quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palíndromo patologia

No principio era só um fascínio pelo palin
Uma nova interpretação intelectual pueril
Uma simples e obstinada curiosidade literária
Um divertimento neurótico dos deuses cultos
Uma recuperação de uma mesma estrutura
A volta no tempo da origem, o mito do retorno eterno
Palavras, frase-espelho, repetição, palíndromos
Começaram a virar uma obsessão
Uma proliferação palíndrômica
Uma recaída de uma doença
Palíndromo patologia
A pele começou a padecer
O osso oco corroeu a lâmina
O amor não adoça o aroma
Para que se evite o azar do medo
Para não pensar na torre da derrota
Somamos os sons dos ritmos, o ódio do doido
No arco-íris da vida, uma dádiva
Um grito em finlandês: SAIPPUAKIVIKAUPPIAS
Seria um grito de um palindromista?
Enfim... Reter e rever para prever e reter
Anagramas são sempre palíndromos
Palíndromos são sempre anagramas.

(Codinome Pensador)

She's a devil


O nome dela é Beth Ditto, é a vocalista da banda americana The Gossip e uma das cantoras mais polêmicas da nova geração do rock. Acima do peso, com atitude de sobra e sem papas na língua, ela briga contra a ditadura da beleza na mídia, não usa desodorante nem depila as suas axilas, diz que arrancava a cabeça de esquilos por diversão quando era criança, na maioria dos shows fica só de sutiã e calcinha no palco, é militante gay e a favor do casamento homossexual, fora isso sua voz é um destaque a parte, algo como uma mistura de Janis Joplin e Aretha Franklin.
Como cantora ganhou mais atenção do público em novembro de 2006 quando foi selecionada pela NME como a personalidade mais cool e mais fantástica do rock, ficando em primeiro numa revista anual da “Cool List”. A revista citou sua inconformidade, como a razão para a sua seleção, ela é uma lésbica, uma sincera defensora dos direitos dos homossexuais, pesa 102 kg e também está em uma relação homossexual. Em 2007, Ditto foi nomeada a “Mulher Mais Sexy do Ano” na NME Awards, onde desempenhou a canção "Temptation". Outro título em 2008, de Glamour Awards de Artista Internacional do Ano.
Recentemente ela recusou-se ir em lojas Topshop citando o seu descontentamento com a indisponibilidade de roupas no seu tamanho. Ela foi tão longe, cogitou que adoraria uma oferta para desenhar suas próprias roupas: “Dê-me o trabalho. Quero projetar. Quero fazer roupas para grandes garotas. Quero que fazer grandes tamanhos.” Hoje ela colhe os frutos de sua atitude de inconformismo com a moda, lançou uma linha de moda para as grifes Evans e New Look, tornando-se uma referência fashion acidental.
Ditto posou nua para a “On Our Backs”, uma revista erótica de lésbicas para mulheres. “Foi um grande momento na minha vida. Foi o tipo de coisa muito radical. Eu não pensei muito antes de fazer, fui lá e fiz. Depois achei demais, achei o máximo, porque sou uma pessoa gorda, peso mais de cem quilos e sou uma sapatão. E essa sensação é muito boa”, ela disse a revista Curve.
Sem dúvida Ditto é uma das mais improváveis “poster girls” do momento. Dotada de um vozeirão soul e uma beleza que não corresponde ao padrão atual, e por outra, sustenta muitos quilos a mais. E toda essa corpulência, não a deixa menos atraente e sensual.
Com a banda The Gossip, ela virou a nova queridinha do público mais descolado no Reino Unido. Assim como o já consagrado Scissor Sisters, para quem o grupo já esteve abrindo apresentações nos últimos tempos, o The Gossip é formado na cidade de Arkansas, apesar de vir ganhando mais atenção na Europa do que no próprio Estados Unidos. Além de Scissor Sisters, o The Gossip também já excursionou com artistas como Yeah Yeah Yeahs, Le Tigre, Erase Errata, Stereo Total, The White Stripes, Sonic Youth, Sleater Kinney e The Kills.
A banda é liderada há 4 anos pela endiabrada Beth e conta também com Brace Paine na guitarra e Hannan Blilie na bateria. Como o próprio grupo se define em seu MySpace, o The Gossip, além de jovem e cheio de energia, se interessa por artes, mudanças, o underground, dança, moda e movimentos culturais. A banda em seu mais recente álbum, “Music for men”, lançado em junho deste ano, só vem atestar o grande talento, que consegue superar a incontestável qualidade dos trabalhos anteriores, com letras recheadas de ativismo político e emoções, batidas punk, soul, rock, pop, música eletrônica e uma voz gritada de arrasar quarteirão da vocalista, são a mistura que fazem do The Gossip, uma das melhores bandas dos últimos tempos.
Para quem é mais alternativo e curte um rock indie, o álbum “Music for Men” é uma excelente opção. Ao ouvir o disco somos apresentados a faixa “Dimestore Diamond”, sob um baixo funk tirado de um brechó musical, que fala de uma garota da era da customização, que faz suas próprias camisetas e corta o cabelo sozinha em casa.
Nas faixas “Pop Goes the World”, “Vertical Rhythm” e “Spare me from the Mold”, eles mostram o que a banda tem de melhor.
Fonte: site papel pop

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O jeito geek de ser





Geek é um termo evoluído do nerd. Nerd num novo sentido, com uma abordagem bem diferente de outrora: nerd de gente curiosa, nerd de curioso por tecnologia, nerd de pessoa inteligente, nerd de indivíduo que considera a possibilidade de mudanças. E com todos esses “novos nerdes” temos o Geek.Um Geek é uma pessoa totalmente antenada, que adora tudo aquilo que se tem de mais alta tecnologia como, por exemplo: computadores, iphone, ipod, internet, notebook, câmeras digitais e muito mais. Sem contar com roupas de grifes famosas como Nike e Addidas que são as principais vestimentas desse público.
Tudo que se tem de novo no mercado, eles estão querendo, não importando o preço ou a dificuldade para consegui-lo. A necessidade de estar acessando coisas novas é a grande característica da tribo Geek.Os Geeks tem se destacado cada vez mais em blogs e sites de conversação, de tal forma que resolveram criar uma nova sociedade para eles. A SGA (Society Geek Advancement) ou melhor sociedade para nerds avançados. Esta foi fundada sobre os princípios de que todas as pessoas devem abraçar o geek interior ou exterior de ser, podendo assim mostrar para todos que não são pessoas de outro mundo. A sociedade tem como função obter membros que pensam e que se comportam da mesma maneira, podendo assim trabalhar juntos como uma comunidade global para fornecer as ferramentas e ajudar outros a realizar seu verdadeiro potencial.Como essa comunidade tem crescido cada vez mais durante os anos, já existem várias revistas, livros e sites direcionados especificamente para este público. O problema é que a maioria destas revistas são estrangeiras, pois querendo ou não esse pessoal ainda está em peso nas cidades internacionais como Chicago e New York.Definitivamente a cultura nerd/geek vem ganhando espaço e de tempos em tempos vem tomando rumos diferentes. As revistas se voltaram para esses temas e concretizaram essa nova cultura. Cada dia ela é mais ‘cool’ e dizer “Eu sou um Nerd” não é mais um bicho de sete cabeças.
Moletons, blusas, camisetas, tênis, bolsas e acessórios são a variedade de vestimentas que podem ser encontradas e feitas diretamente para esse público, com estampas escritas com o nome do movimento e da comunidade Geek. O símbolo de um pato com óculos é o preferido entre eles que foi muito bem trabalhado e ainda por cima adicionado em várias peças da moda.

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Nossos ídolos não são mais os mesmos, mas ainda respiram.


Ainda está na sua estante aquele disco que mudou sua vida. Aquele que você comprou na adolescência, com sua mesada, quando começava a descobrir as coisas e as bandas. Aquele disco que fez você querer ser músico.
Você comprou numa loja do lado da sua casa, de um vendedor amigo, um cara que começou a te recomendar outras coisas, que achava que sabia o que você queria. Você ouvia a todo volume, porque falava sobre você e você queria que o mundo todo ouvisse. Era a sua voz. Na ordem das músicas, na arte do encarte, nas letras e melodias formava aquilo que você reconheceria pelo resto da vida como sua personalidade.
Daí você se tornou um artista.
Começou estudando música, guitarra, piano, canto. Teve suas primeiras bandinhas. Tocava na garagem, pagava um estúdio, fez seus primeiros shows em inferninhos, daí mudou de banda, daí começou tudo de novo.
Agora você está no ponto.
Agora você começa a gravar seu disco.
Agora você tem repertório, tem um álbum coeso, tem uma capa que, quem sabe, poderia estar no quarto de um novo adolescente, na estante ou na parede, mudar novas vidas, influenciar vendedores...Mas não. Não há mais lojas de discos, há apenas grandes redes. Não há mais arte nem encarte, as pessoas baixam direto faixas isoladas. Escutam 10 segundos da introdução, então se adiantam para ouvir os vocais.
Sua arte está condenada.
Não que eu queira ser nostálgico ou conservador... Mas estava pensando em como deve ser triste para músicos e bandas que estão começando agora que tiveram seus disquinhos favoritos lidarem agora com a imaterialidade da música, o fim dos lados B, a urgência dos singles e dos hits, apenas hits, sem mais espaço para as músicas de passagem...Ou não, né? Há também o outro lado. Há o novo espaço da Internet, blogs, myspace, download. Você pode conquistar seu público e seus fãs sem precisar de grandes espaços. Você pode conquistar o mundo trancado em casa, e você pode ter seus ídolos exclusivos.
Como diria Annie Lennox: “I knew that I was going to be a legend... in my living room”.
Então poderia ser mais triste: você poderia ser escritor.
Quem quer ser um jovem autor?Porque assim, você pode ser até lido, você até pode ter seu público, pode até vender razoavelmente bem, ou ser um ídolo para poucos, publicado apenas em blog, vendendo seu próprio livro, mas você nunca terá um ídolo.
Eu nunca tive.
Sério.
Digo, em quem posso me espelhar, qual será meu modelo? A gente não quer ser igual aos escritores que admira – ao menos, não quer ter a mesma vida. Posso louvar o trabalho deles, mas não quero terminar como Caio Fernando Abreu, Lúcio Cardoso, João do Rio... Isso sem mencionar os vivos...O escritor no Brasil não tem modelos positivos. Ele pode seguir a arte, pode admirar o estilo, pode querer ser tão grande quanto... Mas sabe que assim só conquistará um final trágico.
Será que eu ainda acredito? Só resta acreditar que, com a gente, poderá ser diferente. Mas, sinceramente, não é isso que o mundo mostra. Posso me consolar pensando: “Ao menos um moleque pode me descobrir daqui a 50 anos, como eu descobri o Lúcio Cardoso...” Mas acho que cada vez menos gente descobrirá livros..E... será que o mundo ainda existirá daqui a cinquenta anos?
O músico sobrevive com shows. O escritor sobrevive com textos para jornal, traduções, roteiros. Mas talvez a arte, como a conhecemos, já esteja com os dinossauros, já esteja com os dias contados, já esteja no alvo do meteoro.

(Santiago Nazarian)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eu vi. O filme: A festa da menina morta

Sinopse: Há 20 anos uma pequena população ribeirinha do alto Amazonas comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado por Santinho, que após o suicídio da mãe recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida. A menina jamais foi encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado. A festa cresceu indiferente à dor do irmão da menina morta, Tadeu. A cada ano as pessoas visitam o local para rezar, pedir e aguardar as "revelações" da menina, que através de Santinho se manifestam no ápice da cerimônia.
Ficha técnica: Título original:A Festa da Menina Morta/ Gênero:Drama/Ano de lançamento:2008/Direção: Matheus Nachtergaele/ Elenco: Daniel de Oliveira, Juliano Cazarré, Jackson Antunes, Cássia Kiss, Dira Paes.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quelqu'un m'a dit

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.

Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serais ce possible alors?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main
Alors on tend la main et on se retrouve fou.

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit.

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.

Autora: Carla Bruni

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tô lendo. Livro: Nós, os Humanos (Flávio Gikovate)

Nesta obra, Flávio Gikovate apresenta uma visão tridimensional do homem, em suas peculiaridades biológicas, psicológicas e sociais. Ele estuda as relações entre amor, sexualidade, vaidade e vícios, mostrando como a razão interfere nos processos sentimentais.
O livro reúne seis ensaios acerca das relações entre a razão e as pressões biopsicossociais a que nos submetemos.
O primeiro, “Corpo, alma e sociedade”, mostra que estamos presos a valores e regras sociais que nos impedem de ter uma vida plena. O segundo, “Amor e sexo”, explica que esses dois componentes não estão sempre interligados, como reza o senso comum. O terceiro, “Amor e vaidade”, demonstra que um dos ingredientes mais destrutivos envolvidos na relação amorosa é a vaidade, mesmo que não seja percebida pelos parceiros. O quarto, “Amor e vícios”, reafirma a idéia do autor de que o amor romântico funciona da mesma forma que as substâncias que provocam dependência. O quinto, “Amor e razão”, sustenta o ponto de vista de Gikovate de que o amor pleno é aquele mais próximo da amizade, sem vínculos doentios entre as pessoas.
Por fim, o sexto, “Do que somos capazes” oferece uma visão otimista do futuro, desde que as pessoas reflitam, eliminem ou atenuem cada vez mais tensões sobre todas essas questões derivadas de conflitos entre da individualidade e anseios de integração para ter uma vida social e amorosa bastante satisfatória.


"... gostamos dos autores que pensam de modo parecido como o nosso e achamos meio idiota o texto — e seu autor — que contém opiniões divergentes. Assim, nunca aprendemos nada de novo, pois só lemos os livros com os quais concordamos e cujo conteúdo de certa forma já conhecemos; ou seja, só lemos os livros que não precisamos ler. Os outros nós largamos no meio, porque são “chatos” ou idiotas…" (Flávio Gikovate/ Psicoterapeuta).


Ficha Técnica:
Livro: Nós, os Humanos
Autor: Flávio Gikovate
Segmento: Psicologia e psicanálise
152 páginas
Editora MG Editores.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A valsa que eu fiz para você

Um milhão de valsas à bailar nossa emoção
Mais que uma conformidade, o elo forte da nossa ligação
Pelos salões ecoa um compasso vienense

O barulho do beijo cor de boca suaviloquente do amor
Que hoje ouço, sinto e vejo
Aqui, ali, em todos os cantos desse universo que conspira à nosso favor

A noite de mil luas nos convida à sonhar
Me dar a tua mão, vamos dançar
Ravel, Chopin, Strauss, um belo luar e o teu olhar

Não vamos deixar essa valsa morrer
Porque essa valsa eu fiz para você
Como na dança de um filme antigo, como nos versos que escrevo para você

Vejo pela janela da tua alma, a fauna e a flora dançarem um Danúbio Azul
Bendita fruta bruta de diamante à se talhar
Onde brilham todas as minhas razões para eu te amar

Poema inspirado, objeto amado, sentimento solidificado
E o meu mar cheio de amor transbordando no teu corpo vazio
Me valse, me ame, me cante

Cantemos então a valsa de Eurídice
Mais não para ficar triste e nem para chorar
Para se perder por entre Romeus e Julietas à levitar

Ao som flautado da trombeta de um serafim
Enlevados, supensos no ar
Prontos para dançar no céu, prontos para voar

Ecoa a valsa do imperador
Bebíamos vinho, delícias de sonho de valsa, comíamos pão
E ondas da melodia te trazia na minha direção

A vida te trouxe para mim, como essa valsa feita por mim
Você é minha inspiração, que chega assim
Meio sem pedir licença, meio sem explicar

Tudo silenciou
Nós, a voz, a paz, a música, o adeus, a estrela na manhã
Martelando na minha cabeça, uma valsa, uma filosofia vã

Finda-se a valsa da desperdida
Viver sem meu amor, jamais
O que será de mim? Engano meu, esse não será o meu fim.

(Codinome Pensador)

Tô ouvindo: CD Peixes, pássaros e pessoas da Mariana Aydar


Peixes pássaros pessoas, o novo Cd da cantora Mariana Aydar, tem endereço certo: “Fiz este disco para mim. É bem autoral, autobiográfico. Mesmo não tendo criado todas as canções, é um apanhado das minhas influências, tive mais propriedade na escolha dos temas”, explica a artista, de 28 anos, esbanjando maturidade em relação à proposta autoral do trabalho.

O disco é também um projeto caseiro. Para produzir, convidou o namorado, Duani, integrante do grupo carioca Forrósacana, autor de sete das 13 canções e o músico Kassin. Para o repertório, chamou amigos, como o artista plástico Nuno Ramos, e, para parcerias na interpretação, convidou pessoas que admira, como Mayra Andrade e Zeca Pagodinho.
O samba flerta com praticamente todas as 13 canções, principalmente em faixas como: Florindo e O samba me persegue, ambas compostas por Duani. Mas, como gosta de frisar, não é um disco inspirado no estilo. “O samba me persegue, foi inevitável tratar do assunto: queria falar sobre o preconceito com o gênero.” diz a cantora.

A sinceridade toca outros pontos do repertório. “O disco começou pelo assunto. Queria fazer as pessoas pensarem em temas dos quais não se fala muito. Sinto que a música brasileira fala bastante de amor romântico, sofrimento, e isso não cabe mais. Queria mostrar outra maneira de pensar o mundo. Buscava algo que pudesse traduzir a nossa condição humana. Ainda somos presos à moral. Queria refletir sobre essa prisão, essa desilusão”, conta Mariana.
A força do palco e a alegria de cantar foram sintetizadas na faixa: Beleza, canção que tem participação especial de Mayra Andrade. “Era algo recorrente em minha vida. Palco é, ao mesmo tempo, sério e divertido.” Nesse sentido, a proximidade com os compositores a ajudou a afinar o discurso. “Tive muito acesso a todos. Pude dizer, por meio deles, o que queria falar.”

A proximidade com o artista plástico e compositor Nuno Ramos é bom exemplo. Antes de convidá-lo para participar do CD, havia cantado em uma das instalações do artista. “Considero o Nuno um dos maiores artistas do Brasil. Depois o conheci como compositor”, lembra ela, que divide com ele a parceria de Tudo que eu trago no bolso. No disco, Nuno é autor de outra faixa, Manhã azul.
Duani se refere a Mariana sempre de um jeito carinhoso. “Ela tem uma voz suave, forte, ao mesmo tempo original, é pequenininha, tem 1,64m e quando abre a boca, é autêntica e toca direto ao coração das pessoas.” Mariana, por sua vez, usa o trabalho para se sintonizar. O codinome Kavita, que utiliza para assinar as composições, contribui para isso. “É um apelido que gosto, sempre usei meio para esquecer que sou Mariana Aydar. Me ajuda a permanecer com o pé no chão e a lembrar que não sou ninguém”, reconhece.

A curta, mas bem-sucedida carreira, a desmente. Estreou em 2006, com o disco Kavita1 (título que significa poeta, em sânscrito), também produzido por Duani. Logo no início conseguiu boas críticas e conquistou um público cativo. “Meu público é bem variado. É sempre uma surpresa nos shows. Dos mais jovens até pais, avós e crianças”, diz.
Para essa turma, a artista prepara novidades. O resultado do novo CD chega primeiro, por coincidência de agenda, aos palcos da França, Portugal e Inglaterra. No Brasil, só em junho. Nas apresentações ao vivo é que exercita sua ligação com os fãs. “Procuro ser completamente sincera, estar atenta e não ser hipócrita.” A receita segue também no disco. “Penso em todos os detalhes, até na ordem das canções”, cita ela, deixando escapar certa preocupação com quem baixa as músicas fora de ordem da internet. “Mas é o futuro. Sei que é o caminho, só não consigo prever.” Enquanto a rota não muda de vez, segue feliz da vida com a fase atual. “Não tenho do que me queixar. Estou numa gravadora ótima, que me acolheu muito bem.” Com um disco desse calibre, não poderia ser diferente.

Faixas:
• Florindo (Duani)
• Palavras não falam (Mariana Aydar)
• Beleza (Luisa Maita/Rodrigo Campos)
• Aqui em casa (Duani/Mariana Aydar)
• Pras bandas de lá (Duani)
• Manhã azul (Duani/Nuno Ramos)
• Tá? (Carlos Rennó/Pedro Luís/Roberta Sá)
• Peixes (Nenung)
• Nada disso é pra você (Romulo Froés/China)
• Poderoso rei (Duani)
• O samba me persegue (Duani)
• Teu amor é falso (Duani)
• Tudo que eu trago no bolso (Mariana Aydar/Nuno Ramos)

Fonte: site Divirta-se

Nietzsche e o jeitinho brasileiro

Costuma-se apontar a corrupção como uma das maiores mazelas da sociedade brasileira. Geralmente, quando questionada acerca desse assunto, a opinião pública tem como alvo favorito de críticas a classe política. É curioso, no entanto, que boa parte dessas pessoas que avaliam negativamente seus representantes costuma recorrer, cotidianamente, a pequenos artifícios que burlam o costume ético e, muitas vezes, até a lei. Estamos nos referindo ao nosso jeitinho brasileiro, à malandragem e ao jogo de cintura, "categorias" que, já incorporadas à nossa cultura, convivem lado a lado com os valores ético-morais mais tradicionais. A "ética" do jeitinho e da malandragem coexiste, paralelamente, com a ética oficial. O cidadão que cobra dos políticos o cumprimento dos preceitos da ética tradicional é o mesmo que usa o expediente do jeitinho e da malandragem.

Claro que a desonestidade não é uma exclusividade nacional. Mas é interessante ressaltar a peculiaridade brasileira na admissão das "categorias" jeitinho e malandragem como elementos paradigmáticos à ação "moral". No nosso país, curiosamente, exaltam-se, ao mesmo tempo, dois tipos aparentemente incompatíveis: o honesto e o malandro. Nesse sentido, como bem observou o antropólogo Renato da Silva Queiroz, a cultura brasileira é permeada por uma ambiguidade ética em que termos como "honesto", "corrupto", "esperto", "otário", "malandro" e "mané" se misturam num confuso caldeirão moral. Esse caráter peculiar de nossa sociedade exige-nos alguns questionamentos: o que levou a cultura brasileira a essa ambiguidade moral? O que fez que nossa sociedade cultivasse certa glorificação da malandragem? E mais: será que essa exaltação do tipo "malandro" tem sido proveitosa para o Brasil? Ela tem contribuído para o engrandecimento de nossa cultura ou para sua degeneração?
No final do século XIX, o filósofo Friedrich Nietzsche se propõe a realizar uma crítica dos valores morais e, com isso, inaugura o seu procedimento genealógico. Rompendo com a tradição metafísico-religiosa que considera os valores como sendo eternos, universais e imutáveis, o pensador alemão passa a pensá-los por um viés histórico. Ou seja, no entender de Nietzsche, os juízos de valor, antes concebidos como absolutos, teriam sido, na verdade, criados numa determinada época e a partir de uma cultura específica. Tomando como ponto de partida essa perspectiva, o pensador alemão enxergou a necessidade de realizar um exame acerca das condições históricas por meio das quais os valores foram engendrados. E coloca as seguintes questões: de que forma esses paradigmas morais teriam sido gerados? Por quais povos e em que época? Em que condições se desenvolveram e se modificaram? Para efetivar essa investigação, Nietzsche põe a seu serviço os recursos da História, da Filologia, e da Fisiologia. Apesar disso, ao recorrer a essas disciplinas, o filósofo não assume o papel de um cientista positivista, que busca fatos históricos, fisiológicos ou antropológicos. Nietzsche está longe de ser um pensador, que se pretende isento e "objetivo". Para ele, a investigação genealógica já é um procedimento que se realiza a partir de uma determinada perspectiva valorativa. Sua análise deve ser entendida como uma hipótese interpretativa que tem como pano de fundo o referencial das ciências, mas não como um método científico que se embasa em fatos.

A Dialética da malandragem:

Em 1970, o crítico literário Antônio Candido publicou Dialética da malandragem, uma referência obrigatória para qualquer estudo filosófico que aborde o tema da malandragem brasileira. O trabalho, um ensaio sobre Memórias de um Sargento de Milícias - romance publicado em 1854 por manuel Antônio de Almeida (1831-1861) -, toma o personagem principal do livro, Leonardo Pataca Filho, como o primeiro malandro da literatura brasileira. mostrando que Leonardo transita, cotidianamente, entre a ordem estabelecida e as condutas transgressivas, Cândido afirma que esse romance, já no século XiX, retrata - retrospectivamente - a ambiguidade ética da sociedade brasileira, na época de Dom joão Vi. A desarmonia entre as instituições ético-legais e as práticas sociais efetivas não seria novidade: "Há um traço saboroso que funde no terreno do símbolo essas confusões de hemisférios e esta subversão final de valores. (...) É burla e é sério, porque a sociedade que formiga nas Memórias é sugestiva. (...) manifesta (...) o jogo dialético da ordem e da desordem". (A título de curiosidade, é bom lembrar que, em 1946, época em que a difamação de Nietzsche estava em seu apogeu, o mesmo Antônio Cândido publicou o ensaio O Portador, um dos primeiros textos a apontar a necessidade de se recuperar o pensa-mento nietzschiano).

Fonte: Revista Filosofia - Ciência e Vida.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me pego olhando o horizonte


Me pego olhando o horizonte
E olho essa imensidão do firmamento corado
Diante do meu olhar embebecido, perplexo
Em busca de respostas, de direções, de reflexões
Em busca de mim mesmo, de mar , de emoções
Nesse momentâneo exílio de horas busco minha essência
Me preencho de lacunas, de vácuos, de delírios, de devaneios
Acredito na horizontalidade das coisas da vida
Acredito que não é o fim na linha reta e perfeita onde termina o céu
Acredito que posso voar para além daquilo que meus olhos vêem
Onde o sol se põe sobre o mar, onde a brisa recendia, onde o futuro pincela o seu dourado
E a poética natureza abre a sua cortina que preenche por completo os olhos do ser
Que desperta para o que está adormecido
Surge o sonho, o encanto, a beleza
Me pego olhando o horizonte
E tenho forças para lutar e acredito mais ainda que vou chegar lá.

(Codinome Pensador)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mentes brilhantes

Os vinte brasileiros mais brilhantes de 2009, até agora:

Miguel Nicolelis
Mudou a neurociência com pesquisas pioneiras sobre o cérebro e a robótica. Esse trabalho pode representar a cura para doenças como o mal de Parkinson. Está a um passo do Prêmio Nobel. E, aos 48 anos, isso é só o começo.

Eduardo Neves
Arqueólogo está trazendo à tona a até então desconhecida história das antigas sociedades indígenas da Amazônia desde de antes da chegada dos portugueses. E ele aos 43 anos de idade, já identificou mais de 200 sítios arqueológicos na região.

Rosaly Lopes
Geóloga da Nasa batiza os vulcões que descobre no espaço com nomes de divindades indígenas brasileiras. Rosaly, de 52 anos, chegou ao livro do Guiness graças ao seu trabalho, o guia de recordes atesta que essa carioca é a pessoa que mais descobriu vulcões ativos em toda a história, ao todo são 71.

Marcelo Tas
Ele está sempre a par do mundo da tecnologia e à frente de tudo. Até que um dia você para e descobre que ele ficou para trás. Ou melhor, por trás. Como seu Twitter e o programa CQC, Tas virou referência de jornalismo e humor. Considerado um nerd do bem, por está sempre envolvido com novas tecnologias, distribuindo algum artigo curioso e no meio sempre de quem é bem informado e atualizado. Isso é que dá ter uma grande e careca cabeça.

José Bonifácio Brasil de Oliveira
Conseguiu o improvável, como diretor do Big Brother Brasil, fez da novela da vida real o programa favorito do país.

Daniel Filho
Juntos, os dois últimos filmes de Daniel Filho, 71 anos, levaram um público de quase 10 milhões de pessoas aos cinemas. E deve emplacar outros sucessos em breve. Acabou de estrear a aguardada superprodução “Tempos de Paz”, sobre a segunda guerra mundial e está dirigindo a biografia de Chico Xavier.

Carlos Saldanha
Criador da animação “A Era do Gelo”, construiu uma franquia de sucesso com a fórmula sem mistérios: ela aprendeu a simplificar o complicado. Para ele o universo é simples como uma noz.

Renata Abbade
Vive há oito anos em Nova York e ganhou fama pelo ritmo delirante e variado de seus trabalhos.
Esse paulista de Campinas atende por dançarina, produtora, diretora de vídeo, designer, desenhista, artesã e coreógrafa. Ela se define como “free stylist”.
Já maquiou Michael Stipe, vocalista do R.E.M., fez o ator Paulo Cezar Pereio vestir macacão rosa, dirigiu, produziu e atuou em “Left Behind”, videoclipe da banda paulistana Cansei de Ser Sexy.

Duda Penteado
Pintor-escultor-muralista-artista-performático, Duda Penteado estava no topo do prédio mais alto de Nova Jersey, do outro lado do rio Hudson, era Nova York, quando as torres gêmeas viraram pó. Era 11 de setembro de 2001. Encontrou sua Guernica pessoal. Naquele violento cartão de visitas de novo milênio.
No começo de 2002, estava pronto o Beauty for Ashes (beleza para cinzas), pintura sobre a infinita ignorância humana em guerrear com o diferente. Em 2010, São Paulo ganhará uma versão do seu trabalho com a temática da paz.

Beatriz Milhazes
Seu trabalho ganhou as páginas dos jornais em maio do ano passado. Seu quadro “O mágico” acabava de ser arrematado, em Nova York, por mais de US$ 1 milhão num leilão realizado pela tradicional casa Sotheby’s. Foi a maior cifra alcançada por um artista brasileiro vivo.
Ela pinta em seu ateliê no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, de lá, apresenta ao mundo uma arte genuinamente brasileira, mas que pretende ir além de qualquer tipo de fronteira.

Rafael Grampá
Ultrapassou as fronteiras dos quadrinhos nacionais e deve estourar em Hollywood. Em 2008, ganhou o prêmio máximo dos gibis: um Eisner Award pela produção do álbum “Five”, dividido com outros quatro autores. Agora esse gaúcho de 31 anos está envolvido com Furrywater, série que será publicada pela editora americana Dark Horse em 2010.

Ronaldo Fenômeno
Precoce, famoso, aposentado, resnacido, gordo, craque, corintiano, sofredor, melhor do mundo, campeão, campeão de novo, atacante, goleador, brasileiro e gênio.
Foi o mais jovem convocado do Brasil, para a Copa do Mundo de 1994, tornou-se ídolo do PSV, da Holanda, do Barcelona, da Espanha e do Internazionale de Milão, clubes que defendeu sucessivamente, em transações cada vez mais milionárias. Foi eleito três vezes o melhor jogador do mundo, em 1996, 1997 e 2002.
Ronaldo está afastado da seleção, mas quem sabe o que a história de um dos gênios do futebol mundial ainda guarda do inesperado capítulo para 2010.

Muricy Ramalho
É o único treinador a ganhar três títulos brasileiros seguidos pelo mesmo time. Foi demitido do São Paulo depois de uma campanha sem brilho na Libertadores, dois meses atrás, mas a gente entende que até os gênios precisam descansar.

Bruno Brau
Uma das atribuições da rotina de trabalho do músico paulista Bruno Brau de 32 anos é convencer empresários da indústria fonográfica que está velho, para não dizer morto. Em parceria com o empresário Marcos Maynard, ex-presidente da gravadora EMI e a expertise de um time de engenheiros da Universidade de Tecnologia de Lugano, na Suíça, criou o FunStation, uma rede de totens digitais que disponibliza mais de um milhão de músicas, vídeos, games e ringtones para carregar celulares, tocadores de MP3 e pendrives em qualquer lugar.

Fernando Catatau
Ele não assume, mas é, sim, o Lanny Gordin de sua geração. Ambos guitarristas e o sol de um sistema em torno do qual os astros giram, e eles só fazem iluminar e aquecer.
Com a influência do jazz misturada à cancha dos bailes, Gordin forjou o som da guitarra tropicalista e alicerçou as primeiras ousadias de Caetano, Gil e Gal e principalmente do maestro e arranjador Rogério Duprat.
Catatau esse cearense de 37 anos, não fica atrás. Sua mistura de brega com rock progressivo, latinidade e pop romântico vem adornando a inda desrotulada novíssima música brasileira. De Vanessa da Matta à Nação Zumbi já contrataram os préstimos de Catatau.

Chimbinha
Da banda Calypso para o mundo, Chimbinha é considerado por muitos especialistas em música, um dos melhores guitarristas do mundo e também ajudou a reinventar o negócio de música.
A banda Calypso não teve medo em incorporar de forma rápida e eficiente as vantagens da tecnologia digital com a facilidade de reprodução e barateamento de custos, o que só ajudou a construir a popularidade da banda.

Reinaldo Normand
Ele desafiou a Microsoft, a Sony e a Nintendo. Aos 33 anos, o mineiro Reinaldo Normand é reponsável pela criação do Zeebo, o vídeo game brasileiro que tem objetivos nada modestos: acabar com a pirataria e se transformar em uma plataforma de jogos onipresente.
O Zeebo não usa cartuchos, fitas, CDs ou DVDs. O jogos a preço à partir de R$ 10, são baixados por uma rede de 3G, igual a dos telefones celulares e ficam armazenados na memória do console.

Flávio Masson
Se nos EUA os prêmios são a medida da grandeza, eis a lista que o publicitário Flávio Masson levou no ano passado: um da Americas Property, concedido pela rede de TV CNBC e o The New York Times para as melhores campanhas do setor imobiliário, um W3, prêmio da Academia Internacional de Artes Visuais para os melhores sites e um Davey, recompensa para idéias criativas de pequenas empresas.

Ronaldo Fraga
Na última edição do São Paulo Fashion Week, em janeiro, ele levou às lágrimas parte da platéia que acompanhava seu desfile, levou à passarela senhores de cabelos brancos e meninas de sardas.
Desde pequeno Ronaldo Fraga, mineiro de 41 anos, aprendeu a enxergar o extraordinário no ordinário. Como ele mesmo diz: “ Todas as pessoas deixam muito claro seu conceito no que as pessoas estão vestindo. Hoje tenho certeza de que o corpo é mídia imediata e transformadora. A roupa é um detalhe que acaba vindo como conseqüência desse relacionamento amoroso que temos com o mundo”.

Alex Atala
É o único chef brasileiro a figurar na prestigiada lista de 50 melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”. Seu objetivo? Colocar a comida brasileira no olimpo da gastronomia internacional.

Fonte: Revista Galileu

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tô ouvindo: CD Labiata do Lenine


O cantor, compositor e auto-definido "orquidólatra" Lenine, em Labiata seu sexto CD de carreira, faz uma homenagem a uma espécie rara de orquídea, flor pela qual o artista tem verdadeira paixão e cultiva várias espécies em um local especial de Petrópolis, região serrana do Rio.
O disco tem 11 músicas e é o mais íntimo do cantor, feito com as pessoas mais próximas, onde estão parcerias com Arnaldo Antunes, Lula Queiroga, Braulio Tavares, Dudu Falcão, Carlos Rennó e Paulo Cesar Pinheiro.
De contrato novo com a gravadora e de volta à Universal Music, o álbum foi finalizado nos estúdios do ex-vocalista do Genesis, Peter Gabriel (Real World), em Londres, com as cópias fabricadas na França.
O recente trabalho do pernambucano tem uma novidade para os fãs é que os primeiros dez mil compradores poderão adquirir um pacote especial, com o CD original na versão Digitec (alta tecnologia), um disco prensado no tradicional vinil e um pen-drive musical. Lenine justificou a volta ao vinil afirmando que "nada substitui o contato da agulha com aquela ranhura".
Uma das canções do disco, É o Que Me Interessa, foi incluída na trilha sonora da novela "A Favorita", como tema da personagem de Patrícia Pillar. O brilho dos olhos azuis de Lenine se acentua ainda mais quando ele fala do título do trabalho. "Foi uma escolha passional", diz o "orquidólatra" assumido, explicando que Labiata vem de lábia mesmo.
"Labiata é uma orquídea rara do Nordeste", de nome científico catlea labiata, que "rivaliza", segundo ele, com outra orquídea do sul, a lelia purpurata. "São 40 mil espécies, que podem ser encontradas desde a Austrália até o Tibet", ensinou Lenine.
O pernambucano fala com intimidade da flor que dá nome ao recente trabalho e a compara com a música popular brasileira. "A Labiata é de grande adaptabilidade e pode ser cultivada na altitude e na planície. é uma flor delicada, mas muito robusta, resistente. E isso é a música popular brasileira, não morre nunca".
No site do artista pernambucano (www.lenine.com.br) é possível se cadastrar e baixar uma das músicas (É o que me interessa). Lenine já está ensaiando o show do novo CD. A estréia vai ser no começo de novembro, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo e, depois, na segunda quinzena de novembro, no Vivo do Rio de Janeiro. A idéia é percorrer o Brasil com o show e, a partir de março, iniciar a turnê pelo exterior.
Faixas:
1. Martelo Bigorna (Lenine)
2. Magra (Lenine e Ivan Santos)
3. Samba e Leveza (Lenine e Chico Science)
4. A Mancha (Lenine e Lula Queiroga)
5. Lá Vem a Cidade (Lenine e Bráulio Tavares)
6. O Céu É Muito (Lenine e Arnaldo Antunes)
7. É Fogo (Lenine e Carlos Rennó)
8. É o que me Interessa (Lenine e Dudu Falcão)
9. Ciranda Praieira (Lenine e Paulo César Pinheiro)
10. Excesso Exceto (Lenine e Arnaldo Antunes)
11. Continuação (Lenine)

Fonte: Site Porto Cultura

Entre nós

Um entrelaçamento de desejos, de sentidos e de destinos
Nesse entrosamento entre vida e felicidade
A entrada certa, uma porta aberta para a perdição

Um entregar louco, uma espera pouca
Nas entrelinhas sempre eu e você
Num entregar de dois corações fazendo oferenda para a paixão

Entreatos, onde começa o meu propósito, termina o teu acaso
Um entrelaçamento de afagos, corpos em entra-e-sai, se entregando a beijos cálidos
Entre nós, um encontro de dois numa uma teia que nos cercou

Entretanto, surge então a vertente do bálsamo do carinho sem igual
Entranhas que rasgamos de nossas anatomias em meio a entoadas pornografias
Entusiasmados num contínuo, de um pelo outro, querer se amar.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eu vi. O filme: O Leitor

Sinopse: Na Alemanha pós-2ª Guerra Mundial, o adolescente Michael Berg (David Kross) se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Berg, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Ficha técnica: Título Original: The Reader/ Gênero: Drama/ Ano de Lançamento (EUA / Alemanha): 2008/Direção: Stephen Daldry/ Elenco: Ralph Fiennes (Michael Berg), David Kross (Michael Berg - jovem), Kate Winslet (Hanna Schmitz).

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fugindo do óbvio

Falar do óbvio não é fácil, pelo contrário, o óbvio é traidor principalmente quando sabemos que ele é óbvio e não sabemos explicá-lo e falar sobre ele.
Constatei escrevendo meus textos e minhas poesias, o medo do óbvio ou do clichê ronda o imaginário de nossas mentes.
Engraçado afirmar isso, pois todo escritor ou blogueiro de plantão que se preze tenta fugir desse senhor óbvio, mas sempre acabamos caindo num problema comum do nosso mundo pós-moderno, a idéia de que todos os temas já foram trabalhados. Por maior que seja a quantidade de assunto ou de reflexão que contemporaneidade consegue fornecer, passamos sim por uma limitação de temas que podem criar boas reflexões humanas.
Não há limitação de formas de apresentação, porém se alguém quiser criar um texto sobre as relações entre duas pessoas, ele vai passar pela sensação de aquilo já ter sido escrito. Tem uns meses que reli rapidamente "Olhai os lírios do campo" do Veríssimo. A relação de mediocridade de um menino pobre, que consegue vencer na vida após ter se unido a ricos e se vendido para os valores deles. Quem não leu algo que seja parecido? Não vou negar, com a perspicácia de Érico Veríssimo não, pois seu texto se dota de sutilezas de percepção própria do personagem, algo que é característico de autores ingleses.
Para fugir do óbvio cheguei a conclusão que é preciso três coisas: tato, criatividade e sempre procurar um novo ângulo da questão. Acho que afastar-se excessivamente, para não repetir o que já está dito, é um modo bem instigante, tentar reescrever e subverter, estimula na criação de qualquer texto ou poesia, isso é inspirador pra mim, mas não esquecer jamais de que a diferença entre o veneno e o remédio é a dosagem.
Tem um poema do Vinícius de Moraes, que não lembro agora o nome, que fala que para fugir do óbvio devemos olhar além de tudo, atravessar a matéria, até porque analisando bem, as mais belas descobertas do nosso cotidiano, às vezes, tão maçante, ocorrem quando as mesmas coisas são vistas com um novo olhar, isso que dar um novo sopro, um novo frescor.
De onde veio a palavra "óbvio". É óbvio que fui procurar e descobri que nasceu lá na antigüidade, do vocábulo latino via (caminho). "Obviam" significava então algo que está "no caminho". Segundo os dicionários atuais, a gente pode atestar que óbvio é aquilo que é claro, manifesto, que salta à vista.
Não é difícil não ser óbvio, até porque na base da comunicação humana não existem coisas óbvias. Afinal cada pessoa interpreta um signo á sua maneira, de acordo com o seu repertório pessoal, suas vivências e até seu estado de espírito. Nada está mais fora do nosso controle do que a interpretação daquilo que nós dizemos, fazemos ou parecemos. A única coisa mesmo mais óbvia e que não podemos fugir nessa nossa existência é da morte. E que ela nunca seja tão breve e nem tão óbvia para nós.

(Codinome Pensador)

domingo, 12 de julho de 2009

Som e fúria

O som se cala

Surge o silêncio, um cofre de sensatez

Interioriza-se a dor, emperra-se o peito

Num vácuo, uma lágrima

Entre o olhar e o emocionar

Surge do inferno

Ódio, raiva, vingança, fúria

E a serpente da maldade

Tentando se alimentar

Da alegria profunda dos momentos poéticos

Do grito de êxtase no ápice do prazer

Da beleza que paralisa, elege e embebece

Da flor que desabrocha todos os dias

Cosmicamente e resistentemente dentro de nós.

(Codinome Pensador)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pensador com codinome

Muitas pessoas apenas existem

Eu existo, observo, escuto, explico, conceituo, leio, escrevo e penso

Pensando viro um pensador

Pensador com codinome

Codinome para pensar

Pensando meus pensamentos se transformam

Se transformam em Descartes

Penso porque existo ou existo porque penso?

Pensando bem

Não pensar é morrer

Então vivo

Porque a melhor forma de não ser apenas mais um

É racionalizar o meu pensar.

(Codinome Pensador)

sábado, 4 de julho de 2009

O ator da vez

Selton Melo é o ator da vez no cinema brasileiro, está em cartaz com três filmes para agradar aos mais diversos gostos. Da comédia tipo sessão da tarde “A mulher invisível”, ao viés social tratado em “Jean Charles” até o claustrofóbico e erotizado “A erva do rato” .
Da nova safra de filmes de comédia do Brasil, o filme “Mulher invisível” mesmo com roteiro frágil e previsível, o filme consegue se manter graças ao carisma e talento de seu protagonista (Selton Melo), além da boa dinâmica dele com o restante do elenco.
“Mulher Invisível” é a história do controlador de tráfego Pedro, que cria na imaginação uma mulher perfeita, logo após ser chutado pela esposa. A tal mulher perfeita (Luana Piovani) realiza todos os desejos do rapaz, mas a situação começa a mudar quando uma outra mulher entra na parada.
O filme é mais um exemplar produzido com a marca “Globo Filmes”, o que traz ótimos pontos (como financeiro), mas também carrega consigo um peso enorme, principalmente quando há em cena um ator no auge de sua carreira, como é o caso de Selton Melo, mas no geral é um pacotão básico, um modelo estruturado que serve para vários filmes. Deixando um pouco isso de lado, o diretor Cláudio Torres acerta quando prepara o filme todo para Selton brilhar, interferindo pouco em cena e até aparando algumas arestas aqui ou ali.
A narrativa é construída de maneira bastante linear. Apesar de tentar criar um certo clima de suspense, todo mundo já sabe mais ou menos o que vai acontecer, até porque o trailer entrega bastante coisa. O que não entrega, no entanto, é a história paralela do outro lado do “triângulo amoroso”, vivida por Maria Manoela, um papel que exige um pouco mais e que a atriz interpreta de maneira correta. O grande trunfo do filme, no entanto, são as "gags" de Selton e seu elenco de apoio. Assim como Jim Carrey e outros grandes comediantes, o ator brasileiro tem o terreno todo para si e consegue, com isso, estabelecer uma boa dobradinha com Vladmir Brichta, que vive Carlos, seu melhor amigo. O roteiro, sim, é o fundo do poço do longa. Linear demais, previsível e frágil na maioria das cenas, ele leva a história a pontos bem chatos. No entanto, creio que o tipo de história cairia perfeitamente num daqueles seriados noturnos de sexta-feira da Globo, com muita comédia e temática mais adulta.


Amparado numa história real e com grande implicação social e política, o filme “Jean Charles” faz desse pano de fundo apenas uma muleta para levar à frente sua verdadeira história: a dificuldade de imigrantes brasileiros em Londres. E é apenas com as belas atuações do elenco que o filme se sustenta, apresentando uma narrativa e roteiro bem criativos.
“Jean Charles” conta a história do protagonista que dá nome ao longa (Selton Melo) e de sua prima Vivian (Vanessa Giácomo), que vivem na Inglaterra uma rotina de duras provações e subempregos mal remunerados.
A história de milhares de brasileiros que vivem fora do país já é bastante conhecida do público, que vê constantemente nos telejornais casos parecidos, com pessoas subempregadas e retornando ao país do jeito que foi: com a mão na frente e a outra atrás. Essa imigração, na sua maioria ilegal, é o mote do filme, que mostra não só os dois principais personagens, Jean e Vivian, mas também outra infinidade de brasileiros que vivem em Londres.
“Jean Charles” é apenas o registro do cotidiano de alguns brasileiros que vêem num país estrangeiro oportunidades que não encontram no Brasil. Fato corriqueiro e antigo, é verdade, mas que de certa forma não foi tratado ainda no cinema.
A dinâmica desses atores, aliás, é o grande trunfo do filme. Selton Melo encarna um Jean alegre e bem humorado, mas sem nunca deixar de ser prestativo e tentar ajudar a todos. Essa característica é que pontua toda trajetória de Jean pelo filme, que consegue resolver os problemas dos outros, mas os seus ficam sempre em segundo plano. Vivian, sua prima que vai à Inglaterra para juntar dinheiro para ajudar a mãe no interior de Minas, apresenta-se frágil, mas que percorre uma trajetória de crescimento pessoal considerável. Luis Miranda faz seu Alex despojado e engraçado em praticamente todas as falas, usando bem o corpo (quase numa teatralização de sua atuação) para uma quebra da dramaticidade do filme.
Em “ Jean Charles” com um papel difícil, cheio de sutilezas e riscos, Selton Mello mostrou de forma categórica que seu talento é muito maior do se poderia imaginar. A cena do telefonema para a mãe, por exemplo. Só um ator de maturidade plena conseguiria imprimir tanta vida e verdade a um personagem comum, cujo nasceu tão somente da tragédia estúpida que o matou.
Palmas também, nesse sentido, para o diretor Henrique Goldman, que optou por realizar um filme sóbrio, sem qualquer apelação, quando as tentações e as pressões para transformar Jean Charles num mártir não devem ter sido poucas. Goldman se concentra na morte incomum de Jean Charles, está mais preocupado como o cotidiano de um brasileiro comum numa cidade estrangeira. Simplesmente registra, com humanidade, uma história interrompida no meio pela violência, como tantas outras, infelizmente.


O diretor Júlio Bressane baseou-se em dois contos do genial Machado de Assis (A causa secreta e Um esqueleto), escritor de onde saiu a matéria prima para o seu Brás Cubas de 1985, um de seus filmes mais inesquecíveis.
Bressane, que para muitos considerado o Godard brasileiro, em “A Erva do Rato” nos mostra uma das melhores interpretações da carreira de Selton Melo e também uma atuação hipnótica de Alessandra Negrini. Temos, assim, dois atores globais completamente deslocados do que costumam fazer na televisão, o que já garante algumas interrogações iniciais no público que não acompanha a carreira do diretor. Mas isso é só o começo.
Na seqüência de abertura, vemos o mar banhado pelo sol e numa só tomada em 180º somos jogados pra dentro de um decadente cemitério. Lá estão Selton Mello num canto e Alessandra Negrini de outro. Apenas identificados como ele e ela. Isso é só o cartão de visita do que teremos pela frente. Imensidão, mistério, morte e muita ironia machadiana. Dessa externa somos jogados para dentro de uma claustrofóbica casa, onde praticamente todo o resto do filme se desenvolve. Tudo se concentra na estranha relação entre o casal central. Uma relação que começa na aproximação e, aos poucos, se mostra como uma espécie de servidão e entrega. Ele fala sobre mitologias, natureza e Rio de Janeiro, enquanto ela, obediente, anota todos os seus pensamentos. A entrega da mulher como objeto de posse do homem, quase um senhor feudal. Aos poucos, a relação de obediência e aprendizado se transforma em servidão erótica. Ele passa a fotografá-la, primeiro em comportados vestidos. Aos poucos as roupas são descartadas e a beleza dela passa a disputar atenção com sua própria fisiologia. Até que a relação de fetiche chega ao limite com a chegada de um rato. Um roedor safado que se alimenta das fotografias eróticas, surge a tríade um homem, uma mulher e um rato. As interpretações dos dois únicos atores ajudam a imprimir a força, seja pela imposição vocal levemente debochada de Selton Mello e a indiferente nudez (matadora, como sempre) de Alessandra Negrini. Ah, sim, e uma ratazana que bem poderia ser Hamlet em outra encarnação.
O que se passa no decorrer dos planos estáticos, com a fotografia do Walter Carvalho ameaçando transbordar o tempo todo, é simples: homem conhece mulher no cemitério e desenvolve com ela uma relação curiosa. A curiosidade não é só do ponto de vista do espectador em direção ao filme, mas dele em direção a ela, aos mistérios do corpo feminino, à revelação do órgão sexual por uma câmera fotográfica. O estranhamento de quem está diante da tela encontra um eco no estranhamento do personagem de Mello diante do corpo imóvel e desnudo, que parece esconder um mundo para o qual ele não tem acesso que não seja pela mediação de uma lente.
Nos minutos finais, a bizarrice domina (mais do que isso não posso dizer), e o filme cresce com isso. O último plano, de uma complexidade formal absurda para dar conta de uma ação simples, que pode ser percebida pelo barulho da máquina fotográfica, revela que Bressane ficou realmente deslumbrado com a técnica de Walter Carvalho.
“A Erva do Rato” tem muitos méritos, um deles certamente é o desconforto que provoca no espectador, que se sente impelido a uma revisão, desde que a preguiça ou a intolerância com o diferente não o tenha levado à desistência num primeiro momento. Mas esse encanto preciosista, a curto ou médio prazo, pode significar um beco sem saída para seu cinema. Não duvido que possa dar marcha a ré. Mas seria, de qualquer forma, uma involução.

Fonte: Cine Pop

Elas são bi. Ser bi está na moda ou é estratégia de marketing?


Elas são bonitas, femininas, vaidosas. E gostam uma das outras. Ao mesmo tempo é o que dizem cada vez mais. Em três semanas consecutivas de maio, três estrelas americanas famosas revelaram que sentem atração pelo mesmo sexo. Megan Fox, símbolo sexual da nova geração, afirmou que prefere mulheres por serem mais limpinhas. O furacão Fergie, do Black Eyed Peas, disse que gostou de experimentar moças. A performática Lady Gaga confirmou sua bissexualidade e aproveitou para lançar um clipe da nova música beijando outra mulher. Em abril, fora a vez de Kelly McGillis, musa dos anos 80.
A jovem atriz americana Lindsay Lohan, ídolo teen do cinema, não tem escondido sua dor de cotovelo depois que sua namorada, uma DJ, a abandonou. Isso sem falar na megaestrela Angelina Jolie, que antes de se tornar mãe de família, alardeava sua bissexualidade. Brad Pitt acreditou, mas na cama do casal em vez de outras mulheres, há cada vez mais crianças.
No Brasil, Preta Gil não cansa de se rotular como “total flex”. Afinal, trata-se da liberação do desejo feminino ou de estratégia de marketing?
Para os especialistas as duas respostas estão corretas. O erotismo que envolve duas mulheres é infalível em termos de mídia, graças à curiosidade geral sobre a homossexualidade e ao fato de ser a fantasia número um dos homens. Mas a natureza feminina, mais flexível e com menos defesas em relação à afetividade, acaba proporcionando uma liberdade mais no campo sexual sem que necessariamente haja rotulações e nem todas as pessoas crescem com a definição tão absoluta quanto à orientação sexual, muitas vezes é preciso amadurecer para a experimentação. Homens e mulheres têm essa mesma curiosidade sobre o mesmo sexo, mas as mulheres não tem barreiras em beijar e abraçar confortavelmente suas amigas.
“É marketing total”, diz a webdesigner paulista Del Torres, idealizadora do Leskut, um site de relacionamento só entre meninas, que em nove meses, já tem 14 mil participantes. Del que lésbica assumida, diz que quando existe o desejo verdadeiro, o comportamento é discreto, as celebridades estão cansadas de saber que esse tipo de declaração chama a atenção, além de torná-las modernas e mais interessantes.
Não há dúvida de que mulher com mulher dá audiência. Há quem diga que tudo começou com o beijo cinematográfico que Madonna deu em Britney Spears no Vídeo Music Awards em 2003. Daí uma epidemia de beijos femininos na mídia, das brasileiras do axé Daniela Mercury e Alinne Rosa, na gravação de um DVD no ano passado, às francesas Sophie Marceau e Mônica Bellucci, nuas e abraçadas na capa da revista Paris Match do mês de junho deste ano. No último Big Brother, a sensação foi o selinho debaixo d’água de Priscila e Milena, que bateu recordes nos sites de notícias, até Woody Allen não resistiu e colocou no filme Vicky Cristina em Barcelona, uma cena em que Scarlett Johansson beija Penélope Cruz, acontecimento que foi badalado insistentemente anos antes de o filme entrar em cartaz.
Se a homossexualidade ou a bissexualidade feminina está mais palatável é porque vem embrulhada num pacote delicado e feminino. Quando o armário se abre saem dele mulheres magras, sexy,de batom. É o fenômeno chamado: light lesbian chic ou lipstick lesbian.
De repente, mulher gostar de mulher entrou na moda, mas desde que elas tenham características consideradas femininas, que atraiam os olhares masculinos e não choquem, assim os especialistas dizem que o imaginário social fica mais bem trabalhado para compreender e aceitar bissexuais e lésbicas de uma maneira geral.

Fonte: Revista Época.