quinta-feira, 29 de abril de 2010

O homem que sabia demais de cinema


Há exato trinta anos, em 29 de abril de 1980, o mundo perdia Sir Alfred Joseph Hitchcock, considerado o mestre dos filmes de suspense da história do cinema. Nascido no leste londrino e educado por jesuítas, Hitchcock entrou na indústria do cinema em 1920 como desenhista de legendas de filmes mudos, mas logo se tornou diretor de arte, roteirista e diretor assistente. Fez nove filmes mudos, entre eles O pensionista em 1926, o primeiro com a sua marca: a breve aparição na frente da câmera. Após a chegada do som, o britânico soube dominar a nova tecnologia e em 1940 foi convidado para ir a Hollywood dirigir a adaptação de Rebbeca, a mulher inesquecível. A película foi consagrada com a estatueta da academia e Hitchcock se transformou em um dos diretores mais promissores de Hollywood. Numa época em que os estúdios controlavam os atores e diretores, Hitchcock foi o pioneiro na independência de contrato. Dessa forma, ele escolhia os filmes que iria dirigir e para quem iria trabalhar.
Em Festim Diabólico de 1948, Hitchcock consegue uma tensão crescente que poucos diretores já conseguiram passar para as telas. Nada de fantasmas ou aparições, Festim Diabólico trata do real, apresentando os maiores defeitos e qualidades das emoções humanas, funcionando tanto como um simples entretenimento quanto um estudo aprofundado de personagens. Gravado totalmente em estúdio. É seu primeiro filme colorido, mas não é experimental por causa disso: ele foi filmado em apenas 10 tomadas de oito minutos cada uma. Oito minutos de filme, para a época, era o máximo que um rolo de filme podia suportar. Mas boa parte dos cortes presentes entre essas tomadas são imperceptíveis, o que torna a técnica do filme ainda mais genial. A história de Festim Diabólico é simples mas repleta de personagens que tornam o filme complexo e dinâmico, no sentido de imprevisível. É levemente baseada em um caso real de 1924, quando dois jovens Leopold e Loeb, raptaram e mataram um garoto de 14 anos, na cidade de Chicago. O caso teve grande repercussão em jornais da época. Ambos foram julgados, mas conseguiram escapar da pena de morte, sendo apenas aprisionados. Loeb morreu na prisão e Leopold saiu dela após 45 anos, morrendo no início dos anos 70. Era quase evidente que ambos eram homossexuais, mesmo que isso nunca tenha sido dito como certo. Em Festim Diabólico, Hitchcock pega apenas a premissa geral para criar o roteiro e mantém a suspeita de homossexualismo, da forma mais sutil possível, tanto que muitas pessoas nem desconfiam quando assistem ao filme. O crime tem motivo intelectual, na cidade de Nova York, Brandon (John Dall) e Phillip (Farley Granger) assassinam seu amigo David, por considerarem-se superiormente intelectuais em relação a ele. O assassinato, com uma corda, que é a primeira cena. Com toda a frieza e arrogância do mundo, eles resolvem provar para eles mesmos sua habilidade e esperteza: esconderão o cadáver em um grande baú, que servirá como mesa e estará exposto no meio da sala de estar do apartamento deles, durante uma festa que realizarão logo em seguida. Tudo torna-se ainda mais interessante ao descobrirmos que entre os convidados estarão o pai, a noiva e a tia da vítima. Nesse filme não se usa o clichê Hitchcockiano da loira sensual, que é usado em outros filmes, embora Janet (Joan Chandler) seja muito bonita, ela não é personagem de destaque do filme em momento algum e também não é loira de qualquer forma.
Disque M para matar de 1951 é um filme policial que reinventa o processo tradicional desse gênero. Em Disque M para matar, o cineasta vai longe e põe-se distante sua obra acabada não é construída em obediência aos recursos típicos do cinema da época e segue segundo a sua melhor e mais racional utilização de meios de narrativa e outra, os diálogos se arrastam explicativamente, sem aquele dinamismo funcional. É o que é mostrado nos primeiros instantes do filme, nos quais mostra Grace Kelly, a rica Margot Wendice, beijando domesticamente seu marido, seguidos da notícia e da chegada de um navio e a repetição da cena, desta vez com um beijo apaixonado de miss Kelly no seu amante. O trunfo do filme é a trama em torno do assassino, onde a observação sardônica do diretor encontra tradução apenas nas palavras ditas e muito pouco no jogo de cena ou mesmo na interpretação dos atores. Impressionante também é a interpretação de Grace Kelly como uma mulher rica e infiel, dividida entre o amante americano e o marido. É fantástica a transformação de seu rosto ao longo do filme, desde o início em que está alegre, feliz, entre o marido e o amante, até a mulher arrasada, destruída, da metade do filme em diante.
Em 1954, Hitchcock dirigiu o clássico, Janela Indiscreta, onde um fotógrafo (James Stewart), observa seus vizinhos do prédio da frente com um binóculo. Seu par romântico no filme era ninguém mais, ninguém menos que novamente é a diva Grace Kelly. O mais interessante desse filme, foi o set. Hitchcock destruiu o subsolo de um estúdio para construir o prédio da frente do fotógrafo, desse modo, ele conseguiria um ângulo tal que daria para filmar o prédio por inteiro.
Em O homem que sabia demais filmado em 1956, Hitchcock faz uma de suas aparições clássicas de costas para a câmera, no mercado marroquino, antes do assassinato. Tudo começa no Marrocos, onde uma tradicional família está passando alguns dias, aproveitando uma viagem a trabalho de seu chefe, o médico Benjamin (James Stewart). Fascinados com os costumes locais, logo eles fazem amizade com outro casal ocidental, os Drayton (Brenda De Banzie e Bernard Miles) e com o misterioso francês Louis Bernard (Daniel Gélin). O que era para ser uma viagem tranquila, no entanto, passa a assumir a forma de um pesadelo quando Bernard morre assassinado em pleno mercado público, não sem antes revelar a Benjamin que um importante líder de estado será assassinado em Londres. A idéia de Benjamin é contar tudo à polícia, mas os responsáveis pela morte de Bernard e pela conspiração descoberta por ele sequestram seu filho pequeno, para impedí-lo de fazer qualquer denúncia. Sentindo-se desprotegidos, o médico e sua mulher, a ex-cantora Josephine (Doris Day) partem para Londres, dispostos a reaver o filho e evitar a tragédia prevista pelo francês, que eles descobrem que trabalhava para o FBI. Dessa vez, ao invés de apenas um homem jogado no centro do furacão, ele vai ainda mais longe, fazendo tremer as estruturas de uma família inteira e uma família cuja mãe é Doris Day, a epítome do suburbano, do trivial. Aliada a James Stewart, escolhido por Hitchcock principalmente por representar o homem comum, Day cria um núcleo familiar com o qual qualquer espectador pode tranquilamente se identificar.
Em Um corpo que cai de 1958, o mundo conhece o “Hitchcock Zoom“, um truque de câmera utilizado para passar ao espectador a sensação de vertigem sofrida pelo protagonista através da distorção de perspectiva. Scotty ( James Stewart) é um detetive que descobre sofrer de acrofobia (medo de lugares altos) ao presenciar um colega cair do telhado de um prédio. Devido à sua condição, aposenta-se, mas é contratado por um velho amigo para investigar a sua mulher, Madeleine (Kim Novak), que aparenta estar possuída por uma ancestral suicida. Esse filme é considerado a grande obra prima de Hitchcock, principalmente por trabalhar muitos dos temas caros ao diretor, como a obsessão, o perigo de cair, o envolvimento de um homem comum numa trama insólita e a ambientação de cenas tensas em lugares famosos. Neste filme o diretor aparece novamente em cena aos exatos 11 minutos, caminhando com um terno em frente ao estaleiro de Gavin Elster.
Em 1960, Hitchcock atingiria o seu ápice. Com Psicose é um dos filmes mais lembrados de todos os tempos. Talvez não pelo o nome, mas por uma cena em particular: a morte da protagonista na metade do filme. O som estridente, a cortina rasgada e a atriz Janet Leigh nua no chuveiro fizeram da cena uma perfeição em técnica, ângulo e atuação. A loira fria, que dessa vez decidiu roubar dinheiro do banco em que trabalha, não tem o tempo de se redimir e acaba sendo morta por um psicopata com um provável complexo de Édipo. Hitchcock na época das filmagens de Os pássaros em 1963 se baseou num conto de mesmo nome da escritora britânica Daphne Du Maurier e é protagonizado por Rod Taylor, Jessica Tandy e Tippi Hedren, esta última uma descoberta de Hitchcock. O filme inovou na trilha sonora e em efeitos especiais, e por este último motivo foi nomeado para o Oscar. Tippi Hedren, mãe da então futura atriz Melanie Griffith e ganhou o Globo de Ouro.
O seu último filme foi em 1976, Trama Macabra / Intriga em Família com Karen Black e Bruce Dern.
Em 1980, Alfred Hitchcock recebeu a KBE da Ordem do Império Britânico, da mãos da Rainha Elizabeth II. Ele morreria quatro meses depois, de insuficiência renal, em sua casa em Los Angeles.
Foi indicado seis vezes ao Oscar, mas nunca levou a estatueta. Só em 1968, ele recebeu da Academia o Irving G. Thalberg pela sua filmografia. O suspense de Hicthcock distinguia-se do elemento surpresa mais característico do cinema de terror. O suspense é acentuado pelo uso de música forte e dos efeitos de luz. Nos filmes hitchcockianos, a ansiedade do espectador aumenta pouco a pouco enquanto, o personagem não tem consciência do perigo. São apresentados dados ao telespectador que o personagem do filme não sabe, criando uma tensão no espectador em saber o que acontecerá quando o personagem descobrir. Em Psicose, o próprio Hicthcock diz que fez sua melhor e preferida cena, quando somente o espectador sabe que a velha assasina está lá em cima, enquanto o detetive sobe a escada e com a câmera de um ângulo de cima, vê a porta se entreabrir, e o esperado acontece, a assassina mata o detetive, que cai escada a baixo juntamente com o foco da câmera na mão com uma faca a golpear a vitima até a morte. Essa cena descrita poderia soar muito sangrenta, agressiva e causar calafrios, é esta mesmo a intenção, afinal estamos falando do mestre do suspense, do eterno e saudoso mestre Alfred Hicthcock.

Fonte: Cinema10

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O fenômeno Fiuk


Fiuk, nome artístico e esquisito do paulistano Filipe Kartalian Ayrosa Galvão de 19 anos, que está sendo conhecido pelo grande público por interpretar Bernardo na décima sétima temporada do seriado global “Malhação ID” e por ser vocalista da banda Hori. É filho do cantor romântico Fábio Júnior e da artista plástica Cristina Karthalian. Terceiro filho de quatro irmãos: Cleo Pires (que é filha da também atriz Glória Pires), Krizia, Tainá e Záion.
Diz que sempre foi alvo constante de brincadeiras no colégio que estudava. “Os moleques me chamavam de Fabinho e eu ficava muito bravo”, lembra. Quando o jovem começou a aprender violão e a alimentar sonhos de formar uma banda, resolveu adotar o codinome Fiuk. “Quem inventou esse apelido foi o melhor amigo dele, Edson, filho do jardineiro da nossa casa”, conta Cristina, a mãe do rapaz.
A popularidade do rapaz aumentou há quatro meses atrás, quando ele passou a liderar o elenco de “Malhação ID”. Fiuk virou um dos campeões de correspondência da Rede Globo e viu o cachê e de sua banda de pop rock, multiplicar-se por dez: de 2 000 para 20 000 reais por show. No Twitter, tem mais de 323 000 seguidores.
Fiuk deu seu primeiro passo na carreira artística foi como músico e hoje é vocalista da Banda Hori que faz o estilo emocore e foi formada em 2004. Depois de algumas mudanças na formação, a banda consiste também como Max Klein (guitarra solo e vocal), Renan Augusto (guitarra base e vocal), Fê Campos (baixo) e Xande Bispo (bateria). Fábio Jr, bancou a produção do primeiro videoclipe e dos CDs demo da banda de Fiuk, o disco de estreia, lançado pela Warner, vendeu 10 000 cópias. Também também dividiu o palco com o filho no Domingão do Faustão, no fim do ano passado. Os dois cantaram a música “Pai” e não seguraram as lágrimas. “Foi muito emocionante, pois ele fez essa música para o meu avô, que morreu antes de eu nascer”, conta o galã teen.
Vem mesmo ganhando espaço e sucesso como ator protagonisando o “Malhação ID” nas tardes da Globo, cantando aliás a música de abertura da atração e não é por menos que acaba de ter uma canção de sua autoria confirmada na trilha nacional do fenômeno cinematográfico Crepúsculo e se prepara para estrear nos cinemas brasileiros com o filme “ As melhores coisas do mundo” da consagrada diretora Laís Bodanzky do premiado “Bicho de sete cabeças”.
O filme reúne reúne nomes conhecidos da boa safra de novos atores da dramaturgia brasileira para contar a história de um adolescente chamado Mano (interpretado pelo desconhecido ator Francisco Miguez), paulista de classe média que enfrenta os conflitos típicos da idade, em meio ao burburinho de uma tradicional vida escolar. Amparada por um elenco de protagonistas escolhidos entre os próprios alunos de uma instituição de ensino, Bodanzky fez um filme leve, sem grandes pretensões, mas que satisfaz o público espectador justamente por não teatralizar a representação de uma geração que não precisa ser distorcida para parecer exagerada. “As Melhores Coisas do Mundo” é um filme jovem, para jovens e seu ritmo ágil pode incomodar quem espera por um drama sóbrio e maduro. Baseado na série de livros “Mano”, dos escritores Gilberto Dimenstein e Heloisa Pietro, o roteiro é marcado por situações que só uma mente adolescente poderia prever.
Apesar de iniciantes, os novos atores surpreendem e conseguem atuações que, de tão espontâneas, beiram o cinema documental. Como é o exemplo de Fiuk, que faz o personagem Pedro, um jovem romântico e idealista, irmão do protagonista e dos sempre excelentes Caio Blat, no papel de um dos professores do colégio, Denise Fraga e Zé Carlos Machado, os pais de Mano. O uso de características mais comuns ao cinema documental, como a presença de não atores e roteiro feito em colaboração com os personagens, aliadas ao fato de que boa parte da história acontece nos corredores de um colégio real, aproximam o filme “As Melhores Coisas do Mundo” de outra produção recente, “Entre os Muros da Escola”, que em 2008 venceu a Palma de Ouro, em Cannes. O filme de Bodanzky também possui inegável qualidade estética. Embora seja convencional em sua direção, ela não perde a oportunidade de brincar com a câmera e exibe técnicas interessantes que permitem congelar o tempo ao redor do protagonista. A diretora fez um filme que, se não é a perfeita representação do jovem brasileiro, é tudo aquilo o que ele não tem coragem de mostrar.
“ A minha vida é a música. Quero tocar cada vez melhor, compor cada vez melhor, cantar cada vez melhor, diz ele pilhado às 11 da manhã tentando equilibrar um copo descartável de café, milk- shake de morango e uma porção de pão de queijo antes de começar mais um dia de gravação nos estúdios do Projac. Mas não quero deixar de atuar, pois ser ator também é uma grande paixão na minha vida. Diz o rapaz. Fiuk namora e mora junto há dois anos com a produtora de moda Natália, de 37 anos, ou seja, a diferença de idade entre os dois é de 18 anos. “ Gosto de mulheres mais velhas. Elas são mais decididas. Não tem tanto nhenhenhém.” Diz em tom bem decidido. Na verdade Fiuk é apenas um jovem de 19 anos deslumbrado, no melhor sentido da pelavra deslumbrado, com todo esse circo que é o showbiz e que queira, ou não, para a nossa sorte ou azar, ainda ouviremos falar muito deste carinha.

Fonte: Famaosfera

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tô lendo. O livro: O meu nome é Legião (Antônio Lobo Antunes)


"O meu nome é legião" começa numa noite em um bairro afastado de Lisboa quando oito garotos, um branco, um preto e seis mestiços, com idades entre 12 e 19 anos, roubam dois carros e ao alcançam uma autoestrada, passam a praticar crimes bárbaros madrugada adentro. Gusmão é um policial desiludido, ignorado pelos colegas e em vias de se aposentar, redige um inquérito sobre os oito jovens delinquentes e seus atos bárbaros ao longo dessa madrugada.
O texto, aparentemente técnico e objetivo, aos poucos se transforma em uma trama narrativa de múltiplas vozes, em que vários narradores tomam a palavra, cada qual com sua versão dos fatos e suas lembranças, criando um mosaico de contrastes sobre a injustiça e a dor na forma de um relatório policial sobre os crimes cometidos por essa gangue de garotos. Há muita violência e a forte sugestão de ódio racial, o que remete ao período colonial. Aos poucos, o policial em final de carreira que anota os fatos deixa-se levar por memórias e pensamentos aparentemente aleatórios.
A narração então se desenvolve por vias de curvas quase impossíveis e cruzamentos bruscos e inesperados. A impressão é que o livro ganha vida própria, toma as rédeas para si. A pontuação se rebela, os parágrafos são cortados no meio por estranhos parênteses, as falas surgem inesperadamente, confundindo-se com os fluxos de consciência, nem sempre com o habitual travessão. Imagens variadas passam pelos olhos à medida em que as vozes e testemunhos se alternam ou se sobrepõem.
Resumindo, o livro trata de desigualdades: raciais, sociais, geográficas, da violência urbana extremada e em última instância, do mal que nos invade como demônios, fala também de um sentimento oposto,sublime e maior à toda essa violência, que é o amor, amor pela humanidade, compaixão e altruísmo que falta as pessoas no dias de hoje. É assim mesmo que o próprio escritor vê seu romance, que considera um de seus melhores.
O título, resumo simbólico do enredo, surgiu para Antunes só no final da escrita. Vem de um episódio no Evangelho de São Lucas. Jesus se encontra com um homem nu e desfigurado, possuído por espíritos malignos, e pergunta por seu nome. E ele responde: "O meu nome é legião".

Ficha Técnica:
Autor: Antônio Lobo Antunes
Editora: Alfaguara / Objetiva
Categoria: Literatura Estrangeira (Romance)
Páginas: 336

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"Senhor, tende piedade de deles!”


Todo o Brasil ficou estarrecido vendo pela tevê nas últimas semanas a catástrofe ocorrida pelas chuvas incessantes no Rio de Janeiro. E como se não bastasse esse episódio se espalhou também por Santa Catarina, Bahia e São Paulo, que compartilharam dessa mesma tragédia. Eu pensei em todo esse drama brasileiro e foi quase inevitável na minha conversa diária com Deus, não pedir piedade para essas pessoas todas que ficaram sem casa, sem roupa, sem comida, sem os familiares e sem nada, tendo que recomeçar do zero.
Por acaso li uma matéria em uma revista há alguns meses atrás, onde uma teóloga norte-americana abordava com muita propriedade assuntos referentes às tragédias naturais diretamente ligadas as tragédias sociais, ela se referiu ao um tal “ Espírito Santo da Terra”, que próximo ao fim dos tempos, esse espírito aumenta as tragédias naturais e o desequilíbrio social. Esses sinais estariam mais frequentes e intensos nos útimos anos. Isso tudo está citado em (Lucas 21:28). “O refreador Espírito de Deus está agora mesmo sendo retirado do mundo. Furacões, tormentas, tempestades, incêndios, inundações, desastres em terra e mar, seguem-se um ao outro em rápida seqüência. Os homens não discernem as sentinelas angélicais que retêm os quatro ventos para que não soprem sem que os filhos de Deus estejam selados, mas quando Deus mandar que seus anjos soltem os ventos, haverá uma tal cena de luta que pena nenhuma pessoa na Terra sobreviverá para descrever”.
Vi também o Arnaldo Jabor que disse brilhantemente em sua crítica semanal no Jornal da Globo: “ Diante das tragédias da natureza, só nos resta tremer, calar, sentir-nos impotentes diante dos atos de Deus. Mas o que aconteceu no Rio, nos obrigar a pensar que quando as águas rolam, percebe-se com mais clareza a outra tragédia, a tragédia social. O Rio é lindo, é maravilhoso, é a cidade mavilhosa povoada por pessoas pobres e desamparadas mas não na hora da chuva, desamparados no sol, na normalidade das coisas do dia-a-dia, que vivem num cotidiano desgraçado, vivem em favelas intocadas pelo poder público há centenas de anos. No outro lado dessa calamindade, vivem os privilegiados, o lado rico da sociedade que veem essa tragédia com horror, mas pela televisão e do alto de seus prédios super chiques e protegidos. Essas tragédias só nos revelam as décadas de escravismo disfaçados, as décadas de encostas precárias e sempre prestes a desabar. Dar pra ver a ignorância das vítimas que se recusam a sair do perigo, dar pra ver o sofrimento mudo de seres invisíveis que não notamos no dia-a-dia, dar pra ver o sofrimento que só grita e chora quando filhos e pais morrem soterrados na lama. Estamos vivendo os dias mais terríveis e que os governantes ajudaram a piorar a cidade e o estado carioca. A chuva nos mostra a realidade do Rio com mais nitidez do que quando há o sol, o céu, o sul e os barquinhos que navegam só no mar e não nas vielas e ruas dessa cidade pobre.”
As favelas cariocas, como todos nós sabemos e aprendemos na escola, nasceram na guerra de Canudos, com a desmobilização das forças que combateram Antônio Conselheiro, no fim do século 19 e vieram para o Rio, acamparam-se em um de seus morros, onde seus descendentes continuaram a morrer, como no sertão baiano: a tiros, de fome, e por fim, nos desabamentos. Como o Rio não fosse exceção na ordem social de domínio, como quase todas as cidades brasileiras, reproduziu-se o mesmo modelo de ocupação urbana e de exploração de trabalho, porque as autoridades em suas mais diversas esferas, só enxergam nos homens e mulheres dos bairros dos subúrbios e das favelas apenas uma fonte de mão-de-obra barata a ser explorada diariamente e um celeiro de votos para a confirmação da ordem política. A letra da lei é bonita e mas só vale no papel, como todos nós já sabemos. É fácil, na tragédia, transferir a responsabilidade para a população, incriminando como sempre fizeram ao longo de nossa história. Porém, é negado aos pobres e aos miseráveis o direito de habitar com o mínimo de dignidade, apesar disso estar escrito em nossa constituição. Enquanto nossos homens e mulheres menos favorecidas não forem amparados com a mínima dignidade que merecem e nossas crianças crescerem sem esperança no futuro, nada está em sua ordem natural, e com chuva ou qualquer outra forma de tragédia sempre cairá sobre os mais pobres. E o que é mais revoltante pra mim, é ver na tevê a cara de pau e ao mesmo tempo de choro de nossos governantes diante das famílias que jamais terão como se proteger de um amanhã sem a menor perspectiva de vida.

(Codinome Pensador)

sábado, 10 de abril de 2010

Só para sentir e não para pensar

A distância entre o racional e o transcendental é muito vasta
Tendo nesse meio um universo onírico de devaneios e surrealidade
Como no Império dos sonhos de Lynch
Como na La dolce vita de Fellini
Onde as fontes jorram não só água mas puro estilo romântico e barroco
Alimentando assim nosso insconsciente, nossa imaginação

Não há caminho tão longe e tão perto para Cassiel e Damiel
Mensageiros elevados acima de qualquer sentimento
Que apenas andam por entre a gente sem poder nos sentir
Ao menos eles podem voam de verdade quando querem
E nós nem isso
Voamos sim, mas sem asas apenas em vôos imaginários

Eles em sua imortalidade infinita e nós na nossa mortalidade limitada
Devemos sempre ouvir o som dos sinos e ficar em silêncio
Se dar ao menos uma chance só para sentir e não para pensar
Sentir a presença, a manifestação, a proteção
Talvez seja possível de sentir e acreditar no invisível
Talvez não haja tantos mistérios assim entre o céu e a Terra.

(Codinome Pensador)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Andy Warhol, sempre pop e sempre vivo.


A exposição Andy Warhol, Mr. América foi aberta ao público neste último dia 20, onde fica em cartaz até o dia 23 de maio. São 44 filmes, 26 pinturas, 58 gravuras, 39 fotos, 44 filmes e duas instalações expostas na Estação Pinacoteca em São Paulo. A mostra foi organizada pelo The Andy Warhol Museum, de Pittsburgh, nos EUA. Grande parte das peças que integram o conjunto foram criadas quando o artista morava na lendária Factory, em Nova York, um estúdio onde trabalhava, reunia amigos e promovia festas. A mostra, que já passou por Bogotá, na Colômbia e por Buenos Aires, na Argentina, centra-se no período entre 1961 e 1968, considerado o mais prolífico da trajetória deste artista pop.
Quando iniciou sua Factory, em 1964, Warhol tinha duas obsessões na vida: ganhar dinheiro e ficar famoso, não necessariamente nessa ordem. O próprio loft, com as paredes cobertas com papel alumínio e o teto e o chão pintados com tinta prateada, acabou virando uma boa estratégia para o tão desejado sucesso. Warhol fazia questão de deixar sua porta sempre aberta para acolher as celebridades em alta e elas retribuíam com uma assiduidade de cartão de ponto. A modelo, atriz e socialite Edie Sedgwick tornou-se companhia constante. O cantor Bob Dylan também era um frequentador habitual do endereço, assim como Lou Reed e John Cale, membros da banda The Velvet Underground, que tinha justamente Warhol como empresário. O mais americano dos artistas americanos adorava uma fofoca, gastava horas ao telefone e não perdia uma boa festa. Tudo em nome da fama e do dinheiro. Aos poucos, transformou-se em um produto. Sua casa, a Factory, virou marca. E sua atitude, suas companhias, enfim, sua imagem pública converteu-se em um meio para valorizar sua obra. O também artista Charles Henri Ford definiu muito bem certa vez o estilo de vida do amigo: "Andy numa ilha deserta não seria Andy".
Andy Warhol é o nome sem dúvida o mais representativo, controvertido e conhecido do movimento chamado Pop Art, surgido na Inglaterra na década de 1950, mas que floresceu somente nos anos 1960. Os artistas da época usavam produtos do capitalismo, como embalagens e propagandas, para expressar arte, fazendo assim uma crítica ao consumo de massa, após estudar apurado nos símbolos e produtos do mundo da propaganda nos EUA, passaram a transformá-los em tema de suas obras, isso tudo fincado nas raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp. Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, a Pop Art operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo. Baseado nisso surge Andy Warhol com sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe e Che Guevara. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade. Da mesma forma e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos, dinheiro, icônicos da história da arte, como a Mona Lisa. Produziu filmes e discos, incentivou o trabalho de outros artistas e teve uma revista mensal. Além disso, muito do que era considerado brega, virou moda e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado e aproximou a arte das massas, desmitificando, já que se utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.
A obra de Andy Warhol expunha uma visão irônica da cultura de massa. No Brasil, seu espírito foi subvertido, pois, nosso pop usou da mesma linguagem, mas transformou-a em instrumento de denúncia política e social, através de artistas como: Duke Lee, Baravelli, Fajardo, Nasser, Resende, Aguilar e Antonio Henrique Amaral.
Andrew Warhola ou Andy Warhol como o conhecemos, nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, filho de imigrantes da classe operária originários de Mikó, hoje chamada Miková, no nordeste da Eslováquia. Nos primeiros anos de estudo, Warhol teve coreia, uma doença do sistema nervoso que provoca movimentos involuntários das extremidades, que se acredita ser uma complicação da escarlatina e causa manchas de pigmentação na pele. Às vezes quando estava confinado à cama, desenhava, ouvia rádio e colecionava imagens de estrelas de cinema ao redor de sua cama. Warhol depois descreveu esse período como muito importante no desenvolvimento da sua personalidade, do conjunto de suas habilidades e de suas preferências.
Aos 17 anos, em 1945, entrou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design. Logo após mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker, além de fazer anúncios publicitários e displays para vitrines de lojas. Começa aí uma carreira de sucesso como artista gráfico ganhando diversos prêmios como diretor de arte do Art Director's Club e do The American Institute of Graphic Arts. Fez a sua primeira mostra individual em 1952, na Hugo Galley onde exibe quinze desenhos baseados na obra de Truman Capote. Esta série de trabalhos é mostrada em diversos lugares durante os anos 50, incluindo o MOMA, Museu de Arte Moderna, em 1956 e passa a assinar Warhol.
Em 1968, Valerie Solanis, fundadora e única membro da SCUM (Society for Cutting Up Men - Sociedade para castrar homens) invade o estúdio de Warhol e o fere com três tiros, mas o ataque não é fatal e Warhol se recupera, depois de se submeter a uma cirurgia que durou cinco horas. Este fato é tema do filme "I shot Andy Warhol" (Eu atirei em Andy Warhol), dirigido por Mary Harron, em 1996.
Em 1987 ele foi operado à vesícula biliar. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte. Ele sumiu da vida para entrar para eternidade de milhões de fãs e vira ícone pop e eterno das artes pláticas contemporânea. E fica eternizada também sua mais conhecida frase: “In the future everyone will be famous for fifteen minutes”. No futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos. Aqui estamos nós , após 23 anos depois da sua morte: em pleno reality show, isto é, dá para dizer que Warhol de certa forma antecipou a superexposição da vida pessoal que, com a internet e seus populares sites de relacionamentos, blogs e Twitters da vida, tornou-se uma característica marcante do século XXI. Isso só prova mais ainda como um caipira de Pittsburgh tinha uma tremenda sensibilidade e genialidade para entender o presente e assustadora habilidade para antecipar o futuro.

Fonte: Uol

domingo, 14 de março de 2010

Eu vi. Filme: Bastardos Inglórios


Sinopse: 2ª Guerra Mundial. A França está ocupada pelos nazistas. O tenente Aldo Raine (Brad Pitt) é o encarregado de reunir um pelotão de soldados de origem judaica, com o objetivo de realizar uma missão suicida contra os alemães. O objetivo é matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível. Paralelamente Shosanna Dreyfuss (Mélanie Laurent) assiste a execução de sua família pelas mãos do coronel Hans Landa (Christoph Waltz), o que faz com que fuja para Paris. Lá ela se disfarça como operadora e dona de um cinema local, enquanto planeja um meio de se vingar. Ficha técnica: título original: Inglourious Basterds/ Lançamento: 2009/ Gênero: Guerra / Direção: Quentin Tarantino/ Elenco:Brad Pitt (Tenente Aldo Raine), Mélanie Laurent (Shosanna Dreyfuss), Christoph Waltz (Coronel Hans Landa), Eli Roth (Sargento Donny Donowitz), Diane Kruger (Bridget von Hammersmark), Daniel Bruhl (Fredrik Zoller).

terça-feira, 9 de março de 2010

Eles são os melhores



Depois de 51 anos de carreira o ator Jeff Bridges, que já somava cinco indicações para o Oscar e agora com a indicação pelo papel do cantor Bad Blake em "Coração Louco” ganhou seu primeiro Oscar de melhor ator da temporada 2010. Bridges era favorito destacado para ficar com a estatueta na bolsa de apostas. O filme "Coração Louco" seria apenas mais um drama, mas a atuação de Jeff Bridges fez a diferença. A história que relata a vida de Bad Blake, cantor de música country de 57 anos em declínio na carreira e na vida.
Apresentando-se apenas em locais decadentes no território americano, Bad Blake acaba conhecendo Jean (Maggie Gyllenhaal), uma jovem jornalista em busca de uma entrevista com uma velha estrela e que acaba vivendo um romance repleto de dificuldades com o cantor. Em sua estréia como diretor, Scott Cooper, consegue fazer de Jeff Bridges, estrela da produção e que consegue dar ao personagem uma difícil mistura de negligência, frieza, derrotismo e ternura, que impedem ao espectador tomar uma posição clara a favor ou contra. A ausência de pretensões artísticas do diretor favorece a narração e permite que Bridges conduza o espectador ao longo da história. Como a premiação de melhor ator, põe fim a uma das maiores injustiças de Hollywood, que nunca premiou um ator que tem talento de sobra.
A atuação é o melhor momento de Bridges, de 60 anos, desde o cult “O grande Lebowski”, de 1998, onde fez uma excepcional atuação. Já premiado pelo papel com o Globo de Ouro, o ator ganha o seu merecido Oscar. E para surpresa do grande público que ficou sabendo, que Bridges quase recusou o personagem. “Quando me ofereceram o papel, não tinham nada decidido na parte musical, que é um aspecto essencial do filme. Pensei que sem a música certa, o filme poderia virar um fiasco”, explica Bridges em entrevista em Los Angeles. Foi só quando soube que a trilha ficaria a cargo do amigo e compositor T-Bone Burnett (responsável pela música do filme “E aí meu irmão, cadê você?”, entre outros), que o ator concordou em entrar para o projeto. Para o ator a única companheira no filme é a boa trilha sonora, formada por músicas sobre perdedores e amores perdidos, no estilo do country fora-da-lei de nomes como Waylon Jennings e Willie Nelson, que também inspiraram a criação do protagonista.
“O country é um tipo de música honesta, sobre pessoas que admitem suas falhas e cantam sobre elas. A criatividade de pessoas como Bad surge do sofrimento. Eles pensam: “Eu tenho que sofrer para escrever aquele tipo de música”. Mas isso acaba se tornando um circulo vicioso”, reflete Bridges, sem esconder que também já tomou seus porres. “Tive as minhas ressacas. Sei quais são os altos e baixos, o lado bom e ruim do álcool. E sei também do medo não só do fracasso como também do medo do sucesso.” Diferente de seu personagem, no entanto, Bridges se diz mais tranquilo quanto aos efeitos do tempo. “Sessenta anos se passaram num piscar de olhos. Meu pai morreu aos 85 e, daqui a 25 anos, eu estarei com 85. É um pouco assustador sentir que sua mortalidade está próxima de você, mas também te dá certa sensação de realização. Você começar a entender que não existe mais tempo a ser perdido e que precisa realizar as coisas que quer realizar”, conclui o ator.



E a ex-Queridinha da América e ex-Miss Simpatia é agora ex-atriz-menosprezada-pelos-críticos. Em sua primeira indicação ao Oscar, Sandra Bullock, de 45 anos de idade e 20 anos de carreira, entrou como favorita e saiu como vencedora. Pelo papel de Leigh Anne Tuohy no filme Um Sonho Possível, a mãe de família e empresária que, no alto de sua riqueza, decidiu adotar um jovem negro e o encorajar na carreira de jogador de futebol americano.
Há quem diga que o papel de Leigh Anne está para Bullock assim como Erin Brockovich estava para Julia Roberts. As semelhanças são muitas: Leigh Anne Tuohy, que deu o Oscar a Bullock e Brockovich, que deu o Oscar a Roberts, foram duas mulheres reais que, mesmo acostumadas a um cotidiano de poucas resoluções extremas, conseguiram ficar conhecidas por seus momentos altruístas.
Neste sábado dia 6 de março, a mesma Sandra Bullock levou o prêmio de pior atriz do ano no Framboesa pelo filme Maluca Paixão.
O filme Um sonho possível, conta a história real de Michael Oher, um jovem sem teto com uma mãe viciada que não tem para onde ir nem com quem contar. Ou quase isso, já que um sujeito que o deixa dormir em seu sofá consegue para ele uma vaga em um colégio particular. É lá que ele acaba conhecendo Leigh Anne, personagem de Sandra Bullock, uma decoradora e ex-cheerleader, que o adota e começa a mudar sua vida, permitindo que, ao contrário das pessoas que cresceram com ele na periferia de Memphis, ele possa ir para a faculdade e ser um jogador de futebol americano.
Logo na abertura do filme, a personagem de Sandra Bullock, explica o título original do longa, um termo derivado de táticas do futebol americano. A explicação se faz pertinente para expectadores como nós, brasileiros, que não entendemos nada desse esporte, e o termo "blind side" servirá de premissa para toda a história. Quando um quarterback destro se prepara para um passe, o atacante esquerdo de seu time deve proteger seu lado cego, que seria como o ponto cego de um carro, de um ataque do time oponente. Esta explicação é a metáfora da trama, que conta a história real do hoje atacante dos Baltimore Ravens, o então problemático adolescente Michael Oher, o Big Mike, o ótimo Quinton Aaron. Vale muito no filme é a atuação de Bullock, que teve merecidamente a premiação de melhor atriz no Oscar 2010, até por ser sua primeira personagem forte, em todos esses anos de carreira.
Por causa de sua altura e força, o personagem de Quinton Aaron, consegue estudar numa escola para ricos, já que lá apostam que ele pode ser um bom jogador de futebol americano. Mas Big Mike mal tem o que vestir, enfrenta inúmeras dificuldades para estudar e não consegue se comunicar. Com 15 minutos de filme já sabemos onde isso tudo vai parar e já é possível sentir aquele aperto no coração: Leigh Anne Tuohy conhece Michael e resolve ajudar o rapaz.
Loira, perua, engraçada e extremamente amorosa, Leigh Anne Tuohy é o tipo de mulher fútil que acaba sendo um exemplo de bondade ao adotar Mike e dar a ele as oportunidades que a vida lhe negou. O rapaz, que mal consegue esboçar um sorriso, acaba percebendo a importância de um lar e começa uma aparentemente não promissora carreira no futebol. Apesar de ser mais um daqueles típicos filmes americanos em que o protagonista supera todas as dificuldades para vencer na vida, Um Sonho Possível tem muitos méritos. Entre os que já foram citados e o maior deles talvez seja o esforço enorme que a direção e o roteiro de John Lee Hancok, adaptado do livro The Blind Side: Evolution of a Game, fazem para que o longa não seja piegas. E ele consegue. Vamos admitir que isso é um feito e meio caminho andando para que a boa aceitação do público. E claro, a boa química entre Sandra Bullock e Quinton Aron também ajudou muito.

Fonte: Cinepop

O brilhantismo da senhora H


A visita ao Brasil da secretária do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, nesta terça-feira do último dia 2 de março, pela primeira em visita oficial ao país, onde reuniu-se com senadores e deputados brasileiros para discutir temas como o Irã, o reconhecimento do governo golpista de Honduras, as propostas do governo Obama para a América Latina e a velha cantilena que o Brasil é importante parceiro dos EUA na preservação da democracia na América Latina.
O programa nuclear do Irã é um dos principais temas da pauta de encontro, destacando que Lula, que foi criticado por ter recebido o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad e por defender o direito de o país desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos e já até tem visita agendada ao país do Oriente Médio em maio. Hilary está no Brasil para tentar atenuar o impacto das posições do governo Lula sobre temas como esses e os mesmos foram discutidos a portas fechadas com parlamentares no gabinete do presidente do Senado, José Sarney.
Deputados do PT, em resposta à clara intervenção de Hilary em assuntos internos do Brasil, questionaram a miséria nos EUA, a falta de atendimento médico a mais de 40 milhões de cidadãos norte-americanos, as intervenções militares em países do Oriente Médio e no Afeganistão, a morte de civis em flagrante violação aos direitos humanos, a prisão de Guantánamo e outros pontos, como o eixo EUA/Israel. Hilary esteve com o chanceler Celso Amorim e estranhou as diferenças entre o ministro brasileiro de Lula e os dois ministros de FHC.
Houve um momento de orgulho nesta visita, era o sentimento comum entre a diretoria, alunos e conselheiros que estiveram presentes no encontro com a secretária de Estado dos EUA, na Faculdade Zumbi. E mobilizou a imprensa nacional e internacional, personalidades e empresários. Os alunos que esgotaram a disponibilidade de credenciamento em apenas 3 horas no dia anterior, estavam extasiados. Além de ser um momento de orgulho, foi também um momento chave para história do povo brasileiro. “Ouvir uma pessoa tão importante e engajada, nos remete a uma reflexão. Temos de deixar de ser uma nação do futuro e nos tornarmos uma nação do presente”. Disse Luciano Palmeira, aluno do 7º semestre do curso de Administração.
Foi com lotação máxima que o auditório, com mais de 800 pessoas, ficou em total silêncio quando Hillary subiu ao palco, após apresentação do Coral Zumbi dos Palmares, que fez pout pourri, com as músicas “Brasileirinho” e “Asa Branca”. Mais o ponto alto do bate-papo foi quando o cordenador do curso de Direito da zumbi e promotor de justiça, Nadir de Campos, fez Hillary sorrir ao chamá-la de “O cara”, parafraseando o presidente Obama quando se referiu ao presidente Luis Inácio Lula da Silva, em certa ocasião.
A visita da Secretaria de Departamento dos EUA terminou depois de avistar-se com Lula, em São Paulo e foi aquilo mesmo que já era esperado, ela veio só para bater o cartão e mostrar que a administração Obama está comprometida com as relações bilaterais e toda aquela conversa que a gente já estamos cansados de ouvir.
Fora essa previsível visita. A tragetória politica e de vida de Hillary Diane Rodham Clinton é simplemente brilhante, nasceu no dia 26 de outubro de 1947, em Chicago, Illinois. Criada em uma família conservadora, chegou a fazer campanha para o candidato republicano à presidência, Barry Goldwater, aos 16 anos, antes de ingressar no Partido Democrata, onde permanece até hoje. A mudança de orientação política foi influenciada, em grande parte, por seu ingresso, em 1965, no curso de Ciências Políticas da Wellesley College, em Washington. Outro fato que marcou decisivamente o destino político de Hillary foi o assassinato de Martin Luther King Jr, líder dos direitos cívis, em 1968.
Em 1969, Hillary entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de Yale. Um ano mais tarde, ela conheceria Bill Clinton, com quem viria a se casar em 1975. Durante o curso, ela trabalhou no comitê sobre trabalho de imigrantes do senador Walter Mondale, pesquisando questões como moradia, saneamento, saúde e educação, na campanha do candidato democrata à presidência, George McGovern e no Yale Child Study Center, aprendendo sobre novas pesquisas sobre desenvolvimento incial do cérebro em crianças. Hillary também assumiu casos de abuso infantil no Yale-New Haven Hospital. Seu projeto de conclusão de curso, uma tese sobre os direitos da crianças, já apontava a direção que ela seguiria nos anos seguintes. Em 1973, iniciou uma pós-graduação na Yale Child Study Center.
Em 1978, já casada, Hillary teve que conciliar o trabalho que fazia no respeitável escritório Rose Law Firm, especializado em casos de propriedade intelectual, com as responsabilidades de primeira-dama. Bill fora eleito governador do Arkansas. O título, mal sabia, a acompanharia por muito anos. Depois de uma nova passagem pelo governo do Arkansas em 1982, Bill Clinton tornou-se presidente dos EUA, 1993. Hillary serviu como primeira-dama até 2001.
Nomeada pelo National Law Journal como uma das 100 mais influentes advogadas dos Estados Unidos, Hillary foi a primeira primeira-dama a ter uma pós-graduação e a primeira a ter uma carreira profissional de sucesso. Ela é considerada a mais poderosa esposa de um presidente na história americana desde Eleanor Roosevelt.
Enquanto primeira-dama, Hillary ganhou muitos admiradores devido seu apoio aos direitos da mulher e o bem-estar de crianças em todo mundo. Ela lutou pela vacinação de todo o país contra a doenças infantis e apoiou mulheres a fazerem anualmente a mamografia para a prevenção de câncer de mama, com os custos do exame pagos pelo sistema público de saúde. Ela também viabilizou a criação do Office on Violence Against Women e foi uma das poucas figuras internacionais a se opor ao tratamento dado a mulheres afegãs pelo Talibã. Um dos programas que ela ajudou a criar foi o Vital Voices, uma iniciativa apoiada pelos EUA para promover a participação de mulheres no processo político de seus paises.
Hillary também ganhou muitos admiradores ao manter a dignidade durante o maior escândalo sexual da história recente dos EUA. Ela compartilhou com o país e o mundo a traição de Bill Clinton, que teve um caso com uma estagiária da Casa Branca. Ao mostrar força e lealdade no escândalo que envolveu seu marido, ela conquistou os EUA e deixou o papel de coadjuvante para se tornar personagem principal.
Não demorou para que a primeira-dama despontasse no cenário político. Em 2001, Hillary foi eleita senadora pelo estado de Nova York, sempre com o apoio de Bill e da filha do casal, Chelsea. Desde então, a ex-primeira-dama concorreu à Presidente dos EUA e hoje é a secretária do Departamento de Estado dos EUA nomeada pelo Presidente Barck Obama sob total total confiança e com muitos elogios de que ela demonstraria no seu gorverno como secretária com uma "tremenda estrutura política, brilhantismo intelectual e capacidade de trabalho” como nenhuma mulher daquele país seria capaz de ser.

Fonte: Globo.com

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tô ouvindo: CD Hein! da Ana Canãs


Ana Cañas só tem sobrenome hispânico, mas é brasileiríssima. Hoje com 28 anos e vinda do circuito alternativo, ela se formou em Artes, uma área que não tinha muito a ver com o que ela supostamente iria realizar. Hoje, ela é umas das cantoras cotadas para entrar no seleto hall de divas da nossa música. Diferentemente de todas as cantoras que você já ouviu falar. Quando criança, ela não cantava em churrasco de família e não ouvia a coleção de vinis dos pais nos toca-discos de sua casa. Ela também não fez aula de canto e sempre teve o sonho de ser professora de teatro. Aos 22 anos tudo isso mudou. Ana descobriu o jazz, e com o ritmo, a sua própria musicalidade.
Ana Cañas não gosta de rótulos. "Sou uma amante da liberdade artística", levanta sua bandeira. É por isso que seu novo disco intitulado "Hein?", soa tão inquieto com suas influências. Ana Cañas que despontou na cena paulistana cantando standards de jazz agora também é rock, é reggae, é pop e é música brasileira. "Eu tenho uma preocupação em não ficar enlatada, que faz parte da minha personalidade. Não gosto da idéia de resumo, de agora me chamarem de rock. Gosto da pluralidade", diz a cantora.
Hein?, segundo disco da carreira ainda curta de Ana Cañas, chegou às lojas sob a produção de Liminha e com 11 faixas de autoria própria, além de uma releitura para Chuck Berry fields forever, do Gilberto Gil de Doces Bárbaros de 1974. A irreverência da cantora e a força de sua interpretação dialogam com eloquência nos 56 minutos do disco. “O nome do CD significa uma vontade de comunicação. Você não pode dizer hein? para alguém que você não esteja realmente interessado em compreender uma informação”, afirma ela.
O primeiro trabalho dessa cantora de 28 anos, foi "Amor e Caos", foi lançado no final de 2007 com uma sonoridade que não traduzia o verdadeiro potencial de Ana Cañas. "Aquele é um disco auto-afirmativo demais, a ponto de eu escrever uma música chamada A Ana. Eu poderia ter sido mais ampla nos questionamentos, mas existe uma tranquilidade de entender que foi o que a minha maturidade me permitiu fazer naquele momento", ela explica.
Com Hein?, Ana enfrentou a temida pressão do segundo disco e desafiou seu próprio repertório, com novas composições e novos rumos para sua música. "Você lança o primeiro disco e é 100% nova, as pessoas não te conhecem. No segundo álbum existe uma relação referencial com o anterior e o que você vai negar, reafirmar e criar. Esse segundo CD é mais relaxado, no sentido de não precisar me auto-firmar. É mais intenso e rígido na sonoridade", descreve.
Para construir seu novo disco, a cantora mergulhou na obra dos Os Mutantes e pincelou dali algumas influências que aparecem em Hein?. A faixa de abertura, Na Multidão, que tem participação de Arnaldo Antunes, é a que melhor deixa transparecer toda a inspiração em Rita Lee. "Mutantes tem uma obra muito sofisticada. E a Rita é uma mulher que tem uma carreira sólida e que sempre soube o que queria, de uma forma leve. Ela mostra como o brasileiro é muito bem humorado", diz.
Ana também é bem humorada, mas a primeira música de trabalho do novo disco,chamada Esconderijo, traz a frase: "procuro a solidão como o ar procura o chão", que soa como paradoxo num registro em que predominam vontades como diversão, dançar, planejar fuga e ficar mais louca. "Na verdade, eu fiz essa música pensando em paixão. Sabe quando você está num momento de monotonia na vida e, de repente, você se apaixona por alguém e tudo muda? Tem um universo que começa a gravitar em torno da pessoa. A música Esconderijo é um refúgio e uma abertura da troca", completa a cantora.
Em Hein?, Ana se entrega à interpretação sem ser superficial ou blasé. Ela brinca com os sons, faz scats, os chamados improvisos vocais com sílabas sem sentido, e usa sua voz como mais um instrumento da banda. "Tenho essa mania de ficar pervetendo a melodia", fala. Os maneirismos vocais improvisados que remetem a Ella Fitzgerald mesclam com bons momentos de arranjos e melodias que lembram uma Peggy Lee mais rock and roll na música Na Medida do Impossível, mas flertam também com um reggae inexpressivo na faixa Sempre Com Você.
Além de Liminha na coordenação e como parceiro na composição, Ana recebe como convidados Arnaldo Antunes, com quem dividiu cinco temas, e Dadi Carvalho dos Novos Baianos e do Barão Vermelho. Gilberto Gil empresta sua Chuck Berry fields forever para Ana e é quem executa o violão na música. "Acho a letra uma pérola da música brasileira, me identifico com a passagem que diz que rock é o nosso tempo, porque eu estou descobrindo o rock.
A cantora se preocupa também com a estética de seu trabalho. Mesmo em tempos de internet, em que o encarte que acompanham os CDs parece uma peça antiquada, os discos de Ana Cañas vêm bem acompanhados por arte elaborada com fotos e design. "Eu tenho um irmão fotógrafo, convivo com artistas plásticos e sempre me questiono: qual é a imagem que vou trazer para complementar o disco?”. Tenho o hábito de ir à loja e comprar um CD porque gostei da capa. Acho relevante e penso nisso porque eu sou assim".

Faixas do CD:

1. Na multidão
2. Coçando
3. Na medida do impossível
4. Esconderijo
5. Sempre com você
6. Chucky Berry fields forever
7. Gira
8. Problema tudo bem
9. Aquário
10. A Menina e o cachorro
11. Não quero mais
12. O Amor é mesmo estranho

Fonte: Imúsica

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alô fevereiro

Não só foram as alegrias de carnaval que povoaram os dias desse mês de fevereiro 2010, teve o lado negro da coisa, como o terremoto no Chile, uma das piores catástrofes naturais já ocorridas por lá. E não foi um terremoto simples, foi um terremoto de magnitude 8.8 na escala Richter. O maior terremoto dos últimos 100 anos abalou edifícios na capital Santiago e gerou um tsunami na costa do país.
Não podemos esquecer da vexatória prisão e o afastamento do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Que de acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a permanência de Arruda no cargo poderia constranger e atrapalhar as investigações, até porque o governador foi apontado como o comandante de um suposto esquema de distribuição de propina a aliados. Em resumo mais um motivo para brasileiros conscientes como eu, sentirem uma total vergonha da política brasileira.
Não posso esquecer de falar dos jogos de inverno de Vancouver 2010. Particularmente, melhor que as Olimpíadas normais, na minha humilde opinião, as Olimpíadas de inverno foram sensacionais e me hipnotizaram com o show de imagens, habilidades, sincronia, beleza e elegância dos atletas. Pensando bem agora, não sei mais o que me fascinou nesse jogos de inverno, se é a beleza e o charme do Canadá e suas montanhas cobertas de neve ou se as competições. Só seu que adorei tudo. E já estou ansioso para próxima edição na Rússia em 2014.
Também aterrisou por aqui, a não menos hipnotizante e uma das artistas mais completas artistas da atualidade na música pop. Ela canta, dança, compõe, produz e atua, é até uma atriz talentosa. Estou falando da Beyoncé, ou melhor da Diva Beyoncé, que fez shows em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Nas apresentações de São Paulo e Salvador, Beyoncé dividiu a noite com a nossa também não menos diva maravilhosa Ivete Sangalo. O show das duas divas na capital baiana marcou a abertura do carnaval 2010 na cidade.
Já que estou falando do furação Ivete Sangalo, nesse carnaval a musa baiana se viu envolvida em uma polêmica, por popularizar a música “Lobo mau” que já tinha sido vetada por outros artistas e por ter em sua letra insinuações que incitaria a pedofilia. Polêmicas à parte, Ivete reinou belíssima vestida de vários bichinhos no desfile do seu bloco no tradicional circuito Osmar ao som do seu novo hit carnavalesco intitulado “ Na Base do Beijo”.
O que esperar do mês de fevereiro após o carnaval. Como diz a letra da música: “...De um lado esse carnaval de outro a fome total..." Enfim...A vida continua, segue seu curso natural, é assim mesmo e tudo volta para o seu devido lugar. É comum ouvirmos desde de sempre, que o ano só começa depois do carnaval e de tanto ser repetir essa máxima acaba se tornando verdade em nossas cabeças. Já prestes a acabar esse fevereiro, é hora de colocar em prática as promessas que fizemos na virada do ano, não esperar mais, não deixar que as oportunidades de sucesso se transformem em confetes de carnaval, a hora é agora, vamos a luta, sigamos em frente que atrás vem gente, muita gente mesmo, vem aí os nossos concorrentes na vida e que estejamos a altura deles. Sucesso e paz pra todo mundo!

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Perfeita imperfeição

Devemos ter olhos diferentes para olhar a perfeição
Ter um outro estado de espírito mais elevado, ter uma outra aperfeiçoada percepção
Em universos paralelos nem tudo é perfeito como se deve ser

O florescer das flores, o anoitecer do dia , as musas da imaginação
Observo tudo que é subsistente no mundo, vejo que em tudo há uma perfeição
É desumano pensar em perfeição com tanta imperfeição humana

Só com o maior dos sentimentos chegaremos a alcançar a perfeição
Só com perfeição para fazer todas as coisas terem o seu sentido certo
Mas não espere sentado, se torne merecedor da perfeita solução

Busque o melhor do seu ser, busque o melhor do seu coração
Esteja preparado para discutíveis imperfeições que possam ocorrer
Só não se distraia com seu ego e ache a forma certa para não se perder

Tudo que é perfeito tem o toque supremo e preciso do dedo divino
Esse mundo nos mostra que não somos perfeitos mas queremos a perfeição
Uma utopia possível que praticamos todos os dias da forma mais sonhada

A função da perfeição é mesmo nos mostrar nossa própria imperfeição
Esse conceito que cria dentro de nós a essência de nossos desejos
Ser perfeito é cultivar nossas virtudes e procurar amenizar os defeitos

Talvez nossa vida só tenho sentido com esse buscar eterno pela perfeição
Talvez nunca chegaremos a lugar nenhum e no final se descubra a frustação
Porque o perfeito é somente perfeito e na verdade não precisa de mais nada.

(Codinome Pensador)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um casal mais que perfeito


A patinação no gelo é o esporte mais bonito que existe e carrega em si um visual explicitamente romântico, ainda mais quando se tem patinando, um casal como os chineses Shen Xue e Zhao Hongbo. O casal (marido e mulher) ganharam na competição por casais de patinação artística dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver 2010 a medalha de ouro em Vancouver 2010 e se tornaram as maiores feras da parada na dessa modalidade esportiva na atualidade.
Não sei se quando eles chegam em casa eles brigam como todos os casais do mundo, feito meramente simples mortais, só sei que quando estão juntos com os patins nos pés, eles nos revelam que são semideuses, acima do bem e do mal e temos a visão do paraíso quando com toda sincronia e beleza que eles tem competindo. Não é preciso entender do assunto para perceber que eles são absolutamente fantásticos, perfeitos e feitos um para o outro. Eles terem ganho a medalha de ouro na competição por casais de patinação artística dos Jogos Olímpicos de Inverno Vancouver 2010 é totalmente merecido.
Shen, de 31 anos, e Zhao, de 36 anos, tinham se aposentado em 2007 após conseguirem seu terceiro título mundial, mas decidiram retornar para tentar ganhar o ouro olímpico, que com todo merecimento conquistaram. Os russos Yuko Kavaguti e Alexander Smirnov, atuais campeões europeus, ficaram com o quarto lugar, não conseguindo manter o domínio soviético e russo, que venceram a prova em todas as edições desde Innsbruck 1964 até Turim 2006.
Ao lado do marido Hongbo Zhao, a chinesa Xue Shen comemorou a conquista e no alto do pódio fez questão de ressaltar a dificuldade na competição. De acordo com a campeão olímpica, a concentração da dupla antes da prova foi um dos fatores importantes para subir ao lugar mais alto do pódio. "Eu teria que dizer que a principal diferença está nos detalhes", disse Shen. "No dia anterior nos concentramos em bater os níveis de dificuldade nos nossos elementos. Agora, vamos nos concentrar em aperfeiçoar os detalhes e em trazer todos os elementos juntos", completou a chinesa.
Hongbo e Xue são casados há dois anos e pouco, mas tem uma sincronia que vem de há mais tempo. Começaram a patinar juntos, ainda amigos, em 1992. Foram para Nagano em 1998 (já namorando) e surpreenderam o mundo com um quinto lugar. Bons ajustes que resultaram na prata do Mundial em 99. Neste tipo de evento, os pódios se repetiram mais cinco vezes, com um tricampeonato em 2002, 2003 e 2007. Nos dois Jogos de Inverno passados levaram bronze, mas cada um levou sua medalha para a própria casa. Namoro sério, no sofá da sala. Até que, após o tri mundial de 2007, Hongbo pediu Xue em casamento. Agora, casados e eternos namorados. Fora e dentro do rinque de patinação. Você poderia perguntar quais foram os presentes que eles trocaram nesse último “Valentine's Day”? (que é o dia dos namorados pelo o mundo, que é diferentemente daqui do Brasil, é comemorado lá em 14 de fevereiro). Pois eu digo: Foi o mesmo presente. Ambos quebraram o recorde mundial do programa curto com 76,66 pontos. Quer melhor presente para esse casal afinado, amoroso e o mais que perfeito da patinação artística no gelo? Claro que não.

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hino do Carnaval Brasileiro

Salve a morena

A cor morena do Brasil fagueiro

Salve o pandeiro

Que desce do morro prá fazer a marcação

São, são, são

São quinhentas mil morenas

Loiras, cor de laranja, cem mil

Salve, salve

Teu carnaval, Brasil

Salve a loirinha

Dos olhos verdes cor das nossas matas

Salve a mulata

Cor de canela, nossa grande produção

São, são, são

São quinhentas mil morenas

Loiras, cor de laranja, cem mil

Salve, salve

Teu carnaval, Brasil.


(Lamartine Babo)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O poder feminino atrás das câmeras


Em mais de oito décadas de Oscar, apenas três mulheres foram indicadas ao prêmio de melhor direção: Lina Wertmüller por Pasqualino Sete Belezas (1975), Jane Campion por O Piano (1993), e Sofia Coppola por Encontros e Desencontros(2003). Nenhuma delas venceu, embora Jane e Sofia tenham levado a estatueta de melhor roteiro original por seus respectivos filmes. Em 2010, essa história de exclusão pode ter um novo e histórico capítulo.
A californiana Kathryn Bigelow, aos 58 anos, tem chances concretas de ser a primeira cineasta a vencer o prêmio. Levou muitos dos principais prêmios da crítica, unânime ao festejar o vigor e a originalidade com que conduziu o seu excepcional drama bélico Guerra ao Terror, que retrata o dia a dia de um esquadrão encarregado de desarmar bombas na ocupação norte-americana do Iraque.
Longe de ser uma patriotada, o longa tem a audácia de ao mesmo tempo que pode ser visto como um eletrizante filme de guerra, também dissecar a dor física e psicológica a que todos, soldados e a população do país, são submetidos, que nos final das contas ninguém sai ganhando.
Muitos críticos vem elogiando o trabalho de Kathryn, sobretudo por ter se aventurado em um gênero cinematográfico masculino por excelência. Já comparado a clássicos como Apocalipse Now (1979) de Francis Ford Coppola e Nascido para Matar (1987) de Stanley Kubrick, te¬¬ria como trunfo, além de contar uma grande história de forma original, mergulhar fundo na subjetividade dos personagens, que por sinal são todos homens.
Quem acompanha a filmografia da diretora, que inclui filmes como Caçadores de Aventuras (1991) e Estranhos Prazeres (1995), sabe que essa preferência por gêneros teoricamente pouco femininos não se trata de uma novidade.
Mas Kathryn não é a única mulher a fazer sucesso por trás das câmeras nesta temporada de prêmios. A dinamarquesa Lone Scherfig, mulher de vanguarda, que foi pioneira ao dirigir com os conceitos radicais do movimento Dogma 95 e fez a simpática comédia Italiano para Principiantes, de 2000, que lhe valeu um Urso de Prata em Berlim. Tem seu mais recente trabalho intitulado Educação, que foi um sucesso de crítica, é ambientado nos anos 60, antes dos Beatles e dos Rolling Stones e está entre os dez cadidatos ao Oscar de melhor filme.
Educação, ao contrário de Guerra ao Terror, tem como personagem central uma mulher e mostra a transição da jovem Jenny, vivida pela atriz Carey Mulligan, forte candidata ao Oscar de melhor atriz, que vai da adolescência à idade adulta, na Grã-Bretanha do início dos anos 60, na passagem do período ultra-rígido que se seguiu à Segunda Guerra Mundial para os tempos liberais que viriam a seguir, com a contracultura e a revolução sexual.
Tem o lírico Brilho de uma Paixão, que merece ser visto, da talentosa diretora Jane Campion, que injustamente só foi indicado a uma só categoria do Oscar, de melhor figurino feito por Janet Patterson, se passa no século XIX e conta a história do romance do poeta John Keats e Fanny Brawne, tem as maiores chances, principalmente, porque a academia adora um figurino de época, e deve levar uma estatueta para casa.
A diretora Nora Ephron, que é conhecida por cenas inesquecíveis como aquela do filme Harry e Sally de 1989, na qual a moça simula um orgasmo, sem economizar gemidos e gritos, em pleno restaurante, para provar que as mulheres sabem fingir muito bem. Dessa vez Norah Ephron também escolheu como tema comida e sexo, o amor e suas delícias e amargores. Julie e Julia filme é baseado em histórias reais contadas nos livros Julie e Julia de Julie Powell e Minha vida na França de Julia Child. Nora assina o argumento e a realização dessa comédia cheia de charme que sabe ocupar o seu lugar como película despretensiosa e aproveitar, de forma excepcional, o extraordinário talento de Meryl Streep, bem acompanhada por Amy Adams e Stanley Tucci. E que deu à 16 indicação à Meryl Streep, em 30 anos de carreira, ao prêmio de melhor atriz, com essa sua aclamada atuação.
Este é um filme sobre duas mulheres e as suas histórias e pouco mais. Tal não é necessariamente negativo, bem pelo contrário. Numa altura em que os filmes femininos de Hollywood pautam pela rotineira exploração dos conflitos entre sexos, Julie e Julia surge como um saudável desvio do marasmo. É uma estória e uma história que aqui se contam, salpicada por momentos de grande comicidade que, apesar de tudo, não deixam de dever muito às excelentes interpretações, reveladoras de um excelente trabalho de casting. De fato e de um ponto de vista técnico e prático, Julie e Julia, transpira qualidade, sobretudo na caracterização de Paris dos anos 50, a arquitetura, o guarda-roupa, a intriga política e já agora, do magnífico aspecto da comida que vai aparecendo. Desaconselha-se a ida ao cinema de barriga vazia, portanto, dado o potencial salivante de alguns planos.
Sem esquecer e para finalizar com o nosso cinema latino-americano que também está sendo feito por mulheres em uma ótima fase. No Brasil há um número substancial de diretoras em atividade, como Laís Bodanszky de O bico de sete cabeças e Tata Amaral de Um céu de estrelas. Da Argentina, Lucrecia Martel, de O pântano e A mulher sem cabeça, já é um nome consolidado e uma referência internacional. Mas veio do Peru o melhor longa-metragem produzido no continente em 2009: o brilhante e poético A teta assustada, de Claudia Llosa, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim que está entre os cinco candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano.

Fonte: Webcine

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Eu vi. O filme: Abraços Partidos


Sinopse: Há 14 anos, o cineasta Mateo Blanco (Lluís Homar) sofreu um trágico acidente de carro, no qual perdeu simultaneamente a visão e sua grande paixão, Lena (Penélope Cruz). Sofrendo aparentemente de perda de memória, abandonou sua posição de cineasta e preservou apenas seu lado de escritor, cujo pseudônimo é Harry Caine. Um dia Diego (Tamar Novas), filho de sua antiga e fiel diretora de produção, sofre um acidente, e Harry vai em seu socorro. Quando o jovem indaga Harry sobre seus dias de cineasta, o amargurado homem revela se lembrar de detalhes marcantes de sua vida e do acidente. Ficha técnica: Título original: Los Abrazos Rotos/ Lançamento: 2009 (Espanha)/ Gênero: Drama/ Direção: Pedro Almodóvar/ Elenco: Penélope Cruz (Lena),Lluís Homar (Mateo Blanco / Harry Caine), Blanca Portillo (Judit García), José Luis Gómez (Ernesto Martel), Tamar Novas (Diego), Rubén Ochandiano (Ray X).

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Achados e perdido

Continuo em busca
Por isso me senti perdido
Perdido de mim mesmo
E dos meus outros

Metades para tentar ser um
No meu continente desconhecido
Que preciso achar, preciso me achar

Achados da vida
Lembranças, amores, sabedoria
Pessoas, perguntas, palavras
Conquistas, simplicidade, doação

Quando me senti perdido
A vida me mostra seus muitos caminhos
Quando me senti perdido
Penso no futuro

Me encontrar, para não se sentir perdido
Reviver, não é só viver de novo
É me encontrar.

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ode aos nossos monstros

Um doloroso sentir e vem a mais intensa falta de alegria
E ser atingido pela ausência de coragem
Num amargo deleite entre melancolia e a esperança
Se curar, só o tempo com toda a sua sabedoria

Olhamos para dentro de nós, olhamos para o nosso coração
Descobrimos então uma singela e inútil ilusão
Arrependimento de não guerriar diante de uma situação
Descobrimos a ciência da sabedoria que tem os nossos erros

Compreender o sabor venenoso das palavras cruéis
No impulsivo desejo dizer tudo que se sente
Compreender a dor que existe na própria dor
Na energia que inflama o amor e que faz o mundo girar

Buscar degraus, hábitos e atos acima do céu
Uma superioridade pretenciosa que não nos faz crescer
Aumentando cada vez mais o deserto da nossa solidão
Olhar nossa vida ferozmente para que milagres possamos merecer

Milagres que os nossos monstros não nos deixam ver
Não nos enxergamos, não vemos mais a nossa própria sorte
Estando cegos e doentes na maior das pestes sociais
Voltados para nós mesmos, voltados para a nossa própria morte

Agora é o momento de esperar o cosmo gigante se abrir
Agora é a hora exata do medo sumir e de vez se extinguir
Agora é o momento do anjo abrir suas asas para que possamos subir
Agora é a hora de vencer obstáculos e ganhar prêmios por evoluir.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os 15 melhores filmes de 2009

Para que é fã de cinema e adora sair para assistir a um bom filme ou mesmo alugar um DVD, 2009 foi um ano maravilhoso. Veja a lista dos 15 melhores filmes de 2009:

Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino)
Inimigos Públicos ( Michael Mann)
Amantes ( James Gray)
Aquele querido mês de agosto ( Miguel Gomes)
Gran Torino ( Clint Eastwood)
Quem quer ser um milionário ( Danny Boyle)
Foi apenas um sonho (Sam Mendes)
A troca (Clint Eastwood)
O curioso caso de Bejamin Button (David Fincher)
Dúvida (John Patrick Shanley)
Valsa com Bashir (Ari Folman)
Entre os muros da escola ( Laurent Cantet)
Sinédoque Nova York ( Charlie Kauffman)
Alexandra (Aleksandr Sokurov)
Rio Congelado ( Courtney Hunt)

Fonte: ACCPA (Associação dos críticos de cinema do Pará)

Saudades do eterno João Cabral de Melo Neto


Se estivesse entre nós, o poeta João Cabral de Melo Neto completaria neste 9 de Janeiro de 2010, 90 anos. Escritor recifense, é um dos maiores representantes da literatura brasileira, nasceu em 1920 e morreu em 1999 e até hoje, estranhamente, a causa de sua morte não foi divulgada.
Aos 79 anos, já praticamente cego, sofrendo de depressão e problemas cardíacos, o poeta manda chamar um padre e pede a extrema-unção. Talvez ouvisse uma palavra d’alma mostrando que sua hora chegara e talvez sentisse que rezar um pouco lhe fizesse bem. Talvez. Estava em sua casa, na zona sul do Rio, ao lado dos próximos, e segundo seu filho, naquele momento era um homem sereno e em paz.
O escritor inovou a linguagem poética, deixando de lado o lirismo que influenciou várias gerações de poetas brasileiros. Com um estilo único, publicou livros que se tornaram clássicos da literatura nacional. Um dos mais famosos foi o Auto de Natal e Morte e Vida Severina, publicado na década de 50. O poema foi levado ao cinema, ao teatro e à televisão.
Quando morre um poeta, morre um pouco de cada um daqueles que amam a poesia. Fragmentos nossos morrem junto porque o egoismo do autor leva com ele um naco do nosso encanto, da nossa paz, leva com ele uma porção da nossa alma, da emoção dos dias de sol, das tardes de doçura, das noites de calmaria que a sua poesia proporcionou. Ainda que tenha deixado sua obra e sua lembrança, a morte de um poeta é sempre uma violência ao patrimônio humano, uma agressão. Ele morre e fica um vazio, um escuro, ficam câimbras no coração. João Cabral de Melo Neto foi um dos maiores poetas da língua portuguesa, e talvez, junto com Drummond, seja a mais importante expressão poética nacional do século XX.
Acadêmico das letras brasileiras desde 1968, indicado ao Prêmio Nobel por cinco vezes, diplomata com direitos consulares em Barcelona , Londres, Marselha, Madrid entre tantos outros cantos culturais do planeta, João acumulou densidade, prêmios, obras e leitores ao longo de uma vida de grande fecundidade literária. Publica seu primeiro livro aos 22 anos ( Pedra de Sono), o segundo aos 23 (Os Três Mal-Amados), e assim continua numa constante vida de poesia e diplomacia que deságua em 1956 com (Duas Águas), onde assombra e encanta a todos com (Morte e Vida Severina), (Paisagens com Figuras) e (Uma Faca só Lâmina). Nos seus últimos anos, na década de 80 e 90, publica (A Escola das Facas) em 1980, (Auto do Frade) 1984, (Agrestes) 1985, (Crime na Calle Relator) 1987, (Primeiros Poemas) 1990 e (Sevilha Andando) 1990 entre tantas outras reedições, revisões e coletâneas.

" A atmosfera que te envolve
atinge tais atmosferas
que transforma muitas coisas
que te concernem, ou cercam.

E como as coisas, palavras
impossíveis de poema:
exemplo, a palavra ouro,
e até este poema, seda.

É certo que tua pessoa
não faz dormir, mas desperta;
nem é sedante, palavra
derivada da de seda.

E é certo que a superfície
de tua pessoa externa,
de tua pele e de tudo
isso que em ti se tateia,

nada tem da superfície
luxuosa, falsa, acadêmica,
de uma superfície quando
se diz que ela é “como seda”.

Mas em ti, em algum ponto,
talvez fora de ti mesma,
talvez mesmo no ambiente
que retesas quando chegas,

há algo de muscular,
de animal, carnal, pantera,
de felino, da substância
felina, ou sua maneira,

de animal, de animalmente,
de cru, de cruel, de crueza, que sob a palavra gasta
persiste na coisa seda.


(João Cabral de Melo Neto/ A palavra seda)

Fonte: Site algosobre.com