sábado, 28 de fevereiro de 2009

Todo carnaval tem seu fim

Todo dia um ninguém José acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o Zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer mas o dia insiste em nascer
pra ver deitar o novo.

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim.

Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz.

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
Pra põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz.

(Los Hermanos)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ele é estranho porque é bom ou ele é bom porque é estranho?


Ele é estranho mas é muito bom de ouvir, suas performances são altamente excêntricas, suas roupas esquisitas e sua voz é completamente incomum. A descrição pode parecer usual quando o assunto é música pop, mas desta vez estamos falando de uma figura realmente rara, que chegou para abalar a mesmice e o conservadorismo do cenário pop mundial.
Trata-se de Antony Hegarty, 34 anos, vocalista do grupo Antony and The Johnsons, que está fazendo a cabeça dos antenados ao redor do mundo.
Pode-se dizer que Antony é uma mistura exótica de Peter Gabriel, Boy George, Nick Drake, Nina Simone e Otis Reading. Seu visual altamente andrógino chega a enganar os desavisados, mas o melhor de tudo é que ele faz uma música deliciosamente poética e melancólica.
Engana-se, porém, quem pensa que toda essa extravagância faz parte de um golpe de marketing para lançar mais um grupelho qualquer. Ela pode até contribuir para aumentar as vendas, mas o verdadeiro trunfo de Antony está mesmo em sua voz. Diferente, ela oscila entre graves sombrios, trêmulos profundos e agudos lânguidos, quase femininos, além de possuir uma carga dramática capaz de marejar olhos. Algo raríssimo na música pop de hoje em dia.
Hegarty mora há anos em Nova York, lugar escolhido por seus pais assim que deixaram a Inglaterra . Quando chegou à cidade, nos idos de 1990, não passava de um adolescente inglês tímido e deslocado. Logo se infiltrou no circuito gay e underground da metrópole americana e aventurou-se por cabarés e companhias independentes de teatro. Daí, para se juntar com amantes do blues, jazz, música alternativa e formar uma banda, foi um pulo.
O CD lançado em 2005 habita até hoje de 10 entre 10 Ipods de modernosos por aí chama-se I Am a Bird Now, e é o segundo da banda. O primeiro, auto-entitulado, foi lançado em 2000 e por incrível que pareça, passou despercebido. Aliás, o sucesso demorou a chegar. Em recente entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o cantor diz que, durante muito tempo sofreu grande preconceito e sentiu-se marginalizado. “Acho que hoje em dia uma janela na área de cultura se abriu, as pessoas se sentem atraídas por músicas que sejam expressivas, emocional e fisicamente falando” diz. “Tenho a sensação de que as pessoas estão finalmente acordando. Estão finalmente começando a chacoalhar esse sentimento opressivo de cinismo e consumo desenfreado que têm nos mantido reféns ultimamente.” completa otimista.
O estrambótico de hoje foi descoberto pelos estranhos de outrora. Foi graças a Lou Reed (ex-Velvet Underground) e Laurie Anderson (musicista e performer) que o mundo teve a oportunidade de conhecer Antony and The Johnsons e sua música. Entre seus fãs estão ícones como David Bowie, Bette Middler e Boy George, Leonard Cohen, influência direta de Hegarty, que o convidou a participar do disco, cantando a belíssima ‘You Are My Sister’. Também contribuem no CD Rufus Wainwright, Devendra Banhardt e o “padrinho”, Lou Reed, que toca guitarra na comovente ‘Fistful of Love’.
Não fugindo muito ao padrão, a capa de I Am a Bird Now também faz referência a figuras incomuns e marcantes do ambiente pop. Ele traz a foto de Candy Darling, musa da lendária Factory, estúdio do artista-plástico e pai da pop art, Andy Warhol, “em seu leito de morte”, como está definido nos créditos. Os destaques do trabalho são as já citadas ‘You Are My Sister’ e ‘Fistful of Love’, ‘My Lady Story’, ‘For Today I Am a Boy’, ‘What Can I Do’, entre outras.
O álbum tem fortes influências de soul, jazz clássico e blues, tudo muito bem embrulhado numa levada pop atual, mas com um sofisticado e irresistível ar retrô. O CD levou o troféu de melhor álbum do ano no Mercury Prize de 2005, principal prêmio da indústria fonográfica britânica. Realmente, para sentir a música de Antony and The Johnsons em sua totalidade, só ouvindo mesmo. E nesse seu estilo bem peculiar Antony Hergaty lançou seu terceiro álbum ano passado, com uma certa extravagância mas sem perder a ternura jamais. Em The Crying Light sua genialidade está mais própria e madura, reduziu um pouco a dramaticidade que fez no seu álbum anterior I'm A Bird Now uma verdadeira obraprima. The Crying Light chega com sabor de sarau intimista ao redor de uma fogueira, com som baixinho e muita poesia. É um Antony mais recatado, mas ainda assim doce e emocionante.

Fonte: site G1

Os melhores de 2008

Os 15 melhores filmes lançados no ano passado, dentre os exatamente 331 títulos que desembarcaram em nossos cinemas, incluindo relançamentos e novas produções. Foram citados 47 longas-metragens, dos mais diversos gêneros. Listagem final realmente representa aquilo que os editores de cinema consideram como o melhor da safra que passou. Vamos a eles:

1°- Onde os Fracos Não Têm Vez
2°- Sangue Negro
3°- WALL·E
4°- Batman - O Cavaleiro das Trevas
5°- Na Natureza Selvagem
6°-O Escafandro e a Borboleta
7°-Desejo e Reparação
8°- Persépolis
9°- Linha de Passe
10°- 4 Meses, 3 Semanas e 2 dias
12°- Vicky Cristina Barcelona
13°- Queime Depois de Ler
14°- O Orfanato
15°- O Caçador de Pipas

Todo mundo sabe que música, é o que não falta, e durante todo o ano de 2008, já fizeram e fazem grandes sucessos diferentes ritmos e estilos de músicas. Por isso, se você quer saber quais são as melhores músicas de 2008, então de uma olhada no top hit das 15 mais:

1°- Rihanna - Don’t Stop The Music
2°- Ida Corr - Let Me Think About It
3°- Cezár Menotti e Fabiano - Ciumenta
4°- Fresno – Uma música
5°-Madonna e Justin – 4 Minutes
6°-Alex Gaudino – Destination Calabria
7°- Aviões do Forró – Chupa que é de uva
8°- Sharon – Dança do Quadrado
9°- Badado Novo – Extravasa
10°- James Blunt - Same Mistake
11°- Kasino – Clap yor Ramps
12°- NX Zero – Cedo ou Tarde
13°- Grupo Tradição - Quem mandou largar de mim
14°- House Boulevard - Set Me Free
15°- Jeito Moleque - Teu segredo

Dentre as melhores leituras de 2008 segundo alguns críticos estão livros excelentes, bons, regulares e ruins. Surgiu assim os 15 melhores livros do ano que passou. O principal critério de classificação está naqueles que mais influenciaram o pensar, o falar e principalmente, o escrever desses críticos muito atentos as novidades literárias. São pérolas que trazem não só boas histórias, mas bons contadores de histórias, onde o mais importante não é o que se conta, mas como se conta. Abaixo segue a lista dos livros que fizeram cabeça de muitos em 2008 e que com certeza levariam para uma ilha deserta.

1°- Jó: romance de um homem simples ( Joseph Roth)
2°- Acenos e afagos (João Gilberto Noll)
3°- A menina que roubava livros (Markus Zusak)
4°- Crônica de uma vida de mulher (Arthur Schnitzler)
5°- Flores azuis (Carola Saavedra)
6°- História do pranto (Alan Pauls)
7°- A saga do mentiroso (Jeremy Campbell)
8°- Lua Nova ( Stephenie Meyer)
9°- Comer, rezar e amar (Elizabeth Gilbert)
10°- Veneno remédio: o futebol e o Brasil (José Miguel Wisnik)
12°- Putas Assassinas (Roberto Bolaño)
13°- Ontem não te vi em Babilônia (Antônio Lobo Antunes)
14°- O maníaco do olho verde (Dalton Trevisan)
15°- O sol do Brasil ( Lilia Moritz Schwarcz)

Fonte: site Yahoo.com

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Gosto

Gosto quando abres minha porta e
deslizas no meu corpo.
Gosto quando invades meu âmago e
cintilas minha alma.
Gosto quando transcendes meu gemido e
aqueces meu suor.
Gosto quando falas sem sentido e
deslumbras meu pensar.
Gosto quando pensas em loucura e
me arranhas a idéia.
Gosto quando vibras meu sorriso e
ofuscas minha tristeza.
Gosto quando tocas meu orgulho e
iluminas minha noite.
Gosto quando ousas em partir e
me satisfazes outra vez.
Gosto quando tragas meu desconfiar e
me desabas teu afeto.
Gosto quando estimas meu prazer e
vociferas meu corpo.
Gosto quando fechas teu olho e
me abres teu caminho.
Gosto quando fazes o que quero e
tranformas minha vida.
Gosto quando faço o que queres e
te devolvo o que cedes.

(Codinome Pensador)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Vida e morte de Bettie Page





"Bettie Page personificou o estereótipo dos anos cinquenta e a sexualidade escondida por baixo da superfície" Disseram as autoras Karen Essex e James L. Swanson no livro "Bettie Page: A vida de uma lenda das pin-ups", de 1996.
Bettie Mae Page nasceu em 22 de abril 1923, em Nashville, foi mandada para um orfanato com mais duas irmãs depois que o pai dela foi preso. Page descrevia seu pai como um "monstro sexual" que começou a molestá-la aos 13 anos de idade.
Formada em artes, ela fez seus primeiros trabalhos como modelo nos anos 1940, após mudar-se para San Francisco.
A modelo e atriz Bettie Page, cujas fotos eróticas popularizaram o termo "pin-up" nos anos 50 e ajudaram a desencadear a revolução sexual dos anos 60, morreu 2 de janeiro de 2008, de pneumonia em Los Angeles, aos 85 anos.
A partir de 1950, Bettie Page passou a ser a modelo mais fotografada do mundo, especialmente de biquíni e lingerie. Em janeiro de 1955, chegou ao ápice da carreira, ao se capa da rvista Playboy transformando-se em celebridade. Sua imagem virou febre e foi estampada desde cartas de baralhos à álbuns de figurinhas. Na época, seus pôsteres sensuais decoravam os quartos dos jovens (daí a origem do termo "pin-up", isto é, fotos antigas de mulheres para se pendurar na parede, que ganharam esse nome por se destinarem a algo como "espetado").
Page foi considerada uma das mulheres mais sensuais nos anos 50 e chegou a ser considerada pelo criador da revista Playboy, como a modelo do século por seu ensaio em 1955.
"Ela capturou a imaginação de uma geração de homens e mulheres com seu espírito independente e sua sensualidade sem vergonha. Ela era a encarnação da beleza", disse Hugh Roesler (criador da revista Playboy).
Suas fotografias com pouca roupa chocaram a sociedade americana antes da revolução sexual dos anos 60.
Mais tarde, Page passou décadas longe dos holofotes, lutou contra uma doença mental e se tornou uma cristã convertida. Ela voltou à cena na década de 90, ao conceder algumas entrevistas, nas quais se recusava a ser fotografada.

Fonte: Revista Playboy

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Salvador Dalí
















"O verdadeiro pintor é aquele capa de pintar

cenas extraordinárias em meio a um deserto vazio.

O verdadeiro pintor é aquele capaz de pintar

pacientemente uma pera cercado dos

tumultos da história."

(Salvador Dalí)

Eu vi. Filme: Quem quer ser um milionário?

Sinopse: Jamal K. Malik (Dev Patel) é um jovem que trabalha servindo chá em uma empresa de telemarketing. Sua infância foi difícil, tendo que fugir da miséria e violência para conseguir chegar ao emprego atual. Um dia ele se inscreve no popular programa de TV "Quem Quer Ser um Milionário?". Inicialmente desacreditado, ele encontra em fatos de sua vida as respostas das perguntas feitas.

Ficha Técnica: Direção:Danny Boyle/ Ano de Lançamento (EUA / Inglaterra): 2008/ Título Original: Slumdog Millionaire/ Gênero: Drama/ Elenco: Dev Patel (Jamal K. Malik)
Ayush Mahesh Khedekar (Jamal K. Malik - criança), Tanay Chheda (Jamal K. Malik - jovem), Freida Pinto (Latika),Rubiana Ali (Latika - criança),Tanvi Ganesh Lonkar (Latika - jovem), Madhur Mittal (Salim), Azharuddin Mohammed Ismail (Salim - criança), Ashutosh Lobo Gajiwala (Salim - jovem).

Premiações: Recebeu 10 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Som e Melhor Edição de Som.
Ganhou 4 Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.
Ganhou 7 prêmios no BAFTA, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Ator (Dev Patel), Melhor Atriz Coadjuvante (Freida Pinto) e Melhor Direção de Arte.

Curiosidades: Os cachês dos três atores mirins que protagonizam o filme foram depositados em um fundo, para que sejam apenas retirados quando completarem 16 anos. Além disto os produtores se responsabilizaram pela contratação de um motorista que os levará ao colégio todos os dias até que cheguem à mesma idade.
O ator que autografa a foto para Jamal ainda criança é o verdadeiro Amitabh Bachchan, que apresentava a versão indiana do programa de TV "Quem Quer Ser um Milionário?".
A poça de fezes exibida no filme foi feita a partir de um combinado de manteiga de amendoim com chocolate.
A Mercedes-Benz pediu que sua logomarca fosse retirada dos carros que são vistos nas cenas em favelas no filme, por acreditar que sua presença prejudicaria a imagem da empresa.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sob o signo de libra

Sob o olhar de libra
Ficou mais fácil de achar o meu caminho

Sob o signo de libra
O amor me mostrou toda a sua grandeza

Signo de ar que tira meu ar
Tirou de mim: dias comuns, noites iguais, horas em vão

Signo da balança
Equilibra meu corpo e a brasa incandescente do meu prazer

Sob signo de libra estão as estrelas do meu céu zodiacal
Ursa maior, Cassiopéia, Orion: dançam na imensidão

Signo de Librium
Faço em ti o meu lar

Com o sétimo signo
Descobri a diferença entre amor, desejo e paixão

Sob o signo da balança
Sustento o sossego de minha alma para dormir e sonhar

Sob o olhar de libra
Me encontrei em forma de poesia

Sob o signo de libra
Descobri o que é amar.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Conjugação

Sou o escárnio que te persegue
Sou a saga sangrenta da sua cútis
Sou o seu deja vú.

Deixe-me sorver seu néctar
Deixe-me ser sua lenticela
e como uma ponte
permito-me ser caminhado.

Solte-se livre feito esporo
Sinta-se leve feito pólen
e como um feto
permita-se ser amado.

(Codinome Pensador)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Além do bem e do mal

O belo pode ser simples
O simples pode ser belo
Além dos olhos
Um firmamento
Metafísica

Schopenhauer
E a coisa-em-si
O tempo e o espaço
Um poema superior
Parerga e Paraliponema

Uma realidade
Um pensamento
Além do irracional e do amor
Só resta a razão
Para compensar a dor

Um fingimento
Um espírito elevado
Uma sabedoria sublime
Schopenhauer
Filósofo da dúvida

Frio, pessimista
Virtudes não ensinam nada mesmo
O essencial
Suprema felicidade
Conhecimento de nós mesmos

Dois caminhos
Dentro de nós
Além do bem e do mal
Um louco, um gênio
Schopenhauer.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Infelizmente ninguém pode ser Benjamin Button.

Só a saudade faz as coisas pararem no tempo
Infelizmente o tempo não pára
Tempo, tempo, tempo, tempo...
É a ordem natural de tudo
Oh! Cronos pai de Zeus tenha piedade de nós!
Te ofereço elogios, te ofereço rimas ricas

Quantas vidas vou ter que viver ainda?
E colher a fruta da árvore da juventude
Não importa agora, tenho longos anos para não pensar na idade
Jovens tem o seu próprio tempo
Jovens tem tempo pra aprender
Jovens tem páginas ainda a escrever

Em quais das sete idades estou?
Qual a idade do universo?
Oh! dúvida cruel!
Talvez eu não esteja na flor da idade
Talvez eu não envelheça aos 18 e não rejuvenesça aos 80

Infelizmente ninguém pode ser Benjamin Button.

Vai chegar um tempo da cor grisalho-acinzentado
O espírito envelhece?
A velhice é um estado de espírito?
Velhice são as quatro estações
Velhice são os que vencem todas as gerações
Velhice são os que vêem a paisagem adormecida de uma vida longínqua.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Namastê pra você!!!


Namastê é o cumprimento em sânscrito que usamos no final da prática e significa “a minha essência saúda a sua essência” ou “O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você”. Essa saudação invoca a percepção de que todos compartilhamos da mesma essência, da mesma energia e, portanto, não há distinção ou competitividade entre os praticantes. Aprendemos a ver nos outros um reflexo de nós mesmos: alguém que também chora, ri, sofre e ama como nós. Assim, desenvolvemos a compaixão e a conexão com tudo o que nos rodeia.
Utiliza-se na India e no Nepal por Hindus, Sikhs, Jainistas e Budistas. Nas culturas indianas e nepalesas, a palavra é dita no início de uma comunicação verbal ou escrita. Contudo, o gesto feito com as mãos dobradas é feito sem ser acompanhado de palavras quando se despede. No yoga, namaste é algo que se dirá ao instrutor e que, nessa situação, significa “sou o seu humilde criado”.
Ainda quando saudação, um "namastê" pode ser dito com as mãos juntas em frente ao tórax com uma ligeira curvatura. Para indicar profundo respeito, pode-se colocar as mãos em frente a testa, no caso de reverencia à um deus ou santidade, coloca-se a mão completamente acima da cabeça.
Namaste é também usado como um cumprimento na comunicação escrita, ou geralmente entre pessoas que se conhecem.
Em algumas partes da India o "namastê" é usado não somente para cumprimentar Hindus mas para todo mundo. As saudações completas para Muslims são Assalamu Alaikum e para Sikhs é Sat Sri Akaal. Mas "namaste" é aceitado em todas religiões.
Entretanto, no Sri Lanka, esta comumente tem um significado diferente. O gesto é usado para saudar (bem como se despedir) de pessoas com o verbo "Aayubowan". Aayubowan significa de forma aproximada, "que você tenha uma longa vida". Quando usado em funeráis para cumprimentar os convidados, a parte verbal é geralmente omitida. O gesto aayubowan é também um símbolo cultural do Sri Lanka e da hospitalidade cingalesa. Este também é usado por comissários de bordo cingaleses para cumprimentar os passageiros e em outros sinais de hospitalidade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A guerra

Para dar certo, Istoé, errado, uma guerra precisa de um inimigo, algumas armas e muita raiva

Devido ao grande interesse que a guerra vem suscitando através dos tempos, observamos que muita gente fala realmente da guerra sem saber exatamente da sua história. Para esclarecer aos interesses fizemos um pequeno levantamento que passamos a transcrever para melhor elucidação do assunto. A guerra foi inventada pouco antes da Idade Média por um obscuro filósofo da península Ibérica, Giovanni Guerra, e passou imediatamente a se chamar guerra em sua homenagem. A primeira vez que Giovanni Guerra demonstrou sua invenção para o rei Luigi, o Louco, assim chamado exatamente por causa da sua mania de ser rei, apesar de ser mulher e mãe de cinco filhos, várias pessoas morreram e o rei ficou furioso, ordenando que Giovanni levasse aquela invenção para fora das fronteiras do seu reino. Estava assim criada a primeira guerra entre dois reinos, já que o rei vizinho, Giacommo, o Louro, um moreno teimosíssimo, tomou aquilo como uma ofensa pessoal e revidou.

Evidentemente, o pequeno jogo de guerra, como Giovanni o chamava, foi se aperfeiçoando pelos anos afora e seu inventor jamais supôs que se iria aos requintes bélicos dos botões. Em síntese, quando começou eram apenas estes os requisitos para uma boa guerra:

1 – Um inimigo: Sem um inimigo dificilmente se fará uma boa guerra. As pessoas vão acabar simpatizando entre si sem atacar ninguém. A não que se trate de uma guerra civil, em que as pessoas, sem a menor cerimônia, se matam na sua própria língua.

2 – Raiva: Com raiva a guerra é feita muito mais facilmente, já que quem ganha a guerra é quem liquida o maior número possível de inimigos. Um dos dois lados em guerra sempre ganha e outro sempre perde. É praticamente impossível empatar uma guerra.

3 – Armas: Sem elas as guerras não passam de vulgares escaramuças. De preferência, as partes interessadas na luta devem usar armas do mesmo porte. Ex: canhão contra canhão, canivete contra canivete. Nunca usar canivete contra canhão, senão a guerra acaba logo.

4 – Espiões: Perfeitos para aumentar o período de duração das guerras. Devem sempre fornecer informações de um inimigo para outro. Já que dificilmente essas informações serão corretas, os conflitos ficarão por isso mesmo mais conflituados.

5 – Roupa: Último e mais importante requisito de todos. Sem roupas as pessoas teriam de guerrear nuas, que seria imediatamente considerado imoral, ficando a guerra proibida.

Por este pequeno apanhado sentimos imediatamente a genialidade do inventor, homem sempre preocupado com seus semelhantes, ou melhor, com a maneira de eliminá-los. Devido a seus esforços e ao sucesso que alcançou sua invenção, só resta pedir que concedam, a título de postulo, a Giovanni Guerra, o Prêmio Nobel da Paz.

(Jô Soares)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Divas doidas demais




A cantora britânia Amy Winehouse vem causando muita polêmica com suas loucuras. Uma das melhores cantoras da atualidade está a degradar-se aos olhos de toda gente e cada vez vai fazendo coisas piores.
Amy, que começou sua carreira brilhantemente, vencedora de vários Grammys, está indo pro fundo do poço, cada vez mais surta nas ruas, está extremamente magra, perdendo dentes e para ter uma idéia de suas loucuras, a cantora já foi flagrada fazendo suas necessidade fisiológicas no meio da rua completamente drogada, sem contar que alguns reportes e até mesmo alguns fãs já foram suas vítimas. Também, Amy Winehouse já foi fotografada bêbada, fazendo xixi na sua próprio roupa e vomitando nas pessoas que estavam em sua volta. Enfim, Amy extrapolou os limites e sua loucura que começa a beirar o ridículo. Amy Winehouse que é um dos poucos talentos unânimes revelados pela música em anos, tanto da parte da crítica como de público. E por isso, faz tanto sucesso entre nós aqui no Brasil e no mundo. Dona de uma voz irreverente, delirante, inebriante. Então, depois de todos esses argumentos, quem ainda pensa em salvar a música de Amy Winehouse? Será que vamos nos cansar dela e mandá-la para o inferno? E que se lasque de uma vez… Ou Save Amy Winehouse? Vamos torcer pelo melhor dela, até porque a esperança é a última que morre e se Deus quiser Amy não vai morrer tão cedo.

Aos 12 anos Billie Holiday foi trabalhar lavando chão e fazendo faxina em um prostíbulo. Morando só ela e a mãe e sem parentes próximos para ajudar, Billie começou a se prostituir e antes dos 20 anos já tinha sido fichada e presa por prostituição.O dinheiro não era suficiente para pagar o aluguel e mãe e filha foram ameaçadas de despejo por falta de pagamento.
Billie então foi se oferecer como dançarina em um local noturno. Foi um verdadeiro fiasco, pois ela não levava o menor jeito pra dança, mas o pianista ficou tão impressionado e penalizado, que perguntou se pelo menos ela sabia cantar.Conseguiu o emprego e após 3 anos cantando em bares noturnos, grava seu primeiro disco, com a orquestra de Benny Goodman.
As coisas melhoraram e ela canta e grava com Duke Ellington, Ted Wilson, Count Basie e Louis Armstrong. Billie transformava uma canção banal em pequena obra de arte.
Os anos 40 foram para Billie anos de muita bebida, muita droga, ou melhor, de todas as drogas, amores infelizes e muita pancadaria. Billie raramente teve paz ou tranqüilidade na sua vida. Billie Holiday morreu em 17 de julho de 1959. Para conhecer sua vida não é preciso ler nenhuma biografia, mas apenas ouvir sua voz.

Janis Joplin nasceu numa sólida família de classe média. Aos 17 anos, ela saiu de casa e começou a cantar em bares de Houston e Austin, no Texas, para juntar dinheiro e ir para a Califórnia.
Após um grande sucesso do primeiro LP com os Big Brothers, sua primeira banda, a gravadora Columbia Records assinou um contrato e Joplin a partir daí já começava a ofuscar a banda, chegará a hora de seguir carreira solo, tornar-se então uma superstar, começou aí a se envolver demais com álcool e drogas, tornando-se uma viciada em heroína.
Janis Joplin morreu de overdose de heroína em 4 de outubro de 1970, em Los Angeles, com apenas 27 anos.
Janis Joplin foi considerada a principal cantora branca de blues dos anos 60, e certamente uma das maiores estrelas daquela época. A publicidade, que trouxe à tona sua vida sexual e seus problemas com álcool e drogas, conseguiu torná-la, de certa forma, uma lenda.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Poeta

Poeta
Paranaense marginal
Polonês polonaise
Poesia de haikai
Poesia de vanguarda
Poesia de invenção
Poética linguagem
Poética cheia de noite, cheia de dor, cheia de rigor, cheia de luz
Porta-voz das palavras
Palavras aos milhões, plurais
Palavras enganadosamente ingênuas
Poliglota, metapoeta profundo da pressa e do presságio
Paixão de Alice
Pai dos poemas breves
Pai de Áurea Estrela
Pai de guerras que acontecem dentro da gente
Professor do tudo dito, nada feito, fito e deito
Professor do haja hoje para tanto ontem
Prosador passionário da experimentação
Poeta grande é brilhante como um diamante, nunca é antigo, é pensamento vivo
Poeta perfeito é transformar utopia em algo real, nunca é mortal, é eterno
Perfeito sinônimo para perpetuar Paulo Leminski.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Calvin e Haroldo












Amores

Amores possíveis, amores impossíveis
Amores que matam, amores incondicionais
Amores
de músicas , amores de livros
Amores de novela, amores de verão

Amores.

A cabeça num telefonema, o coração no estômago, na garganta um nó
Meus olhos não enxergam, meu amor cego olhar pra mim
Meu corpo parece levitar, minha temperatura começa a subir
E um frio na espinha como companhia
Será que amar será o começo do meu fim?

Eu vou tentar escrever uma canção de amor
Talvez assim meu coração volte para o lugar
O problema é que não mando mais no meu coração
Fumar o passado, beber o futuro
Talvez assim dissipe as trevas das profecias do presente.

Amores se escondem nos pensamentos
Se escondem dentro de nós
Amores voam, partem para nunca mais voltar
Só nos resta é dizer adeus
E guardar apenas um retrato pra esquecer o inesquecível.

Amores frágeis, amores fortes
Amores platônicos, amores reais
Amores bandidos, amores sadios
Amores de verdade, amores de pica.
Amores.

Eu vi. Filme: O Escafandro e a Borboleta

Sinopse: Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto, e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória.
Ficha Técnica: Direção: Julian Schnabel. Ano de Lançamento (França / EUA): 2007. Título Original: Le Scaphandre et le Papillon. Gênero: Drama. Elenco: Mathieu Amalric (Jean-Dominique Bauby), Emmanuelle Seigner (Céline Desmoulins), Marie-Josée Croze (Henriette Durand), Anne Consigny (Claude).

Premiações: Recebeu 4 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou os prêmios de Melhor Diretor e o Grande Prêmio Técnico, no Festival de Cannes.

Curiosidades: Inicialmente seria Johnny Depp o intérprete de Jean-Dominique Bauby, mas ele teve que deixar o projeto devido à agenda de filmagens de Piratas do Caribe - No Fim do Mundo (2007).

O Segredo dos Templários


Muitos são os enigmas que envolvem a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Ainda hoje em dia, quase tudo o que se sabe sobre esses guerreiros monásticos se perde em um confuso emaranhado de lendas e suposições.

Mais conhecidos como Cavaleiros Templários, durante muito tempo eles foram vistos como homens de fé e coragem, que arriscavam a vida para proteger os cristãos na Terra Santa. Mas essa não foi a única imagem que deixaram: em sua trajetória, chegaram a ser apontados como negociantes oportunistas que negavam a moral cristã e estavam interessados apenas em consolidar seu poderio na Europa Medieval e, ainda, como sábios do ocultismo, iniciados nos princípios da alquimia e em milenares conhecimentos esotéricos.

Enquanto os estudiosos não encontram respostas definitivas, o acirrado debate sobre o verdadeiro propósito da Ordem do Templo desafia os séculos, ao lado de outras questões intrigantes, como a hipótese de que a reunião dos antigos cavaleiros teria se transformado em uma sociedade secreta e a suspeita de que ela guardaria tesouros de valor incalculável - como o Santo Graal (o cálice que recolheu o sangue de Jesus) ou a Arca Perdida (com, os mandamentos ditados por Deus a Moisés).

Cavaleiro templário

A Ordem dos Templários, que se tornou uma das mais poderosas e controversas organizações da história, foi fundada em 1119, quando nove cavaleiros franceses, entre eles Hugo de Payns e André de Montbard, anunciaram ao Rei Balduíno l de Jerusalém a intenção de criar uma ordem de monges guerreiros para escoltar e defender os peregrinos cristãos que viajavam a Terra Santa. Estávamos no tempo das Cruzadas, em que os cristãos tinham não apenas conquistado importantes cidades sagradas, como Jerusalém, Trípoli e Antioquia, mas também promovido uma verdadeira carnificina, matando milhares de seguidores de Maomé (chamados também de sarracenos, islâmicos, mouros ou muçulmanos), sem poupar nem mesmo mulheres e crianças. Em busca de vingança, agora era a vez de os sarracenos atacarem os cristãos, assaltando ou matando os peregrinos que se propunham a se aventurar nas estradas que levavam aos lugares santos. Nascia, assim, a justificativa ideal para a criação de uma ordem militar da Igreja Católica, que prometia se entregar de corpo e alma na luta contra os infiéis.

Tão logo a Ordem do Templo foi criada, instaurou-se a polêmica a seu respeito. Sendo a primeira organização militar da história da Igreja Católica, esbarrava em uma complicada contradição: como conciliar o derramamento de sangue com os ensinamentos de amor e não-violêneia de Jesus Cristo? A resposta estava na devoção religiosa. Ao entrar para a ordem, os cavaleiros faziam votos de castidade, obediência e pobreza, jurando abandonar as tentações do mundo em nome de uma verdade espiritual. Movidos pelo idealismo cristão, eles não tinham outro motivo para lutar senão combater as forcas do mal. Em uma época carente de heróis e imersa em conflitos políticos e religiosos, não demorou muito para que esses mordes guerreiros passassem a ser vistos como cavaleiros honrados e destemidos, dispostos a tudo para proteger sua fé.

Ao mesmo tempo em que tornavam suas vitórias e seu idealismo conhecidos, os templários passaram a receber um grande número de doações em dinheiro, terras ou propriedades. Em sua maior parte, as ofertas vinham de nobres e soberanos que, guiados pelo misticismo da época, acreditavam que com esse ato expiariam seus pecados e ganhariam a salvação no Reino dos Céus. Logo, castelos, terrenos, moinhos, aldeias e outros bens faziam parte da Ordem. Com isenção de impostos, os templários sabiam como fazê-los render: as terras e propriedades eram arrendadas e geravam ainda mais dinheiro. Perto do ano 1300, a Ordem dos Templários havia se transformado em uma das maiores redes de influência da Europa, algo como uma multinacional medieval, que envolvia bancos, transportadoras e uma série de outros serviços ligados à administração, finanças e comércio.

Enquanto o sucesso financeiro dos cavaleiros aumentava dia a dia, o mesmo não se podia dizer a respeito das suas ações militares, que cada vez amargavam mais derrotas contra o exército dos muçulmanos. Com a reputação abalada, os templários lutavam para se reerguer quando caíram nas garras do poderoso Rei Felipe, o Belo, da França, que decidiu se apoderar da fortuna da Ordem. Aliado ao papa Clemente V, o soberano tramou uma conspiração para acusar os cavaleiros de hereges, assassinos e adoradores do Diabo. Ao final de um processo cheio de irregularidades, os membros da Ordem foram queimados vivos em praça pública, e seus bens confiscados pelo rei francês. Jacques De Molay, o último grão-mestre dos templários, foi um dos quase 500 guerreiros levados à fogueira em Paris. Acabava, com ele, todo o esplendor e glória da linhagem original dos cavaleiros templários.

Cruz e espada

Entre os muitos símbolos dos cavaleiros templários, a cruz vermelha aplicada sobre um esvoaçante manto branco se tornou o mais conhecido. Concedida à Ordem em 1148, pelo papa Eugênio III, a cruz devia ser colocada sempre acima do coração e, segundo alguns historiadores, seus quatro lados iguais representavam o equilíbrio perfeito entre a realidade material e espiritual.

O manto branco, por sua vez, simbolizava pureza e castidade, assim como uma pesada pele de carneiro que os cavaleiros eram obrigados a usar sob as roupas. Se um templário perdesse uma dessas vestes sagradas, imediatamente recebia uma rígida punição, que poderia chegar até a autoflagelação. Além da cruz e do manto, um dos mais famosos símbolos dos monges guerreiros era o emblema da Ordem, que trazia o desenho de um cavalo com dois cavaleiros, representando a irmandade e a humildade.

Fonte: livro "O Segredo dos Templários" de Lynn Picknett e Clive Prince.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A ilha desconhecida

Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldabra de bronze se tornava, mas do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha de pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado seria dizer, passaca a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse a maré.
Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele. Ora, isto era um enorme problema, se tivermos em consideração que, de acordo com a pragmática das portas, ali só se podia atender um suplicante de cada vez, donde resultava que, enquanto houvesse alguém à espera de resposta, nenhuma outra pessoa se poderia aproximar a fim de expor as suas necessidades ou as sua ambições. À primeira vista, quem ficava a ganhar com esse artigo do regulamento era o rei, dado que, sendo menos numerosa a gente que o vinha incomodar com lamúrias, mais tempo ele passava a ter, e mais descanso, para receber, contemplar e guardar os obséquios. À segunda vista, porém, o rei perdia, e muito, porque os protestos públicos, ao notar-se que a resposta estava a tardar mais do que o justo, faziam aumentar gravemente o descontentamento social, o que, por seu turno, ia ter imediatas e negativas consequências no afluxo de obséquios. No caso que estamos narrando, o resultado da ponderação entre os benefícios e os prejuízos foi ter ido o rei, ao cabo de três dias, e em real pessoa, à porta das petições, para saber o que queria o intrometido que se havia negado a encaminhar o requerimento pelas competentes vias burocráticas. Abre a porta, disse o rei à mulher da limpeza, e ela perguntou, Toda, ou só um bocadinho. O rei duvidou por um instante, na verdade não gostava muito de se expor aos ares da rua, mas depois reflexionou que pareceria mal, além de ser indigno de sua majestade, falar com um súbdito através de uma nesga, como se tivesse medo dele, mormente estando a assistir ao colóquio a mulher da limpeza, que logo iria dizer por aí sabe Deus o quê, De par em par, ordenou. O homem que queria um barco levantou-se do degrau da porta quando começou a ouvir correr os ferrolhos, enrolou a manta e pôs-se à espera. Estes sinais de que finalmente alguém viria atender, e que portanto a praça não tardaria a ficar desocupada, fizeram aproximar-se da porta uns quantos aspirantes à liberalidade do trono que por ali andavam, prontos a assaltar o lugar mal ele vagasse. O inopinado aparecimento do rei (nunca uma tala coisa havia sucedido desde que ele andava de coroa na cabeça) causou uma surpresa desmedida, não só aos ditos candidatos mas também à vizinhança que atraída pelo repentino alvoroço, assomara às janelas das casas, no outro lado da rua. A única pessoa que não se surpreendeu por aí além foi o homem que tinha vindo pedir um barco. Calculara ele, e acertara na previsão, que o rei, mesmo que demorasse três dias, haveria de sentir-se curioso de ver a cara de quem, sem mais nem menos, com notável atrevimento, o mandar chamar. repartido pois entre a curiosidade que não pudera reprimir e o desagrado de ver tanta gente junta, o rei, com o pior dos modos, perguntou três perguntas seguidas, Que é que queres, Por que foi que não disseste logo o que querias, Pensarás tu que eu não tenho mais nada que fazer, mas o homem só respondeu à primeira pergunta, Dá-me um barco, disse. O assombro deixou o rei a tal ponto desconcertado, que a mulher da limpeza se apressou a chegar-lhe uma cadeira de palhinha, a mesma em que ela própria se sentava quando precisava de trabalhar de linha e agulha, pois além da limpeza, tinha também à sua responsabilidade alguns trabalhos menores de costura no palácio, como passajar as peúgas dos pajens. Mal sentado, porque a cadeira de palhinha era muito mais baixa que o trono, o rei estava a procurar a melhor maneira de acomodar as pernas, ora estendendo-as para os lados, enquanto o homem que queria um barco esperava com paciência a pergunta que se seguiria, E tu para que queres um barco, pode-se saber, foi o que o rei de facto perguntou quando finalmente se deu por instalado, com sofrível comodidade, na cadeirada mulher da limpeza. Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem, Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando o riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, dos que têm a mania das navegações, a quem não seria bom contrariar logo de entrada, A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparte, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que já não há ilhas desconhecidas, estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida, A quem ouviste falar dela, perguntou o rei, agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, por que teimas em dizer que ela existe, Simplesmente por que é impossível que não exista uma ilha desconhecida, E vieste aqui para me pedires um barco, Sim, vim aqui para pedir-lhe um barco, E tu quem és, para que eu to dê, E tu quem és, para que não mo dês, Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos, Mais lhes pertencerás tu a eles do que eles a ti, Que queres dizer, perguntou o rei inquieto, Que tu, sem eles, és nada, e que eles, sem ti, poderão sempre navegar. às minhas ordens, com os meus pilotos e os meus marinheiros, Não te peço marinheiros nem pilotos, só te peço um barco, E essa ilha desconhecida, se a encontrares, será para mim, A ti, rei, so te interessam as ilhas conhecidas. Também me interessam as desconhecidas quando deixam de o ser, Talvez esta não se deixe conhecer, Então não te dou o barco, Darás. Ao ouvirem esta palavra, pronunciada com tranquila firmeza, os aspirantes à porta das petições, em quem, minuto após minuto, desde o princípio da conversa, a impaciência vinha crescendo, e mais para se verem livres dele do que por simpatia solidária, resolveram intervir a favor do homem que queria o barco, começando a gritar, Dá-lhe o barco, dá-lhe o barco. O rei abriu a boca para dizer à mulher da limpeza que chamasse a guarda do palácio a vir restabelecer imediatamente a ordem pública e impr a disciplina, mas, nesse momento, as vizinhas que assistiam das janelas juntaram-se ao coro com entusiasmo, gritando como os outros, Dá-lhe o barco, dá-lhe o barco. Perante uma tão iniludível manifestação da vontade popular e preocupado com o que, neste meio tempo, já haveria perdido na porta dos obséquios, o rei levantou a mão direita a impor silêncio e disse, Vou dar-te um barco, mas a tripulação terás de arranjá-la tu, os meus marinheiros são-me precisos para as ilhas conhecidas. Os gritos de aplauso do público não deixaram que se percebesse o agradecimento do homem que viera pedir um barco, aliás o movimento dos lábios tanto teria podido ser Obrigado, meu senhor, como Eu cá me arranjarei, mas o que distintamente se ouviu foi o dito seguinte do rei, Vais à doca, perguntas lá pelo capitão do porto, dizes-lhe que te mandei eu, e ele que te dê o barco, levas o meu cartão. O homem que ia receber um larco leu o cartão de visita, onde dizia Rei por baixo do nome do rei, e eram estas as palavras que ele havia escrito sobre o ombro da mulher da limpeza, Entrega ao portador um barco, não precisa ser grande, mas que navegue bem e seja seguro, não quero ter remorsos na consciência se as coisas lhe correrem mal. Quando o homem levantou a cabeça, supõe-se que desta vez é que iria agradecer a dádiva, já o rei se tinha retirado, só estava a mulher da limpeza a olhar para ele com cara de caso. O homem desceu do degrau da porta, sinal de que os outros canditados podiam enfim avançar, nem valeria a pena explicar que a confusão foi indescritível, todos a quererem chegar ao sítio em primeiro lugar, mas com tão má sorte que a porta já estava fechada outra vez. A aldraba de bronze tornou a chamar a mulher da limpeza, mas a mulher da limpeza não está, deu a volta e saiu com o balde e a vassoura por outra porta, a das decisões, que é raro ser usada, mas quando é, é. Agora sim, agora pode-se compreender o porquê da cara de caso com que a mulher da limpeza havia estado a olhar, foi esse o preciso momento em que ela resolveu ir atrás do homem quando ele se dirigisse ao porto a tomar conta do barco. Pensou ela que já bastava de uma vida a limpar e a lavar palácios, que tinha chegado a hora de mudar de ofício, que lavar a limpar barcos é que era a sua vocação verdadeira, no mar, ao menos, a água nunca lhe faltaria. O homem nem sonha que, não tendo ainda sequer começado a recrutar os tripulantes, já leva atrás de si a futura encarregada das baldeações e outros asseios, também é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já entendeu a mão para torcar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual.
Andando, andando, o homem chegou ao porto, foi à doca, perguntou pelo capitão, e enquanto ele não chegava deitou-se a adivinhar qual seria, de quantos barcos ali estavam, o que iria ser o seu, grande já se sabia que não, o cartão de visita do reio era muito claro neste ponto, por conseguinte ficavam de fora os paquetes, os cargueiros e os navios de guerra, tão-pouco poderia ser ele tão pequeno que resistisse mal às forças do vento e aos rigores do mar, o rei também havia sido categórico neste ponto, Que navegue bem e seja seguro, foram estas as suas formais palavras, assim implicitamente excluindo os botes, as faluas e os escaleres, os quais, sendo bons navegantes, e seguros, conforme a condição de cada qual, não tinham nascido para sulcar os oceanos, que é onde se encontram as ilhas desconhecidas. Um pouco afastada dali, escondida por trás de uns bidões, a mulher da limpeza correu os olhos pelos barcos atracados, Para o meu gosto, aquele, pensou, porém a sua opinião não contava, nem sequer havia sido ainda contratada, vamos ouvir antes o que dirá o capitão do porto. O capitão veio, leu o cartão, mirou o homem de alto a baixo, e fez a pergunta que o rei se tinha esquecido de fazer, Sabes navegar, tens carta de navegação, ao que o homem respondeu, Aprenderei no mar. O capitão disse, Não to aconselharia, capitão sou eu, e não me atrevo com qualquer barco, Dá-me então um com que possa atrever-me eu, não, um desses não, dá-me antes um barco que eu respeite e que possa respeitar-me a mim, Essa linguaguem é de marinheiro, mas tu não és marinheiro, Se tenho a linguagem, é como se o fosse. O capitão tornou a ler o cartão do rei, depois perguntou, Poderás dizer-me para que queres o barco, Para ir à procura da ilha desconhecida, Já não há ilhas desconhecidas, O mesmo me disse o rei, O que ele sabe de ilhas, aprendeu-o comigo, É estranho que tu, sendohomem do mar, me digas isso, que já não há ilhas desconhecidas, homem da terra sou eu, e não ignoro que todas as ilhas, mesmo as conhecidas, são desconhecidas enquanto não desembarcarmos nelas, Mas tu, se bem entendi, vais à procura de uma onde nunca ninguém tenha desembarcado, Sabê-lo-ei quando lá chegar, Se chegares, Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas, setal me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse, Queres dizer que chegar, sempre se chega, não serias quem és se não o soubesses já. O capitão do porto disse, Vou dar-te a embarcação que te convém, Qual é ela, É um barco com muita experiência, ainda do tempo em que toda a gente andava à procura de ilhas desonhecidas, Qual é ele, Julgo até que encontrou algumas, Qual, Aquele. Assim que a mulher da limpeza percebeu para onde o capitão apontava, saiu a correr de detrás dos bidões e gritou, è o meu barco, é o meu barco, há que perdoar-lhe a insólita reivindicação de propriedade, a tododos os títulos abusiva, o barco era aquele de que ela tinha gostado, simplesmente. Parece uma caravela, disse o homem, Mais ou menos, concordou o capitão, no princípio era uma caravela, depois passou por arranjos e adaptações que a modificaram um bocado, Mas continua a ser uma caravela, Sim, no conjunto conserva o antigo ar, E tem mastros e velas, Quando se vai procurar ilhas desconhecidas, é o mais recomendável. A mulher da limpeza não se conteve, Para mim não quero outro, Quem és tu, perguntou o homem, Não te lembras de mim, Não tenho ideia, Sou a mulher da limpeza, Qual limpeza, A do palácio do rei, A que abria a porta das petições, Não havia outra, E por que não estás tu no palácio do rei a limpar e a abrir portas, Porque as portas que eu realmente queria já foram abertas e porque de hoje em diante só limparei barcos, Então estás decidida a ir comigo procurar a ilha desconhecida, Saí do palácio pela porta das decisões, Sendo assim, vai para a caravela, vê como está aquilo, depois do tempo que passou de e precisar de uma boa lavagem, e tem cuidado co as gaivotas, que não são de fiar, Não queres vir comigo conhecer o teu barco por dentro, Tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar. O capitão do porto interrompeu a conversa, Tenho de entregar as chaves ao dono do barco, a um ou a outro, resolvam-se, a mim tanto se me dá, Os barcos têm chave, perguntou o homem, Para entrar, não, mas lá estão as arrecadações e os paióis, e a escrivaninha do comandante com o dia´rio de bordo, Ela que se encarregue de tudo, eu vou recrutar a tripulação, disse o homem, e afastou-se. A mulher da limpeza foi ao escritório do capitão para recolher as chaves, depois entrou no barco, duas coisas lhe valeram aí, a vassoura do palácio e a prevenção contra as gaivotas, ainda não tinha acabado de atravessar a prancha que ligava a amurada ao cais e já as malvadas estavam a precipitar-se sobre ela aos guinchos, furiosas, de goela aberta, como se ali mesmo a quisessem devorar. Não sabiam com quem se metiam. A mulher da limpeza pousou o balde, meteu as chaves no seio, firmou bem os pés na prancha, e, redemoinhando a vassoura como se fosse um espadão dos antigos, fez debandar o bando assassino. Foi só quando entrou no barco que compreendeu a ira das gaivotas, havia ninhos por toda a parte, muitos deles abandonados, outros ainda com ovos, e uns poucos com gaivotinhos de bico aberto, à espera da comida, Pois sim, mas o melhor é mudarem-se daqui,um barco que vai procurar a ilha desconhecida não pode ter este aspecto, como se fosse um galinheiro, disse. Atirou para a água os ninhos vazios, quanto aos outros deixou-os ficar, até ver. Depois arregaçou as mangas e pôs-se a lavar a coberta. Quando acabou a dura tarefa, foi abrir o paiol das velas e procedeu a um exame minucioso do estado das costuras, depois de tanto tempo sem irem ao mar e sem terem de suportar os esticões saudáveis do vento. As velas são os músculos do barco, basta ver como incham quando se esforçam, mas, e isso mesmo sucede aos músculos, se não se lhes dá uso regularmente, abrandam, amolecem, perdem nervos das velas, pensou a mulher da limpeza, comntente por estar a aprender tão depressa a arte de marinharia. Achou esgarçadas algumas bainhas, mas contentou-se com assinal´-las, uma vez que para este trabalho não podiam servir a linha e a agulha com que passajava as peúgas dos pajens antigamente, quer dizer, ainda ontem. Quanto aos outros paióis, viu logo que estavam vazios. Que o da pólvora estivesse desmunido,salvo uns pozinhos negros no fundo, que primeiro mais lhe pareceram caganitas de rato, não lhe importou nada, de facto não está escrito em nenhuma lei, pelo menos até onde a sabedoria duma mulher da limpeza é capaz de alcançar, que ir em busca duma ilha desconhecida tenha de ser forçosamente uma empresa de guerra. Já a ralou, e muito, a falta absoluta de munições de boca no paiol respectivo, não por si própria, que estava mais do que acostumada ao mau passadio do palácio, mas por causa do homem a quem deram este barco, não tarda que o sol se ponha, e ele a aparecer-me aí a clamar que tem fome, que é o dito de todos os homens mal entram em casa, como se só eles é que tivessem estômago e sofressem da necessidade de o encher. E se já traz marinheiros para a tripulação, que são uns ogres a comer, então é que não sei como nos iremos governar, disse a mulher da limpeza.
Não valia a pena ter-se preocupado tanto. O sol havia acabado de sumir-se no oceano quando o homem que tinha um barco surgiu no extremo do cais. Trazia um embrulho na mão, porém vinha sozinho e cabisbaixo. A mulher da limpeza foi esperá-lo à prancha, mas antes que ela abrisse a boca para se inteirar de como lhe tinha corrido o restodo dia, ele disse, Está descansada, trago aqui comida para os dois, E os marinheiros, perguntou ela, Não veio nenhum, como podes ver, Mas deixaste-os apalavrados, ao menos, tornou ela a perguntar, Disseram-me que já não há ilhas desconhecidas, e que, mesmo que as houvesse, não iriam eles tirar-se do sossego dos seus lares e da boa vida dos barcos de carreira para se meterem em aventuras oceânicas, à procura de um impossível, como se ainda estivéssemos no tempo do mar tenebroso, E não lhes falaste da ilha desconhecida, Como poderia falar-lhes eu duma ilha desconhecida, se não a conheço, Mas tens a certeza de que ela existe, Tanta como a de ser tenebroso o mar, Neste momento, visto daqui, com aquela água cor de jade e o céu como um incêncio, de tenebroso não lhe encontro nada, É uma ilusão tua, também as ilhas às vezes parece que flutuam sobre as águas, e não é verdade, Que pensas fazer, se te falta a tripulação, Ainda não sei, Podíamos ficar a viver aqui, eu oferecia-me para lavar os barcos que vêm à doca, e tu, E eu, Tens com certeza um mester, um ofício, uma profissão, como agora se diz, Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilhadesconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és, O filósofo do rei, quando não tinha que fazer, ia sentar-se ao pé de mim, a ver-me passajar as peúgas dos pajens, e às vezes dava-lhe para filosofar, dizia que todo o homem é uma ilha, eu, como aquilo não era comigo, visto que sou mulher, não lhe dava importância, tu que achas, Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós, Se não saímos de nós próprios, queres tu dizer, Não é a mesma coisa. O incêndio do céu ia esmorecendo, a água arroxeou-se de repente, agora nem a mulher da limpeza duvidaria de que o mar é mesmo tenebroso, pelo menos a certas horas. Disse o homem, Deixemos as filosofias para o filósofo do rei, que para isso é que lhe pagam, agora vamos nós comer, mas a mulher não esteve de acordo, Primeiro, tens de ver o teu barco, só o conheces por fora, Que tal o encotraste, Há algumas bainhas das velas que estão a precisar de reforço, Desceste ao porão, encontraste água aberta, No fundo vê-se alguma, de mistura com o lastro, mais isso parece que é próprio, faz bem ao barco, Como foi que aprendeste essas coisas, Assim, Assim como, Como tu, quando disseste ao capitão do porto que aprenderias a navegar no mar, Ainda não estamos no mar, Mas já estamos na água, Sempre tive a ideia de que para a navegaç]ao só há dois mestres verdadeiros, um que é o mar, o outro que é o barco, E o céu, estás a esquecer-te do céu, Sim, claro, o céu, Os ventos, As nuvens, O céu, Sim, o céu.
Em menos de um quarto de hora tinham acabado a volta pelo barco, uma caravela, mesmo transformada, não dá para grandes passeios. É bonita, disse o homem, mas se eu não conseguir arranjar tripulantes suficientes para a manobra, terei de ir dizer ao rei que já não a quero, Perdes o ânimo logo à primeira contrariedade, A primeira contrariedade foi estar à espera do rei três dias, e não desisi, Se não encontrares marinheiros que queiram vir, cá nos arranjaremos os dois, Estás doida, duas pessoas sozinhas não seriam capazes de governar um barco destes, eu teria de estar sempre ao leme, e tu, nem vale a pena estar a explicar-te, é uma loucura, Depois veremos, agora vamos mas é comer. Subiram para o castelo de popa, o homem ainda a protestar contra o que chamara loucura, e, ali, a mlher da limpeza abriu o farnel que ele tinha trazido, um pão, queijo duro, de cabra, azeitonas, uma garrafa de vinho. A lua já estava meio palmo sobre o mar, as sombras da verga e do mastro grande vieram deita-se-lhes aos pés. É realmente bonita a nossa caravela, disse a mulher, e emendou logo, A tua, a tua caravela, Desconfio que não o será por muito tempo, Navegues ou não navegues com ela, é tua, deu-ta o rei, Pedi-lha para ir procurar uma ilha esconhecida, Mas estas coisas não se fazem do pé para a mão, levam o seu tempo, já o meu avô dizia que quem vai ao mar avia-se em terra, e mais não era ele marinheiro, Sem tripulantes não poderemos navegar, Já o tinhas dito, E há que abastecer o barco das mil coisas necessárias a uma viagem como esta, que não se sabe aonde nos levará, Evidentemente, e depois teremos de esperar que seja a boa estação, e sair com a boa maré, e vir gente ao cais a desejar-nos boa viagem, Estás a rir-te de mim, Nunca me riria de quem me fez sair pela porta das decisões, Desculpa-me, E não tornarei a passar por ela, suceda o que suceder. O luar iluminava em cheio a cara da mulher da limpeza, É bonita, realmente é bonita, pensou o homem, que desta vez não estava a referir-se à caravela. A mulher, essa, não pensou nada, devia ter pensado tudo durante aqueles três dias, quando entreabira de vez em quando a porta para ver se aquele ainda continuava lá fora, à espera. Não sobrou migalha de pão ou de queijo, nem gotade vinho, os caroços das azeitonas foram atirados para a água, o chão está tão limpo como ficara quando a mulher da limpeza lhe passou por cima o último esfregão. A sereia de um paquete que saía para o mar soltou um ronco potente, como deviam ter sido os do leviatã, e a mulher disse, Quando for a nossa vez faremos menos barulho. Apesar de estarem no interior da doca, a água ondulou um pouco à passagem do paquete, e o homem disse, Mas baloiçaremos muito mais. Riram os dois, depois ficaram calados, passado um bocado um deles opinou que o melhor seria rem dormir, Não é que eu tenha muito sono, e o outro concordou, Nem eu, depois calaram-se outra vez, a lua subiu e continuou a subir, em certa altura a mulher disse, Há beliches lá em baixo, o homem disse, Sim, e foi então que se levantaram, que desceram à coberta, aí a mulher disse, Até amanhã, eu vou para este lado, e o homem respondeu, E eu vou para este, até amanhã, não disseram bombordo nem estibordo. Decerto por estarem ainda a praticar na arte. A mulher voltou atrás, Tinha-me esquecido, tirou do bolso do avental dois cotos de vela, Encontrei-os quando andava a limpar, o que não tenho é fósforos, Eu tenho, disse o homem. Ela segurou as velas, uma em cada mão, ele acendeu um fósforo, depois abrigando a chama sob a cúpula dos dedos curvados, levou-a com todo o cuidado aos velhos pavios, a luz pegou, cresceu lentamente como faz o luar, banhou a cara da mulher da limpeza, nem seria preciso dizer o que ele pensou, É bonita, mas o que ela pensou, sim, Vê-se bem que só tem olhos para a ilha desconhecida, aqui está como as pessoas se enganam nos sentidos do olhar, sobretudo ao princípio. Ela entregou-lhe uma vela, disse, Até amanhã, dorme bem, ele quis dizer o mesmo doutra maneira, Que tenhas sonhos felizes, foi a frase que lhe saiu, daqui a pouco, quando lá estiver em baixo, deitado no seu beliche, vir-lhe-ão à ideia outras frases, mais espirituosas, sobretudo mais insinuantes, como se espera que sejam as de um homem quando está a sós com uma umulher. Perguntava-se se já dormiria, se teria tardado a entrar no sono, depois imaginou que andava à procura dela e não a encontrava em nenhum sítio, que estavam perdidos os dois num barco enorme, o sonho é um prestidigitador hábil, muda as proporções das coisas e as suas distâncias, separa as pessoas, e elas estão juntas, reúne-as, e quase não se vêem uma à outra, a mulher dorme a poucos metros e ele não soube como alcança-la, quando é tão fácil ir de bombordo a estibordo.
Tinha-lhe desejado felizes sonhos, mas foi ele quem levou toda a noite a sonhar. Sonhou que a sua caravela ia no mar alto, com as três velas triangulares gloriosamente enfunadas, abrindo caminho sobre as ondas, enquanto ele manejava a roda do leme e a tripulação descansava à sombra. Não percebia como podiam ali estar os marinheiros que no porto e na cidade se tinham recusado a embarcar com ele para ir à procura da ilha desconhecida, provavelmente arrependeram-se da grosseira ironia com que o haviam tratado. Via animais espalhados pela coberta, patos coelhos, galinhas, o habitual da criação doméstica, debicando os grãos de milho ou roendo as folhas de couve que um marinheiro lhes atirava, não se lembrava de quando os tinha trazido para o barco, fosse como fosse era natural que ali estivessem, imaginemos que a ilha desconhecida é, como tantas vezes o foi no passado, uma ilha deserta, o melhor será jogar pelo seguro, todos sabemos que abrir a porta da coelheira e agarrar um coelho pelas orelhas sempre foi mais fácil do que persegui-lo por montes e vales. Do fundo do porão veio agora um coro de relinchos de cavalos, de mugidos de bois, de zurros de asnos, as vozes dos nobres animais necessários para o trabalho pesado, e como foi que vieram eles, como podem estar numa caravela onde a tripulação humana mal cabe, de súbito o vento deu uma guinada, a vela maior bateu e ondulou, por trás dela estava o que antes não se vira, um grupo de mulheres que mesmo sem as contar se adivinha serem tantas quantos os marinheiros, ocupam-se nas suas coisas de mulheres, ainda não chegou o tempo de se ocuparem doutras, está claro que isto só pode ser um sonho, na vida real nunca se viajou assim. O homem do leme buscou com os olhos a mulher da limpeza e não a viu, Talvez esteja no beliche de estibordo, a descansar da lavagem da coberta, pensou, mas foi um pensar fingido, porque ele bem sabe, embora também não saiba como o sabe, que ela à última hora não quis vir, que saltou para a ilha desconhecida, vou-me embora, e não era verdade, agora mesmo andam os olhos dele a procurá-la e não a encontram. Neste momento o céu cobriu-se e começou a chover, e, tendo chovido, principiaram a brotar inúmeras plantas das fileiras de sacos de terra alinhadas ao longo da amurada, não estão ali porque se suspeite que não haja terra bastante na ilha desconhecida, mas porque assim se ganhará tempo, no dia em que lá chegarmos só teremos que transplantar as árvores de fruto, semear os grãos das pequenas searas que vão amadurecer aqui, enfeitar os canteiros com as flores que desabrocharão destes botões. O homem do leme pergunta aos marinheiros que descansam na cobertura se avistam alguma ilha desabitada, e eles respondem que não vêem nem de umas nem das outras, mas que estão a pensar em desembarcar na primeira terra povoada que lhes apareça, desde que haja lá um porto onde fundear, uma taberna onde beber e uma cama onde folgar, que sim não se pode, com toda esta gente junta. E a ilha desconhecida, perguntou o homem do leme, A ilha desconhecida é coisa que não existe, não passa duma idéia da tua cabeça, os geógrafos do rei foram ver nos mapas e declararam que ilhas por conhecer é coisa que se acabou desde há muito tempo, Devíeis ter ficado na cidade, em lugar de vir atrapalhar-me a navegação, Andávamos à procura de um sítio melhor para viver e resolvemos aproveitar a tua viagem, Não sois marinheiros, Nunca o fomos, Sozinho, não serei capaz de governar o barco, Pensasses nisso antes de ir pedi-lo ao rei, o mar não ensina a navegar. Então o homem do leme viu uma terra ao longe e quis passar adiante, fazer de conta que ela era a miragem de uma outra terra, uma imagem que tivesse vindo do outro lado do mundo pelo espaço, mas os homens que nunca haviam sido marinheiros protestaram, disseram que ali mesmo é que queriam desembarcar, Esta é uma ilha do mapa, gritaram, matar-te-emos se não nos levares lá. Então, por si mesma, a caravela virou a proa em direcção à terra, entrou no porto e foi encostar à muralha da doca, Podeis ir-vos, disse o homem do leme, acto contínuo as´ram em correnteza, primeiro as mulheres, depois os homens, mas não foram sozinhos, levaram com eles os patos, os coelhos e as galinhas, levaram os bois, os burros e os cavalos, e até as gaivotas, uma após outra, levantaram voo e se foram do barco transportando no bico os seus gaivotinhos, proeza que não tinha sido cometida antes, mas há sempre uma vez. O homem do leme assistiu à debandada em silêncio, não fez nada para reter os que o abandonavam, ao menos tinham-no deixado com as árvores, os trigos e as flores, com as trepadeiras que se enrolavam nos mastros e pendiam da amurada como festões. Por causa do atropelo da saída haviam-se rompido e derramado os sacos de terra, de modo que a coberta era toda ela como um campo lavrado e semeado, só falta que venha um pouco mais de chuva para que seja um bom ano agrícola. Desde que a viagem à ilha desconhecida começou que não se vê o homem do leme comer, deve ser porque está a sonhar, apenas a sonhar, e se no sonho lhe apetecesse um pedaço de pão ou uma maçã, seria um puro invento, nada mais. As raízes das árvores já estão penetrando no cavername, não tarda que estas velas içadas deivem de ser precisas, bastará que o vento sopre nas copas e vá encaminhando a caravela ao seu destino. É uma floresta que navega e se balanceia sobre as ondas, uma floresta onde, sem saber-se como, começaram a cantar pássaros, deviam estar escondidos por aí e de repente decidiram sair à luz, talvez porque a seara já esteja madura e é preciso ceifá-la. Então o homem trancou a roda do leme e desceu ao campo com a foice na mão, e foi quando tinha cortado as primeiras espigas que viu uma sombra ao lado da sua sombra. Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele, confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se sabe se este é o de bombordo ou o de estibordo. Depois, mal o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar na proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o nome que ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.

(José Saramago)