quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A bela e a fera

Antonia Misura foi eleita por várias publicações como a mulher mais bela dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. A bela tem 24 anos e desde que foi descoberta monopoliza toda a atenção das câmeras da capital inglesa não só por sua beleza mas também por sua agilidade em quadra, sendo eleita assim a musa olímpica dos jogos. Nascida em Sibenik, uma das cidades mais importantes da Croácia, Antonia recebeu mais ofertas para ser modelo do que para ser atleta, mas por enquanto segue totalmente entregue ao basquete. Ela é o maior destaque do Jolly JBS Euroline e responsável direta por vários títulos. Ela disputou o campeonato Europeu de basquete e o pré-olímpico e está disputando as olimpíadas pela primeira vez. A croata jogou na terça feira (31), por enquanto, apenas seis minutos e marcou dois pontos contra a seleção chinesa. Só dois pontos? E daí? Pra mim ela já é campeã, indiscutivelmente no quesito beleza. A seleção de basquete da Croácia não é lá essas coisas, todo mundo sabe, mas com certeza estará no pódio das mulheres mais bonitas dessa olimpíada e na mentes de muitos fãs pelo mundo.
E por falar em números grandes de fãs, não podemos esquecer também do grande número de medalhas olímpicas do atleta com mais medalhas ganhas em várias olimpíadas, 19 medalhas ao todo, sendo duas de prata e uma de ouro nesses jogos de Londres. Só poderia ser ele mesmo, a fera das piscinas, Michael Fred Phelps II ou simplesmente Michael Phelps, um dos maiores atletas de todos os tempos, já quebrou trinta e sete recordes mundiais e conquistou o maior número de medalhas de ouro em uma única olímpiada, feito este realizado nos Jogos de Pequim 2008, com oito ouros e em Atenas 2004, seis ouros e dois bronzes. Phelps nasceu em 1985 em Baltimore no estado de Maryland nos EUA, estudou na escola Rodgers Forge e se formou na Towson High School, em 2003. Filho de um policial e de uma professora, tem duas irmãs mais velhas: Whitney e Hilary, sendo que as duas também são nadadoras, Whitney ganhou o ouro nos Jogos Olímpicos de 1996 em Atlanta na prova 4x200m Livres. Em sua juventude, foi diagnosticado que Michael Phelps tinha Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Ele começou a nadar aos sete anos de idade, partindo da influência das irmãs nadadoras. Ele se destacou como um excelente nadador, e quando tinha 10 anos de idade, ele quebrou o recorde nacional de natação para a idade dele. Enquanto crescia, Phelps ia quebrando recordes para sua idade e, aos 15 anos se classificou para as Olimpíadas de 2000, em Sydney. Esse tubarão das piscinas de 27 anos, tem o corpo particularmente propício para a natação, ele tem braços excepcionalmente compridos, com envergadura de 2,01m, desproporcionais para sua altura de 1,93m e peso de 84 kg. Seus pés têm 29,8 cm aproximadamente, equivalente a calçados número 48. Além disso, Phelps é portador de hipermobilidade, isto é, sua flexibilidade de braços e pernas é comparável à de um bailarino clássico. Mas como ninguém é perfeito, Phelps deu suas escorregadas, teve seus dias de provar que era de carne e osso. Pouco depois dos Jogos de Atenas, foi preso por dirigir alcoolizado. Julgado e condenado, prestou serviços durante 18 meses na Associação Mães contra Alcoolizados no Volante e multas mensais de US$ 250 pelo mesmo período. Em 2009, um tablóide inglês publicou fotos suas fumando maconha. Mas ele soube se desculpar: "Me comportei mal. Fiz um julgamento errado das coisas. Apesar de todo o sucesso que tenho nas piscinas, me envolvi em algo inapropriado. Algo que as pessoas não esperam de mim. Me desculpem". Até o presidente dos EUA Barack Obama fez uma pausa na sua campanha eleitoral e usou o Twitter para parabenizar o nadador norte americano, na última terça-feira por seus 19 pódios. “Parabéns para Michael Phelps por quebrar o recorde de medalhas olímpicas de todos os tempos. Você deu orgulho ao seu país”, escreveu Obama. Depois de Londres 2012, Michael Phelps jura que vira as costas para a natação. Apesar da pressão da mãe, que quer ir ao Rio de Janeiro, em 2016. Ele diz que vai com ela, mas como turista. Só quero ser um tipo normal. Disse o nadador à CNN. Moral a história. Depois de 20 anos brilhando nas piscinas, Michael Phelps deixa de ser nadador para virar lenda.

domingo, 15 de julho de 2012

Eu vi. Filme: Sete dias com Marilyn

Sinopse: A musa Marilyn Monroe (Michelle Williams) está em Londres pela primeira vez para filmar "O príncipe encantado". Colin Clark (Eddie Redmayne), o jovem assistente do prestigiado cineasta e ator Laurence Olivier (Kenneth Branagh), sonha apenas em se tornar um diretor de cinema, mas logo viverá um romance com a mulher mais sexy do mundo na época. O que começa como uma aventura amorosa mudará a vida do ainda inocente Colin e revelará uma das várias facetas de um dos maiores mitos do século XX. Até porque é difícil explicar o fenômeno que era Marilyn Monroe nos anos 1950. Ela não era uma simples estrela do cinema, era um furacão que causava uma revolução por onde passava. Ela imprimia uma idéia na mente das pessoas naquele tempo. Provavelmente em toda a humanidade. Para os homens o maior objeto de desejo, para as mulheres um ideal a ser seguido. Só ela conseguia ao mesmo tempo incorporar vulnerabilidade, doçura, medos e esperanças. Ficha técnica: Título original: My week with Marilyn. Lançamento: 2012. Direção: Simon Curtis. Gênero: Drama. Elenco: Michelle Williams, Kenneth Branagh, Emma Watson, Judi Dench, Eddie Redmayne, Dougray Scott, Julia Ormond.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ele é o cara!

Praticamente ninguém sabia quem era Michael Fassbender antes do diretor Quentin Tarantino escalá-lo para viver o tenente Archie Hicox em Bastardos Inglórios, onde como ator, ele conseguiu se consagrar, com uma atuação digna de Oscar. Realmente o ator vinha dedicando a maior parte de seu tempo na época à produções para a televisão, fossem elas séries ou filmes. Seu foco mudou após ele conseguir papéis como: Stelios em 300, Richard Wirth em Blood Creek e Magneto em X-Men: First Class. Desde então Michael Fassbender vem conseguindo conquistar Hollywood e ser considerado por muitos como o ator da vez no cinema mundial. Depois que Tarantino viu seu grande talento, outros diretores também olharam melhor para esse alemão de 35 anos, que foi criado na Irlanda e hoje mora em Londres. Em 2001 mudou-se para os EUA, pois havia conseguido o seu primeiro papel na TV, na minissérie Band of Brothers, produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks. Mas como ele mesmo diz: “Gosto de Londres e, quando passo muito tempo longe, sinto falta. Sou muito europeu." Em 2008, chamou todas as atenções no Festival de Cannes sua interpretação magistral de Bobby Sands, um prisioneiro que faz greve de fome, no premiado Hunger. O filme marcou o primeiro episódio de sua parceria com o diretor e roterista Steve McQueen (homônimo do ator americano, estrela de Papillon, 1974, morto em 1980). Para dar veracidade à história de Bobby Sands, ele emagreceu 16 quilos. "Steve me deu a primeira chance de verdade no cinema. Viramos amigos depois disso", disse Michael. McQueen tem três fimes no currículo: Hunger, Shame e 12 Years a Slave, este último que será filmado neste ano. E Fassbender está em todos. Ano passado ele emplacou dois filmes de sucesso nos EUA, que fizeram seu nome entrar no radar dos grandes estúdios de cinema e fez a crítica se render a seu trabalho. Em Um método Perigoso, de David Cronenberg, ele faz o psicanalista suíço Carl Jung, que, com seu mestre, o austríaco Sigmund Freud interpretado por Viggo Mortensen, tenta curar a dona de casa vivida por Keira Knightley e acaba se envolvendo com ela. Já em Shame, de Steve McQueen, ao lado de Carey Muligan, ele faz um viciado em sexo, e com esse personagem polêmico ganhou o prêmio de melhor ator em Veneza e concorreu ao Globo de Ouro de melhor ator em drama mas não ganhou perdendo para George Clooney pelo filme Os Descendentes , muitos críticos foram além e se queixaram bastante que Fassbender foi injustiçadamente esquecido nas indicações do Oscar este ano. Mas para alegria de seus fãs, este ano esse grande ator pode ser visto em grandes projetos, como no claustrofóbico Prometheus de Ridley Scott, que foi lançado em junho, onde faz um androide que rouba todas as cenas, que mesmo não sendo humano, sofre com as mazelas da humanidade e o violento Haywire de Steven Soderbergh, (ainda sem data de estreia no Brasil). Fassbender provavelmente será o novo RobCop em um remake que começará a ser filmado ano início do ano que vem e terá direção do brasileiro José Padilha de Tropa de Elite, também é o favorito do diretor Darren Aronofsky de Cisne Negro, para ser o protagonista de seu próximo longa, Noé, ao lado de Anthony Hopkins, além de está sendo muito cotado para se tornar o novo 007 e substituirá o canastrão loiro Daniel Craig. É mole ou ainda quer mais? Só dar ele mesmo, Mr. Fassbender é o cara! Daqui pra frente o difícil vai ser não se viciar em Michael Fassbender.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A dama de ouro do cinema





Que Meryl Streep é recordista absoluta com 17 indicações ao Oscar isso todo mundo está cansado de saber, acho que até ela mesma. Ela venceu em três ocasiões: prêmio de Melhor atriz pelo filme O franco-atirador em 1979 e de Melhor atriz codjuvante pelo filme Kramer vs. Kramer em 1980 e neste último domingo dia 26, ganhou mais um Oscar pra sua coleção particular, Oscar de Melhor atriz principal por sua magistral atuação da primeira-dama britânica Margaret Thatcher no filme A dama de ferro. Sem esquecer que já foi vitoriosa também com o prêmio do Globo de Ouro, com 26 indicações, tendo ganho 8 vezes.
Ao receber o Oscar, Meryl foi ovacionada de pé por seus colegas. Ela abriu seu discurso agradecendo o marido, por medo de que o limite de tempo a impedisse de dizer obrigado a ele por tudo e encerrou declarando que queria aproveitar para agradecer a todos os seus colegas e amigos. "Porque acho que nunca mais estarei aqui de novo”. disse a grande atriz. Meryl venceu com mérito as outras indicadas na mesma categoria, entre elas as atrizes: Viola Davis, Rooney Mara, Michelle Williams e Glenn Close.
Meryl já ganhou um Globo de Ouro e um Bafta por esse mesmo papel no filme A dama de ferro.
O filme foca no enredo da humanização e na polêmica da personagem, a primeira-dama britânica Margaret Thatcher, que governou a Inglaterra com mão de ferro entre 1979 e 1990. Durante a recessão econômica causada pela crise do petróleo no fim da década de 70, a líder política tomou medidas impopulares para a recuperação do país. Notabilizando-se por uma defesa estrita do monetarismo, da privatização de estatais, da flexibilização do mercado de trabalho e cortes de benefícios sociais, eliminando até o salário mínimo, restabelecido por Tony Blair em 1999. Seu grande teste, entretanto, foi no conflito entre a Grã-Bretanha e a Argentina na Guerra das Ilhas Malvinas, que completará 30 anos em abril. Passando um tanto batido por boa parte desse contexto político, o filme retrata a ex-primeira-ministra, que está viva, com 86 anos, como uma velha senhora abalada pela pré-senilidade, solitária e cercada de auxiliares mais empenhados em vigiá-la do que acolhê-la. Virtuosa, translúcida e convincente foram são algumas das palavras usadas por críticos dos Estados Unidos para descrever a atuação de Meryl na pele da polêmica política britânica. Críticas mais que merecidas!
Mary Louise Streep é descendente de uma família de britânicos, irlandeses, suíços e neerlandeses, filha de uma artista plástica e de um executivo da indústria farmacêutica, foi criada em Bernardsville, Nova Jersey, onde frequentou e se graduou na Bernards High School. Ela recebeu seu B.A. (Bacharelado de Artes) em Teatro na Vassar College, em 1971. Estudou música, arte dramática e ópera na Universidade Yale. Após finalizar os estudos, trabalhou para o Theatre Repertory Company, de Phoenix, e obteve reconhecimento ao ser nomeada para o Tony Award, e por vencer o Outer Critics Circle Award.
Sua estreia cinematográfica aconteceu em Julia, de Fred Zinnemann, em 1977. Debutou na televisão em 1978, com a série Holocausto, pela qual foi agraciada com o Emmy de melhor atriz.
Desde 1978 Meryl é casada com o escultor Don Gummer, com quem tem 4 filhos, Henry, Mamie Gummer, Grace e Louisa. Em 2009, foi eleita a 48ª mulher mais poderosa do mundo do entretenimento segundo o Hollywood Reporter e possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada em 7020 Hollywood Boulevard. A atriz foi homenageada Festival de Cinema de Berlim este ano com um Urso de Ouro Honorário e uma retrospectiva de alguns de seus filmes mais famosos dos últimos 30 anos de carreira. Meryl Streep, tem 62 anos e é considerada a maior atriz viva do cinema. Meryl Streep é considerada por mim, a dama maior do cinema mundial. Meryl Streep é a primeira e única dama de ouro do cinema. Parabéns Meryl!

Fonte: Cinema Oul

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Uma dupla dinâmica que faz arte













“Os gêmeos” como são chamados a dupla de irmãos gêmeos idênticos, cujos nomes reais são Otávio e Gustavo Pandolfo, nascidos na cidade de São Paulo nos anos 70, são formados em desenho de comunicação pela Escola Técnica Estadual Carlos de Campos, começaram a pintar grafites em 1987 no bairro em que cresceram, o Cambuci e gradualmente tornaram-se uma das influências mais importantes na cena paulistana, ajudando a definir um estilo brasileiro de grafite.
Os trabalhos da dupla estão presentes em diferentes cidades dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Grécia, Cuba, entre outros países. Os temas vão de retratos de família à crítica social e política; o estilo formou-se tanto pelo hip hop tradicional como pela pichação.
Em 22 de maio de 2008, executaram a pintura da fachada da Tate Modern, de Londres, para a exposição Street Art, juntamente com o grafiteiro brasileiro Nunca, o grupo Faile, de Nova York; JR, de Paris; Blu, da Itália; e Sixeart, de Barcelona.
De suas duas mentes criativas transbordam todas as cores e sabores da imaginação. Lá tudo é possível e qualquer sonho se torna realidade. A inspiração para tantos desenhos e fábulas mágicas vem da forma com que a dupla Gustavo e Otávio Pandolfo, refletem em seu interior a realidade e a fantasia que lhes rodeiam. Cada pequeno detalhe, porque são através deles que suas obras assumem esta forma já tão reconhecível, são componentes importantes na criação do mundo fantástico, cheio de histórias cotidianas em forma de poesia. O mundo encantado em que vivem todos os seus personagens e que funciona como a janela da alma única dos irmãos gêmeos é repleto de uma mistura harmoniosa entre realismo e ficção. Suas histórias dançam entre dois importantes pilares. O olhar sonhador que possibilita a materialização de um mundo cheio de fantasias e suas críticas incisivas sobre as dificuldades enfrentadas por tantos cidadãos espalhados pelo mundo, vítimas de um modelo sócio-econômico que se encontra em grande transformação. Dessa união nascem obras que invocam um universo lírico e criações que mesclam ambas projeções, como se os próprios personagens mágicos criticassem com olhos inocentes toda a discrepância que existe em nossa sociedade.
Foi quando ainda viviam no mundo da fantasia ingênua e infantil, que tudo começou. Desde pequenos a maneira de brincar e construir os cenários onde seus personagens habitavam era minuciosa. Desmontado as peças originais de presentes que ganhavam, os irmãos refaziam com toda a delicadeza um outro universo. Com três anos de idade os lápis de cor e a imaginação já estavam presentes nos jogos e em todos os papeis espalhados pela casa. Desenhavam na mesma folha de papel e quando não, escolhiam os mesmo temas para ilustrar. O incentivo para mergulhar no mundo criativo que existia dentro deles sempre esteve presente na família, composta de outros artistas, como o irmão mais velho Arnaldo e a mãe Margarida. Também foram o pai e os avós que trouxeram a tona uma forma de apresentar ao mundo real toda a ânsia criativa que lhes transbordava.
O grafitismo entrou na vida dos irmãos em 1986, quando ainda viviam na região central de São Paulo onde passaram sua infância e adolescência. A cultura hip hop chegava ao Brasil e os jovens do bairro começaram a colorir suas idéias nos muros da cidade. Naquela época, com apenas 12 anos, tudo era novidade e sem ter de onde tirar suas referencias, Gustavo e Otavio improvisavam e inventavam sua própria linguagem, pintando com tintas de carro, látex, spray e usando bicos de desodorante e perfume para moldar seus traços; já que ainda não existiam acessórios e produtos próprios para a prática. O que a cidade proporcionou a eles foi essencial para o desenvolvimento de todas as habilidades que se transformaram depois no estilo próprio e imediatamente reconhecível dos artistas. Uma infância criativa, que rendeu duas vidas ao mundo da arte contemporânea.
A válvula de escape para a dupla era o grafite. Uma maneira que encontraram de criar um mundo onde só se pode penetrar através de suas mentes e onde tudo funciona pela lógica própria de “Tritrez”, o universo habitado pelos personagens amarelos, onde brilha e reina a sintonia entre todos os seus elementos. Cada parte e cada detalhe esta mergulhada na magia que envolve a imaginação dos irmãos.
Novos ventos começaram a sobrar em 1993 com a visita ao Brasil do artista plástico e grafiteiro Barry Mgee (Twist), de São Francisco. Mgee que chegou em São Paulo para realizar uma exposição de arte contemporânea mostrou aos irmãos a possibilidade de viver fazendo o que se gosta. Nesta época por diversão Gustavo e Otávio, que acabavam de completar 19 anos, já haviam começado a desenvolver um estilo próprio e a fazer trabalhos publicitários e decoração em lojas e escritórios com seus grafites. Começavam desta forma a viver única e exclusivamente deste maravilhoso dom que ocupava quase 100% de seus seres.
Em 1995, como experimento, realizaram uma exposição conjunta sobre arte de rua no MIS (Museu da Imagem e do Som) de SP e um ano depois uma pequena mostra de algumas peças e instalações em uma casa na Vila Madalena.
Mas a vida como artistas plásticos com o estilo já quase completamente maduro aconteceu pouco tempo depois em Munique (Alemanha) a convite de Loomit, grande nome do mundo do “Street Art “ que descobriu a dupla brasileira em uma revista internacional sobre o tema. Com este convite, a dupla embarcou em uma viagem sem volta pelo mundo realizando projetos em parceria com outros artistas e finalmente em 2003 a primeira exposição solo na galeria Luggage Store , em São Francisco.
Um grande salto veio quando os artistas entraram para a galeria Deitch Projects de Nova York em 2005, onde suas obras tomaram forma dentro do mercado de arte contemporânea. No momento em que ingressaram para o universo das galerias, a dupla pode trazer suas criações para um mundo muito além das ruas. Com isso, suas ideias tomaram formas tridimensionais em esculturas e instalação feitas de maneira peculiar com todos os elementos e detalhes que se podem acrescentar quando um desenho pula do papel e chega ao mundo real. Apenas depois de um ano, já com um nome forte no exterior, os gêmeos fizeram sua primeira exposição no Brasil na Galeria Fortes Vilaça, em São Paulo.
O trabalho desses gêmeos já ultrapassou as barreiras do grafite nas ruas e chegou a museus do mundo inteiro isso é público e notório. Nas exposições, além dos painéis, encontram-se esculturas gigantescas, carros e instrumentos musicais (que funcionam!) customizados. E não são para desbravar só com os olhos: na maioria das obras, sempre é possível uma interação: pode-se tocar, manusear e, nas peças maiores, como barcos, caixas e túneis, a entrada é permitida e incentivada. Frequentemente mencionados com louvor, como grandes representantes da arte contemporânea, os gêmeos impressionam pela imponência e riqueza de detalhes. Suas esculturas, na maioria das vezes muito altas, são à base de material reciclado, como latas, papelões, lascas de madeira e retalhos. Tudo trabalhado de forma tão delicada que um universo de detalhes se abre perante os olhos: a face, a posição dos braços e até mesmo as estampas das roupas das personagens estão cravados de expressões que dão uma riqueza inestimável às obras.
A pintura feita nas ruas e as criações feitas para obras e instalações em galerias partem do mesmo mundo onírico que existe dentro da mente da dupla, mas tomam rumos distintos. A primeira é o próprio dialogo dos artistas com as ruas, com cada pessoa que passa e de forma direta ou indireta interage com a pintura, isso é o grafite. A segunda é a materialização de sonhos, ideias, críticas sociais e políticas que retratam o universo vivido dentro em contraste com que se apresenta fora no dia-a-dia dos próprios irmãos. No momento em que todas estas ideias entram dentro de uma galeria elas deixam de pertencer ao grafite e passam a fazer parte do mundo que envolve a arte contemporânea.
A imaginação são as asas que os gêmeos utilizam para ir aos mais divertidos e ilusórios lugares que habitam suas mentes. É a porta aberta e o convite para mergulhar no humor e nas delícias de poder criar um mundo da nossa própria maneira e com todas as cores e fantasias que se possa imaginar. E que imaginação hein?

Fonte: Lost Art

Tatuagem

Uma cicatriz marcada na carne
Um pigmento que vira paixão
Uma pele que vira história
O corpo colocado em exposição
Sereias, corações, serpentes
Identidade colorida de nanquim
Os pêlos, os poros, a penugem
A flor da pele na pele uma flor
Cobras, caveiras, dragões
Tatouage para francês ver
Tatuagem só pra você
Derme, epiderme, hipoderme
Uma superfície de ideologia, modismo e crença
Uma camada que dialoga com um ponto corporal
Uma marca registrada pra sempre
Resumindo-nos apenas a sangue, tinta e suor.

(Codinome Pensador)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Viver é conviver

O ano de 2011 acabando, me peguei pensando e pude analisar e observar como cada vez mais o mundo está doente, por inúmeros motivos, mas o motivo que mais me chamou atenção foi a falta de intolerância com o outro, como o nosso semelhante, a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos de vista diferentes, que está baseada no preconceito, podendo levar à discriminação até na violência mais extrema.
As formas mais comuns são: o racismo, o sexismo, a homofobia, o heterossexismo, o etaísmo, sem esquecer as intolerâncias religiosa e política, que estão cada vez mais frequente em nossa sociedade. Uma atitude no mínimo lamentável e põe lamentável nisso, pra não falar coisa pior.
Quem não se lembra da polêmica sobre o racismo no futebol, durante o amistoso entre Brasil e Guatemala em 2006, quando uma banana foi atirada no gramado do estádio do Pacaembu, em São Paulo, com os dizeres "Grafite macaco!", citando o atacante do São Paulo e da seleção, pivô da confusão envolvendo também o argentino Desábato, naquela data o jogador Grafite acusou Desábato de ter lhe feito ofensas raciais. O jogador argentino foi detido ainda dentro do estádio e passou quase 40 horas preso em São Paulo. Liberado após pagar fiança de R$ 10 mil, ele irá responder a processo por injúria com agravante racial.
E isso não acontece só no Brasil, lembram em maio deste ano, quando o estilista londrino John Galliano que foi preso no chiquérrimo bairro do Marais, em Paris, depois de ter ofendido um casal de judeus em um bar. Galliano chegou a depor, negou que tivesse xingado o casal e foi liberado após pagar fiança.
Falar em homofobia e logo vir a minha mente aquele caso horrendo há dois meses atrás, que um grupo de quatro menores e um jovem de 19 anos, todos de classe alta, agrediu com socos, chutes, pauladas e lâmpadas fluorescentes três pedestres que caminhavam na avenida Paulista. Agressão foi motivada pelo fato de as vítimas serem ou estarem acompanhadas de homossexuais. E agora pasmem, por conta do crescente número de casos de homofobia no Senegal, o governo daquele país da África Ocidental, está forçando os gays a reprimirem suas vidas. Em janeiro do ano passado, foi condenado um grupo de nove homens a oito anos de prisão por homossexualismo. Parece mentira mas é a mais pura verdade.
E os crimes desse tipo só aumentaram, toda semana há pelo menos um caso de homofobia noticiado no Brasil, isto é, casos de agressões verbais ao cúmulo do assassinato à homossexuais, travestis e transexuais são notícias recorrentes no Brasil ao se transformarem em vítimas constantes de crimes de ódio motivados pela discriminação.
O etaísmo é um tipo de discriminação contra pessoas ou grupos baseado na idade. Quando este preconceito é a motivação principal por trás dos atos de discriminação, maus-tratos ou intolerância contra aquela pessoa ou grupo, então estes atos se constituem em discriminação por idade. Etaísmo está geralmente associada a duas faixas etárias específicas: adolescentes: (etaísmo contra adolescentes é também chamado "adultismo"), a quem são atribuídos as características estereotipadas de imaturos, insubordinados e irresponsáveis e terceira idade: que são rotulados de lentos, fracos, dependentes e senis.
E quem não viu o vídeo em setembro, do caso do interior de São Paulo de uma idosa de 70 anos que era cega, surda e não podia andar, que era agredida constantemente por uma mulher de 33 anos contratada para tomar conta da idosa, após desconfiança da família que percebeu muitos hematomas no corpo da anciã, decidiu-se instalar uma câmera dentro do quarto e em uma semana, a rotina de violência que a vítima sofria foi comprovada. As imagens foram entregues à polícia caiu na net e toda a imprensa noticiou.
Mesmo antes de fazer as gravações, a família já tinha registrado um boletim de ocorrência por suspeita de maus-tratos. Na época, a empregada foi chamada para depor, mas disse que não sabia de nada. Mas um laudo constatou lesão grave na idosa, provocada por meio cruel. Os advogados da empregada alegam que ela tem problemas mentais.
No primeiro semestre deste ano, o Disque Direitos Humanos registrou mais de três mil denúncias de agressão e maus tratos contra os idosos em todo o País. O Estatuto do Idoso, criado em 2003, ganhou mais uma lei que reforça a proteção a quem já passou dos 60 anos. Agora, as instituições de saúde públicas ou privadas são obrigadas a notificar as autoridades caso haja uma agressão física ou psicológica contra o idoso.
Agora entrando em terreno delicado, a intolerância religiosa, como diz aquela música do Gilberto Gil: “Ele diz que tem como abrir o portão do céu. Ele promete a salvação. Ele chuta a imagem da santa, fica louco-pinel. Mas não rasga dinheiro não”. Baseado nessa letra me lembrei de um episódio que aconteceu em 1995, quando um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, que ainda bem que não lembro o nome do tal, chutou em seu programa de TV uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida, causando consternação em todo o país. Enquanto chutava a imagem da Santa, também proferia um discurso carregado de preconceito e ódio, nada condizentes com um representante religioso de Jesus Cristo. Entre suas declarações, a mais surpreendente foi que ele se referiu a santa como: “Ela não funciona! Ela é feia! Ela é preta! Ela não tem valor no mercado! Ela só serve para atrapalhar os negócios com antigas superstições!” disse o bispo na época. Sem querer usar um trocadilho mas já usando: Que cidadão é esse pelo amor de Deus?
E o caso de intolerância politica mais marcante e significativa até hoje na história do Brasil é na minha opinião a Ditadura Militar, onde pessoas desapareciam e eram mortas por conta do enfrentamento contra o Estado e as ideias de oposição à esse regime entre os anos de 1964 e 1985. Um tempo de autoritarismo e desrespeito total aos direitos sociais e humanos.
Tem um livro excelente do escritor Heinrich Mann que fala que intolerância está presente na esfera das relações humanas desde que o mundo é mundo e são fundadas em sentimentos e crenças religiosas. Que era que uma prática que se auto justificar em nome de Deus, adquirindo automaticamente o status de uma guerra de deuses encarnados em homens e mulheres que se odeiam e não se suportam.
Já o Maquiavel, me lembro que diz em seu livro famoso livro O príncipe que a intolerância tomou a forma de lutas ideológicas. Maquiavel cantou a pedra do futuro de este caminho de não respeitar as diferenças entre as pessoas, quando no Renascimento, advogou que os fins justificam os meios, em outras palavras, que a razão do Estado deve se impor a despeito dos meios utilizados.
Pra mim está claro que o maior problema do mundo de hoje, sem dúvida, é a intolerância. A intolerância que faz com que o meu “Deus” seja o único verdadeiro. A minha opinião a única certa. A minha verdade, a única verdade. A intolerância é radical, fera deixa marcar pro resto da vida. A intolerância é violenta pela própria natureza da não-aceitação a não ser do que consideramos certo, do que entendemos como justo, do que acreditamos como verdadeiro, da minha e somente minha verdade.
E é aí que estamos sendo uns completos idiotas e totalmente cegos, porque a verdade nunca vai ser pura e simples. Quando a verdade é na verdade apenas um instinto humano do mais primitivos possíveis, que nasce com a pretensão do homem e vai morrer com ele. Até porque quem conhece a verdade é um ignorante e a usa como artifício, análise ou idéia para tentar fazer as pessoas acreditarem nela. Até porque a verdade só é verdade, por mais absoluta que ela aparente ser, até que se prove o contrário. Falando em contrariar, vou contrariar agora Fernando Pessoa em sua famosa frase. Viver é preciso e conviver com as diferenças também é preciso, navegar fica pra depois, pra horas de lazer.

(Codinome Pensador)

Tô ouvindo: CD Cavaleiro selvagem aqui te sigo da Mariana Aydar


A cantora paulistana Mariana Aydar é certamente um dos principais talentos da nova safra da música brasileira, mesmo que ela prefira afastar-se desse rótulo. Seu mais recente trabalho o CD intitulado Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo, é o terceiro de sua carreira, mostra Mariana como uma cantora em constante evolução. Sinto que existe nela uma espécie de fuga da mesmice trazida por diversas cantoras brasileiras, que preferem se infiltrar somente no samba ou mesmo trazer algum ar de pseudomodernidade a MPB. Neste CD há espaço para diversos estilos, desde rock até forró, com direto à participação especial de Dominguinhos na doce Preciso do teu sorriso. Até mesmo por esta razão, seja difícil rotular o estilo de Mariana neste universo musical.
Algo que chamou atenção no CD, foram geniais e descolados arranjos de percussão e metais durante todas as músicas, que foi gravado praticamente ao vivo no Na Cena Studios, em São Paulo, com alguns adicionais no estúdio próprio da cantora, o Casa de Kavita.
Algumas das músicas de Cavaleiro Selvagem chegaram a ser apresentadas ao público em diversos shows da cantora, que serviram como uma espécie de laboratório para aprovação ou não do público. Foi o caso da excelente versão de Nine Out of Ten, de Caetano Veloso, considerado o primeiro reggae brasileiro, gravada no antológico disco Transa, de 1972 e de Porto (Porto, é Lisboa ou Salvador/Lindo, é cidade ou é amor), composição de Romulo Fróes e Nuno Ramos. Excelentes também estão as versões de Galope Rasante, do cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, que sem a voz cavernosa de Zé Ramalho, fica uma leitura bem particular na voz da cantora e de Vai vadiar (Alcino Corrêa e Monarco), conhecido samba na voz de Zeca Pagodinho, e que no disco ganha um novo arranjo, quase um tango por conta da sanfona de Guilherme Ribeiro. No entanto, o grande achado mesmo é Preciso do teu sorriso, forró do Trio Virgulino que ganha uma balanço gostoso com a sanfona parisiense do mestre Dominguinhos.
Mariana Aydar, ou melhor Kavita (seu codinome), apresenta algumas composições próprias como Solitude, composta durante um retiro espiritual, Floresta, Cavaleiro Selvagem e Vinheta da Alegria.
Para se ter uma idéia, uma das faixas mais contagiantes é O homem da perna de pau, a guitarrada paraense candidata a hit das pistas mais antenadas.
Mas a grande afirmação artística de Mariana está na música Passionais, segue a inspiração da cantora de encontrar grandes músicas para engrandecê-las um pouco mais. Grande composição, grande letra, grande interpretação da cantora. “Escrevi essa letra porque sou passional em tudo na vida”. Diz ela.
A banda Los Caballeros acompanha a cantora em todas as faixas: Robinho nos baixos, Guilherme Held nas guitarras (de 6 e 12 cordas), Gustavo de Dalva na percussão e efeitos, Guilherme Ribeiro nos teclados (Rhodes, Hammond, piano acústico e sintetizadores) e Duani Martins, o segundo produtor deste álbum e também dois anteriores Kavita 1 de 2006 e Peixes, Pássaros, Pessoas (2000), na bateria. Letieres Leite toca flauta, pífano e caxixi.
É nítido que Mariana procurou investir em seu lado compositora. E se deu bem em canções que são enriquecidas por trompas e trombones sinfônicos, percussões suaves e bem colocadas, linha de baixo envolvente e guitarra etérea. Quase um trip hop genuinamente brasileiro.
“O cavaleiro passa, perpassa, atravessa o álbum da faixa de abertura aos galopes finais da última canção, como se todas as coisas não acabassem, mas se renovassem constantemente voltando às suas origens.A idéia se conecta com o conceito de fundamento das coisas da ancestralidade, tão ligado aos padrões percussivos afrobaianos, que dão um espírito particularmente forte ao disco”. Diz a cantora.
“A Saga do Cavaleiro é sugerir e guiar, passar e inspirar. Criei meu CD mais artesanal, cheio de mistérios, afromântrico. Não tem manual, não é uma homenagem a tradições, cada um de nós tem seu próprio Cavaleiro Selvagem. É uma busca a algo maior pela música, pela expressão, pela soma. O caminho é pessoal a cada participante e ouvinte e se é universal é pelo ímpeto artístico. O coração sente e derrama vida. E fim”. Refletiu Mariana.
A cantora consegue percorrer pelos mais diversos estilos e com uma moldura musical mais apurada, Mariana mostra ter firmeza e conhecimento sobre o que está fazendo e os faz ter uma projeção de que vem muita coisa boa pela frente em seus próximos trabalhos. Confirmando a tendência da nova geração em querer se mostrar eclética, Mariana Aydar ganha pontos por fazer isso de forma autêntica e realmente eclética.

Fonte: Misturebapop.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Feriado

Vamos deixar a vida chata pra depois
Desligar o celular e a tv
Se ligar em alguém especial, em algum lugar legal
Notícias perderam todo o sentido de ser
Amanhã o tempo terá todo o tempo do mundo
Silêncio, mudez, preguiça, sono
Apenas o desejo puro e simples de nada
Vontade de apenas sentir o mundo girar
Vontade de apenas sentir o tempo passar
Insuportável paciência
Dependência incansável
Amanhã o dia terá uma outra história
Esqueça o fato
Não esqueça a data
Ôpa, amanhã, no calendário, é feriado!

(Codinome Pensador)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O cretino do ano





Muammar Al- Gaddafi foi um militar, político, ideólogo e ditador da Líbia, sendo de fato chefe de estado do seu país entre 1969 até 2011 e na minha opinião, foi também cretino dos cretinos do ano de 2011, sem sombra de dúvida.
Kadhafi chegou ao poder em 1969, sem derramar sangue, por meio de um golpe de estado e assumiu a função formal de Chefe da Nação até 1977, quando renunciou o comando do chamado Conselho do Comando Revolucionário da Líbia e alegou apenas ser uma figura simbólica do governo. Seus críticos dizem que ele agia como um autocrata ou um demagogo, apesar do antigo governo líbio dizer que ele não detinha qualquer poder e o próprio Kadhafi tentava passar a imagem de um estadista-filósofo. Após Kadhafi renunciar o cargo, ele ficou conhecido como o "Irmão Líder e Chefe da Grande Revolução de Jamahiriya Popular Socialista da Líbia" ou "Líder Fraternal e Chefe da revolução"; em 2008, durante um encontro de líderes africanos, alguns destes o chamaram de "Rei dos Reis". Que absurdo!
Depois de chegar ao poder em 1969, ele aboliu a Constituição Líbia de 1951 e estabeleceu politicas alinhadas com sua ideologia, chamada de "Terceira Teoria Internacional" que foram publicadas em seu trabalho intitulado Livro Verde. Depois de estabelecer a “Jamahiriya” (estado de massas) em 1977, ele assumiu uma figura simbólica e representativa no governo, apesar de que, de fato, o poder politico total estava concentrado em sua pessoa, recaindo sobre ele a responsabilidade de fazer as politicas de Estado. Durante seu governo, a Líbia experimentou alguns períodos de forte crescimento econômico, por muito abalado pelas sanções impostas por países ocidentais contra seu governo. Devido as enormes rendas provenientes do petróleo, Kadhafi pode sustentar vários programas sociais que acabaram por dar a Líbia o maior IDH do continente africano, além de aumentar a participação das mulheres na vida pública e de dar mais direitos aos negros. Durante seu governo, a Líbia teve a menor dívida pública do mundo. Apesar dos crescimentos econômicos e dos avanços nas áreas sociais, os críticos do seu regime alegavam que Kadhafi concentrava boa parte das riquezas do seu país em sua própria mão, tendo uma fortuna pessoal estimada em 20 bilhões de dólares, enquanto boa parte da população do país vivia na pobreza. Muitos dos negócios e empresas líbias estavam supostamente sobre controle direto de Kadhafi e de membros de sua família. Na década de 1980, ele participou de vários conflitos armados e assumidamente adquiriu armas químicas. Em resposta, a comunidade internacional lançou várias sanções contra a Líbia.
Seis dias após a captura de Saddam Hussein por tropas americanas em 2003, Kadhafi anunciou que seu Estado estava abrindo mão de todos os programas de construção de armas de destruição em massa e convidou inspetores internacionais para que verificassem que ele estava comprometido com isso. Em resposta, o governo Bush removeu a Líbia da lista de países que apoiavam o terrorismo. Logo em seguida, a ONU levantou as sanções contra o país.
Em 2011, frente a protestos pedindo sua derrocada do poder, Kadhafi respondeu aos manifestantes com violência, porém as manifestações contrárias ao seu governo se intensificaram. Então eclodiu no país uma violenta guerra civil, colocando em confronto forças leais e contrárias ao regime. Durante este conflito, Kadhafi foi acusado de cometer vários crimes contra a humanidade e um mandado de prisão foi expedido contra ele pela Corte Penal Internacional. Em agosto de 2011, tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT) atacaram e conquistaram a capital Trípoli colocando assim Kadhafi e seu governo em fuga. Em 20 de outubro, após 8 meses de guerra, o ex-líder foi morto em Sirte por simpatizantes do CNT. Seus 42 anos de governo o fizeram o líder não monárquico a mais tempo no poder desde 1900, sendo também o líder árabe que mais tempo ficou no poder.
Kadhafi nasceu em 7 de junho de 1942[39], numa família de berberes beduínos, adepta do islamismo sunita, filho de Abu Meniar Kadhafi e Aisha Kadhafi em uma tenda no deserto líbio, próximo à cidade Líbia de Surt ou Sirte. Teve contato com beduínos comerciantes que viajavam pela região de Surt, com quem adquiriu e formou suas precoces posições políticas. De acordo com várias biografias, sua família pertence a uma pequena tribo de árabes, os Qadhadhfa. Quando tinha entre 12 e 13 ouvia pelo rádio os discursos do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, que chamava os povos árabes à unidade política (pan-arabismo) e defendia a causa palestina, o que o ajudou a adquirir uma precoce consciência política. Após o término de seus estudos secundários, Kadhafi iniciou a carreira militar. Integrou a Academia Militar de Benghazi, segunda principal cidade do país, e também integrou a Real Academia Militar de Sandhurst, na Inglaterra.
Em 2011, no bojo das revoltas sociais no norte da África, Kadhafi sofreu um ataque revolucionário por parte da oposição Líbia e, em um sinal de ruptura com o governo, a delegação da Líbia na ONU acusou Kadafi de genocídio e fez um apelo por sua renúncia. Diversas autoridades, inclusive o ministro da Justiça, Mustafá Abdel Yalil, e diplomatas em diferentes países, renunciaram, em protesto contra o uso excessivo de força na repressão das manifestações. Diplomatas que representavam o governo de Kadafi na China, na Índia e na Liga Árabe deixaram seus cargos em protesto ao governo. De acordo com a organização americana Human Rights Watch, os protestos na Líbia deixaram pelo menos 233 mortos. Há relatos de que em apenas um dia 160 manifestantes teriam morrido. Após a renúncia das autoridades, Saif al-Islam Muammar Kadhafi anunciou a criação de uma comissão para investigar episódios violentos durante os protestos. A comissão seria dirigida por um juiz e incluiria membros de organizações de direitos humanas líbias e estrangeiras, mas esta nunca foi implementada. Uma coalizão de líderes muçulmanos líbios emitiu uma declaração dizendo que "é obrigação de todo muçulmano se rebelar contra o governo líbio".
Devido a indícios de crimes contra a humanidade cometidos pelas tropas do governo contra os rebeldes e civis líbios, nas áreas de insurreição e combate, em 16 de maio de 2011, Luis Moreno-Ocampo, Procurador-Chefe do Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, solicitou mandato internacional de captura e prisão de Kadhafi, por crimes contra a Humanidade.
Em agosto de 2011, as tropas do Conselho Nacional de Transição lançaram-se sobre Trípoli na Segunda batalha de Trípoli e conquistaram a cidade. Apoiados pela OTAN, os rebeldes líbios atacaram várias outras cidades litorâneas até chegar a capital. Logo após a queda da cidade, Kadhafi, seus parentes e membros do seu governo fugiram. Para a comunidade internacional, Gaddafi não falava mais pelo povo líbio, tendo essa autoridade recaindo sobre o CNT.
Em 20 de outubro de 2011, após a queda de Sirte, o último grande reduto das forças de Kadhafi, o Conselho Nacional de Transição informou oficialmente à rede de televisão Al Jazeera que Kadhafi havia sido capturado. De acordo com algumas fontes, Kadhafi teria sido ferido nas pernas ou levado dois tiros no peito. Segundo as primeiras informações, ele teria morrido em consequência desses ferimentos. Imagens de um vídeo amador mostram o corpo ensaguentado de Kadhafi, ainda vivo, sendo carregado como um troféu em Sirte.
O primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Mahmoud Jibril, confirmou a morte do ex-líder Muammar Kadhafi, durante os confrontos pela tomada da cidade de Sirte. "Esperávamos havia muito tempo por este momento. Muammar Kadhafi foi morto", afirmou ele. Segundo Jibril, a autópsia determinou que o líder deposto foi morto por um ferimento de bala na cabeça, após sua captura. Jibril afirmou, durante entrevista coletiva, que Kadhafi estava em boa saúde e armado, quando foi encontrado. Enquanto era levado até uma caminhonete, levou um tiro no braço ou na mão direita. Posteriormente, levou um tiro na cabeça sob circunstâncias não claras até hoje. Mas isso é o que menos importa. Enfim...
O corpo de Kadhafi foi levado para uma câmara fria e ficou exposto para visitação pública, juntamente com o corpo de seu filho Mo'tassim e do chefe militar do regime Abu-Bakr Yunis Jabr, durante 4 dias. Posteriormente foram enterrados em um local secreto, numa simples e respeitosa cerimônia, de acordo com o governo líbio. Em seu testamento politico divulgado pouco depois da sua morte, Kadhafi exortou o seu povo a continuar lutando e resistindo de todas as formas contra o novo governo e deixou instruções sobre como ele gostaria de ser enterrado, a maneira muçulmana. Menos um facínora e um cretino no mundo! Kadhafi já vai tarde!

Fonte: Revista Veja

Salve Drummond!


“...Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração...” Com esse Poema de Sete Faces que se iniciou minha paixão por esse grande poeta “gauche” de Itabira (MG), chamado Carlos Drummond de Andrade , que há 31 de outubro de 1902 nascia para entrar para história da literatura brasileira, do mundo e viver em nossa memória pela eternidade. Se estivesse vivo estaria este mês comemorando 109 anos de idade e de muita poesia da melhor qualidade.
Filho de uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia de 1930 e Brejo das almas de 1934, em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar. Drummond, como os modernistas, segue a libertação proposta por Mário e Oswald de Andrade; com a instituição do verso livre, mostrando que este não depende de um metro fixo.Se dividirmos o modernismo numa corrente mais lírica e subjetiva e outra mais objetiva e concreta, Drummond faria parte da segunda, ao lado do próprio Oswald de Andrade.
Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo de 1940, em José de 1942 e sobretudo em A rosa do povo de 1945, Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa. Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac, Marcel Proust, García Lorca, François Mauriac e Molière.
Quando se diz que Drummond foi o primeiro grande poeta a se afirmar depois das estreias modernistas, não se está querendo dizer que Drummond seja um modernista. De fato herda a liberdade linguística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas. Mas vai além. "A obra de Drummond alcança — como Fernando Pessoa ou Jorge de Lima, Herberto Helder ou Murilo Mendes — um coeficiente de solidão, que o desprende do próprio solo da História, levando o leitor a uma atitude livre de referências, ou de marcas ideológicas, ou prospectivas", afirma Alfredo Bosi .
Segundo o escritor e estudioso da obra de Drummond, Affonso Romano de Sant'ana costuma estabelecer que a poesia de Carlos Drummond a partir da dialética "eu x mundo", desdobrando-se em três atitudes: Eu maior que o mundo, que é marcada pela poesia irônica, Eu menor que o mundo, que é marcada pela poesia social, Eu igual ao mundo, que abrange a poesia metafísica.
Sobre a poesia política, algo incipiente até então, deve-se notar o contexto em que Drummond escreve. A civilização que se forma a partir da Guerra Fria está fortemente amarrada ao neocapitalismo, à tecnocracia, às ditaduras de toda sorte, e ressoou dura e secamente no eu artístico do último Drummond, que volta, com frequência, à aridez desenganada dos primeiros versos: A poesia é incomunicável. Fique quieto no seu canto. Não ame. Muito a propósito da sua posição política, Drummond diz, curiosamente, na página 82 da sua obra O Obervador no Escritório,RJ, Editora Record, de 1985, que Mietta Santiago, a escritora, expõe-me sua posição filosófica: " Do pescoço para baixo sou marxista, porém do pescoço para cima sou espiritualista e creio em Deus."
No final da década de 1980, o erotismo ganha espaço na sua poesia até seu último livro.
Atualmente, também, há representações em Esculturas do Escritor, como é o caso das estátuas Dois poetas, na cidade de Porto Alegre, e também O Pensador, na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, além de um memorial em sua homenagem da cidade de Itabira.
Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade. Como disse Drummond: "...Quem morre vai descansar na paz de Deus. Quem vive é arrastado pela guerra de Deus...". Fica então a sábia lição.

Lição
Tarde, a vida me ensina
Esta lição discreta:
a ode cristalina,
é a que se faz sem poeta.
(Carlos Drummond de Andrade)

Fonte: Memória viva.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu vi. Filme: Cópia fiel

Sinopse: James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens. A reflexão sobre a relação entre cópia e original preside o debate pelo espaço de duas horas de projeção, os diálogos entre esse homem e essa mulher vão pontuando, com essa temática, toda a primeira parte do filme. Não são coisas comuns ou banais, embora possam fazer parte da vida das pessoas, em qualquer tempo ou lugar. E a segunda parte do filme mostra todo um universo complexo das relações homem-mulher que, inevitavelmente, nos coloca novos desafios e reflexões tão importantes quanto os que ocuparam as atenções do escritor e da dona da galeria. Não é novidade dizer que a atriz principal atua muito bem, aqui, no entanto, ela está sublime, construindo nos mínimos detalhes as nuances de sua personagem e circulando com fluidez pelo francês, italiano e inglês.

Ficha técnica: título original: Copie conforme, lançamento: 2010, direção: Abbas Kiarostami, gênero: Drama, elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Agathe Nathanson.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tô lendo: Coração andarilho - Nélida Piñon

Em Coração andarilho, faz-se um comovente e sensível registro de suas lembranças de infância e juventude, família e viagens pelo mundo desta da aclamada escritora. Nélida Piñon revela suas memórias, temperadas com boas doses de imaginação. Da infância no bairro carioca de Vila Isabel à descoberta do mundo pelas viagens e sua formação como escritora reconhecida no Brasil, sendo uma das damas da literatura de nosso país e primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras.
Coração andarilho é também uma homenagem a seus pais e a sua origem espanhola. Um livro de cunho autobiográfico no qual traz a essência de Nélida como criadora formando seu universo pessoal e criativo perpetuado em mais de 20 publicações, narrando com precisão sua odisséia pessoal de forma corajosa e lírica.

Trecho: “Meu testemunho é impreciso. Misturo a colheita da memória com a invenção, porque é tudo que sei fazer. Os episódios que registro, de teor familiar e cotidiano, emergem da minha modéstia e dos meus desacertos. A seleção que faço da família, dos amigos, dos pensamentos vagos, compõe o meu horizonte pessoal. Me fazendo apresentar em alto grau de subjetividade, me fazendo viajar pelo mundo e fazer dele uma faixa de terra cercada de água e memórias”.

Ficha técnica:
Livro: Coração Andarilho
Autora: Nélida Piñon
Editora: Record
Páginas: 352.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ela encanta e canta muito.



Video: Someone like you - Adele





Adele Laurie Blue Adkins nasceu em Enfield em 5 de maio de 1988, conhecida pelo nome artístico apenas como Adele, cantora e compositora, ela foi a primeira a receber o prêmio Critics Choice do BRIT Awards e foi nomeada Artista Revelação em 2008 pelos críticos da BBC de Londres. Em 2009, Adele ganhou dois Grammy Awards de Artista Revelação e Melhor Vocal Pop Feminino. Seu reconhecimento mundial ao lançar o álbum 21 e dominar as paradas de sucesso nos Estados Unidos e Reino Unido com o single da maravilhosa, poderosa e contagiante música Rolling In The Deep.
Adele atraiu a atenção da XL Records com suas três demos no seu perfil no MySpace e acabou por assinar com a gravadora. Desde a sua estréia, com o álbum 19 que Adele foi aclamado pela critica e foi um sucesso em vendas. O álbum estreou em número um e recebeu três certificações de platina no Reino Unido. Sua carreira de sucesso nos EUA começou após uma apresentação sua no programa Saturday Night Live em 2008. Adele lançou seu segundo álbum em janeiro de 2011 na Inglaterra e em fevereiro nos EUA. O álbum foi um sucesso comercial e de crítica, vendendo 208 mil cópias na primeira semana de vendas no Reino Unido estreando em primeiro lugar na UK Albums Chart e também liderou as paradas de vendas em vários países.O CD também estreiou muito bem nos EUA alcançando a primeira posição na Billboard 200 vendendo 352 mil cópias na primeira semana.
Depois de uma aclamada performance ao vivo no BRIT Awards de 2011, a canção Someone Like You chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso no Reino Unido, enquanto o álbum também permaneceu como número um no país. A Official Charts Company anunciou que Adele é a primeira artista a alcançar, ainda viva, a ter uma canção e um álbum como número um ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles em 1964.
O melhor dessa história toda de sucesso na minha opinião é que Adele se tornou um fenômeno de vendas sem precisar de coreografias rebolativas e nem letras de cunho sexual como alguma Divas do momento.
Canções como Rolling In The Deep, Someone Like You, Set Fire To The Rain e Lovesong (versão de música já gravada pela banda The Cure) impulsionaram as vendas de seus discos: 19 e 21, os números correspondem à sua idade na época do lançamento. Do dia para a noite, Adele deixou de ser uma branquela redonda e chorosa para se tornar, até agora, o maior fenômeno de vendas desse ano de 2011.
Desde 1990, quando Madonna lançou The Immaculate Collection, uma mulher não ficava em primeiro lugar por dez semanas consecutivas na parada inglesa. Adele foi lá e bateu a marca. Nos Estados Unidos, ela ultrapassou a soma de 1 milhão de discos vendidos e obrigou Lady Gaga, depois de Born This Way despencar 84% nas vendas de uma semana para outra, a disputar palmo a palmo a um lugar na parada de sucessos.
Seu álbum 21 foi produzido por nomes experientes do ramo, como Rick Rubin (Johnny Cash, Red Hot Chilli Peppers e The Gossip) e Paul Epworth (Cee Lo Green), 21 chegou ao topo como um elemento estranho, cercado por beldades como Rihanna, Shakira e Britney Spears. E deve se manter por uma mistura de talento e qualidade. Pedir autenticidade no soul de boutique que Adele canta já seria demais.
Como Adele funciona assim, a pessoa se apaixona pela sua voz e sim pelo seu visual também. A questão é que ela chama atenção de qualquer forma. Nunca peca nos modelitos, bem resolvida e segura de si varia entre vestidos e casacos de mangas 3/4, principalmente na linha A, túnicas, leggings e sapatilhas, e claro usando sempre um olhão estilo anos 60, sempre com seu indefectível delineador nos belos olhos e um coque vovózinha, elegante e com um ar retro em suas roupas, a diva se encaixa perfeitamente no estilo Lady Like, caprichando nos acessórios e no brilho. Seu tipo fisico , digamos , "fora dos padrões" da mídia não importa em absoluto, nem entra em mérito. Seu estilo super moderno e ao mesmo tempo vintage, as vezes lembrando estrelas do cinema francês dos anos 50. Eis aqui uma gordinha com muito estilo e muita voz.
Como ela mesmo disse: “ Não faço questão de lançar moda. A minha música é pra os ouvidos e não para os olhos. Vocês nunca vão me ver cantando de biquíni. ”
Ela que já foi rotulada de a nova Amy Winehouse, mas assim bem da verdade, afora as referências ao gênero musical e uma predisposição para tratar das próprias angústias em suas composições, são duas artistas distintas. Amy era sem rumo e dada a excessos e Adele é uma antimusa recatada.
A voz de timbre rouco e potente serve de suporte a canções com letras confessionais que por pouco não passam da conta no açúcar. Adele também se diferencia pelas influências, lançando mão de folk e rhythmn blues em suas composições. A maioria das letras da rechonchuda e linda Adele, fala de namoros fracassados e de dificuldades de adequação social. A cantora nunca negou que trate de sua vida nas canções. Tanto que deu margem a que um ex-namorado pensasse em processá-la, alegando direito aos royalties das faixas que teria inspirado. Loucuras à parte, O álbum 21 é um disco que confirma Adele entre uma das maiores expoentes da sua geração.
Adele homenageou Amy Winehouse em seu site oficial, afirmando que a conterrânea, encontrada morta no último sábado dia 23 de julho, pavimentou o caminho para artistas como ela, além de ter dado à música do país uma credibilidade há anos esquecida. Adele que já havia trabalhado com o produtor e músico Mark Ronson, que também fez parcerias com Amy.
“Acho que ela nunca percebeu o quão brilhante e importante era, mas isso só a tornava ainda mais charmosa. Até porque não são muitas as pessoas que fazem as coisas simplesmente por amor, sem rebuliço ou compromisso. Amy sabia do que era capaz. Quando queria fazer algo, fazia, e se não quisesse, dizia, foda-se”. Disse a cantora, que nos últimos meses liderou as paradas britânicas com seu último CD 21, cujas vendas já atingiram a marca de 10 milhões de cópias, a tornando principal nome da música britânica da atualidade. Adele e a banda The Wanted mantiveram suas posições no topo das paradas britânicas de álbuns e singles no último domingo dia 24 de julho, um dia depois que o mundo da música ficou de luto pela morte da cantora de soul Amy Winehouse.
Junto com a cantora americana Katy Perry, Adele lidera as indicações para a 28ª edição do Video Music Awards, VMB de 2011. A britânica tem sete indicações com apenas o clipe de Rolling in the Deep, incluindo as de melhores vídeos Pop, de Cantora e do Ano. A cerimônia que revelará os vencedores ocorre em 28 de agosto e será transmitida ao vivo do Teatro Nokia em Los Angeles, nos EUA. Só me resta desejar boa sorte para Adele, mas sei que ela não vai precisar. Vida longa à Adele!

Fonte: Papelpop.

sábado, 4 de junho de 2011

O mundo genial e suburbano do Arcade Fire





A BBC de Londres disse que The Suburbs, o novo e tão aguardado terceiro disco do grupo canadense, é indiscutivelmente melhor que Ok Computer, considerado a grande obra do Radiohead. Então, a galera foi à loucura. Os integrantes do Radiohead são considerados deuses do rock pra galera indie e Ok Computer é considerado o grande disco deles e talvez o melhor da história, então, se The Suburbs for realmente melhor, teremos o melhor disco da história. Então lá foi a galera escutar o disco esperando que “Empty Room” fosse a nova “Karma Police”, esperando que Win Butler tivesse tiques espásmicos como o Thom Yorke, e é óbvio que isso não aconteceu. O Arcade Fire tem muita identidade pra querer ser comparado a qualquer banda.
O Arcede fire começou em 2003 vinda do Canadá e no mais recente Grammy 2011 ganhou todos os prêmios, inclusive de álbum do ano, por The Suburbs, lançado em 2010, sucesso comercial e de crítica, mas a tríade sagrada de discos do Arcade Fire vem com os Cds: Funeral (2004), Neon Bible (2007). E todo mundo sabe que os dois primeiros são geniais. E The Suburbs não é melhor dos três.
O Arcade Fire, além de uma banda, é praticamente uma família. Win é casado com Régine e é irmão do Will. Gara, Neufeld, Parry e Kingsbury são como seus filhos adotados e essa família recebe constantemente a visita do amigo Owen Pallet. O ambiente perfeito, onde a melancolia de cada integrante só é sobreposta pelo amor. Amor à vida, amor por si mesmo e aos próximos. Um ambiente onde você pode se submeter ao medo e ao sofrimento, mas que alguém, na hora exata, vai estar lá pra te resgatar.
Em The Suburbs, os irmãos Butler resolveram contar suas vidas, a infância difícil e sobre a vida nos subúrbios. E pra contar essas histórias, além das magníficas orquestrações, a banda adicionou a crueza do rock e obscuridade dos synths. Uma mistura de Depeche Mode com Neil Young, como eles mesmos dissseram. O primeiro clipe oficial de "The Suburbs", a faixa-título do disco quem assina é o diretor Spike Jonze de filmes como: Quero ser john Malkovich, Três reis, Adaptação, Onde vivem os monstros etc. Seria esse o projeto secreto de Jonze com a banda, ou apenas um recorte de algo maior? O clima de ficção científica com adolescentes com suas brincadeiras que aos poucos ficam mais agressivas, é o clima que o clipe de Joke quer passar da banda para os fãs.
O disco é uma história e cada música se encaixa, montando um mosaico de nostalgias e sentimentos. As letras cheias de significado, carregam a melancolia de sempre, com fagulhas de esperança pra serem acessas.
Os destaques são as excelentes “Modern Man”, “Rococo”, “Empty Room” e “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”. Nessas quatro faixas vamos do som barroco de “Rococo” ao extremo pop com “Modern Man”.
O disco ganha pontos porque além de ser sincero e ousado, tem um apelo pop essencial, brincando com os estilos musicais sem perder a classe. A única ressalva, o único porém, é que a história de The Suburbs ficaria muito mais linda se a voz doce de Régine Chessagne aparecesse mais.
Sem mais elogios na ponta dos dedos, repito que esse, por enquanto, é o disco do ano e um dos maiores discos da história. E acredito que esse não é o clímax da carreira dos canadenses do Arcade Fire. Podem anotar, muita coisa melhor ainda virá.
Até porque hoje em dia não fácil se tornar um gênio hoje em dia, quanto maior a oferta de bandas, maior a competitividade pelo posto de “godlike genious” que as revistas britânicas gostam de oferecer em suas premiações anuais. Mas quem são esses gênios, afinal? O tal troféu sempre vai parar, com contradição, nas mãos dos coroas The Cure, Manic Street Preachers e até Joy Division.
Os gênios estão aqui, agora e na frente dos nossos narizes. Com os seus três discos lançados, o Arcade Fire se comporta com uma banda que tem muito mais história. Funeral, de 2004, é um dos melhores debuts da década passada; o conceitual e mais difícil é Neon Bible, gravado durante 2006 em uma igreja condenada no Quebec, passou longe da popular crise do segundo disco e, de quebra, apareceu com um dos projetos gráficos mais incríveis dos últimos anos. Se houvesse uma crise do terceiro disco, o septeto canadense também não se sentiria ameaçado.
The Suburbs não é um clássico, mas simplesmente porque os clássicos são definidos pelo tempo. Que tal a gente voltar nessa conversa daqui a dez anos? Quando o momento chegar, não duvide da presença do disco no ranking dos melhores da história.
Mais versos de Régine Chassagne e uma maior participação de Owen Pallett, vulgo Final Fantasy, responsável pelos arranjos de cordas do Arcade, não fariam mal a ninguém mas, quando os dois aparecem, haja coração. Os violinos frenéticos abafam a guitarra distorcida e o rock jovial de “Empty Room”, em que Régine, com versos tímidos em francês, consegue conquistar qualquer um com a frase “Toda minha vida é com você”.
Aos 30 anos, Win Butler soa saudosista em algumas faixas. Aliás, essa é a primeira impressão que o disco passa com “The Suburbs”, música carregada por uma baladinha no piano com cara de anos 60. O mesmo piano eficiente e, dessa vez, monotônico reaparece em “We Used To Wait”, mais uma composição que dá gosto cantar junto. Não pela primeira vez, o Arcade Fire se destaca como um grupo de letristas praticamente impecáveis.
The Suburbs não tem uma música mediana sequer a única coisa que você vai ouvir nele são hinos ainda não descobertos e, para te ajudar a descobrir isso, nada melhor do que ouvir o disco no shuffle/random algumas vezes. Em alguns casos, como “Rococo”, o termo “hino” pode ser levado ao pé da letra: não há como não pensar em um “estádio” e “Arcade Fire” são palavras que finalmente começam a combinar, como dá pra notar logo abaixo lotado por pessoas brandando o título da música, só com a base de cordas para sustentá-las.
As melhores composições não se concentram em um único pólo do disco. “Ready To Start”, que aparece logo no início, só encontra uma faixa à sua altura na segunda metade do álbum essa seria “Month of May”, primeira vez em que os canadenses se aventuram e marcam ponto fazendo rock cru, chiado e quase punk.

As investidas do septeto em uma pegada mais leve e doce, como a da inesquecível “Crown of Love” (Funeral, 2004), não falham.“Half Light” não é o ápice do disco, mas “Suburban War” compensa o que ela fica devendo. Alguns versos de “The Suburbs” reaparecem aqui, com uma nova melodia, acompanhados por notas de guitarra que podem te lembrar daquela música do Blink 182 . Régine chega a seu momento de glória com “Sprawl II (Moutains Beyond Mountains)”, em que lidera os vocais sobre uma balada totalmente inusitada, com cara de pop oitentista, mas que não chega a se encaixar nas pistas.
Os subúrbios vão indo embora em baixo tom com o segundo round de “The Suburbs”, mais curto e dramático, parecendo um desabafo choroso de um Win Butler mais nostálgico e criativo do que nunca: “Se eu pudesse ter de volta o tempo que desperdiçamos, sei que eu adoraria desperdiçá-lo novamente”.

Fonte: Rockinrollpress

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mais que uma simples lolita


O pai é alemão, o avô materno negro. Dessa mistura de raças surgiram os imensos e hipnotizantes olhos azuis e a boca carnuda de Bruna Linzmeyer, de 18 anos, que esta chamando a atenção da mídia por roubar a cena com o sucesso de sua personagem (Leila, uma estudante de moda) e tirar o fôlego dos telespectadores mais afoitos no horário nobre na novela Insensato coração. Nascida em Corupá, Santa Catarina, ela deixou a cidade aos 16 anos para tentar a sorte em São Paulo. Como modelo, percebeu que seu 1,61 metro não ajudaria. Resolveu focar na carreira de atriz. Um ano depois, o diretor Luiz Fernando Carvalho a descobriu e a convidou para Afinal, o que querem as mulheres? Minissérie em que vivia a sedutora lolita russa Tatiana Dovichenko. “Não vou ser uma Lolita, tenho capacidade para mais”, afirma, com voz de menina. A fama não a assusta. “Sou pé no chão”, diz a atriz, que gosta de andar por Copacabana, bairro que escolheu para morar no Rio de Janeiro. E sua vida amorosa também parece ir bem. Ela está namorando, o também ator Michel Melamed, de 34 anos.
Se Bruna Linzmeyer fosse Alice, aquela do País das Maravilhas, certamente faria o coelho correr atrás dela, e não o contrário como mostra a história de Lewis Carooll. Bruna diz que a Leila de Insensato coração tem aquela veia jovem de quem tudo quer num simples piscar de olhos. E que olhos! Nem vamos nos ater muito a eles. É que Bruna não gosta de ser apenas um par de olhos azuis. Sabe como é...Nos perturbadores olhos de Bruna, a inquietude inerente à idade está estampada a cada observação que faz da própria biografia. É de se espantar que a menina, até meio franzina, que chega com um exemplar de jornal embaixo do braço e cita Freud com a mesma desenvoltura com que fala de suas sandálias Havaianas, tenha mesmo acabado de sair da adolescência.
“ Estou sempre em conflito e isso me leva a vários lugares. Me deixo seduzir e seduzo a vida para que ela se apresente a mim da melhor forma. Sou movida por paixões, pelo que me encanta ” Tenta traduzir-se.
Bruna é cheia de metáforas, de frases construídas, de referências culturais quase manjadas para pseudointelectuais, mas deixa-se transparecer ao falar da infância em Corupá, quando gostava de subir em árvores, tomar banho de cachoeira, correr até a casa dos avós alemães ou ouvir os sábios segredos do irmão mais velho, que trocou o futuro de artista pelo de bancário. Daí você fica sabendo que esta bela menina-mulher esquece de marcar as consultas médicas, tem dificuldade em manter a casa organizada e descobriu um gosto por andar de chinelos que antes não tinha. A única rotina que aceita e gosta é a de gravar a novela e correr por aí.
“ Correr me traz sensação de liberdade, sinto meu corpo todo, aquele vento batendo, a música no máximo... Poderia mudar o mundo correndo” Define.
Todo Brasil se apaixonou aos poucos por Bruna e automaticamente por sua personagem forte, decidida e moderna que de menina suburbana que morava em Florianópolis no início da novela, voltou uma mulher totalmente repaginada e madura de Londres, com cabelos bem mais curtos e arrojados no estilo dark-punk de garotas londrinas. Esse estilo descolado e fashion tem virado grande referência de moda para muitas adolescentes atualmente.
“ Deixei de ser virgem aos 16 também, como a Leila, e foi tudo tranquilo ”. Limita-se a dizer.
Bruna só não encontrou ainda uma fórmula para aplacar a saudade. Pelo menos uma vez por mês, voa até a cidade natal para se reabastecer.
“ Preciso disso, estar perto da minha família me faz ter os pés no chão e perceber que, qualquer coisa que queira fazer, sempre poderei voltar para lá ”. Diz ela.
Por vezes, ouvindo Bruna discorrer sobre qualquer assunto, é fácil esquecer dos seus 18 anos. Mas basta uma resposta para ter certeza de que a moça de belos olhos e boca à la Angelina Jolie ainda tem estrada pela frente, pois tem sido muito elogiada e tem mostrado muita paixão pelo que faz. É uma garota inteligente que adora ler, além de possuir uma beleza única. Beleza que sempre se destacou desde de seu primeiro trabalho na tevê em Afinal o que pensam as mulheres? Bruna ficou praticamente nua em algumas cenas, fazendo subir a testosterona de muitos moçoilos por aí. Foi o que chamou a atenção da revista Playboy, que a quer em suas páginas mais breve possível, ótimo para os fãs de Bruna, que poderiam ver a moça como veio ao mundo na revista masculina, mas como eu disse poderiam vê-la nua, porque para a decepção de todos os mais assanhadinhos, a atriz que foi mesmo sondada pela publicação, mas não pretende negociar e nem pretende posar nua tão cedo. Poxa! Que pena! Que pena mesmo!

Fonte: Uol.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vade retro Bolsonaro!


Com essa cara de doido e essa frase: “Soldado que vai a guerra e tem medo de morrer é covarde”. O capitão do exército e deputado federal Jair Bolsonaro do (PP-RJ) diz estar pronto para uma guerra, no caso a luta vai ser para evitar uma possível cassação por quebra de decoro parlamentar depois de ter dado declarações racistas e homofóbicas na TV Bandeirantes. Bolsonaro participava do quadro “O povo quer saber”, do humorístico CQC, na segunda-feira 28, quando respondeu a pergunta da cantora Preta Gil, que indagara o deputado sobre como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. A resposta: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram bem educados. E não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”. E quando perguntado por uma telespectadora, se ele fosse convidado para sair num desfile gay, se iria? A resposta: “Eu não iria porque eu não participo de promover os maus costumes, até porque acredito em Deus, tenho uma família e a família tem que ser preservada a qualquer custo, senão uma nação simplesmente ruirá”.
E eu me pergunto: meu Deus qual o limite imunidade parlamentar? Pelo artigo 53 da Constituição diz que deputados e senadores não podem ser processados na Justiça por suas opiniões. Eita Brasil injusto hein? Esse cidadão não pode ficar impune. A liberdade de expressão é uma coisa, racismo e homofobia são coisa completamente diferentes. Cadê a OAB?
Preta Gil nesse história toda, deu o primeiro tiro. Afirmou via twitter que iria processar o deputado e argumentou, em tom de desabafo: “Sou uma mulher negra, forte e irei até o fim contra esse deputado racista, homofóbico, nojento”. A declaração de Preta Gil repercutiu e o assunto tomou forma na internet. Em questão de horas Bolsonaro já estava no topo do Trending Topics Brasil. Na terça-feira 29, a guerra já alcançava o Congresso com 20 parlamentares assinando três representações contra Bolsonaro. “Representamos ao Conselho Nacional de Defesa da Pessoa Humana, à Procuradoria Geral da República. Afinal, racismo não é crime? ” Escreveu o deputado Brizola Neto em seu blog.
A partir daí a situação para Bolsonaro passou a ficar tensa. Temendo perder o mandato, o deputado precisou levantar a bandeirinha branca. No seu site pessoal, o parlamentar divulgou “nota de esclarecimento”: “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay. O próprio apresentador, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, manifestou-se no sentido de que eu não deveria ter entendido a pergunta, o que realmente aconteceu.” A verdade é que Bolsonaro recuou porque ele sabe que racismo é crime, o que facilitaria uma cassação de mandato por quebra de decoro. Uma prisão é mais complicada, visto a sua imunidade parlamentar.
Na retaguarda virtual de Bolsonaro estão seus dois filhos, que também são políticos; o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado estadual Flávio Bolsonaro. Ao verem a tag #forabolsonaro nas primeiras posições do Trending Topics Brasil, os pimpolhos embarcaram na guerra para tentar recuperar a imagem do papai. Carlos Bolsonaro, o mesmo que defende a esterilização de mendigos, escreveu no twitter, em letras garrafais: “Papai mandou eu obedeço com muito orgulho. Se os filhos respeitassem os pais nos dias de hoje, certamente teríamos um país melhor! Continuem forçando a barra em cima do que não existe! No fim sairemos vencendo porque estamos do lado da verdade! ”. Embora mais contido, Flávio Bolsonaro involuntariamente complicava ainda mais situação. “ Vejam o vídeo com imparcialidade e vejam se há nexo entre pergunta e resposta? Claro que não! Não adianta quererem taxar o Bolsonaro de racista, sua história é sua maior defesa!”
Não é bem assim. A história de Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda. Vale conferir que o medo, agora, é inédito. O deputado é famoso por suas declarações homofóbicas e sempre sair ileso delas. Foram mais de 20 processos abertos contra ele na Câmara, mas nenhum capaz de punir o deputado. Sequer lhe enfraquecer a imagem. Nas últimas eleições Bolsonaro conseguiu se reeleger para o seu sexto mandato como deputado federal, pelo Rio de Janeiro, com mais de 100 mil votos. Foi o 11° mais votado do Estado. São mais de 20 anos de Congressos e uma ampla coleção de polêmicas das mais absurdas. Seu alvo predileto são os homossexuais. Em novembro do ano passado, Bolsonaro esbravejava em repúdio ao kit contra a homofobia, que visa combater a discriminação dentro das escolas públicas. “É um estímulo ao homossexualismo. É um incentivo a promiscuidade”, dizia. Em outra ocasião, o deputado sugeriu aos pais darem palmadas nos seus filhos para eles “aprenderem a serem homens”. “Se o filho começa a ficar meio gayzinho, leva um coro. Aí ele muda o comportamento dele”.
Em 2008, Bolsonaro era protagonista de uma das cenas mais lamentáveis da Câmara. Num bate-boca com a então deputada Maria do Rosário, hoje ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, o parlamentar empurrou e chamou a colega de “vagabunda”. Em outros momentos, taxou Lula de “homossexual”, Dilma de “assassina especialista em assalto e furto” e promoveu uma singela homenagem ao então presidente FHC: “durante a ditadura militar deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”. O golpe de 1964 impetrado pelos militares, para Bolsonaro, foi uma “revolução”. Chega a ser constrangedor em sua página pessoal na internet ele divulgar um editorial do jornal O Globo, escrito pelo finado Roberto Marinho, defendendo com amor o regime ditatorial. Garrastazu Médici, um dos mais sanguinários presidentes da ditadura, para o deputado, foi um “homem ético”.
Enfim, nem a história e nem o próprio Bolsonaro ajudam. Diante de toda a repercussão do caso envolvendo Preta Gil, Bolsonaro distribuiu entrevistas para vários portais e engrossou a rejeição à sua imagem. “Aceito meu filho ter relacionamento com qualquer mulher, menos com uma com o comportamento da Preta Gil. Quem é o pai dela? Gilberto Gil. Aquele que vive dando bitoquinha em macho por aí”, dizia ao site da Veja. Sem citar o nome do deputado Jean Willys, um dos que assinou a representação contra o parlamentar, Bolsonaro atacava: “Eu estou entrando agora com uma representação no Conselho de Ética, para que eu possa ser ouvido lá e acabe com essa polêmica. Ou eu vou deixar que um deputado homossexual, não sei se é ativo ou passivo, queira crescer em cima de mim?”
O caminho para uma cassação não é curto. E, diante do histórico de impunidade no Congresso, além de longo, de difícil êxito. Para se ter idéia, o corregedor responsável pelo encaminhamento da representação ao Conselho de Ética é Eduardo da Fonte, partidário de Bolsonaro. Cabe a Fonte enviar ou não o processo. Só depois de encaminhado é que poderá ser aberto um pedido de cassação. E pedido é o que não falta. Na quarta-feira, dia 30, a OAB-RJ entrou com um processo contra o deputado e há na internet um abaixo-assinado com mais de 82 mil assinaturas pedindo a cassação do mandato do parlamentar. A petição intitulada "Proteja o Brasil do Bolsonaro" está em todas redes sociais.
Aos que acham que ele tem todo o direito de discordar, um aviso: liberdade de expressão tem de existir, sim. Mas não se pode dizer impunemente, em rede nacional, coisas como estas. Até para isso há limite. Uma vez que se descamba para apologia ao racismo, por exemplo, deixa-se de ser uma opinião. Torna-se crime. O mesmo se aplicaria a homofobia, mas infelizmente políticos como Bolsonaro atrasam a lei que criminaliza o ódio e a violência contra homossexuais automaticamente atrasam o país. Ainda que de uma maneira que não tenha agradado a todos, o “CQC” fez bem, sim. Mas poderia ter feito bem antes, mas antes tarde do que nunca. E chega de Bolsonaro na TV. E porque não mandar esse senhor pra puta que pariu ele? Vade retro satanás! Ou melhor: vade retro Bolsonaro!

Fonte: Colunistas do IG

domingo, 20 de março de 2011

Efemeridade

Hoje vou melhorar para amanhã ser melhor
O tempo pode passar depressa demais
Não sou de deixar nada pra depois
Não sou muito de paciência
Impaciente falha humana
Tudo pode mudar
Tudo pode não chegar
O último dia
Uma última chance
O presente já passou
O futuro já existe
Na efemeridade primitiva do mundo
Onde Saturno e Cronos se confundem
Nunca temos todo o tempo do mundo
O tempo corre só enquanto há vida
A vida deixa sempre uma obra
A calma, a dança, a loucura, a cura
Obras-primas de uma vida
Numa vida breve que se encurta
Curto fio que encerra o fim dos dias.

(Codinome Pensador)

segunda-feira, 7 de março de 2011

E o Oscar foi para...


Quando a atriz Natalie Portman recusou aos dez anos de idade ser modelo para se dedicar a sua carreira cinematográfica, nem imaginava que neste ano de 2011 ganharia o Oscar de melhor atriz, por sua elogiadíssima atuação no filme dark-psicológico Cisne Negro do cineasta cult Darren Aronofsky, onde interpreta uma bailarina escalada para o papel principal do balé O lago dos cisnes de Tchaikovsky, só que essa novo panorama gera toda uma enorme obsessão e esse sonho se torna um pesadelo.
Para Nina, a personagem de Natalie, interpretar o Cisne Branco, não é um problema. Ela, afinal, partilha com a personagem suas qualidades metódicas e virginais, é pura, inocente e encantadora. O desafio é o Cisne Negro, a encarnação da sensualidade e da sedução. Se ele quiser estampar o cartaz da companhia, agora que a primeira bailarina foi aposentada, Nina terá que superar seus medos e como a protagonista do balé, transformar-se. Mas o brilhantismo e o mérito de Natalie está na forma que ela usa a superação da personagem aos limites físicos e barreiras psicológicas de maneira literal. Refém da perspectiva de Nina, é visivel acompanhar a desintegração da sua sanidade enquanto ela enfrenta a pressão do diretor, a superproteção da mãe e a chegada de uma excitante bailarina concorrente. Natalie entregou-se totalmente à personagem, perdeu peso e até aprendeu a dançar, mesmo que ainda que em vários momentos tenha sido ajudada pelas suas dublês. Natalie está impecável. Tão perfeita que pra mim, que adorei o filme, foi até covardia ela participar da premiação do Oscar deste ano. Os sentimentos de Nina são visíveis a cada olhar, cada movimento que a atriz leva o filme de 108 minutos sem pressa, sem exagero e todo o seu esforço no final é simplesmente sublime.
Nascida Natalie Hershlag em Jerusalém, mudou-se para os Estados Unidos com apenas 3 anos de idade, judia, vegetariana, formou-se em Psicologia na Universidade de Harvard. Mas foi aos doze anos que estreiou ao lado do ator Jean Reno, no filme O profissional de Luc Besson, que foi um sucesso e revelou Natalie para o mundo, participando desde de então de dezenas de filmes e trabalhando com os mais prestigiados diretores como: Woody Allen em Todos dizem eu te amo, Tim Burton em Marte ataca!, George Lucas em três episódios da série Guerra nas estrelas, James McTeigue em V de Vingança, Milos Forman em Sombras de Goya, Anthony Minghella em Cold Mountain, Mike Nicchols em Closer- Perto demais, que lhe deu uma indicação em 2005 ao Oscar de melhor atriz codjuvante mas perdeu para atriz Cate Blanchett como a elegante Katharine Hepburn no filme O Aviador de Martin Scorsese.
Cisne Negro é definitivamente a consagração da carreira de Natalie Portman aos 29 anos. Que emocionada ao receber a estatueta dourada das mãos do também oscariado ator Jeff Bridges, vencedor do Oscar de melhor ator em 2010, pelo cantor country alcoólatra do filme Coração Louco. Ela fez questão agradecer aos pais: "Obrigada aos meus pais, que me deram a vida e a oportunidade para trabalhar no que mais amo", afirmou a atriz que está grávida de cinco meses, agradeceu também ao futuro marido, o bailarino Benjamin Millipied, autor das coreografias do filme: “Ao meu amor lindo, Benjamin, que me deu o mais importante papel da minha vida.” Disse Natalie.


Assim como Nathalie Portman ganhou o prêmio de melhor atriz, o ator britânico Colin Firth, foi o grande agraciado com o prêmio de melhor ator no filme o Discurso do Rei por seu desempenho como o Rei George VI, que vem a ser pai da rainha Elizabeth II, e de sua ascensão de Duque de York à rei da Inglaterra, depois da morte de seu pai o Rei George V e da renúncia de seu irmão, o Rei Edward VIII.
O filme O Discurso do Rei mostra o que acontece em um dos momentos em que a Inglaterra mais precisava, às vésperas da 2ª Guerra Mundial, o Rei não conseguia falar em público pois tinha ataques fortíssimos de uma insuportável gagueira. Entra na estória, então, Lionel Logue papel do sempre excelente ator Geoffrey Rush, um fonoaudiólogo pouco convencional que consegue mostrar progresso no tratamento do rei, que já havia passado pelas mãos de dezenas de outros especialistas. Essa relação do Rei com o excêntrico fonoaudiólogo que dá origem a diversas situações, questionamentos e descobertas, constituindo uma base forte e interessante de todo o filme.
E mostrar os desdobramentos dessa relação de forma plena e cuidadosa é algo que o diretor Tom Hooper consegue com maestria, apesar de ser um novato e com uma filmografia de apenas três filmes, Tom Hooper foi o ganhador do Oscar desse ano e levou para casa o prêmio de melhor diretor. Hooper consegue guiar em seu filme tudo com muita naturalidade, sem cortes excessivos, sem takes ousados, com uma fotografia objetiva e movimentos de câmera discretos. Esse é, talvez, o grande mérito do filme, ser emocionante sem ser piegas, ser burocrático sem ser desinteressante, ser tocante sem ser forçado, ser sutilmente engraçado sem ser brega e ser dramático sem exageros, tudo isso bem ao gosto do jeitinho inglês de fazer cinema.
Eu achei a estória do filme interessantíssima e claro que pouco conhecida, eu não conhecia esse aspecto íntimo ao mesmo tempo que teve grande reflexo na História, considerando o sofrimento dos ingleses durante esse período e a resistência deles aos avanços de Hitler, algo que o resto do Ocidente demorou ainda mais para perceber. E é assim que o filme O Discurso do Rei se torna na minha opinião bastante emocionante e engajante.
Colin Firth está sensacional como o Rei George VI, porque ele consegue passar humanidade, dignidade, medo, inteligência, todas essas expressões apenas com o olhar. Ele se entrega de corpo e alma ao papel, assumindo um verdadeiro rei de forma tragicômica em toda suas nuances, gestos, fala e expressões e comandando todas as cenas em que aparece sem precisar ser a tal figura imponente que está representando no filme. Além disso tudo, ele é gago. Mas não é um gago clichê. Ele é um gago atormentado, aterrorizado mesmo.
O Discurso do Rei não é apenas um filme que mostra aparentemente um simples discurso de um rei que não conseguia superar a gagueira, mas mostra muito mais que isso, mostrar sim que o poder da palavra pode mudar um país, pode confortar um povo em seus mais difíceis momentos e pode trazer esperança, união e paz.
Colin Firth, que vai fazer 51 anos em setembro, ganhou fama na série de televisão Orgulho e Preconceito em 1995 e passou a ser admirado e cobiçado pelas mulheres, de tal forma que foi adquirindo prestígio para ser catapultado ao cinema onde atuou em filmes premiados como: O Paciente Inglês, Shakespeare Apaixonado e cults como: Apartamento Zero e Valmont, mas o estrelato veio mesmo com o popular: O Diário de Bridget Jones de 2001, contracenando com Renée Zellweger e Hugh Grant, em 2008 participou da adaptação para o cinema do musical Mamma Mia!, grande sucesso de bilheteria tendo no elenco a consagrada Meryl Streep. Em 2010, obteve sua primeira indicação ao Oscar na categoria de melhor ator pelo filme O Direito de amar em que atuou ao lado de Julianne Moore. E para muitos críticos a premiação com o Oscar de melhor ator para Colin Firth, é muito merecida e faz justiça por ele ter perdido ano passado o prêmio com o filme O Direito de amar. Filme este que mostra um Colin Firth com uma atuação irrepreensível e inesquecível, como um professor homossexual retraído que fria e organizadamente planeja seu suicídio. A entrega do ator é tão grande no filme, que às vezes faz de seu personagem em alguns momentos a única coisa palpável do filme.
E que venham outros filmes para nos emocionar e prêmios para engrandecer esses que são considerados, a melhor atriz e melhor ator de 2011 .

(Codinome Pensador)