terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tô ouvindo: CD Efêmera da Tulipa Ruiz


Se você ainda não ouviu falar na cantora e compositora Tulipa Ruiz é bem provável que mais dia, menos dia, isso aconteça. Afinal de contas, a paulista vem sendo apontada por muitos como uma das novas promessas da atual cena musical brasileira e acaba de lançar seu álbum de estréia "Efêmera". Apesar de ser seu primeiro trabalho, a artista já é figura conhecida no meio musical e se favorece de um fator bastante plausível nos dias atuais: em meio a um desgaste natural da velha MPB, ela faz parte de uma safra promissora da música brasileira. Ambientado em uma esfera alegre e colorida, o disco traz muita originalidade, tanto na parte sonora, quanto nas composições.
Seguindo o caminho inverso de muitos artistas, Tulipa começou a fazer música sem pretensão de se profissionalizar. No entanto, para os que pensam que seu talento e dom para a música são obras do acaso, ledo engano! Pois sua bagagem vem de berço. Ela é filha de Luiz Chagas (ex-guitarrista da histórica banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção) e irmã do violonista e guitarrista Gustavo Ruiz (Mariana Aydar, Junio Barreto, Trash Pour 4 e Dona Zica), que também assina a produção de "Efêmera". Não bastasse cantar e compor bem, ela é ainda desenhista e responsável pela capa de seu debut.
Nascida em Santos (litoral de São Paulo), criada no interior de Minas e desenvolvida na capital paulista, Tulipa filtra influências de todos esses ambientes. Daí se explica o fato de as letras do disco, que compila 11 belas canções, sendo dez autorais e quatro parcerias, abordarem tantos elementos da natureza. Como, por exemplo, em "A Ordem das Árvores" (faixa 05), cenas urbanas paulistanas, retratadas em "Às Vezes" (faixa 09), personagens inventados, abordado em "Pedrinho" (faixa 04) e situações reais pessoais, apresentados em "Pontual" (faixa 02) e "Só Sei Dançar Com Você" (faixa 11).


Dona de uma voz doce e, ao mesmo tempo, marcante, Tulipa reverencia tais atributos de modo exemplar neste seu primeiro trabalho, que vem associado a excelentes arranjos. Além do pai e do irmão, a cantora ainda contou com a participação no disco dos músicos Dudu Tsuda (teclado), Márcio Arantes (baixo e co-produtor do disco) e Duani Martins (bateria). Aliás, banda que vem a acompanhando também nos shows de divulgação do álbum. Com várias participação especiais, entre elas, de Kassin, trio Negresko Sis (formado pelas cantoras Céu, Anelis Assumpção e Thalma de Freitas), Stéphane San Juan, Zé Pi, Iara Rennó, o álbum consegue reunir artistas e músicos das mais variadas influências sem "perder o pé". Muito pelo contrário, algo que nos surpreende é a coesão aparente existente entre todos.
O que nos leva à conclusão de que salvo o talento promissor da idealizadora do projeto, "Efêmera" é mais um cruzamento de ótimas idéias e escolas musicais. Melodista e letrista espirituosa, Tulipa consegue desenhar canções cheias de poesia, bom humor e feminilidade. Repleto de músicas que trazem algo de retrô e uma leveza pop cativante, o álbum é o resultado da miscelânea e união de diversas influências, cuja sonoridade remete ao tropicalismo, passando pelo soft rock dos Anos 60 à gloriosa Gal Costa dos 70. Porém, sem soar como algo antigo, mas sim, contemporâneo, com cheiro de novo, é importante ressaltar!
O mais bacana deste projeto é que o álbum, além de trazer criações de Tulipa, ainda abre espaço para outros artistas mostrarem a sua criatividade, como é o caso dos diversos desenhos de tulipas espalhados no encarte, assinados não apenas por sua titular, mas também por músicos e amigos. Entre eles, Edith Derdik, Karina Buhr, Rômulo Fróes, Na Ozzetti, Alexandre Órion, Rafael Castro, Marko Mello, Érika Machado, Gustavo Aimar, Luciana Cottini e Victor Zalma.
Enfim, em um País de grandes cantoras, Tulipa revela influências, mas não se perde em imitações enfadonhas. Tanto que não é à toa, que a paulista vem despontando na cena musical brasileira, diante da enorme gama de artistas que estão na batalha por um espaço e por apresentar o seu trabalho. E talvez o diferencial da cantora esta no fato de apesar de ser também compositora, por outro lado, rejeita o ecletismo das intérpretes moderninhas, ao investir em diversos caminhos sonoros. Ela, que tem em Milton Nascimento como principal parâmetro no desenvolvimento de seu trabalho, consegue reunir com maestria a riqueza, seja ela musical ou imagética, em um mesmo produto. O que apenas denota o seu talento promissor para a arte, de forma geral.

Lista de músicas:

1 - Efêmera
2 - Pontual
3 - Do amor
4 - Pedrinho
5 - A ordem das árvores
6 - Sushi
7 - Brocal dourado
8 - Aqui
9 - Ás vezes
10 - Da menina
11 - Só sei dançar com você

Fonte: Radar cultural

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma fotografia sem pudores






Robert Mapplethorpe nasceu em 1946, em Floral Park, Queens, Nova York. Definido hoje por muitos críticos como um dos maiores fotógrafos de sua época, ele tinha um estilo polêmico e rigoroso em todos os aspectos da sua obra. Explorou como ninguém o nú artístico sob uma ótica clássica e composição purista, still life de flores e portrait de personalidades do meio artístico e cultural. Ficou mais conhecido por suas fotografias de nu e sua maneira controversa de abordar o erotismo. Algo que predomina em quase todos os seus trabalhos. Suas fotografias tinham composições muito sofisticadas, suas naturezas mortas eram refinadas e suas imagens da sexualidade explícita do universo sadomasoquista, despertaram tanto a idolatria quanto a fúria da sociedade norte-americana. Enfim... Sua arte teve vários caminhos, mas foi na fotografia que este homem dúbio e incansável celebrizou-se. Uma vez no auge do sucesso, ele disse: " Eu venho da América suburbana. Um bom lugar para quem quer aprender de verdade com a vida e para quem não tem medo de ganhar o mundo." Essa frase resumiria um pouco das idéias inovadoras e de sua personalidade inquieta.
Em 1963, Mapplethorpe matriculou-se no Pratt Institute of Brooklyn, onde estudou desenho, pintura e escultura.Logo foi influenciado por artistas como Joseph Cornell e Marcel Duchamp, ele também experimentou com diferentes materiais em colagens mixed-media, incluindo imagens cortadas de livros e revistas. Ele adquiriu uma câmera Polaroid em 1970 e começou a produzir suas próprias fotografias para incorporar as colagens, dizendo que se sentia "que era mais honesto”. Nesse mesmo ano, ele e sua namorada Patti Smith, a quem tinha conhecido três anos antes e que era bissexual como ele, se mudaram para o Chelsea Hotel.
Patti Smith era naquela década, era uma poeta, uma artista, uma estrela do rock e até um pouco de um xamã. Considerada a madrinha do punk, por saber integrar a sua poesia e o seu estilo de performance com três acordes do rock . Foi quando sua amizade com Robert Mapplethorpe gerou um romance dos mais selvagens e aqueles dois jovens sem dinheiro ou conexões mais tarde viriam a atingir tal o extremo sucesso, Smith com sua música e Mapplethorpe com sua fotografia. Os dois lutaram para ter comida e abrigo, mantendo um olhar para tudo que vinham e viviam com a finalidade de fazer arte. Smith deixou Nova York para Detroit em 1979 para viver com o homem que viria a se casar, o falecido ex-guitarrista do MC5, Fred "Sonic" Smith, assim como a carreira de Mapplethorpe como um dos fotógrafos de arte mais chocante e potente estava atingindo seu apogeu (como seu preto -e-branco dos prostitutos homossexuais, S & M atos, flores e de crianças estavam a caminho do acervo do museu).
Mapplethorpe rapidamente encontrou satisfação tirando fotos Polaroid, por direito próprio e Polaroids na verdade, poucos realmente aparecer em suas obras mixed-media. Em 1973, a Galeria de Luz em Nova York, montou sua primeira galeria de exposições a solo, "Polaróides". Dois anos depois, ele adquiriu uma câmera médio formato Hasselblad e começou a fotografar seu círculo de amigos e conhecidos artistas, músicos, socialites, estrelas de cinema pornográfico, e os membros do S & M subterrânea. Ele também trabalhou em projetos comerciais, criação de capa do álbum de Patti Smith e Television e uma série de retratos e imagens do partido para Interview Magazine.
No final dos anos 70, Mapplethorpe cresceu cada vez mais interessados em documentar o New York S & M cena. As fotografias resultantes são chocantes pelo seu conteúdo e notável por seu domínio técnico e formal. Ele disse na época: " Eu estou olhando para o inesperado. Estou à procura de coisas que eu nunca tinha visto antes ... Eu estava em posição de tomar as fotos. Senti a obrigação de fazê-las. Enquanto isso em 1977, sua carreira continuava a crescer, foi quando a Robert Miller Gallery em Nova Iorque tornou-se seu distribuidor exclusivo.
Ao longo dos próximos vários anos, trabalharam em uma série de retratos e estudos de figura, um filme, e o livro “Senhora, Lisa Lyon”. Ao longo da década de 80, Mapplethorpe produziu um bando de imagens que ao mesmo tempo desafio e aderir a padrões estéticos clássicos: composições estilizadas de nus masculinos e femininos, flores delicadas naturezas-mortas e retratos de estúdio de artistas e celebridades, para citar alguns de seus gêneros preferidos. Ele apresentou e refinou as técnicas e formatos diferentes, incluindo a cor de 20 "x 24" Polaroids, fotogravuras, platina, impressos em papel e roupa, Cibachrome e transferência de corante de cor impressa. Em 1986, ele projetou cenários para Childs dance performance Lucinda, Retratos de Reflexão, criou uma série Fotogravura de Rimbaud Uma estação Arthur no Inferno, e foi encomendada pelo curador Richard Marshall para tirar retratos de York novos artistas para a série e livros, 50 Artistas de Nova York.
Apesar de sua doença, ele acelerou os seus esforços criativos, alargou o âmbito da sua investigação fotográfica, e aceito encomendas cada vez mais desafiador. O Museu Whitney de Arte Americana montou sua primeira grande retrospectiva do museu americano, em 1988, um ano antes de sua morte em 1989.
Era louco em suas aventuras sexuais e tinha manias: usar caveira como símbolo, dormir em uma gaiola gigante, com lençóis pretos na cama. Tudo isso adquiriu um aspecto trágico ao descobrir que tinha AIDS.
O senso provocativo e poderoso de seu trabalho, o estabeleceu como um dos mais importantes artistas do século XX. Hoje Mapplethorpe é representada por galerias em América do Norte e do Sul e Europa e sua obra pode ser encontrada nas coleções dos principais museus de todo o mundo. Além do significado da arte histórica e social de sua obra, seu legado vive através do trabalho da Fundação Robert Mapplethorpe. Ele criou a Fundação em 1988 para promover a fotografia, museus apoio para a arte e a exposição fotográfica, e para financiar pesquisas médicas na luta contra a AIDS.

Fonte: Interview Magazine

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Todos os sentimentos em todos os sentidos

Quando o amor consegue captar alma da poesia
Surge a sublimação de todos os sentidos
Todos os sentimentos são nobres
Todos os sentidos são cinco

Tudo vira interpretação, reconhecimento
Reconhecer o amor através dos olhos
Olho, imagem, retina, cores
Enquadram e focam no âmago da alma

A alma chora enquanto canta
Uma música que nos leva a ouvir a nós mesmos
Que acalma e cura o nosso coração
Sem revelar esse segredo, essa façanha

Que nos levar a querer descobrir esse mundo curioso
Pele a pele, tato a tato
Num contato com a intuição, com o afeto
Que está na palma da mão de cada um de nós

A obscuridade que se mistura a cada paladar
Milhões de papilas à procurar
Dentro de um mesmo eixo, dentro de um único ser
Saboroso aperitivo, pedacinho de cosmos.

Sente-se o cheiro de todos os elementos
Perfume, suor, secreção, alfazema
Sinto que minhas narinas tem personalidade
Me fazendo sentir uma emoção paranasal.

Todos os sentimentos em todos os sentidos
Me tocam bem fundo, me envolvem de repente
Para descobrir no final
Que no encontro do amor com a poesia surgiu uma paixão.

(Codinome Pensador)

Eu vi. Filme: O segredo dos seus olhos


Sinopse: Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta. Ficha técnica: Título original: El Secreto de sus Ojos. Lançamento: 2009 (Argentina). Direção: Juan José Campanella. Gênero: drama. Elenco: Ricardo Darín , Soledad Villamil , Pablo Rago , Javier Godino , Guillermo Francella.

O senhor do labirinto e da arte


Arthur Bispo do Rosário perambulou numa delicada região entre a realidade e o delírio, a vida e a arte. Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis (doentes psiquiátricos, alcóolatras e desviantes das mais diversas espécies), local onde foi diagnosticado como um esquizofrênico-paranóico e onde recebeu o número de paciente 01662, permanecendo por mais de 50 anos. Natural de Japaratuba no Sergipe, Arthur Bispo é descendente de escravos africanos, foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca. Nasceu no ano de 1909 ou 1911,não se sabe ao certo.
Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e curiosamente, também em sua terra natal. Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador. Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. A utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique. Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e ano passado virou filme, pelas mãos do cineasta pernambucano Geraldo Motta.
O filme é intitulado O Senhor do Labirinto e teve sua premiére no Festival de Cinema do Rio este mês, maior evento audiovisual da América Latina, o mesmo ressalta a vida e obra do artista sergipano, interpretado pelo ator Flávio Bauraqui. E sendo devidamente premiado neste festival com o prêmio de Melhor Longa Metragem de Ficção pelo Júri Popular. A produção cinematográfica teve o apoio do Governo do Estado, através do Banco do Estado de Sergipe (Banese). O filme foi gravado quase que 90% em solo sergipano com exceção de duas cenas que foram feitas no Rio de Janeiro. No papel de Arthur Bispo do Rosário, o ator Flávio Bauraqui tem seu melhor momento de protagonista no cinema e faz bom uso dele. Com uma atuação acima da média para protagonistas e usando uma maquiagem pesada para viver Bispo do Rosário mais velho, que deu mais veracidade à sua interpretação que foi muito elogiada pela crítica. “Gosto de desafios. Foi um dos personagens que eu mais sofri fazendo, mas adorei todo o processo”, disse o ator.
Produziu mais de mil obras consagradas no mercado internacional de arte contemporânea que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada como instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário. Bispo do Rosário criou um universo lúdico de bordados, durante os mais obscuros períodos da psiquiatria, época dos eletrochoques, lobotomias e tratamentos violentos aplicados para o controle de crises. Diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata eram utilizado por ele em suas obras, que seriam classificados anos depois como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas do seu trabalho, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de mísseis e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.
Sem se dar conta, Bispo não só driblou os mecanismos de poder no manicômio como utilizou sobras de materiais dispensados no hospital para criar suas obras, inventando um mundo paralelo.
Dizia-se um escolhido do todo-poderoso, encarregado de reproduzir o mundo em miniaturas. Eram suas representações, afirmava. Paradoxalmente, as obras, que deveriam representar tudo o que havia na Terra acabariam reconhecidas como peças de vanguarda, incluídas por críticos em importantes movimentos artísticos. Sua arte genial chegou a representar o Brasil na prestigiada Bienal de Veneza, além de correr museus pelo mundo, a exemplo do Jeu de Paume, em Paris. Curiosamente, em vida, Bispo recusava o rótulo de artista, dado o caráter divino de sua tarefa. Mas a potência de sua obra ignora limites e até hoje atravessa fronteiras, transgredindo convenções e levando espectadores de todo o mundo ao encantamento.
Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha. Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.
A história da loucura de Bispo remonta à noite de 22 de dezembro de 1938, quando, aos 29 anos, conduzido por um imaginário exército de anjos, andou pelas ruas do Rio com um destino certo: ia se apresentar na igreja da Candelária, no centro. Peregrinou pelas várias igrejas enfileiradas na rua Primeiro de Março e terminou no Mosteiro de São Bento, onde anunciou a uma confraria de padres que era um enviado, incumbido de julgar os vivos e os mortos. Detalhes dessa narrativa, meio real, meio ficcional, constam de um estandarte bordado por Bispo, uma das belas peças de sua vasta obra, que mistura autobiografia e auto ficção. É nesse estandarte que Bispo registra a frase-síntese de sua vida e obra: “Eu preciso destas palavras escritas para viver”. A palavra tinha para ele status extraordinário, por isso seus bordados estão repletos de nomes de pessoas, trechos poéticos, mensagens.
O dia 24 de dezembro de 1938 foi um divisor de águas psíquico para Bispo. Era Natal, ele se convertia na figura de Jesus Cristo, mas acabaria sob o domínio da psiquiatria. Interditado pela polícia dois dias após a sua anunciação, foi enviado ao Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, onde rótulos não tardariam a marcar sua ficha: negro, sem documentos, indigente.
Arthur Bispo do Rosário não é o nosso Duchamp e muito menos o nosso Van Gogh, mas olhando com atenção para a obra de Duchamp, vamos compreender melhor a de Bispo do Rosário, pois, apesar dos sotaques, ambos conversam no mesmo registro, falam do mesmo modo e dos mesmos assuntos.
A diferença de importância ou de qualidade entre as duas obras, só está na enorme diferença com que cada uma foi abordada e estudada. Só se pode dizer é que ficamos totalmente deslumbrados nessa teia de símbolos e signos que foi maravilhosamente inventada por esses artistas, por uma erudição mas também pela formidável ignorância dos homens em meio à sua irremediável solidão. Foi nas cavernas, nos campos, nas praças, nos mares e nos portos que se inventou e se reinventa até hoje a linguagem e a arte, e não nos mosteiros, nem nas universidades, erudita ou autodidata, a criação vem sempre depois, o que vem antes é o talento e a intuição com sanidade ou não, quando vemos tudo já está criado e no final não importa a vaidade, o prestígio e a efemeridade de qualquer discurso, opinião ou nota para a criação artística, o que importa mesmo é o que a arte gera. Um quadro pode até desaparecer, a arte pode até morrer mas o que fica e conta é a semente.

Fonte: Canalcontemporâneo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ela é simplesmente a minha Clarice

Não se preocupe em entender Clarice, apenas a deixe fluir
E ela te invade como uma leve brisa ou como uma forte ventania
Uma força que vem da sua solidão e da sua ânsia constante de tentar acertar
Caleidoscopicamente ela é mutante, fascinante, dilacerante, inconstante
Caleidoscopiamente ela é apenas Clarice
Sempre buscando uma liberdade que sempre é pouca, muito pouca.

Criando sua própria verdade, reinventando sua própria maneira de existir
Num estilo ímpar dentro de um mundo de ficção clariceana
Personagem dela mesma numa estrutura sintática caótica
Uma Virgínia Woolf, uma psicóloga das letras, uma estrangeira misteriosa
Uma mulher de várias caras, mas de um só coração selvagem
Selvagem no seu jeito de escrever, de escrever irreproduzível.

A última das Clarices, a primeira das flores de nome Lispector
Vinda de uma natureza inteligente, densa, sensível, sem igual
A mulher que nunca descansa, a mulher que nunca desisti
Uma Macabéia para não se esquecer jamais
Ela é um enigma, um sopro de vida, uma bela fera, um quase tudo
Ela é simplesmente a minha Clarice.

Uma densa personalidade para apenas uma menina com seus livros
Num jogo impulsivo de se tornar adulta sem ser madura
Maturidade que lhe trazia uma lucidez vazia, um inferno humano
Que resumia a vida apenas em um inspirar e um expirar
Num monólogo interior que a levava sempre ao infinito de si mesma
Infinito do inconsciente, do inalcançável, do que não se entende.

Entender não é o bastante, se queremos ultrapassar qualquer explicação
Mas nem tudo está perdido se dermos amor e recebermos amor
É assim que todo mundo aprende a viver de verdade
Mantendo-nos fortes, humanos e felizes muito mais do que somos
Assim nos transformamos lentamente no que ela escrevia
Assim vamos viver a vida até a sua última gota.

Sentir a sensação de achar nossa essência, um sentimento de iluminação
Sentir o sabor de cada letra de Clarice a nos devorar, a nos falar
Não contando apenas histórias, mas nos mostrando a vida
Tornando-nos personagens dialogando com sua epifania inquieta de criação
Mostrando-nos o indizível através das pulsações de sua escrita
Feito uma navalha amolada, rasgando todos os nossos véus do mundo real.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Que casalzinho é esse?



Homônimos segundo a nossa língua portuguesa significa: nome que se dá a um substantivo próprio, notadamente topónimos ou seja nome próprio de um lugar, continente ou localidade e nomes próprios, cuja grafia é idêntica. E o melhor exemplo disso acontece com o casalzinho do momento: a cantora country Taylor Swift e o ator e galãzinho teen Taylor Lautner, Jacob da trilogia Crepúsculo, Lua nova e Eclipse. É Taylor para todos os gostos e em dose dupla.
Vamos falar primeiro de Taylor Alison Swift, conhecida apenas como Taylor Swift é além de cantora e compositora de música pop country, é também atriz e tem 20 anos.
Ela assinou contrato pela pela primeira vez com a gravadora Big Machine Records em 2006 e debutou nas paradas musicais de country aos 16 anos, com o seu single Tim McGraw. Seu álbum de estréia de mesmo nome foi lançado em novembro do mesmo ano e ganhou quatro vezes platina nos Estados Unidos e uma no Canadá. Cinco singles da cantora foram top 10 nos Charts Country e Top 30 no Hot 100 da Billboard. Em 2007, ela recebeu o prêmio Horizon Award da Associação de Música Country norte-americana (CMA).
Em 11 de novembro de 2008, ela lançou seu segundo álbum, Fearless, que ficou em primeiro lugar na Billboard 200 durante onze semanas até o momento, vendendo em apenas três meses, mais de três milhões de cópias, ganhando três vezes o certificado de platina nos Estados Unidos. Número esse, que no momento, já ultrapassou os cinco milhões de cópias. Mundialmente seu álbum já vendeu mais de 6.000.000 cópias. A canção Change, desse álbum, foi selecionada como parte da trilha sonora para apoiar a delegação dos EUA nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Um incidente muito chato aconteceu durante o MTV Video Music Awards de 2009, Kanye West subiu ao palco e pegou o microfone de Swift durante os agradecimentos dela por ter ganho o Melhor Video Feminino com a música "You Belong With Me", dizendo que o clipe da cantora Beyoncé interpretando "Single Ladies", concorrendo pelo mesmo prêmio, era um dos melhores clipes de todos os tempos e fazendo com que as pessoas presentes no local o vaiassem. Ele entregou o microfone de volta para a atordoada e chateada Swift, que não terminou seus agradecimentos. West foi retirado do restante do show por seu mau comportamento. Durante o comercial, a cantora Pink andou perto do rapper e sacudiu a cabeça em desgosto. Quando Beyoncé mais tarde ganhou o prêmio de Vídeo do Ano por "Single Ladies", ela chamou Swift de volta para o palco para que ela pudesse terminar seus agradecimentos. Após a premiação, West pediu desculpas pela sua atitude em seu blog.
Swift foi indicada em 2008 ao Grammy na categoria de Melhor Cantora Revelação, mas perdeu a disputa para Amy Winehouse. Já em 2009 Taylor ganhou o prêmio de melhor videoclipe feminino na VMA em Nova Iorque. Também em 2009 venceu quatro CMA Awards, incluindo a categoria mais prestigiada, a de Entertainer do Ano e cinco American Music Awards, inclusive a de Artista do Ano. Neste ano de 2010, ocorreu o 52nd Annual GRAMMY Awards, em que Taylor ganhou quatro das oito indicações que concorria e acabou por derrubar e quebrar um dos prêmios.
Taylor revelou que o nome de seu terceiro álbum de estúdio, vai ser intitulado Speak Now e que deverá ser lançado em 25 de outubro de 2010.
Em 2011, a cantora estreia como atriz no cinemas americanos no filme Valentine's Day (Dia dos namorados), na estória que tem vários casais que terminam e voltam a namorar nas vésperas do Dia dos Namorados. Swift será aluna-atleta da escola Henderson. O filme traz também o seu homônimo, o ator Taylor Lautner, que no filme faz o papel de seu namorado.
Mais as coincidências entre o casal Taylor não ficam apenas nos seus nomes iguais e no casal romântico que eles vão viver no cinema, os dois começaram a namorar na vida real em 2009, relutaram a assumir o namoro, que durou até o início de 2010, como publicou a revista americana Us.
“Continuamos a amizade mesmo depois de não termos mais um relacionamento amoroso. Mantemos contato, pois temos amigos em comum. Além disso, iremos nos encontrar na estréia do filme que fizemos juntos, em que nos beijamos apaixonadamente. Não ficou nenhum tipo de rancor”, disse a cantora em tom de total maturidade ao diário britânico News of the World.


Já o outro lado da moeda ou melhor o outro Taylor dessa estória, o ator Taylor Lautner, que ficou mundialmente famoso por atuar como Jacob Black nos filmes Crepúsculo em 2008, Lua Nova em 2009 e Eclipse em 2010. Começou a sua carreira em 2001, atuando em um filme feito para televisão chamado Shadow Fury. Posteriormente teve papéis em séries como: Summerland, no Bernie Mac Show e em Eu, a Patroa e as Crianças. Em 2005, estrelou como Sharkboy em As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3D, um filme que expôs suas habilidades nas artes marciais. O ator começou a estudar caratê com seis anos de idade. No ano seguinte, ele começou a ganhar torneios e foi convidado para treinar com um time já havia sido campeão mundial de caratê sete vezes, o Mike Chat, então com oito anos, foi convidado para representar o seu país. Lautner é do estado de Michigan nos EUA.
Logo ele conseguiu o papel de Elliot Murtaugh no filme Doze é demais 2. Taylor afirmou que na época, embora ele estivesse tendo sucesso na sua carreira de ator, ele também pretendia terminar o ensino médio.
Teve pequenos papéis em séries e outros shows de televisão e filmes, incluindo The Nick & Jessica Variety Hour. Ele apareceu como ele mesmo na America's Most Talented Kids, fazendo uma exibição de artes marciais. Além de tudo, Taylor tem tudo sucesso como dublador, onde dublou papéis em episódios de O Que Há de Novo, Scooby-Doo, Charlie Brown.
Em outubro de 2008, Taylor então ganhou o personagem Jacob Black em Crepúsculo, filme adaptado do romance de Stephenie Meyer. Após boatos de que Taylor seria substituído por outro ator para o papel de Jacob Black, pois diziam que ele não se encaixava no papel do personagem. Foi confirmada sua presença em Lua Nova, a segunda parte da série Crepúsculo, após ganhar cerca de 14 quilos só de músculos para ficar com o papel. Na série ele vira lobo e tem que dividir sua vida entreos seus amigos e Bella, a mocinha da estória interpretada pela atriz Kristen Stewart.
Lautner acabou de filmar o filme Valentine's Day (Dia dos namorados) onde interpreta Tyler Harrinton, que namora Felícia, personagem da cantora de country Taylor Swift, que estréia em fevereiro de 2011 nos cinemas americanos. O ator já tem contratos assinados com o cinema até 2013. Depois de interpretar um lobisomem em Crepúsculo e Lua Nova e deixar o astro Robert Pattinson um pouco apagado, Taylor dará vida há dois super-herói nas telonas. O estúdio Paramount já confirmou que ele estará no elenco de Max Steel, famoso personagem de computação gráfica que virou brinquedo, onde fará o papel título, no longa que contará a história de um garoto de 19 anos que acidentalmente se expõe a uma energia transfásica e ganha superpoderes e salvará o mundo. E em outros projetos viverá o personagem baseado no também brinquedo Strech Armstrong, boneco cujas pernas e braços esticam como elástico e um mutante no filme no próximo X-Men: First Class, este último já foi confirmado pela 20th Century Fox.
Taylor tornou-se o jovem ator mais bem pago de Hollywood com apenas 18 anos, recebendo um cachê de 7,5 milhões de dólares, ganhando prêmios de ator revelação e de melhor performance masculina em 2009 e 2010, respectivamente, no MTV Movies Awards e no People Choice Awards.
Mas fica a pergunta Taylor Lautner será apenas um rostinho bonito ou um ator de talento? O próprio ator já disse em entrevista, que se sente muito desconfortável e preocupadopelo fato das pessoas estarem prestando mais atenção no seu corpo e que a crítica não elogie o principal que é o seu trabalho.
Acho bom mesmo ele não se sentir a última bolacha do pacote, até porque ainda não o vimos em nenhum papel que exigisse mais de seu poder interpretativo de ator e menos do seu poder de símbolo sexual teen. E a loirinha da Taylor Swift, é apenas mais uma voz legalzinha, como milhares dessas meninas que existem por aí? Pode até ser, inclusive música country é uma das que mais vendem lá nos EUA assim como no Brasil, só que aqui chamamos pelo nome de sertanejo, porém o talento dessa gatinha de beleza angelical não pode ser descartado, inclusive o respeitadíssimo jornal New York Times, descreveu Taylor Swift como uma das mais refinadas compositoras pop do momento. Esse casalzinho promete! Será? Quem viver verá!

Fonte: Hollywood news.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eu vi. Filme: A estrada

Sinopse:o mundo foi destruído há mais de 10 anos, mas ninguém sabe o que exatamente aconteceu. Como resultado, não há energia, vegetação ou comida. Milhões de pessoas morreram, devido aos incêndios, inundações ou queimadas que se seguiram ao cataclisma. Neste contexto vivem um pai (Viggo Mortensen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee), que sobrevivem de quaisquer alimento e vestuário que conseguem roubar. Apesar dos contratempos, eles seguem viagem pela estrada, sempre rumo ao oeste dos Estados Unidos.
Ficha técnica: Título original: The Road. Lançamento: 2009 (EUA). Direção: John Hillcoat. Gênero: Drama. Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Guy Pearce, Charlize Theron.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Bandidos e mocinhos

Com tantos crimes hediondos acontecendo no nosso país e sendo cobertos pela imprensa nacional com tanta repercussão e glamourização, acaba virando um perigo muito grande para a nossa sociedade brasileira que altamente receptiva à celebridades durante a cobertura de um crime dessa natureza, o criminoso-psicopata se torna então o fetiche do momento. Se torna uma fonte mórbida de prazer. Um prazer movido talvez pelo mesmo sentimento das pessoas que se aglomeram no entorno de uma cena de acidente e que vai ser realimentado por outro acontecimento. Se nos dias atuais prevalece o gosto pela violência e pelo mórbido, a mídia jornalística está diante de um dilema que exige um posicionamento. Resumindo, estamos vivendo numa sociedade doente e urgentemente precisando de sérios cuidados.
Lembrei agora de um fenômeno cinematográfico da década de 90, chamado de Quentin Tarantino que com seus filmes, como: Cães de Aluguel e Pulp Fiction, celebrizou para o grande público sua obra pop com personagens facilmente denominados como psicopatas.
Seria bom se tivessem feito sucesso por elementos como a narrativa circular com que o diretor estrutura suas tramas. Mas a violência praticada por pessoas que não sabem o que é sentir dor não está apenas no âmbito do cinema. É a chamada glamourização de psicopatas que é um traço de nossa sociedade atual do nosso país, que também pode ser visto em representações da realidade. Pra mim isso é o retrato sórdido da mídia ou o cinema mostram o que a sociedade masoquista e hipócrita quer. Mas é importante também levar em conta o efeito destas representações na vida das pessoas. Estudiosos afirmam que a representação também constrói a realidade na medida em que a reproduz. Será? Quem são os verdadeiros bandidos e os mocinhos dessa história?
Com toda essa glamourização dessas criaturas abomináveis que matam em série ou mesmo matam com requintes de crueldade, acho que estamos criando cobras pra nos morder. As pessoas normais, quer queira, quer não, são influenciadas por esses maníacos insensíveis e é exatamente nesse momento que um sociopata reprimido pode sair do armário e nos atacar na primeira esquina escura que ele encontrar.
Desde da década de 70, que esses casos de maníacos ganham jornais e revistas e chamam à atenção da sociedade que vivemos, se formos lembrar. Temos: o assassinato da socialite Ângela Diniz pelo namorado Doca Street, cujo julgamento foi acompanhado de perto por milhões de brasileiros, temos um outro caso de comoção muito maior, o assassinato da jovem atriz Daniela Perez, que em 1993, foi furiosamente estocada pelo ator e colega de novela Guilherme de Pádua e sua mulher Paula Tomaz. Daniela foi morta com uma tesoura e uma chave de fenda. Temos Suzane Von Richthofen, que em 2002 abriu a porta de casa para que o então namorado, acompanhado do irmão entrassem no quarto de seus pais e os assassinassem a golpes de barras de ferro. Suzane disse meses depois que era uma menina perturbada, tentando convencer assim à todos. Na verdade ela estava evitar uma condenação judicial mais rigorosa. E só pra finalizar um caso mais recente e não menos monstruoso, que paralisou o Brasil, que foi o assassinato da menina Isabella Nardoni, morta em 2008, aos 5 anos de idade, após ser espancada e jogada da janela de seu apartamento, no 6º andar. Pelo próprio pai, Alexandre Nardoni e sua mulher Ana Carolina Jatobá, que atiraram a criança para a morte, segundo os laudos da polícia.
Se fôssemos procurar a origem dessa violência que vivemos é só observarmos a terrível descrição do comportamento humano, uma coisa infernal, uma coisa dantesca, o ser humano infelizmente está perdendo todos os escrúpulos. E me pergunto: O que é mesmo um ser humano sem escrúpulos? Não ter escrúpulos para mim é aquele cidadão ou cidadã que só pensa em si mesmo e não se preocupa em ser justo com os outros, que comete muitos delitos de conduta social e moral e o pior, que na maioria das vezes não senti nenhuma culpa, remorso ou compaixão pelo atos errados que cometeu.
Até a arte na atualidade é extremamente violenta, a arte cinematográfica, como já citei acima o Tarantino, a arte televisiva, com sua submissão à violência, parece ter subjacente ao ideal nazista de conduzir a sociedade ao extermínio. Parece que a arte só pode ser feita desse modo e quando a gente fala que não é possível que seja assim, os críticos dizem que a gente está sendo censurando ou sendo conservadores. Eu acho que, de algum modo, censurados são aqueles que não podem fazer o seu tipo de arte: será se a ternura, a doçura também não podem fazer parte da arte? A esperança por uma política com ética e honesta e a utopia não podem fazer parte da arte? Ou que Drummond precisava de violência para fazer a sua poesia de vanguarda? Porque a violência do sacrifício de criar um a arte não é como a primavera brotando, rasgando, com sua violência para nascer. Será que sou o último dos românticos? Quero acreditar que não.
O problema é que o mal está sendo banalizado, ou sei lá, estamos infelizmente criando uma espécie de olimpíada da crueldade. Como diria Jim Morrison do alto de sua insanidade sensata: “A única obscenidade que conheço é a violência."

(Codinome Pensador)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma lady contra os gagás


Stefani Joanne Angelina Germanotta, é verdadeiro nome da nova-iorquina, compositora e nova rainha da mídia e da música pop da século XXI na atualidade, conhecida mundialmente como Lady Gaga.
Depois de ter sido contratada e logo despedida da Def Jam Records aos 19 anos de idade, começou a se apresentar no cenário musical de rock no sudeste da cidade de Nova Iorque. Durante este período, trabalhava para a gravadora Interscope Records como compositora para artistas conhecidos, incluindo Akon, que, depois de ouvir Gaga cantar, convenceu o presidente da Interscope Jimmy Iovine a contratá-la para um acordo musical entre a gravadora e a de Akon Kon Live. Seu álbum de estréia The Fame foi lançado em agosto de 2008 contando com um grande êxito comercial e crítico. Em adição por receber várias críticas positivas, o álbum chegou ao primeiro lugar de vendas em quatro países, além de nos Estados Unidos pela parada da Billboard "Top Electronic Albums". Os dois primeiros singles do álbum, "Just Dance" e "Poker Face", se tornaram grandes sucessos internacionais, sendo que o primeiro foi indicado na categoria "Melhor Canção Dançante" no 51º Grammy Awards. Em 2009, depois de abrir turnês de grupos como New Kids on the Block e Pussycat Dolls, embarcou na sua própria, a The Fame Ball Tour. Lady Gaga passou a ser reconhecida mundialmente pelo sucesso dos seus singles que vieram depois como "LoveGame", "Paparazzi", "Bad Romance" e atualmente "Alejandro".
Musicalmente, Gaga é inspirada por cantores e grupos de glam rock como David Bowie e Queen e por cantores de pop dos anos 1980 como Cher, Cyndi Lauper, Freddie Mercury, Madonna e Michael Jackson. Ela também é inspirada por moda, o que ela diz ser essencial para suas composições e apresentações e apoia a comunidade gay ao creditá-los por seu sucesso inicial.
A cantora Lady Gaga se tornou, de fato, a rainha do YouTube. A artista que já tinha, em novembro, quebrado o recorde da personalidade mais visitada no canal de vídeos, acumulando mais de 1 bilhão de acessos aos seus vídeos musicais, agora é dona do clipe mais visto de todos os tempos do YouTube.
Nessa quarta-feira, o canal de vídeos informou que o clipe "Bad Romance", um dos maiores sucessos da cantora, atingiu o posto de vídeo musical mais visto de todos os tempos, superando a marca de 180 milhões de acessos. A canção foi lançada em novembro de 2009 e é o primeiro single de Lady Gaga do álbum "The fame monster", que ocupou o primeiro lugar das paradas britânicas e norte-americanas.
O clipe de "Bad Romance" foi produzido por Francis Lawrence, que também já realizou vídeos musicais para artistas como Britney Spears, Shakira e Aerosmith, além de ter dirigido o filme Constantine. Além deste clipe, a cantora também poderá emplacar novos recordes. Seu mais recente single, "Telephone", já conseguiu alcançar a marca de 500 mil visualizações em 12 horas.
Mesmo com todo esse sucesso não deixa de ser marketeira e polêmica, ela disse em 2009 que era hermafrodita, afirmou ter genitália masculina e feminina, mas que se considerava uma mulher.
Lady resolveu assumir o hermafroditismo porque nos últimos dias o boato começou a correr pelos sites de fofoca, tudo começou depois foi flagrada com um volume extra conjugal nas partes íntimas durante um show. Golpe de marketing ou verdade? Eis a questão...
Se considera muito tímida apesar de sua personalidade e figurinos extravagantes, é bastante reservada e fica nervosa quando conhece pessoas novas, especialmente outras celebridades.
"Eu realmente não me reúno com muitos artistas porque sou tímida. Talvez eu não seja tímida com as pessoas que conheço, mas com pessoas quem não conheço, sou muito", disse ela.
"Geralmente, eu realmente fico reservada e focada na minha música, mas quando eu encontro pessoas que tem muito em comum comigo, então relaxo. Sempre fico tímida diante do universo de Hollywood. Me sinto um pouco como me sentia na escola, uma estranha entre as outras pessoas”. Gaga revelou também que sua inibição se estende à sua vida amorosa: “Eu sou um desastre com os homens, mas ainda acredito que sou super-sexy".
O que não é nada sexy é o que a cantora de “Bad Romance” revelou aos seus fãs no programa de Larry King, que possui ter Lúpus. Lúpus é uma doença auto-imune rara que ataca o próprio sistema conjuntivo, resultando em inflamação e dano tecidual. Pode aparecer em várias partes do corpo, mas as principais áreas atingidas são o coração, pele, pulmão e articulações. Costuma aparecer em mulheres por volta de vinte anos e não tem cura. Ela revelou ter a doença depois de várias especulações sobre sua saúde. Em alguns shows de sua segunda turnê “The Monster Ball Tour”, a cantora teve palpitações e perda de fôlego, além de desmaios. Estipularam até que a cantora era portadora do vírus HIV. Por ora, a cantora afirma que está bem e que não é para os fãs se preocuparem com sua saúde. É uma doença incurável, mas com o avanço da tecnologia já se pode obter uma qualidade de sobrevida muito boa para os portadores de Lúpus.
Em recente divulgação da revista Forbes com sua lista anual com os mais poderosos do showbiz. Lady Gaga figura em terceiro lugar apenas perdendo para a apresentadora Oprah Winfrey lidera o ranking e a cantora Beyoncé que vem em segundo lugar, já em outra revista a Time, Gaga lidera o ranking de personalidade mais influente do mundo com 190 mil votos, desbancando nomes como Barack Obama, Hugo Chávez, Hilary Clinton.
Diva ou não, influente ou não, poderosa ou não. Lady Gaga é, sem dúvidas, uma das personalidades mais excêntricas do show business com suas músicas chiclete, daqueles que basta ouvir uma vez para colar e você cantarolar durante o dia todo, um som pop com batidas eletro modernas e o visual quase alegórico da cantora que se sobressai onde quer que sua presença seja confirmada. A cantora leva seus devaneios e desejos ao extremo. Em termos de moda, pelo menos, sempre podemos esperar o improvável e ainda assim nos surpreender com o que Gaga apresenta sendo que hoje, já se fala de uma divisão entre o cenário pop pré e pós a interferência da Lady. No início da fama, a cantora teve seu estilo comparado ao de outra musa, Katy Perry, mas em pouco tempo sua ousadia deixou claro que não mais haveria semelhança entre Lady Gaga e outra estrela pop. Com um pé nos anos 80, a loira confessa ser apaixonada por moda e considerar esse um elemento fundamental para o seu processo criativo. Relatou, ainda e entrevista para a MTV que ao compor já imagina o que irá vestir ao cantar a música em desenvolvimento. Seguindo o estilo conhecido como “fashion destruction”, Gaga investe nas cores berrantes, nos cortes estruturados, em uma sensualidade explícita, no make sempre exagerado, nos penduricalhos e principalmente, na diversão ao escolher os seus looks performáticos. Suas jaquetas e vestidos que trazem toda a ousadia da década de 80 juntamente com os seus sapatos coloridos, relógios, máscaras, luvas e o seu próprio cabelo servem de adereço para as roupas nada discretas da diva.
Entre os destaques desse desfile apresentado pela cantora, estão os seus looks no Brit Awards e no VMA. Nesse último, vimos uma verdadeira transformação de Gaga em seus seis figurinos da noite, onde a loira foi de O Fantasma da Ópera, passeou por algo parecido com Carrie, A Estranha quando contou com o sangue artificial de sua apresentação; trouxe referências futuristas e finalizou a noite à lá A Noiva Cadáver. Suas longas madeixas platinadas servem de matéria-prima para a elaboração de penteados arquitetônicos. Botões, coroas de imagens santas e laços do melhor estilo Minnie, são algumas das formas que os fios da cabeleira da cantora pop. Reverenciando a personagem Peggy Bundy e polêmica Donatella Versace, o estilo de Lady Gaga não poderia ser menos impactante. Famosa, também, por suas turnês de investimentos milionários, a cantora se tornou a queridinha do mundo fashion, dos moderninhos e dos maiores designers da atualidade.
Loucuras e esquisitices à parte, Lady Gaga se distingue das demais celebridades pop por ter feito sucesso com o que muitas delas apenas tentaram: a criação de um personagem. Independente de todo o esforço mercadológico, os riscos já tomados pela cantora a elevam ao título de ícone da moda e da indústria fonográfica. E como ambos os universos tendem a acolher de braços abertos os excêntricos, Gaga continua investindo na estética do imprevisível e promete continuar fazendo do Carnaval e das antigas ousadias de estilo, apenas uma breve alucinação do que ela ainda pode exibir.
Lady Gaga é o que entendemos como ídolo pop é um indivíduo que encanta as massas com a habilidade artística de que é capaz sendo seu autor ou o mero representante de uma estética inventada por publicitários e estrategistas de produtos culturais. O ídolo pop é a humana mercadoria que permite o gozo pelo logro que o espectador logrado aplica a si mesmo. Como diria o grande Nietzsche. Lady Gaga certamente veio para nos lograr.
A indústria cultural sempre tem na quantidade uma questão mais importante do que a qualidade, mas se Lady Gaga sabe disso e não o esconde, é porque elevou o cinismo a discurso, ao mesmo tempo, lança-nos uma ironia capaz de fazer pensar.
E como ídolo pop, Gaga chegou a um patamar que não poderá soar indiferente aos mais conservadores ou aos mais modernos apenas como um modo de rebelar as massas de mulheres subjugadas a estética pop para o pós-feminismo. E também sem essa demagogia clichê e hipócrita de proteger os bons costumes, criar antipatia ao que Lady Gaga representa hoje para o mundo, para o mundo feminino. Um feminismo que sim coloca a mulher no mesmo lugar do homem, dentro de posições antes ocupadas por homens e que agora passam criar uma fagulha de medo no mundo macho.
No vídeo de “Paparazzi” fica exposto o amor-ódio que um homem nutre por uma mulher, a ponto de uma vingança inesperada com o assassinato desse mesmo homem. Em “Bad Romance”, o vídeo mais visto de todos os tempos, mulheres de branco, como noivas dançantes surgem com ninfas futuristas para curar uma louca que chora querendo ter um “mau romance” com um homem. Surge a bailarina sensual personificada por Gaga, junto de suas companheiras faz o elogio do corpo que é obrigado a se erotizar diante de um grupo de homens. No fim, a noiva contemplando o noivo cadáver. Ironia que é na verdade o elogio do amor-paixão, do amor-doença e ao qual foi reduzido o amor romântico. Em “Telephone”, a estética adotada é a da lésbica e da pin-up. Ambas criminosas. A primeira por ser uma forma de vida feminina que dispensa os homens, a segunda por ameaçá-los com uma estética da mulher de imagem de página de revista e de desenho animado. E em “Alejandro” clipe mais novo, soldados carregam símbolos místicos e seu o encerramento onde-se “queima” a freira que usa cruzes invertidas na batina e engole um crucifixo. Gaga se coloca na posição do homem, mais uma vez em um clipe ela é a líder. É ela quem comanda um exército masculino segue todos seus passos e suas ordens. Transmite isso na cena em que aparece simulando prazer com três homens ao mesmo tempo, mostrando que a mulher tem desejos sexuais e múltiplos. Gaga sem dúvida se reinventa a cada dia e coloca isso nos seus clipes, colocando a mulher onde ela poderia estar e impedida pelo pelo modelo patriarcal que vivemos.
Todos esses exemplos só provam que Lady Gaga é o melhor modelo de uma deusa pós-feminista e pós-moderna. Uma lady contra todos esses gagás preconceituosos que estão por aí.

Fonte: Popline.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tô ouvindo: CD Meu segredo mais sincero da Leila Pinheiro



2010 tem tudo para marcar de forma positiva a trajetória artística da cantora paraense Leila Pinheiro. Aos 50 anos de idade, ela celebra seus 30 anos de carreira com o lançamento do CD “Meu Segredo Mais Sincero”, em homenagem ao eterno líder da Legião Urbana, Renato Russo que morreu em 1996, que também completaria 50 anos este ano.
Leila Pinheiro conheceu Renato Russo pessoalmente em 1988, numa visita à casa da tia dele, na Ilha do Governador no Rio de Janeiro. Depois, foi ao encontro do vocalista da Legião Urbana no estúdio da Odeon (atual EMI Music), em Botafogo, para mostrá-lo a gravação de Tempo perdido, uma das faixas de Alma, o segundo disco que lançou pela Polygram (hoje EMI Music), naquele ano. Renato não só gostou do que ouviu, como acabou escrevendo um texto na contracapa do LP.
Além de Tempo perdido, a cantora passou a interpretar outras canções de Renato Russo em seus shows já naquela época. “Eu que me formei musicalmente ouvindo Tom Jobim, Chico Buarque e Ivan Lins. Confesso que não costumava ouvir muito os discos da Legião, mas sempre fui alucinada pelas letras do Renato. Embora, aparentemente, ele falasse para adolescentes, demonstrava ser um poeta culto, maduro e antenado”, observa Leila.
Em CDs lançados na década seguinte, a cantora gravou outras músicas do compositor: Monte Castelo, em Coisas do Brasil de 1993; Vento no litoral, em Na ponta da língua de 1998; e Hoje, parceria de Leila e Renato em Nos horizontes do mundo de 2005; Tempo perdido e Mais uma vez, que Renato fez com Flávio Venturini, em Nos horizontes do mundo Ao vivo de 2007. Mais recentemente, ela cantou Eu sei, Ainda é cedo e Índios, no programa Som Brasil, da TV Globo, feito em homenagem ao compositor.
“Depois de tanto cantar o Renato, passei a ter certeza que chegaria a este projeto. Mas há um ano e meio, quando comecei a pré-produção não atinei que em 2010, quando o álbum seria lançado, tanto ele quanto eu e Brasília, onde iniciou a carreira, estaríamos completando 50 anos”, conta Leila. Para chegar ao repertório do Meu segredo mais sincero, ela voltou a ouvir todos os discos da Legião e os dois solos do homenageado, assessorada pela atriz e diretora de tevê Denise Bandeira e pela cantora Zélia Duncan.
“Ouvia e anotava nota por nota para poder memorizar e entender o que era aquela melodia. Isso depois de selecionar 60 músicas, passar por 30 e até me fixar nas 15 que foram gravadas. Em 1994, quando nos reunimos em minha casa para compormos Hoje, fui para o piano e ele ficava dando voltas em torno do instrumento. Por vezes, pegava o meu dedo e passava por cima de uma nota para montar o acorde, que viria a ser a base da melodia. Aquilo estava na cabeça dele”, revela.
Ela explica: “Ao montar repertório o queria acessível às pessoas que acompanham sua trajetória. Os fãs da Legião podem gostar, ou não, mas procurei fazer o melhor que pedia a obra desse poeta, como cantora de MPB e não de rock’n’roll”. Entre as canções escolhidas há Hoje e Tempo perdido, que já haviam ganhado registro da cantora; os clássicos Ainda é cedo, Angra dos Reis, Há tempos, Índios e Perfeição; as lado B O teatro dos vampiros, Metal contra as nuvens e a pouco conhecida Quando você chegar, além de La solitudine, que Leila divide a interpretação com Renato Russo.
Meu segredo mais sincero, o nome do álbum foi retirado da letra de Daniel na cova dos leões. De acordo com o Luís Tatit, autor do texto de apresentação do CD, que traz na capa, na contracapa e no encarte fotos de Leila Pinheiro com Renato Russo, o refrão de Hoje, “Acho que a gente é que é feliz”, seja “o embrião de toda a proposta do disco. Para Tatit, as reinterpretações de Leila “valorizam o que Renato sabia fazer como ninguém: exprimir nos encontros e desencontros das relações pessoais (eu-você) quase todos os conflitos e desafios de sua geração.”
Músicas de Renato Russo na voz de Leila Pinheiro não são novidade, ela já gravou algumas. Quase sempre em versões um tanto arrastadas, em que cada palavra era pronunciada com solenidade estranha à música do roqueiro. Por isso, um disco da cantora só com músicas de Renato e Legião Urbana parecia previsível. Mas eis que ela surpreende.
Em Meu segredo mais sincero, Leila recorre àqueles recursos já conhecidos, mas trilha também outros caminhos, arrisca nos arranjos, encontra canções que se adequam mais a seu canto. Produziu assim releituras tocantes. Como na pouca conhecida Quando você voltar, só voz e teclado arranhados por uma guitarra dissonante ou em Angra dos Reis em que programações eletrônicas criam climas dramáticos.
Daniel na cova dos leões e Metal contra as nuvens também ganham força em interpretações exatas e emocionadas. No entanto, a inclusão de La solitudine (dueto póstumo de Leila com Renato para disco-tributo lançado recentemente) seria dispensável, destoa do restante do disco. Mas chega já no finalzinho para mostrar que o grande talento de Leila já deu seu recado.

Lista de músicas:
1. Ainda é Cedo
2. Índios
3. Quando você voltar
4. O teatro dos vampiros
5. Angra dos Reis
6. Daniel na cova dos leões
7. Hoje
8. Pais e filhos
9. Tempo perdido
10. Há tempos
11. Metal contra as nuvens
12. Eu sei
13. Andrea Dória
14. La Solitudine(dueto com Renato Russo)
15. Perfeição (vinheta)

Fonte: Biscoitofino

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um pêndulo entre o bem e o mal

Dois lados opostos, antagônicos entre si
Um pêndulo entre o bem e o mal
Um lado pesando, o outro levitando
Na balança certa para dois pesos, duas medidas
Variando num vai e vem
Próprio da natureza humana
A melancolia equilibrando a serenidade
Dois vasos cônicos assimilando o tempo
Um pêndulo entre a latitude e a longitude
Um lado superior, o outro inferior
Movimento oscilatório onde se separam os lados contrários
Dividindo o ciclo entre o partir e o voltar
Num espaço que transcende todas as coisas mundanas
Alterando o sentido horário dos ponteiros do relógio
Um relógio diferente, um relógio sem ponteiros
Com outra forma, outro corpo, outra carne, outro estado
Num som estridente que faz travar o tic tac das horas
Confusão que acaba com a razão
Razão que vai de um extremo para outro
Dois lados da moeda, dualísticos entre si
Um pêndulo entre o positivo e o negativo
Um lado persiste, o outro desiste
Levando a periodicidade da vida do ínicio até o fim.

(Codinome Pensador)

sábado, 19 de junho de 2010

O mundo ficou mais burro sem Saramago


Morreu ontem em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha, onde morava desde de 1993, o escritor português José Saramago, aos 87 anos, de falência múltipla orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu acompanhado pela sua família e despedindo-se de uma forma serena e tranquila. Saramago que em 1998 ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa.
Saramago era um homem de uma lógica absurda e um dos meus escritores favoritos e para ser bem sincero, ele mudou a minha vida com sua imaginação, polêmica, ironia sútil e suas idéias inovadoras e corrosivas sobre a sociedade atual e o ser humano. Sinto-me orfão com sua morte, como ele mesmo disse, que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar.
Combatia as religiões com fúria, dizia que elas embaçam nossa visão, mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui. Uma lucidez do grau que ele tinha é um privilégio de poucos, impossível eu não escapar do clichê mas definitivamente o mundo ficou mais burro e mais cego com a morte de Saramago. Tenho certeza que neste mundo há finais que também são começos, mortes que são nascimentos. Ele foi embora, infelizmente, mas ficou para sempre entre nós amantes da boa literatura.
A vida de José de Sousa Saramago, (Saramago que é uma planta crucífera, rasteira e comestível que cresce na região de Vila Nova de Milfontes em Portugal. Essa planta era comida para afastar a fome dos Saramagos, que eram os seus pais, camponeses da aldeia portuguesa de Azinhaga), começa em 16 de Novembro de 1922 com o seu nascimento. Da casa pobre do Ribatejo vem para Lisboa onde vive até aos doze anos, cumpre a instrução primária numa escola da Morais Soares e dois anos no Liceu Gil Vicente até se iniciar em estudos mais ligados ao trabalho como serralheiro mecânico na escola industrial Afonso Domingues, em Xabregas. Aos 22 anos casa-se e tem a sua primeira filha Violante. Em 1947, a Minerva publica um romance seu, intitulado A Viúva, pelo autor e transformado em Terra de Pecado, pela editora. Torna-se editor literário e só em 1966 surge um livro de poemas do então desconhecido José Saramago.
Para mim bons escritores a gente encontra a assinatura sem procurar, ela nasce da prática, da repetição, do trabalho da própria atividade literária. Outros a buscam de forma consciente e clara, num diálogo aberto com o leitor. Assim foi Saramago.
Ele tinha um jeito próprio de escrever, inaugurado em 1980 com Levantado do Chão. Adota à partir deste livro o uso intensivo da vírgula como sinal fundamental da pontuação do texto, ocupando a função de todos os outros sinais, menos o ponto final.
Muitos críticos diziam que a forma Saramago se manteve nos romances a partir de então e pode muito bem ser reproduzida. Por isso mesmo, muitos o liam como um repetidor de si próprio, com seus parágrafos sem hora para acabar, suas “circunavegações” em torno de pequenos temas, suas passagens radicais do narrador para as personagens que, como um novelo, enrolavam-se sobre si mesmo para ganhar a estrutura de um romance.
Em Memorial do Covento narra o período de construção de um Convento, em Mafra, em cumprimento de promessa feita pelo rei D. João V. Concomitantemente, é narrada a construção de uma passarola, sonho do padre Bartolomeu com os auspícios do rei, mas perigosamente à margem do Santo Ofício. Uma das questões corticais neste romance é a fronteira entre a história e a ficção. Saramago não se vê como um escritor histórico mas antes como um autor de uma história na História. O seu argumento traduz-se numa estratégia narrativa que entrecruza três planos relevando o da ficção da História e o do fantástico em detrimento do plano da História.
Com Objeto Quase, José Saramago denuncia o estado de animalização do homem e a materialização da violência como um capítulo comum, doloroso da história da humanidade. Objeto Quase é uma coletânea de seis histórias breves e tensas em um gênero não muito praticado por ele, os climas são variados, podendo ir do humor sarcástico ao lirismo romântico, os personagens também, mas algo os une intimamente: o pessimismo, onde se espelha não somente o presente, mas o futuro também. Vemos nesta obra o homem "coisificado" e as coisas "humanizadas. Um reflexo de nossa sociedade, que se preocupa mais com a segurança dos pertences do que com o próprio cidadão.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles. Depois que viu seu livro Ensaio sobre a Cegueira no cinema, o escritor falou: "Este é um livro que escrevi com uma franqueza terrível, com o qual eu queria que o leitor sofresse tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele descrevi uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso, e talvez Fernando Meireles adaptando meu livro para o cinema eu tenho tido uma espécie de redenção onde expulsei todos os demônios que ainda me afligiam”.
É possível tentar emulá-lo e não custa deixar o exemplo mais evidente. Em 2003, o repórter da Folha de S.Paulo Ivan Finotti, num texto irônico, descreveu-o assim: “O homem sentado chama-se José Saramago, nasceu na aldeia de Azinhaga, em Portugal, foi serralheiro, mecânico, desenhista industrial, funcionário público, editor, tradutor e jornalista, é escritor de profissão e tem oitenta anos, posto que à vista pareça menos idoso. Não está listado no rol das profissões deste homem, mas uma de suas atribuições mais frequentes tem sido a de criar controvérsias. Realmente Saramago era sinônimo de polêmica".
A possibilidade e a vontade de reproduzir algumas de suas técnicas só mostram o quanto seu estilo foi, ao mesmo tempo, desafiador para os leitores e popular. Como poucos escritores, Saramago pode ser criticado ou elogiado até por quem não o leu, mas sabe que seus parágrafos são longos, seus livros não usam aspas ou travessão, há letras maiúsculas depois das vírgulas indicando o início da fala das personagens. A discussão literária, com ele, era um direito garantido a quem quer que se dispusesse a enfrentar sua obra.
Quando o Prêmio Nobel veio, nos anos 90, a polêmica divisão dos portugueses entre os fãs de Saramago e os de António Lobo Antunes ganhou força internacional, eles, que não se falavam, alimentavam o Fla-Flu literário. Ainda que Lobo Antunes tenha a preferência dos críticos, é preciso reconhecer que ambos tinham mãos fortes e projetos opostos, ou seja, os dois são craques.
Para além disso, havia a política: Saramago era um comunista dos mais clássicos, para não dizer caretas, e transpôs para sua literatura toda essa sua formação e engajamento. Mesmo quando vai para o passado, um de seus olhos estava necessariamente visualizando o presente. Talvez o exemplo mais radical disto seja o romance A Jangada de Pedra, que trata da complexa relação da Península Ibérica com a Europa, justamente no momento em que Portugal está entrando na União Europeia. Tem também o seu livro mais polêmico, aquele que fez com que deixasse a Portugal carola mesmo depois da Revolução dos Cravos, que foi O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
Saramago, que já foi filiado ao Partido Comunista Português, se definia também como adepto da democracia. Para ele, a falta de debate sobre esse assunto transformava-a em “uma santa no altar, de quem não se espera milagres” e que existe nos tempos de globalização da economia “apenas como uma referência”. “Não se repara que a democracia em que vivemos é sequestrada, condicionada, amputada”. “O poder de cada um de nós limita-se na esfera política a tirar um governo de que não gosta e colocar outro de que talvez venha a gostar. Mas as grandes decisões são tomadas em outra esfera. E todos sabemos qual é: as grandes relações financeiras internacionais.” Disse ele durante um debate em Portugal.
O escritor dizia-se obrigado a mudar um mundo injusto que encontrou. “O espaço ideológico e político onde eu podia esperar pelo menos alguma coisa que me confirmasse essa idéia era muito claro. Era a esquerda, a esquerda comunista. Aí estou”, resumiu durante entrevista do jornal Folha de S.Paulo, em 2008.
Era um grande fã da ironia, afirmou na ocasião que a pergunta sobre sua militância de esquerda apesar dos crimes cometidos na União Soviética é “inevitável em qualquer entrevista”. “Poderia perguntar à pessoa se ela era católica. Provavelmente me diria que sim. E eu teria que perguntar, para seguir na mesma linha: ‘Depois da inquisição, como é que você continua a acreditar?’”, afirmou o escritor.
“Sou aquilo que se podia chamar de um comunista hormonal. Da mesma maneira que tenho no corpo, não sei onde, um hormônio que me faz crescer a barba, há outro hormônio que me obriga, mesmo que eu não quisesse, por uma espécie de fatalidade biológica, a ser comunista. É muito simples”, disse.
Apesar de ser um histórico defensor do regime cubano, Saramago ensaiou um rompimento em 2003, quando 75 dissidentes foram presos e três pessoas foram executadas em um julgamento sumário.
Em uma carta, escreveu: "De agora em diante Cuba segue seu caminho, eu fico aqui. Cuba perdeu minha confiança e fraudou minhas ilusões".
Pouco depois, em entrevista a um jornal cubano, reatou: "Não rompi com Cuba. Continuo sendo um amigo de Cuba, mas me reservo o direito de dizer o que penso, e dizer quando entendo que devo dizê-lo".
Era ateu convicto transforma as passagens bíblicas em matéria literária e política, em que são questionados dogmas católicos, como a virgindade de Maria e valorizados modos de vida comunitários, em oposição ao modo de vida capitalista. Provocou, assim, a ira de cristãos, mas também daqueles que fazem sua profissão de fé no capitalismo mais ortodoxo.
Em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, por outro lado, segue uma tradição de fazer da Bíblia, um livro popular por excelência, fonte de criação literária crítica, uma vertente que tem seu ponto literário mais alto na saga dedicada a outro livro José e seus irmãos, de Thomas Mann.
Como sua obra em poesia começando com Poemas Possíveis de 1966 até 1975 com Provalvemente alegria e em prosa, onde se destacam Objeto Quase de 1978, Levantado do Chão de 1980, Memorial do Convento de 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis de 1984, A Jangada de Pedra de 1986, O Evangelho Segundo Jesus Cristo de 1991, Ensaio Sobre a Cegueira de 1995, As Intermitências da Morte de 2005, Caim de 2009, O Caderno 2 de 2010, os seus ensaios com Deste Mundo e do Outro de 1971 até Discurcos de Estocolmo em 1999, teatro com A Noite de 1979 até 2005 com Don Giovani ou dissoluto absolvido, diários de memórias com Os cadernos de Lanzarote Vol. 1 a 5 e um único conto infantil chamado A maior flor do mundo. Saramago até se dar ao luxo de se “repetir” na forma que, nunca é demais lembrar, inventou mas se manteve até o fim da vida buscando criar em torno de novos temas, mostrando uma vitalidade incomum para um escritor de quase 90 anos.
Numa palavra ele mostrava em seus textos uma resposta ao vazio que poderia iluminar uma vida com uma centelha cósmica de verdade, criatividade e sabedoria. Agora só nos resta falar um muito obrigado para o mestre Saramago e nunca deixar que se apague esse riquíssimo universo de uma constelação literária de primeira grandeza e criação estética impecável criado por ele, que nos alegrou até o seu último dia de vida.

Fonte: Uol.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Esse sentimento chamado saudade

Saudade dor que a gente sente
Daquilo que sentimos ausente e queremos ao lado
A alma chora, canta
Faz-se uma ode ao amor que está distante
Saudade, invenção da língua portuguesa
Sensação com sua própria natureza
Emoção com sua própria beleza
Sentida por todos, entendida por poucos
Saudade, apetite de um coração
Que no auge, engole a gente
Com apenas sete pequenas letras
Uma infinita explicação
Saudade rima com felicidade
Rima com ausência, rima com partir
Para chegar a hora de voltar, consumar o momento e rever
Te ver novamente para não ter que sentir esse sentimento
Chamado saudade.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O fotógrafo do invisível






Henri Cartier Bresson, nasceu em Chanteloup na França em 1908, foi um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo. Cartier Bresson era filho de pais de uma classe média, relativamente abastada. Quando criança, ganhou uma câmera fotográfica Box Brownie, com a qual produziu inúmeros instantâneos. Sua obsessão pelas imagens levou-o a testar uma câmera de filme 35mm. Além disto, Bresson também pintava e foi para Paris estudar artes em um estúdio.
Em 1931, aos 22 anos, Cartier-Bresson viajou à África, onde passou um ano como caçador. Porém, uma doença tropical obrigou-o a retornar à França. Foi neste período, durante uma viagem a Marselha, que ele descobriu verdadeiramente a fotografia, inspirado por uma fotografia do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista Photographies, mostrando três rapazes negros a correr em direção ao mar, no Congo.
Quando explodiu a Segunda Guerra Mundial, Bresson serviu o exército francês. Durante a invasão alemã, Bresson foi capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra. Tentou por duas vezes escapar e somente na terceira obteve sucesso. Juntou-se à Resistência Francesa em sua guerrilha pela liberdade. Quando a paz se restabeleceu, Cartier Bresson fundou em 1947, a agência fotográfica Magnum junto com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour. Começou também o período de desenvolvimento sofisticado de seu trabalho.
Revistas como a Life, Vogue e Harper's Bazaar contrataram-no para viajar o mundo e registrar imagens únicas. Da Europa aos Estados Unidos da América, da Índia à China, Bresson dava o seu ponto de vista especialíssimo. Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural. Chegou a fazer fotos de grande importância histórica como, o término do domínio britânico na Índia, a queda de Pequin em 1949 e foi o primeiro fotógrafo ocidental que teve permissão de fotografar a Rússia comunista após a morte de Stálin em 1954.
Na década de 1950, vários livros com seus trabalhos foram lançados, sendo o mais importante deles "Images à la Sauvette", publicado em inglês sob o título "The Decisive Moment" em 1952. Em 1960, uma megaexposição com quatrocentos trabalhos rodou os Estados Unidos em uma homenagem ao nome forte da fotografia. Cartier Bresson chegou a ser chamadora por alguns de "o olho do século".
Para Cartier Bresson, fotografar era definido como um ato livre, espontâneo e discreto. E se descrevia como um solitário que disparava cliques com intensa alegria e uma concentração religiosa. O reconhecimento é um fardo muito pesado para se carregar. Não quero ser fotografado, identificado, quero ser anônimo. A celebridade é horrível. Eu sou libertário. Tenho horror ao poder. A notoriedade como fotógrafo é uma forma de poder que repudio. Dizia que via o mundo como uma coreografia que permite tanto ao objeto da fotografia como ao próprio fotógrafo participar na dança.
Era assim mesmo Henri Cartier Bresson, o fotógrafo do invisível, sem tripé ou qualquer artefato tecnológico, procurando sempre os momentos decisivos da vida apenas com sua máquina fotográfica nas mãos e tentando passar despercebido. Nunca uso o flash: Considero-o uma grande falta de educação. Fotografar pra mim é colocar, na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração. Detesta fotos retocadas e cenários artificiais. Não acho nem um pouco atraente essas fotografias artísticas modernas, que são fortemente encenadas e vinculadas à publicidade e a essas maravilhas da manipulação de imagens em computadores. Disse o fotografo.
Os seus últimos trinta anos da vida dedicou-se exclusivamente à pintura e ao desenho. Sua carreira profissional terminou à partir de 1973, mas continuou a fotografar apenas Fotografia, só retratos, e apenas para os amigos. Nada de novo, pois famosos são os retratos que captou de artistas como Pablo Picasso, Alberto Giacometti, Pierre Bonnard e Henri Matisse e de escritores como Paul Claudel, Paul Valéry, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus.
“A máquina fotográfica é um bloco de notas, o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma. Eu faço pintura, estudei pintura desde os 15 anos. A fotografia é o problema do tempo. Tudo desaparece. Com a fotografia, existe uma angústia que não há com o desenho. O presente concreto ocorre numa fração de segundos, o que é desagradável e ao mesmo tempo, maravilhoso. É uma luta contra o tempo o qual, por sua vez, é uma invenção do homem. A pintura e o desenho obrigam-me a pensar no aqui e agora e no amanhã. Para mim, só há duas coisas que contam: o instante e a eternidade ”. Palavras de um gênio da fotografia prestes a morrer com 95 anos, em agosto de 2004. Sua morte foi uma perda irreparável para os profissionais e admiradores da fotografia artística e do fotojornalismo.
Cartier Bresson gerou uma nova concepção fotográfica no século XX. E mudou o conceito de que antes tinha a fotografia artística de que era arte de fotografar de maneira não convencional de que não existe uma preocupação de retratar a realidade e de colocar uma impressão intelectual e não emocional. Suas fotos são repletas de sensibilidade, simplicidade e autenticidade. Como diria esse mestre da fotografia em uma de suas frases mais famosas: “A fotografia pra mim, por si só não me interessa, mas sim me interessa, a comunicação que se faz entre o mundo e o homem, através deste instrumento maravilhoso do tamanho da mão que não faz passarmos desapercebidos por este planeta”.

Fonte: Focusfoto

terça-feira, 8 de junho de 2010

Anatomia amorosa

Tudo em você me excita, me erotiza
Todos os teus lados
Frente e verso
Convexo a se despir
Côncavo a explodir
Descubro a órbita do teu corpo
Sugo toda tua força gravitacional
Me energizo, me altero, me transformo, me esfrego
Cremoso na tua pele nua
Tua pele branca
Superfície plana, pena e papel
Sorvo de ti uma poesia
Mordo o cheiro dos teus lábios
Chego a um céu vermelho cor da tua boca
Gozas um gozo sem fim
Quando você se abre pra mim
Abre-se os teus poros
Abre-se um canal sexual
Tuas mãos leves
Me levam a percorrer a comprida via de tuas pernas
Olho o teu olhar, que logo vira o meu olhar
Chego ao fim do teu anatômico percurso
Te inicio no sexo
Te desejo da cabeça aos pés
Meus pés se misturam aos teus vinte nove ossos
Com o destino certo, como se já soubesse o caminho
O caminho que se abre para eu encontrar todos os pontos do teu corpo
Te abraço, te aperto, te prendo, te pertenço
E desabas sobre mim como pluma flutuando, como perfume no ar, como peso corporal, como vontade natural
De amar com todos os sentimentos
De amar completamente.

(Codinome Pensador)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A musa premiada


A atriz francesa Juliette Binoche, musa do 63º Festival de Cinema de Cannes, conquistou neste último dia 23, o prêmio de melhor interpretação feminina pelo desempenho no filme "Copia Conforme", do iraniano Abbas Kiarostami.
Juliette Binoche nasceu em Paris em março de 1964, filha de uma atriz e de um escultor que se divorciaram quando ela tinha 4 anos.
No filme que lhe valeu o prêmio maior para uma atriz em Cannes deste ano, ela encarna uma mulher que retoma a relação com o marido na Toscana, num filme que fala sobre a impossibilidade de amar, com personagens que se movem entre verdades e mentiras.
A atriz francesa, de 46 anos, é formada em teatro, encarnou quase sempre personagens exigentes, mulheres em busca de poder, guiadas pelo gosto do desconhecido ou de grande humanidade e confrontadas com dramas da vida.
Musa de Leos Carax, "enfant terrible" do cinema francês, foi lançada pelo diretor em "Mauvais sang" (1986) e posteriormente dirigida por ele em "Os amantes de Pont-Neuf" (1991). Mas seu primeiro filme mesmo foi Liberty Belle (1982). O seu aspecto gracioso e delicadamente "mignone" que emprestou inocência aos filmes Vie de Famille (1984), Je Vous Salue Marie (Eu Vos Saúdo, Maria, 1985). Sua beleza européia lhe fez posar nua há dois anos atrás para a capa da Playboy francesa em plenos 43 anos mostrando uma boa forma invejável. Sua pele branca e seus cabelos negros, fazendo o gênero beleza natural e delicada mas com inteligência e idéias claras foi essa imagem da mulher parisiense que fez ela virar a queridinha da marca francesa de cosméticos Lâncome há alguns anos atrás e seu rosto clássico virou o frasco do perfume Poeme.
Em foi com dois filmes que a triz viveu sua primeira experiência no exterior com "A insustentável leveza do ser" (1987), de Philip Kaufman, com Daniel Day-Lewis, no qual chamou a atenção da crítica e do grande público com sua beleza e seu talento.
Depois na produção inglesa "Relações Proibidas" (1992), com Jeremy Irons e "O morro dos ventos uivantes" (1992), também rodou "Azul", do polonês Krzysztof Kieslowski, que em 1993 e assim marca uma nova etapa em sua carreira, com um prêmio de interpretação em Veneza e o César francês de melhor atriz. Retirou-se para ser mãe em 1994, voltando à tela como a heroína de Le Hussard Sur le Toit (1995) e nesse mesmo ano foi escolhida pela Empire Magazine como uma das 100 estrelas mais sexys da história do cinema. Em 1996 ganhou o Oscar da Melhor Atriz. Com a sua secundária mas hipnotizante personagem Hana no filme The English Patient (O Paciente Inglês), naquela que foi uma das maiores surpresas da história do Oscar.
Atuou em filmes de época como "O cavaleiro do telhado e a dama das sombras" (1996), participou de Alice et Martin (1998), Les Enfants du Siècle (1999), Éloge de l'Amour (1999), La Veuve de Saint-Pierre (2000) e Code Inconnu: Récit Incomplet de Divers Voyages (2000), antes de entrar na pele de Vianne Rocher no filme Chocolat (Chocolate, 2000), que lhe valeu mais uma indicação para o Oscar de Melhor Atriz.
Fez depois outros filmes de menor destaque, voltaria ao grande clã do cinema em: Décalage Horaire (2002), um romance realizado por Danièle Thompson; Country of My Skull (Um Amor em África) (2004), um drama em que contracenou com Samuel L. Jackson e com Michael Haneke filma "Código desconhecido" e "Caché" (2005). Com Abel Ferrara faz "Mary" e com Hou Hsiao Hsien trabalha em "A viagem do balão vermelho" (2007), antes de atuar sob a direção de Abbas Kiarostami em "Shirin" (2008) e "Copia Conforme" (2010).
"Binoche é uma grande artista com alcance internacional, mas eu trabalho com ela em um clima de total descontração, como quando trabalha-se com atores não profissionais", disse em Cannes o diretor iraniano, que já apresentou dez filmes neste Festival, três deles candidatos a Palma de Ouro.
Além de atuar, Binoche dança, pinta e escreve poesia. Uma fotografia de Juliette Binoche, com calça e blusa pretas e com um pincel nas mãos, ilustrou neste ano o cartaz do Festival de Cannes. Juliette é sem dúvida para verdadeiros cinéfilos como eu, uma musa, uma bela, uma das maiores e melhores atrizes da atualidade.

Fonte: Yahoo

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ain't no mountain high enough

Now if you need me call me
No matter where you are,
No matter how far.
Just call out my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry.

Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you baby.

Remember the day
I set you free
I told you could always count on me, darling
From that day on
I made a vow
I'll be there when you wanted
Some way, somehow.

Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you baby.

No wind,
No rain,
Or winter's cold
Can stop me baby
Cause you are my goal
If you're ever in trouble
I'll be there on the double
Just send for me baby.

My love is alive
Deep down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
Just as fast as I can
Don't you know that.

Their ain't no mountain high enough,
Ain't no valley low enough,
Ain't no river wide enough,
To keep me from getting to you baby.

Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from you.

Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from you.

Autores: Nickolas Ashford & Valerie Simpson.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O maestro da era Youtube


Gustavo Dudamel se tornou um popstar à parte do mundo dos CDs. Ele é o regente-símbolo de nossa época, em que a internet é a melhor amiga do fã de música clássica.
O mundo da música clássica tem um relacionamento tenso com a fama. Por um lado, todos sentem falta dos dias em que Arturo Toscanini, Leonard Bernstein e Leontyne Price estavam na crista da onda e apareciam sempre em capas de revistas. Por outro lado, sempre que um músico clássico se aproxima da celebridade, o que inclui um anúncio de Rolex, uma foto na revista People e, talvez, o último quadro do programa David Letterman, os céticos começam a se preocupar com sua integridade artística. Esta ansiedade não é totalmente injustificada: Luciano Pavarotti passou de grande tenor lírico da era moderna para tema de piadas sobre gordos. A noção de incompatibilidade entre o comércio e a arte tem origem no marxismo universitário, e se opõe ao ideal de Beethoven, Verdi e Mahler, que se relacionavam apaixonadamente com o público em geral. Logicamente, é possível que um compositor ou intérprete clássico fique famoso sem se render à cultura da celebridade. Tal virtuoso pode até persuadir uma nação distraída com fatos vazios a prestar atenção em uma sinfonia de quarenta e cinco minutos.
Hoje, todos os olhos estão voltados para um maestro venezuelano de 29 anos, Gustavo Dudamel, que assumiu o cargo de diretor musical da Filarmônica de Los Angeles em outubro do ano passado. Há apenas cinco anos no circuito internacional, Dudamel já se tornou um dos mais famosos músicos clássicos vivos, com a ajuda de programas de TV, matérias nas primeiras páginas de jornais e vídeos no YouTube. Ao assumir a Filarmônica, durante um concerto no Hollywood Bowl, foi ovacionado como um astro pop por uma plateia de 18 mil pessoas. E o que émais impressionante, é que acabou por fazer silêncio durante sua apresentação da Nona Sinfonia de Beethoven. Isso aconteceu no movimento lento da peça, quando Dudamel conduzia os sons expressivos e intrincados dos violinos contra o suave coral dos sopros, neste momento, o burburinho cessou e Beethoven reinou. Tais feitos, a ovação e o silêncio explicam porque este jovem causou tremores inesperados de otimismo no mundo clássico.
Há três elementos básicos por trás da força de Dudamel. O primeiro é o comando surpreendentemente natural da arte da regência. A notícia de seu talento não foi espalhada por departamentos de relações públicas, mas sim por relatos maravilhados de colegas ilustres, como o italiano Claudio Abbado e o britânico Simon Rattle. O segundo é a energia contagiante que conquista almas endurecidas. A dura máscara da seriedade não é para ele; seus olhos brilhantes e feições contorcidas sugerem que ele adora o que faz. E por último, sua origem latina empresta uma nova cor a uma arte vista como exclusivamente caucasiana. Ele é produto de El Sistema, a lendária rede venezuelana de jovens orquestras, que encontra talentos nas áreas mais pobres do país, e sua atitude é diametralmente oposta à dos músicos saídos de conservatórios.
Dudamel pode ainda se queimar com toda a essa atenção, mas os sinais sugerem o contrário. Pessoalmente, é possível perceber uma dureza por trás de seu entusiasmo. Ele é obcecado pela música, intensamente ambicioso e bastante radical. Em outubro, no Hollywood Bowl, antes da apresentação da Nona Sinfonia, ele conduziu a EXPO Center Youth Orchestra, uma espécie de divisão de jovens talentos da Filarmônica, em uma interpretação difusa, porém alegre, da Ode à Alegria, o quarto movimento da Nona de Beethoven. Pessoas na platéia perceberam que os cobiçados assentos perto do palco, geralmente reservados aos beneméritos, estavam ocupados pelas famílias dos músicos jovens, muitos dos quais vieram de um bairro barra-pesada da cidade. Foi um gesto incisivo, quase político, algo que o lendário Leonard Bernstein teria feito em sua estréia.
Dudamel já provou que é um mestre das grandes ocasiões. O verdadeiro teste de suas habilidades virá gradualmente, com as tarefas diárias de uma orquestra americana: reger, planejar temporadas, contratar músicos, buscar doações e caso ele seja um milagreiro, mudar as feições da audiência. Um pouco antes do dia de Ação de Graças, voltei a Los Angeles para conferir como Dudamel e a Filarmônica trabalhavam em condições normais, em uma série de apresentações no Walt Disney Concert Hall. Foram leituras bem pensadas e elegantes, prova da versatilidade de Dudamel. Porém, nada que mereça entrar em uma cápsula do tempo. Apesar de passar a imagem de regente impulsivo, um selvagem com braços irrequietos e pés dançantes, suas escolhas musicais tendem a ser controladas, às vezes um tanto previsíveis. Ele favorece o som exuberante e pesado em Mozart, como em uma velha gravação do austríaco Herbert von Karajan. Há mais cordas que sopros, na proporção de cinco para um, o que é problemático em termos de equalização, apesar de os sopros da Filarmônica compensarem com uma série de solos vibrantes. Os tempos estavam lentos, beirando a sonolência no Andante da sinfonia Praga e no Minueto da Júpiter. Dudamel estava excelente no movimento lento da Júpiter, quando alcançou os mesmos requintes que fizeram o movimento lento de sua Nona de Beethoven tão memorável. Em geral, porém, este Mozart precisava de ritmos mais vigorosos, contrastes dinâmicos mais claros e detalhes mais aguçados de frases e articulação.
O Concerto de Berg, também, foi curiosamente sossegado. O maestro trabalhou para ressaltar seu solista. Shaham apresenta esta peça com uma doçura incomum, obtendo, algumas vezes, uma qualidade vocal vívida. Dudamel manteve-se ao fundo, oferecendo uma tela onde Shaham podia usar todas suas tintas. Como um todo, o programa foi rico em sutilezas e pobre em eletricidade. Foi bom ver Dudamel desafiando a si mesmo e a orquestra com tanto vigor no início de seu trabalho como diretor; a opção mais fácil seria preencher a temporada com peças românticas para agradar a audiência. Dudamel foi ruidosamente ovacionado após soarem as últimas notas da Júpiter. A orquestra e a plateia pareciam emocionadas.
Alguns relatos elegeram Dudamel o salvador da música clássica, mas Los Angeles não necessita de um messias; esta orquestra já havia sido salva. O finlandês Esa-Pekka Salonen revolucionou a Filarmônica em seus dezessete anos de trabalho , ele reorganizou a programação tendendo mais para a música moderna, com uma incansável campanha para convencer plateias do poder do novo e da estética da aventura. Felizmente, a visão de Salonen parece, agora, firmemente implantada na identidade da orquestra. O compositor John Adams assumiu um cargo no grupo e, quando eu estava na cidade, um festival com sua curadoria acontecia no Disney Hall. A apresentação de abertura foi um tanto caótica, mas teve reviravoltas surpreendentes: o quarteto Kronos interpretou uma poderosa obra do compositor cinematográfico Thomas Newman; o duo Matmos apresentou duas peças eletrônicas hipnoticamente densas; o grupo Ad Hoc Ensemble mostrou uma sinuosa criação de vanguarda do guitarrista Michael Einziger, da banda Incubus; e, por volta da meia-noite, Terry Riley, o pai do minimalismo, subiu à bancada do órgão e mandou um brilhante improviso de blues.
Concertos com tamanha liberdade seriam espantosos em qualquer orquestra; na Filarmônica eles são rotineiros. Como Dudamel irá se adaptar ao experimentalismo da Filarmônica é o que estamos para ver, mas ele parece ansioso para continuar com o legado de Salonen, adotando uma série de novas peças e acrescentando trabalhos de compositores sul-americanos. Com Salonen, a Filarmônica tornou-se a orquestra mais interessante da América; com Dudamel, tem tudo para manter o título.

Fonte: Revista Bravo!