

Eu vi. Filme: Bastardos Inglórios


Sinopse: 2ª Guerra Mundial. A França está ocupada pelos nazistas. O tenente Aldo Raine (Brad Pitt) é o encarregado de reunir um pelotão de soldados de origem judaica, com o objetivo de realizar uma missão suicida contra os alemães. O objetivo é matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível. Paralelamente Shosanna Dreyfuss (Mélanie Laurent) assiste a execução de sua família pelas mãos do coronel Hans Landa (Christoph Waltz), o que faz com que fuja para Paris. Lá ela se disfarça como operadora e dona de um cinema local, enquanto planeja um meio de se vingar. Ficha técnica: título original: Inglourious Basterds/ Lançamento: 2009/ Gênero: Guerra / Direção: Quentin Tarantino/ Elenco:Brad Pitt (Tenente Aldo Raine), Mélanie Laurent (Shosanna Dreyfuss), Christoph Waltz (Coronel Hans Landa), Eli Roth (Sargento Donny Donowitz), Diane Kruger (Bridget von Hammersmark), Daniel Bruhl (Fredrik Zoller).

terça-feira, 9 de março de 2010

Eles são os melhores



Depois de 51 anos de carreira o ator Jeff Bridges, que já somava cinco indicações para o Oscar e agora com a indicação pelo papel do cantor Bad Blake em "Coração Louco” ganhou seu primeiro Oscar de melhor ator da temporada 2010. Bridges era favorito destacado para ficar com a estatueta na bolsa de apostas. O filme "Coração Louco" seria apenas mais um drama, mas a atuação de Jeff Bridges fez a diferença. A história que relata a vida de Bad Blake, cantor de música country de 57 anos em declínio na carreira e na vida.
Apresentando-se apenas em locais decadentes no território americano, Bad Blake acaba conhecendo Jean (Maggie Gyllenhaal), uma jovem jornalista em busca de uma entrevista com uma velha estrela e que acaba vivendo um romance repleto de dificuldades com o cantor. Em sua estréia como diretor, Scott Cooper, consegue fazer de Jeff Bridges, estrela da produção e que consegue dar ao personagem uma difícil mistura de negligência, frieza, derrotismo e ternura, que impedem ao espectador tomar uma posição clara a favor ou contra. A ausência de pretensões artísticas do diretor favorece a narração e permite que Bridges conduza o espectador ao longo da história. Como a premiação de melhor ator, põe fim a uma das maiores injustiças de Hollywood, que nunca premiou um ator que tem talento de sobra.
A atuação é o melhor momento de Bridges, de 60 anos, desde o cult “O grande Lebowski”, de 1998, onde fez uma excepcional atuação. Já premiado pelo papel com o Globo de Ouro, o ator ganha o seu merecido Oscar. E para surpresa do grande público que ficou sabendo, que Bridges quase recusou o personagem. “Quando me ofereceram o papel, não tinham nada decidido na parte musical, que é um aspecto essencial do filme. Pensei que sem a música certa, o filme poderia virar um fiasco”, explica Bridges em entrevista em Los Angeles. Foi só quando soube que a trilha ficaria a cargo do amigo e compositor T-Bone Burnett (responsável pela música do filme “E aí meu irmão, cadê você?”, entre outros), que o ator concordou em entrar para o projeto. Para o ator a única companheira no filme é a boa trilha sonora, formada por músicas sobre perdedores e amores perdidos, no estilo do country fora-da-lei de nomes como Waylon Jennings e Willie Nelson, que também inspiraram a criação do protagonista.
“O country é um tipo de música honesta, sobre pessoas que admitem suas falhas e cantam sobre elas. A criatividade de pessoas como Bad surge do sofrimento. Eles pensam: “Eu tenho que sofrer para escrever aquele tipo de música”. Mas isso acaba se tornando um circulo vicioso”, reflete Bridges, sem esconder que também já tomou seus porres. “Tive as minhas ressacas. Sei quais são os altos e baixos, o lado bom e ruim do álcool. E sei também do medo não só do fracasso como também do medo do sucesso.” Diferente de seu personagem, no entanto, Bridges se diz mais tranquilo quanto aos efeitos do tempo. “Sessenta anos se passaram num piscar de olhos. Meu pai morreu aos 85 e, daqui a 25 anos, eu estarei com 85. É um pouco assustador sentir que sua mortalidade está próxima de você, mas também te dá certa sensação de realização. Você começar a entender que não existe mais tempo a ser perdido e que precisa realizar as coisas que quer realizar”, conclui o ator.



E a ex-Queridinha da América e ex-Miss Simpatia é agora ex-atriz-menosprezada-pelos-críticos. Em sua primeira indicação ao Oscar, Sandra Bullock, de 45 anos de idade e 20 anos de carreira, entrou como favorita e saiu como vencedora. Pelo papel de Leigh Anne Tuohy no filme Um Sonho Possível, a mãe de família e empresária que, no alto de sua riqueza, decidiu adotar um jovem negro e o encorajar na carreira de jogador de futebol americano.
Há quem diga que o papel de Leigh Anne está para Bullock assim como Erin Brockovich estava para Julia Roberts. As semelhanças são muitas: Leigh Anne Tuohy, que deu o Oscar a Bullock e Brockovich, que deu o Oscar a Roberts, foram duas mulheres reais que, mesmo acostumadas a um cotidiano de poucas resoluções extremas, conseguiram ficar conhecidas por seus momentos altruístas.
Neste sábado dia 6 de março, a mesma Sandra Bullock levou o prêmio de pior atriz do ano no Framboesa pelo filme Maluca Paixão.
O filme Um sonho possível, conta a história real de Michael Oher, um jovem sem teto com uma mãe viciada que não tem para onde ir nem com quem contar. Ou quase isso, já que um sujeito que o deixa dormir em seu sofá consegue para ele uma vaga em um colégio particular. É lá que ele acaba conhecendo Leigh Anne, personagem de Sandra Bullock, uma decoradora e ex-cheerleader, que o adota e começa a mudar sua vida, permitindo que, ao contrário das pessoas que cresceram com ele na periferia de Memphis, ele possa ir para a faculdade e ser um jogador de futebol americano.
Logo na abertura do filme, a personagem de Sandra Bullock, explica o título original do longa, um termo derivado de táticas do futebol americano. A explicação se faz pertinente para expectadores como nós, brasileiros, que não entendemos nada desse esporte, e o termo "blind side" servirá de premissa para toda a história. Quando um quarterback destro se prepara para um passe, o atacante esquerdo de seu time deve proteger seu lado cego, que seria como o ponto cego de um carro, de um ataque do time oponente. Esta explicação é a metáfora da trama, que conta a história real do hoje atacante dos Baltimore Ravens, o então problemático adolescente Michael Oher, o Big Mike, o ótimo Quinton Aaron. Vale muito no filme é a atuação de Bullock, que teve merecidamente a premiação de melhor atriz no Oscar 2010, até por ser sua primeira personagem forte, em todos esses anos de carreira.
Por causa de sua altura e força, o personagem de Quinton Aaron, consegue estudar numa escola para ricos, já que lá apostam que ele pode ser um bom jogador de futebol americano. Mas Big Mike mal tem o que vestir, enfrenta inúmeras dificuldades para estudar e não consegue se comunicar. Com 15 minutos de filme já sabemos onde isso tudo vai parar e já é possível sentir aquele aperto no coração: Leigh Anne Tuohy conhece Michael e resolve ajudar o rapaz.
Loira, perua, engraçada e extremamente amorosa, Leigh Anne Tuohy é o tipo de mulher fútil que acaba sendo um exemplo de bondade ao adotar Mike e dar a ele as oportunidades que a vida lhe negou. O rapaz, que mal consegue esboçar um sorriso, acaba percebendo a importância de um lar e começa uma aparentemente não promissora carreira no futebol. Apesar de ser mais um daqueles típicos filmes americanos em que o protagonista supera todas as dificuldades para vencer na vida, Um Sonho Possível tem muitos méritos. Entre os que já foram citados e o maior deles talvez seja o esforço enorme que a direção e o roteiro de John Lee Hancok, adaptado do livro The Blind Side: Evolution of a Game, fazem para que o longa não seja piegas. E ele consegue. Vamos admitir que isso é um feito e meio caminho andando para que a boa aceitação do público. E claro, a boa química entre Sandra Bullock e Quinton Aron também ajudou muito.

Fonte: Cinepop