terça-feira, 13 de outubro de 2009

Kafka: louco, esquisito, gênio, visinário


O universo de Kafka
A escrita de Kafka é marcada pelo seu tom despegado, imparcial, atenciosa ao menor detalhe, e que abrange os temas da alienação e perseguição. Os seus trabalhos mais conhecidos abrangem temas como as pequenas histórias A Metamorfose, Um artista da fome e os romances O Processo, Amérika e O Castelo. Os seus contos são julgados como verdadeiros e realistas, em contato com o homem do século XXI, pois os personagens kafkanianos sofrem de conflitos existenciais, como o homem de hoje. No universo kafkaniano, os personagens não sabem que rumo podem tomar, não sabem dos objetivos da sua vida, questionam seriamente a existência e acabam sós, diante de uma situação que não planejaram, pois todos os acontecimentos se viraram contra eles, não lhes oferecendo a oportunidade de se aproveitar da situação, e muitas vezes, nem mesmo de sair desta. Por isso, a temática da solidão como fuga, a paranóia e os delírios de influência estão muito ligados à obra kafkiana, sendo comum a existência de personagens secundários que espiam e conspiram contra o protagonista das histórias de Kafka (geralmente homens, à exceção de alguns contos onde aparecem animais e raros onde a personagem principal é uma mulher). No fundo, estes protagonistas não são mais que projeções do próprio Kafka, onde ele expõe os seus medos, a sua angústia perante o mundo, a sua solidão interior.
A obra sobre Kafka é já de maior dimensão do que o trabalho próprio do autor e vai desde estudos literários sérios até análises psicológicas do autor, a quem já foram atribuídos todos os tipos de complexos e traumas concebíveis. A própria sexualidade de Kafka chegou a ser discutida, apesar de que para muitos de seus leitores o desejo por mulheres estar evidente na maioria de suas principais obras e o próprio Kafka não ter dado em vida nenhuma razão para que alguém afirmasse que ele era homossexual. No entanto, a obra de Kafka tem despertado enorme interesse entre os leitores gays, pois de acordo com especialistas, a maior parte dos seus personagens são homens homossexuais, que simultaneamente exibem a necessidade de se esconder e de se exibir, forçando-os a não ter certezas na vida e deixando-os em constante perigo de serem descobertos, abalando-os assim fortemente em suas sensibilidades.

O realismo Kafkiano
O realismo se materializa na obra de Franz Kafka. A deformação da realidade que pode ser sugerida pela obra do autor obedece a uma percepção aguda do mundo. Kafka mostra, em suas obras, as coisas como elas são e as coisas como elas são percebidas pelo olhar alienado.
Quando visitava uma exposição de pintura francesa numa galeria de Praga, Franz Kafka ficou diante de várias obras de Picasso, naturezas-mortas cubistas e alguns quadros pós-cubistas. Kafka falou que Picasso não pensava desse modo: "Ele apenas registra as deformidades que ainda não penetraram em nossa consciência". E acrescentou mais, que "a arte é um espelho que adianta, como um relógio", sugerindo que Picasso refletia algo que um dia se tornaria lugar-comum da percepção — "não as nossas formas, mas as nossas deformidades".
Mas quando alguém bate na tecla do "realismo kafkiano", que é a reação é de estranhamento imediato, quando não de descrença. O cavalo de batalha de sua obra grandiosa é A metamorfose, na qual o ficcionista transforma o personagem Gregor Samsa, já na primeira linha, onde está enterrada a chave da interpretação da novela, num "inseto monstruoso, que vem a ser uma barata. É preferível tentar mostrar como o realismo kafkiano (sem dúvida "problemático", uma vez que colide com a expectativa do leitor sobre o que o realismo é uma imitação da realidade, para simplificar as coisas).
Evidentemente não se trata do realismo dos grandes mestres do século XIX, embora Kafka se considerasse "parente de sangue" de Flaubert e Kleist. O século XX já era um outro mundo e os moldes de um Balzac ou Tolstói, por exemplo, não podiam dar conta dele, sob pena de um acomodado anacronismo estético-histórico. Sendo assim, era preciso criar novos modos de olhar e narrar e Kafka criou o dele, inconfundívelmente, que, por ser novo e renovador, aberto às ocorrências que surgiam em estado de casulo, causou espanto e estranheza quando chamado de "realista".

Herança sombria e genial
Em meados dos anos 70 já se escrevia mais sobre os textos kafkianos do que sobre o Fausto de Goethe, por sinal um dos autores prediletos de Kafka. Em vista disso faz algum sentido perguntar ingenuamente: por quê? A resposta também pode ser ingênua e direta: por muitos motivos: porque ele escreve bem, porque é original, muito intrigante, um dos grandes do século 20, etc. Acima de tudo, é claro, porque várias gerações de leitores do mundo inteiro reconheceram na sua prosa o brilho de uma imagem angustiante e poderosa do nosso tempo. Alguém já disse, com vontade de acertar, que Kafka é um outsider que ocupa o centro da arte contemporânea. O curioso nisso tudo é que ele próprio se considerava um fracasso, como consta na Carta ao Pai.Retomando a tentativa de destruição da obra, é conhecido que os manuscritos não publicados até 1924, ano da morte do escritor, eram esboços e fragmentos, a maioria deles bem estruturados, como O Processo, O Castelo e Amérika, além de dezenas de textos monolíticos, cujo tamanho varia desde o de uma novela até o de um haicai. Max Brod foi forçado a realizar verdadeiras montagens dos cadernos de notas para poder publicá-los. Até o ano de 1927 saíram na Alemanha, por seu intermédio, os três romances. As chamadas "narrativas do espólio" foram lançadas em 1931 e os diários e as cartas em 1937. A edição da ficção completa, iniciada em 1935, foi interrompida pelo nazismo para ressurgir depois em Nova York. (Deriva daí sem dúvida a informação de que a primeira tradução brasileira de A Metamorfose foi feita a partir de um incrível original norte-americano). Entre 1951 e 1967 a editora S. Fischer, de Frankfurt, incumbiu-se das publicações e o último volume a surgir foram as Cartas a Milena. O conjunto da obra editada por Brod, que talvez seja o grande mérito intelectual de sua vida, tem 11 livros. Cabe ainda destacar que desde os anos 80 uma equipe internacional de especialistas tem-se dedicado com afinco e sucesso a uma edição crítica dos escritos kafkianos.Quanto à difusão de Kafka pelo mundo afora, é um fato que ela começou cedo. Na França, por exemplo, graças ao entusiasmo dos surrealistas, algumas narrativas isoladas, como: A Metamorfose e O Veredicto, foram traduzidas entre 1928 e 1930. Nos países de língua inglesa as traduções tiveram início nos primeiros anos da década de 30, em trabalhos que se tornaram famosos. Na América Latina o primeiro tradutor de Kafka foi Jorge Luis Borges, que verteu A Metamorfose para o espanhol em 1938. A partir do fim da Segunda Guerra Mundial o esquivo artista tcheco ficou conhecido em toda parte e pelo menos O Processo e A Metamorfose passaram a ser leituras obrigatórias do cidadão civilizado da nossa época.Três interpretações que marcam a recepção brasileira de Kafka, a de Otto Maria Carpeaux em Cinza do Purgatório, a de Sérgio Buarque de Holanda em O Espírito e a Letra e a de Anatol Rosenfeld em Texto e Contexto.Para ler Kafka é preciso ter lealdade às letras, embora cada palavra pareça dizer "interprete-me" e se recuse a suportá-lo. De qualquer forma não tem mais cabimento, hoje em dia, conceber este autor como um surrealista, um realista fantástico ou muito menos um cronista do absurdo. Evidentemente isso não implica negar que ele seja um autor difícil em todos os sentidos. Basta ver que não figura na literatura tcheca porque escreveu em alemão e que é no mínimo trabalhoso situá-lo entre os expressionistas alemães, a cuja escola devia pertencer. Pois, apesar de contemporânea do expressionismo, que tem por matéria-prima verbal o grito (mesmo que transformado em geometria, como ocorre com Trakl), a linguagem kafkiana é seca e sóbria e ostenta o corte sintático de uma dicção clássica, alheia ao subjetivismo e ao colorido de qualquer dialeto.
A existência de dois mundos na paródia que determina o encontro de dois tipos de frase nos textos kafkianos: uma curta e direta, que descreve e verifica laconicamente, e outra longa e complicada, que limita as afirmações, refutando-as ou iluminando-as por todos os lados. Além disso, a utilização maciça da linguagem burocrática, que domina muitos contos e passagens cruciais de O Processo e O Castelo.Vista no conjunto, a ficção de Kafka é marcada pela colisão entre a batida fleumática da narração e o aspecto sinistro dos acontecimentos. Para intensificar essa atmosfera de descompasso e mal-estar é decisiva a postura do narrador, que não tem marcas pessoais e não comenta nunca o que conta, limitando-se a levar quem o lê para a "máquina-de-moer" da trama inventada. O exemplo clássico nesse sentido é A metamorfose

Heróis de um mundo de imagens deformadas
A manipulação das imagens literárias exploradas por Kafka baseia-se em processos típicos do expressionismo. Os elementos do mundo no qual transitam os personagens são moldados por efeitos de redução e deformação e seguem um padrão calcado em certas obsessões expressivas. A pressão emocional a que estão submetidos os heróis embaralha ou suprime as categorias de tempo, espaço e causalidade e confunde constantemente a hierarquia ontológica entre homens e animais. Muitas vezes, o conteúdo metafórico da língua é tomado ao pé da letra: Gregor Samsa de A Metamorfose, não se sente como um inseto; ele simplesmente o é. Em outras ocasiões, a vivência interior é apresentada como absoluta: Joseph K. em O Processo, não acorda como se estivesse sendo processado; ele de fato o está.O foco das narrativas do autor é sempre o herói, a partir de quem é projetado o mundo. Uma vez que os narradores kafkianos não são oniscientes e, portanto, sabem pouco do herói, seus comentários muitas vezes não elucidam os fatos vividos por ele. Tais narradores em terceira pessoa garantem a objetividade dos acontecimentos, expressos sempre por meio de uma linguagem sóbria e ordenada, que acaba por alienar o personagem. Assim é que os heróis kafkianos se nos apresentam como seres estranhos, anônimos e incompletos, que padecem de falta de dimensão interior. Como arquétipos, eles são funções na organização, terrível sintoma de um mundo que transformou o indivíduo em peça de engrenagem. Por causa dessa última perspectiva é que se pode afirmar que as narrativas do escritor tcheco extrapolam o ambiente próprio da matéria imaginária sobre a qual está assentada boa parte da grande literatura para tomar contato com o mundo das relações concretas pelo qual circula o homem contemporâneo, surpreendido, enredado e aniquilado, constantemente, por situações kafkianas.

Da arbitrariedade ou diante do castelo
Vislumbrando na trajetória dos protagonistas kafkianos uma postura em favor do compromisso e do ajustamento completos ante um poder centralizador e autoritário (no caso, pré-fascista). O poder de Kafka se iguala ao direito, a homens desprovidos de direitos só resta o sentimento de culpa. Nesse sentido, muitos dos personagens da vasta galeria concebida pelo autor optam pela auto-humilhação, sacrificando suas qualidades intelectuais, o que levaria Kafka a proclamar a apoteose de um mundo desumanizado que aponta para o sentido inverso ao procurar reconstituir a responsabilidade absoluta do homem, que persevera até o fim na visão da liberdade. Kafka estaria criticando radicalmente as escravizações humanas, pela via negativa, e mostrando a vida deformada, falsa e irresponsável. Ambas as visões não desautorizam pensar que os heróis de Kafka, sobretudo em A Metamorfose, O Processo e O Castelo, querem ser aceitos pelos poderes e se ajustar por completo a eles, mas não conseguem, porque não sabem pactuar e entrar em compromisso.Estaria Kafka registrando a velha cidade natal, escura e decrépita para atacar o mundo crepuscular da monarquia habsburga, marcada pelo ódio generalizado ao poder paterno? Ao se revoltar contra a figura de pais, chefes e juízes, os heróis kafkianos não estariam contestando a autoridade dos velhos imperadores austríacos e alemães?Carta ao Pai, peça biográfica fascinante na obra de Franz Kafka, é um ajuste de contas que o escritor empreendeu com seu próprio pai, Hermann Kafka. Voltando toda sua energia combativa contra o poder tirânico exercido pelo chefe supremo da família, o escritor declara: "Da sua poltrona você regia o mundo. [...] Você assumia para mim o que há de enigmático em todos os tiranos, cujo direito está fundado, não no pensamento, mas na própria pessoa". Muito perturbadora ainda é a imagem do poder paterno ocupando todas as regiões do mundo disponíveis: "Às vezes imagino um mapa-múndi aberto e você estendido sobre ele".Uma autoridade arbitrária e inexpugnável também é encarnada pelo pai Samsa, em A Metamorfose, disposto a infernizar a vida do filho/inseto por meio de golpes de bengala e da artilharia de maçãs que dirige constantemente contra ele. A novela, uma das mais importantes obras da história da literatura, explora o que há de ridículo, trágico e grotesco na condição humana. Um poder ausente e autoritário corrói ainda a segurança e a própria identidade do agrimensor K. de O Castelo, que nunca conseguirá chegar ao topo da colina gelada, porque os donos do poder - uma corte de maliciosos burocratas - estarão sempre atentos para impedi-lo. Deixado inconcluso pelo autor, o romance amplia e consolida o alcance do adjetivo kafkiano.

O poder repleto de vazio
Uma das imagens mais expressivas do poder arbitrário ao qual se submete o homem moderno está presente em O Processo, cuja finalização foi abandonada pelo escritor. A obra trata do problema da indeterminação da lei e da condição puramente hipotética da justiça. É comum à grande maioria dos personagens criados pelo autor a consciência de serem indivíduos não ajustados à organização do poder. Mas, por outro lado, os heróis kafkianos costumam ser vítimas de uma força que eles mesmos potencializam. Nas peças literárias (como na própria vida de Kafka), o foco é quase sempre a descrição de um vazio de poder que se apresenta plenamente cheio, o que leva a vítima deste a imaginá-lo como proporcional à força de sua ausência. Em seu conjunto, a obra de Kafka trata do terror que resulta do fato de o postulado da razão nem sempre levar ao entendimento. Seus protagonistas são portadores da razão, mas sofrem por estar à margem dela. Assim, graças ao que ignoram e não ao que conhecem, é que eles revelam quão arbitrário é o poder.

O Enigma de Kafka
Genialidade e doença mental têm sido com freqüência correlacionadas a produções literárias ou artísticas de diversos autores, que tiveram suas obras e suas vidas enquadrinhadas. Assim o tentaram com Freud, Nietzsche, Dostoiewiski, Edgard Allan Poe, Baudelaire, Augusto dos Anjos, Machado de Assis, etc. Aliás, há certos segmentos da cultura popular que professam a falsa idéia da suposta sabedoria dos perturbados mentais que seriam lindeiros da genialidade, tese admitida de até por Shakespeare e outros pensadores.
Não se pode esquecer ainda que a psiquiatria e a psicanálise, devem muito dos seus postulados aos filósofos gregos Platão, Sócrates, Aristóteles e aos dramaturgos Sófocles e Eurípedes, que possuíam profundo conhecimento e compreensão de natureza humana. Kafka que viveu mais ou menos na mesma época e no mesmo país que Freud, mas que não se conheciam, empregam em suas produções literárias, técnicas de psicodinâmica como a fusão onírica, com o real e de catarse, ou seja, a ab-reação ou descarga de idéias ou emoções em sua forma original que se libertam do inconsciente para o consciente, técnicas essas que Freud havia desenvolvido na terapia psicanalítica.
Tido até algum tempo como um louco consciente, seus escritos foram recebidos como patogramônios de um alienado mental. Atualmente, porém, é reconhecido como um dos maiores escritores de todos os tempos, um gênio da estirpe de um Shakespeare e que ninguém aprendeu com maior acuidade do que Kafka a situação absurda, estranha e paranóica do mundo atual, tanto que surgiu em nossa língua um novo adjetivo: kafkiano, justamente, para expressar tudo que é estranho, incoerente, incomparável, fantasmagórico, selo do mundo em que vivemos.
Em suas obras, Kafka centraliza todas as coisas que tornam difícil viver em nossa época, onde as organizações e as estruturas em vez de atuarem em prol da pessoa humana, contra ela se colocam. E o faz de modo alegórico, como se tudo não passasse de um pesadelo, mas que é uma realidade, entretanto, em um sentido simbólico, uma analogia e uma sintetude com situações reais, absurdas, incompreensíveis, que por vezes mudam o curso de nossa vida cotidiana.
Nas suas composições as personalidades são representadas metaforicamente por animais e com eles assemelham-se, assim, no conto A metamorfose à personagem principal é uma barata, inseto em que um caixeiro-viajante se encontra transformado, ao acordar, depois de uma noite de sono. Mas, o importante é que não se trata de um pesadelo ou alucinação e sim de um fato social, de tal sorte que o cidadão Sanza deixou de ser gente e agora não passa de um mísero inseto. O que queria Kafka dizer com a possibilidade de um ser humano poder, de um momento para outro, virar uma barata?
O significado alegórico do fenômeno diz que o cidadão Sanza antes de ser transformado num mísero inseto era um respeitado pai de família, sustentáculo importante de sua gente, mas que devido a uma doença incapacitante tornou-se um peso morto para a família, um problema cuja solução seria o seu internamento num asilo de inválidos, valendo lembrar que no mundo moderno qualquer um pode se encontrar na mesma situação do cidadão Sanza.
Em outro livro, que se tornou famoso porque foi tema de um filme cinematográfico, dirigido por Orson Wells, chamado O Processo, Kafka relata a história de determinada pessoa o Sr. Joseph K que, ao acordar, após uma noite de sono, encontra sua residência cheia de gente a investigar com o objetivo de abrir contra ele um processo, apesar de não serem funcionários de Justiça, embora ninguém lhe diga qual a razão de semelhante processo.
Apesar de não ter sido preso, é obrigado a comparecer a várias reuniões no Tribunal de Justiça, sem culpa formada e sem saber qual a acusação de que é alvo. Inquieto, por desconhecer o que fez de errado, procura indagar, em vão, de pessoas estranhas qual o motivo da denúncia para que dela possa se defender. Enquanto isso, no próprio Tribunal acareiam fatos surpreendentes e um deles é que acaba tendo uma relação erótica com uma pessoa que não conhece!
A cada tentativa de defesa sente-se cada vez mais culpado, terminando por ser condenado a despeito de ignorar qual foi o seu crime. Um horrível pesadelo, interminável, esquisito, estranho e agressivo, mas, real, apesar de fantasmagórico.
Dizem os estudiosos do assunto que o crime do qual é acusado Sr. Joseph K. no conto O Processo, é uma alegoria ao pecado original segundo um mito religioso, que teria ocorrido há milhões de anos e que deu lugar ao sentimento de culpa fundamental e remorso, base da angústia humana. Lembramos, apesar de que do mito da culpa original, conforme a cultura judaico-cristã, ninguém nasce isento dela e que não escapamos das idéias que nos acompanham durante toda a vida, de que fizemos algo no passado filosófico que não teríamos feito se fossemos melhores.
Segundo a antropologia psicanalítica o sentido da culpa essencial do homem foi o parricídio e a posse da mãe, que serviu de tema à tragédia Édipo, do dramático grego Sófocles e que S. Freud chamou de impulso de Édipo. O parricídio, ocorrido na horda selvagem primitiva, renasce depois, simbolicamente, no banquete totêmico (morte do pai e canibalismo) e cerimoniais eucarísticos de cultos religiosos judaíco-cristão.
Em O Castelo, outro conto de Kafka, relata-se a história absurda de um agrimessor que foi contratado para realizar certos serviços profissionais num Castelo, mas que nele nunca conseguiu penetrar por causa de inúmeros obstáculos e impedimento que não lhe deixaram realizar o seu trabalho. Singular e estranhamente, porém, dias depois recebe do dono do Castelo, uma absurda carta na qual, depois de muitos elogios, agradece o trabalho que nunca conseguiu realizar.
Neste conto, existe uma situação dialética peculiar de Kafka, contraditória, onde ele pretende mostrar que na vida real nem sempre somos tomados pelo que fazemos, enquanto somos elogiados pelo que deixamos de fazer, ou seja, deixamos de ser tomados pelo bem que fazemos, em troca somos agraciados pelo mal que deixamos de praticar.
Sabemos que só é possível descobrir a razão das idéias de uma pessoa através do conhecimento de sua personalidade e do seu meio. Franz Kafka foi um escritor judeu de língua alemã, nascido em Praga (Tchecoslováquia) a 3 de julho de 1833 e falecido de tuberculose pulmonar em 1924, filho de pais judeus mas que nunca professou os preceitos da religião judaica. Apesar de criado no seio da sua típica família judia, gloriava não ter nada com os judeus.
De temperamento introvertido (esquizotímico), grandemente inquieto e desastroso com as condições do mundo onde vivia, e que achou muito estranho, sempre foi uma pessoa deslocada de sua ambiência. Desde criança, sempre teve problemas com o pai, uma figura autoritária e ao qual escreveu uma missiva tornada célebre (e que nunca chegou a ser entregue), sob o nome de Carta ao pai, onde com patética penetração, expõe o conflituoso relacionamento pai-filho, afirmando que tal falta de compreensão e entendimento era de responsabilidade de ambos.
Esses traços característicos e temperamentais assimilam e distinguem, de modo permanente, toda a obra do autor que gira em torno de um mundo predominantemente absurdo, insensato, paradoxal, inconseqüente que o faz difícil de ser vivido. Mas o específico e residual nela é a aparência de onirismo que contém, o onírico confundindo-se com o real, assumindo uma feição fantasmagórica, porém, sem perder o seu fundo de realidade.
Apesar de não ser um escritor político no sentido estrito da palavra, os seus trabalhos continham sempre um teor de denúncia contra a feição autoritária e brutal com que se verificam as relações das pessoas com aqueles que são autoridades, daí porque ele foi um escritor proibido tanto nos países comunistas como nos nazistas, tendo seus livros queimados pelo Estado mesmo depois de sua morte, em 1924.
Também foi condenado na Tchecoslováquia como responsável pela revolta chamada de "Primavera de Praga", ocorrida em 1968, em um processo autenticamente kafkiano. Até pouco tempo antes do seu falecimento só tinha publicado retalhos de suas produções, tendo mesmo recorrido, textualmente, ao seu grande amigo Max Brade para que destruísse todos os seus manuscritos e evitasse a reedição dos já publicados.
Aliás, Kafka quando vivo não teve a menor repercussão literária, sendo tido e havido como um maluco e seus escritos só depois da 2ª Grande Guerra, é que as pessoas começaram a sentir, por experiência própria, as contradições de um medo eminentemente kafkiano onde as grandes potências gastam enormes fortunas visando a acumular potentíssimos armamentos para a defesa e ataque contra possíveis inimigos hipotéticos.
Por essa razão, não é de admirar que neste mundo louco em que moramos, um mundo absurdo como que egresso da imaginação (catártica de Kafka). Suas obras, antes interpretadas como simples delírios de uma mente patológica passou a ser vistas como uma realidade.
Para terminar chegou o momento de decidir se Kafka foi um louco, um gênio, um profeta. Se ele tivesse vivido nos tempos bíblicos certamente seria classificado como um profeta. O papel cumprido por Kafka, no seu tempo foi, sobretudo o de um profeta anunciando o que ainda não estava sendo percebido e sentido. Por isso, foi considerado um louco e visionário.

Um fio vermelho em Kafka
Em maio de 1924, Kafka agonizava, dilacerado por uma tuberculose que provocava lesões na garganta tão sérias que a respiração, a fala e a deglutição estavam seriamente comprometidas. Sua aparência física materializava uma agonia na qual se tornava quase impossível encontrar a esperança de vencer a morte. Aos 41 anos, kafkianamente, Kafka morria de fome, realizando um incrível esforço para revisar as provas tipográficas de seu texto Um artista da fome. No dia 2 de junho, a agonia atingia o nível do insuportável. Ele pede ao seu médico: "Mate-me, senão você é um assassino". Finalmente, numa terça-feira, 3 de junho, ao meio-dia, Kafka morre. Morre mas não desaparece. A partir daí, uma literatura que se estima em mais de vinte mil títulos, sem contar as centenas de milhares de páginas nunca publicadas de autores anônimos e as incalculáveis reflexões que sua pequena obra escrita desperta em cada um de seus leitores, é posta em movimento, com uma intensidade tão enérgica que nada indica que virá a se esgotar.
Enquanto os homens enfrentarem as mazelas do dia-a-dia urbano, do mundo organizado do qual nunca mais se espera que eles saiam, Kafka está afixado permanentemente numa das vias principais, próximo do olhar de toda a multidão anônima que por ali circula. Kafka é daqueles poucos autores cuja obra transborda os textos e se transforma em parte do cenário das vidas humanas, ressoando em todas as dimensões das situações dos homens. Toda organização estatal de qualquer país do mundo tem algo de kafkiano. Toda instituição, pública ou privada, religiosa, acadêmica ou mafiosa, midiática, beneficente, esportiva, social ou o que seja tem algo de kafkiano em seu interior. Toda casa, toda vida em família reserva, em seus aposentos, um nicho kafkiano. Toda fala entre os homens, toda comunicação acolhe também tanto a demanda por um entendimento quanto o mal-entendido, e ambos podem ser kafkianos. Enfim, todo homem guarda em seu interior uma estranheza de si consigo próprio que é também kafkiana. Kafka penetra tão fundo a vida que é capaz de se instalar em compartimentos e lugares do acontecer humano tão raros que poucos autores, para não dizer nenhum outro, conseguem lhe fazer companhia.
Entre as letras e a vida humana, o espaço é difícil de ser encurtado e não existe nenhuma trilha fácil, nenhum atalho facilitador. Por isso, é bom desconfiar de toda escrita e, antes de mais nada, desconfiar de nós próprios. Kafka é herdeiro dessa tradição que visa levar os homens a desconfiarem de si próprios, exacerbando-a ao máximo, a ponto de que ela incida sobre o próprio texto que realiza (não devemos esquecer sua séria demanda de que sua obra escrita fosse queimada após a sua morte). E é essa ampliação da desconfiança por sobre todo o campo textual que levou muitos de seus primeiros críticos a verem em seus escritos algo assim como uma ruína do trabalho literário, a representação de um declínio contextualizado historicamente: os escritos de Kafka como porta-vozes das impossibilidades burguesas para responder com positividade às demandas históricas que exigiriam a superação da própria burguesia. Ou ainda o registro das impossibilidades do homem diante do acúmulo de insucessos história adentro. Porém, mesmo os críticos mais inquietos com o estado de coisas realizado por Kafka reconhecem em suas obras a presença de um grande escritor. E principalmente a realização de um enigma que nunca se fecha plenamente, porque nele, apesar de tanta negatividade, apesar de tanta desconfiança, o homem ainda se ergue por inteiro.
Na verdade Kafka era um sonhador que poria em atividade, em seu trabalho literário, um enorme desejo de liberdade e uma extrema sensibilidade para com a violência promovida pelas fontes de poder arbitrárias, que se deslocariam como que em ondas sísmicas desde um epicentro do poder do pai sobre os filhos às instâncias burocráticas do estado autoritário, e que o levariam a criar uma obra literária na qual todo o estado de coisas é considerado "desde o ponto de vista de suas vítimas". Devemos sempre acompanhar um “fio vermelho” imaginário mas presente nos textos kafkianos que a leitura nomeia-se "sociopolítica" e que nos permite apontar o conteúdo antiautoritário da escrita kafkiana. E o faz como um autor acostumado ao diálogo polêmico com outros críticos, e como um experimentado investigador de textos das ciências políticas e sociais. Sua pesquisa fixa um Kafka que flerta simpaticamente com idéias libertárias, fazendo das experiências do escritor com leituras e personagens anarquistas uma das evidências de suas convicções pessoais, que atuariam com profundidade ao longo de toda a sua obra. É verdade que, em Kafka, as organizações sociopolíticas e culturais são responsáveis, em grande medida, pelo sofrimento dos homens, mas esse sofrimento, a nosso ver, não se reduz em seus escritos apenas a um produto do entorno, não provém exclusivamente do estranhamento e da hostilidade do mundo exterior. Ethos e Cosmos se integram, mas um não se dilui no outro. Em Kafka, um agulhão de estranhamento parece estar implantado nas próprias entranhas de cada homem e impede a possibilidade de uma síntese pessoal estabilizadora.
A fonte de inspiração do trabalho literário de Kafka é muitíssimo ampla. Como por exemplo, ele sustenta que A colônia penal teria como origem uma crítica ao colonialismo, ao militarismo e à burocracia, já em O processo, põe em cena a hipótese de que processos anti-semitas teriam sido a sua fonte, ou ainda que a irmã Otla seria o modelo arquetípico sobre o qual teria sido construída a personagem Amália, da novela O castelo.

Kafka e suas obras publicadas:
· Cenas de um Casamento no Campo (1907)
· Considerações (1908)
· Aeroplano em Brescia (1909)
· Amerika (1910,1927)
· O Veredicto (1912)
· A Metamorfose (1912, 1915)
· A Sentença (1912, 1916)
· Meditação (1913)
· Contemplação: O Foguista (1913)
· Diante da Lei (1914, 1915)
· A Colônia Penal (1914, 1919)
· O Processo (1914,1925)
· Um Relatório para a Academia (1917)
· A Preocupação de um Pai de Família (1917)
· A Muralha da China (1917, 1931)
· Carta ao Pai (1919)
· Um Médico Rural (1919)
· Poseidon (1920)
· Noites (1920)
· Sobre a Questão das Leis (1920)
· Primeiro Sofrimento (1921)
· Cartas a Milena (1920, 1923)
· Investigações de um Cão (1922)
· Um Artista da Fome (1922, 1924)
· O Castelo (1922, 1926)
· Uma Pequena Mulher (1923)
· A Construção (1923)
· Josefina, a Cantora ou O Povo dos Ratos (1924)
· Sonhos (1924)


Kafka cinematográfico:
· The Trial - Orson Welles (1963)
· The Castle - Rudolph Noelte (1968)
· Informe para una academia - Carles Mira (1975)
· The metamorphosis of Mr. Samsa - Caroline Leaf (1977)
· Informe per a una acadèmia - Quim Masó (1989)
· Kafka - Steven Soderbergh (1991)
· The Metamorphosis of Franz Kafka - Carlos Atanes (1993)
· Amerika - Vladimir Michalek (1994)
· Das Schloss - Michael Haneke (1996)
· La metamorfosis - Josefina Molina (1996)
· The Trial - David Hugh Jones (1996)
· Metamorfosis - Fran Estévez (2004)

Fonte: trechos do livro (Kafka em 90 minutos/ Paul Strathern)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ave, Ave Maria, Senhora de Nazaré



Porque eu tenho esperança e muita fé
Porque eu quero ter amor bem mais ainda
Porque te amo, Senhora de Nazaré
Quero puxar a corda da tua berlinda

Ave, Ave ó Senhora da Berlinda
Ave Maria este é meu grito de fé
Ave, Ave, Deus te fez a flor mais linda
Ave, Ave Maria, Senhora de Nazaré

A tua corda, me enlaça nesta hora
Me prende a Deus de corpo, alma e coração
Assim é doce ser escravo teu Senhora
Servindo a Deus em cada homem meu irmão

Ave, Ave ó Senhora da Berlinda
Ave Maria este é meu grito de fé
Ave, Ave, Deus te fez a flor mais linda
Ave, Ave Maria, Senhora de Nazaré

Em Nazaré eras escrava do Senhor
Porém ninguém viveu maior libertação
Cordas de Deus te amarraram por amor
Foi a graça que prendeu teu coração

Ave, Ave ó Senhora da Berlinda
Ave Maria este é meu grito de fé
Ave, Ave, Deus te fez a flor mais linda
Ave, Ave Maria, Senhora de Nazaré

Puxar a corda da berlinda é para mim
O compromisso de levar-te e te seguir
Pelos caminhos desta vida até o fim
É só fazer aquilo que Jesus pedir

Ave, Ave ó Senhora da Berlinda
Ave Maria este é meu grito de fé
Ave, Ave, Deus te fez a flor mais linda
Ave, Ave Maria, Senhora de Nazaré.


O Círio de Nazaré, em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, é uma das maiores e mais tradicionais festas religiosas do Brasil, sendo celebrada desde 1793, na cidade de Belém do Pará. É celebrada anualmente no 2°domingo de outubro.
O Termo "Círio" tem origem na palavra latina "Cereus", que significa vela grande. O Círio foi instituído em 1793 em Belém do Pará até 1882, saía do Palácio do Governo. Em 1882, o bispo Dom Macedo Costa, em acordo com o Presidente da Província, Dr. Justino Carneiro, instituiu que a partida do Círio seria da Catedral da Sé, em Belém.
Atualmente as manifestações de devoção profanas e religiosas estendem-se por quinze dias, durante a chamada quadra Nazarena. Entre os pontos altos dessa manifestação, destacam-se: romaria rodo-fluvial, romaria rodoviária, romaria fluvial, moto-romaria, trasladação, procissão do Círio, recírio.
O Círio tem vários simbolismos. Os principais são: a berlinda, a corda, o manto, as velas ou círios e o tradicional almoço com a família.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palíndromo patologia

No principio era só um fascínio pelo palin
Uma nova interpretação intelectual pueril
Uma simples e obstinada curiosidade literária
Um divertimento neurótico dos deuses cultos
Uma recuperação de uma mesma estrutura
A volta no tempo da origem, o mito do retorno eterno
Palavras, frase-espelho, repetição, palíndromos
Começaram a virar uma obsessão
Uma proliferação palíndrômica
Uma recaída de uma doença
Palíndromo patologia
A pele começou a padecer
O osso oco corroeu a lâmina
O amor não adoça o aroma
Para que se evite o azar do medo
Para não pensar na torre da derrota
Somamos os sons dos ritmos, o ódio do doido
No arco-íris da vida, uma dádiva
Um grito em finlandês: SAIPPUAKIVIKAUPPIAS
Seria um grito de um palindromista?
Enfim... Reter e rever para prever e reter
Anagramas são sempre palíndromos
Palíndromos são sempre anagramas.

(Codinome Pensador)

She's a devil


O nome dela é Beth Ditto, é a vocalista da banda americana The Gossip e uma das cantoras mais polêmicas da nova geração do rock. Acima do peso, com atitude de sobra e sem papas na língua, ela briga contra a ditadura da beleza na mídia, não usa desodorante nem depila as suas axilas, diz que arrancava a cabeça de esquilos por diversão quando era criança, na maioria dos shows fica só de sutiã e calcinha no palco, é militante gay e a favor do casamento homossexual, fora isso sua voz é um destaque a parte, algo como uma mistura de Janis Joplin e Aretha Franklin.
Como cantora ganhou mais atenção do público em novembro de 2006 quando foi selecionada pela NME como a personalidade mais cool e mais fantástica do rock, ficando em primeiro numa revista anual da “Cool List”. A revista citou sua inconformidade, como a razão para a sua seleção, ela é uma lésbica, uma sincera defensora dos direitos dos homossexuais, pesa 102 kg e também está em uma relação homossexual. Em 2007, Ditto foi nomeada a “Mulher Mais Sexy do Ano” na NME Awards, onde desempenhou a canção "Temptation". Outro título em 2008, de Glamour Awards de Artista Internacional do Ano.
Recentemente ela recusou-se ir em lojas Topshop citando o seu descontentamento com a indisponibilidade de roupas no seu tamanho. Ela foi tão longe, cogitou que adoraria uma oferta para desenhar suas próprias roupas: “Dê-me o trabalho. Quero projetar. Quero fazer roupas para grandes garotas. Quero que fazer grandes tamanhos.” Hoje ela colhe os frutos de sua atitude de inconformismo com a moda, lançou uma linha de moda para as grifes Evans e New Look, tornando-se uma referência fashion acidental.
Ditto posou nua para a “On Our Backs”, uma revista erótica de lésbicas para mulheres. “Foi um grande momento na minha vida. Foi o tipo de coisa muito radical. Eu não pensei muito antes de fazer, fui lá e fiz. Depois achei demais, achei o máximo, porque sou uma pessoa gorda, peso mais de cem quilos e sou uma sapatão. E essa sensação é muito boa”, ela disse a revista Curve.
Sem dúvida Ditto é uma das mais improváveis “poster girls” do momento. Dotada de um vozeirão soul e uma beleza que não corresponde ao padrão atual, e por outra, sustenta muitos quilos a mais. E toda essa corpulência, não a deixa menos atraente e sensual.
Com a banda The Gossip, ela virou a nova queridinha do público mais descolado no Reino Unido. Assim como o já consagrado Scissor Sisters, para quem o grupo já esteve abrindo apresentações nos últimos tempos, o The Gossip é formado na cidade de Arkansas, apesar de vir ganhando mais atenção na Europa do que no próprio Estados Unidos. Além de Scissor Sisters, o The Gossip também já excursionou com artistas como Yeah Yeah Yeahs, Le Tigre, Erase Errata, Stereo Total, The White Stripes, Sonic Youth, Sleater Kinney e The Kills.
A banda é liderada há 4 anos pela endiabrada Beth e conta também com Brace Paine na guitarra e Hannan Blilie na bateria. Como o próprio grupo se define em seu MySpace, o The Gossip, além de jovem e cheio de energia, se interessa por artes, mudanças, o underground, dança, moda e movimentos culturais. A banda em seu mais recente álbum, “Music for men”, lançado em junho deste ano, só vem atestar o grande talento, que consegue superar a incontestável qualidade dos trabalhos anteriores, com letras recheadas de ativismo político e emoções, batidas punk, soul, rock, pop, música eletrônica e uma voz gritada de arrasar quarteirão da vocalista, são a mistura que fazem do The Gossip, uma das melhores bandas dos últimos tempos.
Para quem é mais alternativo e curte um rock indie, o álbum “Music for Men” é uma excelente opção. Ao ouvir o disco somos apresentados a faixa “Dimestore Diamond”, sob um baixo funk tirado de um brechó musical, que fala de uma garota da era da customização, que faz suas próprias camisetas e corta o cabelo sozinha em casa.
Nas faixas “Pop Goes the World”, “Vertical Rhythm” e “Spare me from the Mold”, eles mostram o que a banda tem de melhor.
Fonte: site papel pop

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O jeito geek de ser





Geek é um termo evoluído do nerd. Nerd num novo sentido, com uma abordagem bem diferente de outrora: nerd de gente curiosa, nerd de curioso por tecnologia, nerd de pessoa inteligente, nerd de indivíduo que considera a possibilidade de mudanças. E com todos esses “novos nerdes” temos o Geek.Um Geek é uma pessoa totalmente antenada, que adora tudo aquilo que se tem de mais alta tecnologia como, por exemplo: computadores, iphone, ipod, internet, notebook, câmeras digitais e muito mais. Sem contar com roupas de grifes famosas como Nike e Addidas que são as principais vestimentas desse público.
Tudo que se tem de novo no mercado, eles estão querendo, não importando o preço ou a dificuldade para consegui-lo. A necessidade de estar acessando coisas novas é a grande característica da tribo Geek.Os Geeks tem se destacado cada vez mais em blogs e sites de conversação, de tal forma que resolveram criar uma nova sociedade para eles. A SGA (Society Geek Advancement) ou melhor sociedade para nerds avançados. Esta foi fundada sobre os princípios de que todas as pessoas devem abraçar o geek interior ou exterior de ser, podendo assim mostrar para todos que não são pessoas de outro mundo. A sociedade tem como função obter membros que pensam e que se comportam da mesma maneira, podendo assim trabalhar juntos como uma comunidade global para fornecer as ferramentas e ajudar outros a realizar seu verdadeiro potencial.Como essa comunidade tem crescido cada vez mais durante os anos, já existem várias revistas, livros e sites direcionados especificamente para este público. O problema é que a maioria destas revistas são estrangeiras, pois querendo ou não esse pessoal ainda está em peso nas cidades internacionais como Chicago e New York.Definitivamente a cultura nerd/geek vem ganhando espaço e de tempos em tempos vem tomando rumos diferentes. As revistas se voltaram para esses temas e concretizaram essa nova cultura. Cada dia ela é mais ‘cool’ e dizer “Eu sou um Nerd” não é mais um bicho de sete cabeças.
Moletons, blusas, camisetas, tênis, bolsas e acessórios são a variedade de vestimentas que podem ser encontradas e feitas diretamente para esse público, com estampas escritas com o nome do movimento e da comunidade Geek. O símbolo de um pato com óculos é o preferido entre eles que foi muito bem trabalhado e ainda por cima adicionado em várias peças da moda.

(Codinome Pensador)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Nossos ídolos não são mais os mesmos, mas ainda respiram.


Ainda está na sua estante aquele disco que mudou sua vida. Aquele que você comprou na adolescência, com sua mesada, quando começava a descobrir as coisas e as bandas. Aquele disco que fez você querer ser músico.
Você comprou numa loja do lado da sua casa, de um vendedor amigo, um cara que começou a te recomendar outras coisas, que achava que sabia o que você queria. Você ouvia a todo volume, porque falava sobre você e você queria que o mundo todo ouvisse. Era a sua voz. Na ordem das músicas, na arte do encarte, nas letras e melodias formava aquilo que você reconheceria pelo resto da vida como sua personalidade.
Daí você se tornou um artista.
Começou estudando música, guitarra, piano, canto. Teve suas primeiras bandinhas. Tocava na garagem, pagava um estúdio, fez seus primeiros shows em inferninhos, daí mudou de banda, daí começou tudo de novo.
Agora você está no ponto.
Agora você começa a gravar seu disco.
Agora você tem repertório, tem um álbum coeso, tem uma capa que, quem sabe, poderia estar no quarto de um novo adolescente, na estante ou na parede, mudar novas vidas, influenciar vendedores...Mas não. Não há mais lojas de discos, há apenas grandes redes. Não há mais arte nem encarte, as pessoas baixam direto faixas isoladas. Escutam 10 segundos da introdução, então se adiantam para ouvir os vocais.
Sua arte está condenada.
Não que eu queira ser nostálgico ou conservador... Mas estava pensando em como deve ser triste para músicos e bandas que estão começando agora que tiveram seus disquinhos favoritos lidarem agora com a imaterialidade da música, o fim dos lados B, a urgência dos singles e dos hits, apenas hits, sem mais espaço para as músicas de passagem...Ou não, né? Há também o outro lado. Há o novo espaço da Internet, blogs, myspace, download. Você pode conquistar seu público e seus fãs sem precisar de grandes espaços. Você pode conquistar o mundo trancado em casa, e você pode ter seus ídolos exclusivos.
Como diria Annie Lennox: “I knew that I was going to be a legend... in my living room”.
Então poderia ser mais triste: você poderia ser escritor.
Quem quer ser um jovem autor?Porque assim, você pode ser até lido, você até pode ter seu público, pode até vender razoavelmente bem, ou ser um ídolo para poucos, publicado apenas em blog, vendendo seu próprio livro, mas você nunca terá um ídolo.
Eu nunca tive.
Sério.
Digo, em quem posso me espelhar, qual será meu modelo? A gente não quer ser igual aos escritores que admira – ao menos, não quer ter a mesma vida. Posso louvar o trabalho deles, mas não quero terminar como Caio Fernando Abreu, Lúcio Cardoso, João do Rio... Isso sem mencionar os vivos...O escritor no Brasil não tem modelos positivos. Ele pode seguir a arte, pode admirar o estilo, pode querer ser tão grande quanto... Mas sabe que assim só conquistará um final trágico.
Será que eu ainda acredito? Só resta acreditar que, com a gente, poderá ser diferente. Mas, sinceramente, não é isso que o mundo mostra. Posso me consolar pensando: “Ao menos um moleque pode me descobrir daqui a 50 anos, como eu descobri o Lúcio Cardoso...” Mas acho que cada vez menos gente descobrirá livros..E... será que o mundo ainda existirá daqui a cinquenta anos?
O músico sobrevive com shows. O escritor sobrevive com textos para jornal, traduções, roteiros. Mas talvez a arte, como a conhecemos, já esteja com os dinossauros, já esteja com os dias contados, já esteja no alvo do meteoro.

(Santiago Nazarian)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eu vi. O filme: A festa da menina morta

Sinopse: Há 20 anos uma pequena população ribeirinha do alto Amazonas comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado por Santinho, que após o suicídio da mãe recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida. A menina jamais foi encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado. A festa cresceu indiferente à dor do irmão da menina morta, Tadeu. A cada ano as pessoas visitam o local para rezar, pedir e aguardar as "revelações" da menina, que através de Santinho se manifestam no ápice da cerimônia.
Ficha técnica: Título original:A Festa da Menina Morta/ Gênero:Drama/Ano de lançamento:2008/Direção: Matheus Nachtergaele/ Elenco: Daniel de Oliveira, Juliano Cazarré, Jackson Antunes, Cássia Kiss, Dira Paes.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quelqu'un m'a dit

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.

Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore
Serais ce possible alors?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main
Alors on tend la main et on se retrouve fou.

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit.

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.

Autora: Carla Bruni

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tô lendo. Livro: Nós, os Humanos (Flávio Gikovate)

Nesta obra, Flávio Gikovate apresenta uma visão tridimensional do homem, em suas peculiaridades biológicas, psicológicas e sociais. Ele estuda as relações entre amor, sexualidade, vaidade e vícios, mostrando como a razão interfere nos processos sentimentais.
O livro reúne seis ensaios acerca das relações entre a razão e as pressões biopsicossociais a que nos submetemos.
O primeiro, “Corpo, alma e sociedade”, mostra que estamos presos a valores e regras sociais que nos impedem de ter uma vida plena. O segundo, “Amor e sexo”, explica que esses dois componentes não estão sempre interligados, como reza o senso comum. O terceiro, “Amor e vaidade”, demonstra que um dos ingredientes mais destrutivos envolvidos na relação amorosa é a vaidade, mesmo que não seja percebida pelos parceiros. O quarto, “Amor e vícios”, reafirma a idéia do autor de que o amor romântico funciona da mesma forma que as substâncias que provocam dependência. O quinto, “Amor e razão”, sustenta o ponto de vista de Gikovate de que o amor pleno é aquele mais próximo da amizade, sem vínculos doentios entre as pessoas.
Por fim, o sexto, “Do que somos capazes” oferece uma visão otimista do futuro, desde que as pessoas reflitam, eliminem ou atenuem cada vez mais tensões sobre todas essas questões derivadas de conflitos entre da individualidade e anseios de integração para ter uma vida social e amorosa bastante satisfatória.


"... gostamos dos autores que pensam de modo parecido como o nosso e achamos meio idiota o texto — e seu autor — que contém opiniões divergentes. Assim, nunca aprendemos nada de novo, pois só lemos os livros com os quais concordamos e cujo conteúdo de certa forma já conhecemos; ou seja, só lemos os livros que não precisamos ler. Os outros nós largamos no meio, porque são “chatos” ou idiotas…" (Flávio Gikovate/ Psicoterapeuta).


Ficha Técnica:
Livro: Nós, os Humanos
Autor: Flávio Gikovate
Segmento: Psicologia e psicanálise
152 páginas
Editora MG Editores.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A valsa que eu fiz para você

Um milhão de valsas à bailar nossa emoção
Mais que uma conformidade, o elo forte da nossa ligação
Pelos salões ecoa um compasso vienense

O barulho do beijo cor de boca suaviloquente do amor
Que hoje ouço, sinto e vejo
Aqui, ali, em todos os cantos desse universo que conspira à nosso favor

A noite de mil luas nos convida à sonhar
Me dar a tua mão, vamos dançar
Ravel, Chopin, Strauss, um belo luar e o teu olhar

Não vamos deixar essa valsa morrer
Porque essa valsa eu fiz para você
Como na dança de um filme antigo, como nos versos que escrevo para você

Vejo pela janela da tua alma, a fauna e a flora dançarem um Danúbio Azul
Bendita fruta bruta de diamante à se talhar
Onde brilham todas as minhas razões para eu te amar

Poema inspirado, objeto amado, sentimento solidificado
E o meu mar cheio de amor transbordando no teu corpo vazio
Me valse, me ame, me cante

Cantemos então a valsa de Eurídice
Mais não para ficar triste e nem para chorar
Para se perder por entre Romeus e Julietas à levitar

Ao som flautado da trombeta de um serafim
Enlevados, supensos no ar
Prontos para dançar no céu, prontos para voar

Ecoa a valsa do imperador
Bebíamos vinho, delícias de sonho de valsa, comíamos pão
E ondas da melodia te trazia na minha direção

A vida te trouxe para mim, como essa valsa feita por mim
Você é minha inspiração, que chega assim
Meio sem pedir licença, meio sem explicar

Tudo silenciou
Nós, a voz, a paz, a música, o adeus, a estrela na manhã
Martelando na minha cabeça, uma valsa, uma filosofia vã

Finda-se a valsa da desperdida
Viver sem meu amor, jamais
O que será de mim? Engano meu, esse não será o meu fim.

(Codinome Pensador)

Tô ouvindo: CD Peixes, pássaros e pessoas da Mariana Aydar


Peixes pássaros pessoas, o novo Cd da cantora Mariana Aydar, tem endereço certo: “Fiz este disco para mim. É bem autoral, autobiográfico. Mesmo não tendo criado todas as canções, é um apanhado das minhas influências, tive mais propriedade na escolha dos temas”, explica a artista, de 28 anos, esbanjando maturidade em relação à proposta autoral do trabalho.

O disco é também um projeto caseiro. Para produzir, convidou o namorado, Duani, integrante do grupo carioca Forrósacana, autor de sete das 13 canções e o músico Kassin. Para o repertório, chamou amigos, como o artista plástico Nuno Ramos, e, para parcerias na interpretação, convidou pessoas que admira, como Mayra Andrade e Zeca Pagodinho.
O samba flerta com praticamente todas as 13 canções, principalmente em faixas como: Florindo e O samba me persegue, ambas compostas por Duani. Mas, como gosta de frisar, não é um disco inspirado no estilo. “O samba me persegue, foi inevitável tratar do assunto: queria falar sobre o preconceito com o gênero.” diz a cantora.

A sinceridade toca outros pontos do repertório. “O disco começou pelo assunto. Queria fazer as pessoas pensarem em temas dos quais não se fala muito. Sinto que a música brasileira fala bastante de amor romântico, sofrimento, e isso não cabe mais. Queria mostrar outra maneira de pensar o mundo. Buscava algo que pudesse traduzir a nossa condição humana. Ainda somos presos à moral. Queria refletir sobre essa prisão, essa desilusão”, conta Mariana.
A força do palco e a alegria de cantar foram sintetizadas na faixa: Beleza, canção que tem participação especial de Mayra Andrade. “Era algo recorrente em minha vida. Palco é, ao mesmo tempo, sério e divertido.” Nesse sentido, a proximidade com os compositores a ajudou a afinar o discurso. “Tive muito acesso a todos. Pude dizer, por meio deles, o que queria falar.”

A proximidade com o artista plástico e compositor Nuno Ramos é bom exemplo. Antes de convidá-lo para participar do CD, havia cantado em uma das instalações do artista. “Considero o Nuno um dos maiores artistas do Brasil. Depois o conheci como compositor”, lembra ela, que divide com ele a parceria de Tudo que eu trago no bolso. No disco, Nuno é autor de outra faixa, Manhã azul.
Duani se refere a Mariana sempre de um jeito carinhoso. “Ela tem uma voz suave, forte, ao mesmo tempo original, é pequenininha, tem 1,64m e quando abre a boca, é autêntica e toca direto ao coração das pessoas.” Mariana, por sua vez, usa o trabalho para se sintonizar. O codinome Kavita, que utiliza para assinar as composições, contribui para isso. “É um apelido que gosto, sempre usei meio para esquecer que sou Mariana Aydar. Me ajuda a permanecer com o pé no chão e a lembrar que não sou ninguém”, reconhece.

A curta, mas bem-sucedida carreira, a desmente. Estreou em 2006, com o disco Kavita1 (título que significa poeta, em sânscrito), também produzido por Duani. Logo no início conseguiu boas críticas e conquistou um público cativo. “Meu público é bem variado. É sempre uma surpresa nos shows. Dos mais jovens até pais, avós e crianças”, diz.
Para essa turma, a artista prepara novidades. O resultado do novo CD chega primeiro, por coincidência de agenda, aos palcos da França, Portugal e Inglaterra. No Brasil, só em junho. Nas apresentações ao vivo é que exercita sua ligação com os fãs. “Procuro ser completamente sincera, estar atenta e não ser hipócrita.” A receita segue também no disco. “Penso em todos os detalhes, até na ordem das canções”, cita ela, deixando escapar certa preocupação com quem baixa as músicas fora de ordem da internet. “Mas é o futuro. Sei que é o caminho, só não consigo prever.” Enquanto a rota não muda de vez, segue feliz da vida com a fase atual. “Não tenho do que me queixar. Estou numa gravadora ótima, que me acolheu muito bem.” Com um disco desse calibre, não poderia ser diferente.

Faixas:
• Florindo (Duani)
• Palavras não falam (Mariana Aydar)
• Beleza (Luisa Maita/Rodrigo Campos)
• Aqui em casa (Duani/Mariana Aydar)
• Pras bandas de lá (Duani)
• Manhã azul (Duani/Nuno Ramos)
• Tá? (Carlos Rennó/Pedro Luís/Roberta Sá)
• Peixes (Nenung)
• Nada disso é pra você (Romulo Froés/China)
• Poderoso rei (Duani)
• O samba me persegue (Duani)
• Teu amor é falso (Duani)
• Tudo que eu trago no bolso (Mariana Aydar/Nuno Ramos)

Fonte: site Divirta-se

Nietzsche e o jeitinho brasileiro

Costuma-se apontar a corrupção como uma das maiores mazelas da sociedade brasileira. Geralmente, quando questionada acerca desse assunto, a opinião pública tem como alvo favorito de críticas a classe política. É curioso, no entanto, que boa parte dessas pessoas que avaliam negativamente seus representantes costuma recorrer, cotidianamente, a pequenos artifícios que burlam o costume ético e, muitas vezes, até a lei. Estamos nos referindo ao nosso jeitinho brasileiro, à malandragem e ao jogo de cintura, "categorias" que, já incorporadas à nossa cultura, convivem lado a lado com os valores ético-morais mais tradicionais. A "ética" do jeitinho e da malandragem coexiste, paralelamente, com a ética oficial. O cidadão que cobra dos políticos o cumprimento dos preceitos da ética tradicional é o mesmo que usa o expediente do jeitinho e da malandragem.

Claro que a desonestidade não é uma exclusividade nacional. Mas é interessante ressaltar a peculiaridade brasileira na admissão das "categorias" jeitinho e malandragem como elementos paradigmáticos à ação "moral". No nosso país, curiosamente, exaltam-se, ao mesmo tempo, dois tipos aparentemente incompatíveis: o honesto e o malandro. Nesse sentido, como bem observou o antropólogo Renato da Silva Queiroz, a cultura brasileira é permeada por uma ambiguidade ética em que termos como "honesto", "corrupto", "esperto", "otário", "malandro" e "mané" se misturam num confuso caldeirão moral. Esse caráter peculiar de nossa sociedade exige-nos alguns questionamentos: o que levou a cultura brasileira a essa ambiguidade moral? O que fez que nossa sociedade cultivasse certa glorificação da malandragem? E mais: será que essa exaltação do tipo "malandro" tem sido proveitosa para o Brasil? Ela tem contribuído para o engrandecimento de nossa cultura ou para sua degeneração?
No final do século XIX, o filósofo Friedrich Nietzsche se propõe a realizar uma crítica dos valores morais e, com isso, inaugura o seu procedimento genealógico. Rompendo com a tradição metafísico-religiosa que considera os valores como sendo eternos, universais e imutáveis, o pensador alemão passa a pensá-los por um viés histórico. Ou seja, no entender de Nietzsche, os juízos de valor, antes concebidos como absolutos, teriam sido, na verdade, criados numa determinada época e a partir de uma cultura específica. Tomando como ponto de partida essa perspectiva, o pensador alemão enxergou a necessidade de realizar um exame acerca das condições históricas por meio das quais os valores foram engendrados. E coloca as seguintes questões: de que forma esses paradigmas morais teriam sido gerados? Por quais povos e em que época? Em que condições se desenvolveram e se modificaram? Para efetivar essa investigação, Nietzsche põe a seu serviço os recursos da História, da Filologia, e da Fisiologia. Apesar disso, ao recorrer a essas disciplinas, o filósofo não assume o papel de um cientista positivista, que busca fatos históricos, fisiológicos ou antropológicos. Nietzsche está longe de ser um pensador, que se pretende isento e "objetivo". Para ele, a investigação genealógica já é um procedimento que se realiza a partir de uma determinada perspectiva valorativa. Sua análise deve ser entendida como uma hipótese interpretativa que tem como pano de fundo o referencial das ciências, mas não como um método científico que se embasa em fatos.

A Dialética da malandragem:

Em 1970, o crítico literário Antônio Candido publicou Dialética da malandragem, uma referência obrigatória para qualquer estudo filosófico que aborde o tema da malandragem brasileira. O trabalho, um ensaio sobre Memórias de um Sargento de Milícias - romance publicado em 1854 por manuel Antônio de Almeida (1831-1861) -, toma o personagem principal do livro, Leonardo Pataca Filho, como o primeiro malandro da literatura brasileira. mostrando que Leonardo transita, cotidianamente, entre a ordem estabelecida e as condutas transgressivas, Cândido afirma que esse romance, já no século XiX, retrata - retrospectivamente - a ambiguidade ética da sociedade brasileira, na época de Dom joão Vi. A desarmonia entre as instituições ético-legais e as práticas sociais efetivas não seria novidade: "Há um traço saboroso que funde no terreno do símbolo essas confusões de hemisférios e esta subversão final de valores. (...) É burla e é sério, porque a sociedade que formiga nas Memórias é sugestiva. (...) manifesta (...) o jogo dialético da ordem e da desordem". (A título de curiosidade, é bom lembrar que, em 1946, época em que a difamação de Nietzsche estava em seu apogeu, o mesmo Antônio Cândido publicou o ensaio O Portador, um dos primeiros textos a apontar a necessidade de se recuperar o pensa-mento nietzschiano).

Fonte: Revista Filosofia - Ciência e Vida.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me pego olhando o horizonte


Me pego olhando o horizonte
E olho essa imensidão do firmamento corado
Diante do meu olhar embebecido, perplexo
Em busca de respostas, de direções, de reflexões
Em busca de mim mesmo, de mar , de emoções
Nesse momentâneo exílio de horas busco minha essência
Me preencho de lacunas, de vácuos, de delírios, de devaneios
Acredito na horizontalidade das coisas da vida
Acredito que não é o fim na linha reta e perfeita onde termina o céu
Acredito que posso voar para além daquilo que meus olhos vêem
Onde o sol se põe sobre o mar, onde a brisa recendia, onde o futuro pincela o seu dourado
E a poética natureza abre a sua cortina que preenche por completo os olhos do ser
Que desperta para o que está adormecido
Surge o sonho, o encanto, a beleza
Me pego olhando o horizonte
E tenho forças para lutar e acredito mais ainda que vou chegar lá.

(Codinome Pensador)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mentes brilhantes

Os vinte brasileiros mais brilhantes de 2009, até agora:

Miguel Nicolelis
Mudou a neurociência com pesquisas pioneiras sobre o cérebro e a robótica. Esse trabalho pode representar a cura para doenças como o mal de Parkinson. Está a um passo do Prêmio Nobel. E, aos 48 anos, isso é só o começo.

Eduardo Neves
Arqueólogo está trazendo à tona a até então desconhecida história das antigas sociedades indígenas da Amazônia desde de antes da chegada dos portugueses. E ele aos 43 anos de idade, já identificou mais de 200 sítios arqueológicos na região.

Rosaly Lopes
Geóloga da Nasa batiza os vulcões que descobre no espaço com nomes de divindades indígenas brasileiras. Rosaly, de 52 anos, chegou ao livro do Guiness graças ao seu trabalho, o guia de recordes atesta que essa carioca é a pessoa que mais descobriu vulcões ativos em toda a história, ao todo são 71.

Marcelo Tas
Ele está sempre a par do mundo da tecnologia e à frente de tudo. Até que um dia você para e descobre que ele ficou para trás. Ou melhor, por trás. Como seu Twitter e o programa CQC, Tas virou referência de jornalismo e humor. Considerado um nerd do bem, por está sempre envolvido com novas tecnologias, distribuindo algum artigo curioso e no meio sempre de quem é bem informado e atualizado. Isso é que dá ter uma grande e careca cabeça.

José Bonifácio Brasil de Oliveira
Conseguiu o improvável, como diretor do Big Brother Brasil, fez da novela da vida real o programa favorito do país.

Daniel Filho
Juntos, os dois últimos filmes de Daniel Filho, 71 anos, levaram um público de quase 10 milhões de pessoas aos cinemas. E deve emplacar outros sucessos em breve. Acabou de estrear a aguardada superprodução “Tempos de Paz”, sobre a segunda guerra mundial e está dirigindo a biografia de Chico Xavier.

Carlos Saldanha
Criador da animação “A Era do Gelo”, construiu uma franquia de sucesso com a fórmula sem mistérios: ela aprendeu a simplificar o complicado. Para ele o universo é simples como uma noz.

Renata Abbade
Vive há oito anos em Nova York e ganhou fama pelo ritmo delirante e variado de seus trabalhos.
Esse paulista de Campinas atende por dançarina, produtora, diretora de vídeo, designer, desenhista, artesã e coreógrafa. Ela se define como “free stylist”.
Já maquiou Michael Stipe, vocalista do R.E.M., fez o ator Paulo Cezar Pereio vestir macacão rosa, dirigiu, produziu e atuou em “Left Behind”, videoclipe da banda paulistana Cansei de Ser Sexy.

Duda Penteado
Pintor-escultor-muralista-artista-performático, Duda Penteado estava no topo do prédio mais alto de Nova Jersey, do outro lado do rio Hudson, era Nova York, quando as torres gêmeas viraram pó. Era 11 de setembro de 2001. Encontrou sua Guernica pessoal. Naquele violento cartão de visitas de novo milênio.
No começo de 2002, estava pronto o Beauty for Ashes (beleza para cinzas), pintura sobre a infinita ignorância humana em guerrear com o diferente. Em 2010, São Paulo ganhará uma versão do seu trabalho com a temática da paz.

Beatriz Milhazes
Seu trabalho ganhou as páginas dos jornais em maio do ano passado. Seu quadro “O mágico” acabava de ser arrematado, em Nova York, por mais de US$ 1 milhão num leilão realizado pela tradicional casa Sotheby’s. Foi a maior cifra alcançada por um artista brasileiro vivo.
Ela pinta em seu ateliê no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, de lá, apresenta ao mundo uma arte genuinamente brasileira, mas que pretende ir além de qualquer tipo de fronteira.

Rafael Grampá
Ultrapassou as fronteiras dos quadrinhos nacionais e deve estourar em Hollywood. Em 2008, ganhou o prêmio máximo dos gibis: um Eisner Award pela produção do álbum “Five”, dividido com outros quatro autores. Agora esse gaúcho de 31 anos está envolvido com Furrywater, série que será publicada pela editora americana Dark Horse em 2010.

Ronaldo Fenômeno
Precoce, famoso, aposentado, resnacido, gordo, craque, corintiano, sofredor, melhor do mundo, campeão, campeão de novo, atacante, goleador, brasileiro e gênio.
Foi o mais jovem convocado do Brasil, para a Copa do Mundo de 1994, tornou-se ídolo do PSV, da Holanda, do Barcelona, da Espanha e do Internazionale de Milão, clubes que defendeu sucessivamente, em transações cada vez mais milionárias. Foi eleito três vezes o melhor jogador do mundo, em 1996, 1997 e 2002.
Ronaldo está afastado da seleção, mas quem sabe o que a história de um dos gênios do futebol mundial ainda guarda do inesperado capítulo para 2010.

Muricy Ramalho
É o único treinador a ganhar três títulos brasileiros seguidos pelo mesmo time. Foi demitido do São Paulo depois de uma campanha sem brilho na Libertadores, dois meses atrás, mas a gente entende que até os gênios precisam descansar.

Bruno Brau
Uma das atribuições da rotina de trabalho do músico paulista Bruno Brau de 32 anos é convencer empresários da indústria fonográfica que está velho, para não dizer morto. Em parceria com o empresário Marcos Maynard, ex-presidente da gravadora EMI e a expertise de um time de engenheiros da Universidade de Tecnologia de Lugano, na Suíça, criou o FunStation, uma rede de totens digitais que disponibliza mais de um milhão de músicas, vídeos, games e ringtones para carregar celulares, tocadores de MP3 e pendrives em qualquer lugar.

Fernando Catatau
Ele não assume, mas é, sim, o Lanny Gordin de sua geração. Ambos guitarristas e o sol de um sistema em torno do qual os astros giram, e eles só fazem iluminar e aquecer.
Com a influência do jazz misturada à cancha dos bailes, Gordin forjou o som da guitarra tropicalista e alicerçou as primeiras ousadias de Caetano, Gil e Gal e principalmente do maestro e arranjador Rogério Duprat.
Catatau esse cearense de 37 anos, não fica atrás. Sua mistura de brega com rock progressivo, latinidade e pop romântico vem adornando a inda desrotulada novíssima música brasileira. De Vanessa da Matta à Nação Zumbi já contrataram os préstimos de Catatau.

Chimbinha
Da banda Calypso para o mundo, Chimbinha é considerado por muitos especialistas em música, um dos melhores guitarristas do mundo e também ajudou a reinventar o negócio de música.
A banda Calypso não teve medo em incorporar de forma rápida e eficiente as vantagens da tecnologia digital com a facilidade de reprodução e barateamento de custos, o que só ajudou a construir a popularidade da banda.

Reinaldo Normand
Ele desafiou a Microsoft, a Sony e a Nintendo. Aos 33 anos, o mineiro Reinaldo Normand é reponsável pela criação do Zeebo, o vídeo game brasileiro que tem objetivos nada modestos: acabar com a pirataria e se transformar em uma plataforma de jogos onipresente.
O Zeebo não usa cartuchos, fitas, CDs ou DVDs. O jogos a preço à partir de R$ 10, são baixados por uma rede de 3G, igual a dos telefones celulares e ficam armazenados na memória do console.

Flávio Masson
Se nos EUA os prêmios são a medida da grandeza, eis a lista que o publicitário Flávio Masson levou no ano passado: um da Americas Property, concedido pela rede de TV CNBC e o The New York Times para as melhores campanhas do setor imobiliário, um W3, prêmio da Academia Internacional de Artes Visuais para os melhores sites e um Davey, recompensa para idéias criativas de pequenas empresas.

Ronaldo Fraga
Na última edição do São Paulo Fashion Week, em janeiro, ele levou às lágrimas parte da platéia que acompanhava seu desfile, levou à passarela senhores de cabelos brancos e meninas de sardas.
Desde pequeno Ronaldo Fraga, mineiro de 41 anos, aprendeu a enxergar o extraordinário no ordinário. Como ele mesmo diz: “ Todas as pessoas deixam muito claro seu conceito no que as pessoas estão vestindo. Hoje tenho certeza de que o corpo é mídia imediata e transformadora. A roupa é um detalhe que acaba vindo como conseqüência desse relacionamento amoroso que temos com o mundo”.

Alex Atala
É o único chef brasileiro a figurar na prestigiada lista de 50 melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”. Seu objetivo? Colocar a comida brasileira no olimpo da gastronomia internacional.

Fonte: Revista Galileu

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tô ouvindo: CD Labiata do Lenine


O cantor, compositor e auto-definido "orquidólatra" Lenine, em Labiata seu sexto CD de carreira, faz uma homenagem a uma espécie rara de orquídea, flor pela qual o artista tem verdadeira paixão e cultiva várias espécies em um local especial de Petrópolis, região serrana do Rio.
O disco tem 11 músicas e é o mais íntimo do cantor, feito com as pessoas mais próximas, onde estão parcerias com Arnaldo Antunes, Lula Queiroga, Braulio Tavares, Dudu Falcão, Carlos Rennó e Paulo Cesar Pinheiro.
De contrato novo com a gravadora e de volta à Universal Music, o álbum foi finalizado nos estúdios do ex-vocalista do Genesis, Peter Gabriel (Real World), em Londres, com as cópias fabricadas na França.
O recente trabalho do pernambucano tem uma novidade para os fãs é que os primeiros dez mil compradores poderão adquirir um pacote especial, com o CD original na versão Digitec (alta tecnologia), um disco prensado no tradicional vinil e um pen-drive musical. Lenine justificou a volta ao vinil afirmando que "nada substitui o contato da agulha com aquela ranhura".
Uma das canções do disco, É o Que Me Interessa, foi incluída na trilha sonora da novela "A Favorita", como tema da personagem de Patrícia Pillar. O brilho dos olhos azuis de Lenine se acentua ainda mais quando ele fala do título do trabalho. "Foi uma escolha passional", diz o "orquidólatra" assumido, explicando que Labiata vem de lábia mesmo.
"Labiata é uma orquídea rara do Nordeste", de nome científico catlea labiata, que "rivaliza", segundo ele, com outra orquídea do sul, a lelia purpurata. "São 40 mil espécies, que podem ser encontradas desde a Austrália até o Tibet", ensinou Lenine.
O pernambucano fala com intimidade da flor que dá nome ao recente trabalho e a compara com a música popular brasileira. "A Labiata é de grande adaptabilidade e pode ser cultivada na altitude e na planície. é uma flor delicada, mas muito robusta, resistente. E isso é a música popular brasileira, não morre nunca".
No site do artista pernambucano (www.lenine.com.br) é possível se cadastrar e baixar uma das músicas (É o que me interessa). Lenine já está ensaiando o show do novo CD. A estréia vai ser no começo de novembro, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo e, depois, na segunda quinzena de novembro, no Vivo do Rio de Janeiro. A idéia é percorrer o Brasil com o show e, a partir de março, iniciar a turnê pelo exterior.
Faixas:
1. Martelo Bigorna (Lenine)
2. Magra (Lenine e Ivan Santos)
3. Samba e Leveza (Lenine e Chico Science)
4. A Mancha (Lenine e Lula Queiroga)
5. Lá Vem a Cidade (Lenine e Bráulio Tavares)
6. O Céu É Muito (Lenine e Arnaldo Antunes)
7. É Fogo (Lenine e Carlos Rennó)
8. É o que me Interessa (Lenine e Dudu Falcão)
9. Ciranda Praieira (Lenine e Paulo César Pinheiro)
10. Excesso Exceto (Lenine e Arnaldo Antunes)
11. Continuação (Lenine)

Fonte: Site Porto Cultura

Entre nós

Um entrelaçamento de desejos, de sentidos e de destinos
Nesse entrosamento entre vida e felicidade
A entrada certa, uma porta aberta para a perdição

Um entregar louco, uma espera pouca
Nas entrelinhas sempre eu e você
Num entregar de dois corações fazendo oferenda para a paixão

Entreatos, onde começa o meu propósito, termina o teu acaso
Um entrelaçamento de afagos, corpos em entra-e-sai, se entregando a beijos cálidos
Entre nós, um encontro de dois numa uma teia que nos cercou

Entretanto, surge então a vertente do bálsamo do carinho sem igual
Entranhas que rasgamos de nossas anatomias em meio a entoadas pornografias
Entusiasmados num contínuo, de um pelo outro, querer se amar.

(Codinome Pensador)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eu vi. O filme: O Leitor

Sinopse: Na Alemanha pós-2ª Guerra Mundial, o adolescente Michael Berg (David Kross) se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Berg, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Ficha técnica: Título Original: The Reader/ Gênero: Drama/ Ano de Lançamento (EUA / Alemanha): 2008/Direção: Stephen Daldry/ Elenco: Ralph Fiennes (Michael Berg), David Kross (Michael Berg - jovem), Kate Winslet (Hanna Schmitz).

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fugindo do óbvio

Falar do óbvio não é fácil, pelo contrário, o óbvio é traidor principalmente quando sabemos que ele é óbvio e não sabemos explicá-lo e falar sobre ele.
Constatei escrevendo meus textos e minhas poesias, o medo do óbvio ou do clichê ronda o imaginário de nossas mentes.
Engraçado afirmar isso, pois todo escritor ou blogueiro de plantão que se preze tenta fugir desse senhor óbvio, mas sempre acabamos caindo num problema comum do nosso mundo pós-moderno, a idéia de que todos os temas já foram trabalhados. Por maior que seja a quantidade de assunto ou de reflexão que contemporaneidade consegue fornecer, passamos sim por uma limitação de temas que podem criar boas reflexões humanas.
Não há limitação de formas de apresentação, porém se alguém quiser criar um texto sobre as relações entre duas pessoas, ele vai passar pela sensação de aquilo já ter sido escrito. Tem uns meses que reli rapidamente "Olhai os lírios do campo" do Veríssimo. A relação de mediocridade de um menino pobre, que consegue vencer na vida após ter se unido a ricos e se vendido para os valores deles. Quem não leu algo que seja parecido? Não vou negar, com a perspicácia de Érico Veríssimo não, pois seu texto se dota de sutilezas de percepção própria do personagem, algo que é característico de autores ingleses.
Para fugir do óbvio cheguei a conclusão que é preciso três coisas: tato, criatividade e sempre procurar um novo ângulo da questão. Acho que afastar-se excessivamente, para não repetir o que já está dito, é um modo bem instigante, tentar reescrever e subverter, estimula na criação de qualquer texto ou poesia, isso é inspirador pra mim, mas não esquecer jamais de que a diferença entre o veneno e o remédio é a dosagem.
Tem um poema do Vinícius de Moraes, que não lembro agora o nome, que fala que para fugir do óbvio devemos olhar além de tudo, atravessar a matéria, até porque analisando bem, as mais belas descobertas do nosso cotidiano, às vezes, tão maçante, ocorrem quando as mesmas coisas são vistas com um novo olhar, isso que dar um novo sopro, um novo frescor.
De onde veio a palavra "óbvio". É óbvio que fui procurar e descobri que nasceu lá na antigüidade, do vocábulo latino via (caminho). "Obviam" significava então algo que está "no caminho". Segundo os dicionários atuais, a gente pode atestar que óbvio é aquilo que é claro, manifesto, que salta à vista.
Não é difícil não ser óbvio, até porque na base da comunicação humana não existem coisas óbvias. Afinal cada pessoa interpreta um signo á sua maneira, de acordo com o seu repertório pessoal, suas vivências e até seu estado de espírito. Nada está mais fora do nosso controle do que a interpretação daquilo que nós dizemos, fazemos ou parecemos. A única coisa mesmo mais óbvia e que não podemos fugir nessa nossa existência é da morte. E que ela nunca seja tão breve e nem tão óbvia para nós.

(Codinome Pensador)

domingo, 12 de julho de 2009

Som e fúria

O som se cala

Surge o silêncio, um cofre de sensatez

Interioriza-se a dor, emperra-se o peito

Num vácuo, uma lágrima

Entre o olhar e o emocionar

Surge do inferno

Ódio, raiva, vingança, fúria

E a serpente da maldade

Tentando se alimentar

Da alegria profunda dos momentos poéticos

Do grito de êxtase no ápice do prazer

Da beleza que paralisa, elege e embebece

Da flor que desabrocha todos os dias

Cosmicamente e resistentemente dentro de nós.

(Codinome Pensador)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pensador com codinome

Muitas pessoas apenas existem

Eu existo, observo, escuto, explico, conceituo, leio, escrevo e penso

Pensando viro um pensador

Pensador com codinome

Codinome para pensar

Pensando meus pensamentos se transformam

Se transformam em Descartes

Penso porque existo ou existo porque penso?

Pensando bem

Não pensar é morrer

Então vivo

Porque a melhor forma de não ser apenas mais um

É racionalizar o meu pensar.

(Codinome Pensador)

sábado, 4 de julho de 2009

O ator da vez

Selton Melo é o ator da vez no cinema brasileiro, está em cartaz com três filmes para agradar aos mais diversos gostos. Da comédia tipo sessão da tarde “A mulher invisível”, ao viés social tratado em “Jean Charles” até o claustrofóbico e erotizado “A erva do rato” .
Da nova safra de filmes de comédia do Brasil, o filme “Mulher invisível” mesmo com roteiro frágil e previsível, o filme consegue se manter graças ao carisma e talento de seu protagonista (Selton Melo), além da boa dinâmica dele com o restante do elenco.
“Mulher Invisível” é a história do controlador de tráfego Pedro, que cria na imaginação uma mulher perfeita, logo após ser chutado pela esposa. A tal mulher perfeita (Luana Piovani) realiza todos os desejos do rapaz, mas a situação começa a mudar quando uma outra mulher entra na parada.
O filme é mais um exemplar produzido com a marca “Globo Filmes”, o que traz ótimos pontos (como financeiro), mas também carrega consigo um peso enorme, principalmente quando há em cena um ator no auge de sua carreira, como é o caso de Selton Melo, mas no geral é um pacotão básico, um modelo estruturado que serve para vários filmes. Deixando um pouco isso de lado, o diretor Cláudio Torres acerta quando prepara o filme todo para Selton brilhar, interferindo pouco em cena e até aparando algumas arestas aqui ou ali.
A narrativa é construída de maneira bastante linear. Apesar de tentar criar um certo clima de suspense, todo mundo já sabe mais ou menos o que vai acontecer, até porque o trailer entrega bastante coisa. O que não entrega, no entanto, é a história paralela do outro lado do “triângulo amoroso”, vivida por Maria Manoela, um papel que exige um pouco mais e que a atriz interpreta de maneira correta. O grande trunfo do filme, no entanto, são as "gags" de Selton e seu elenco de apoio. Assim como Jim Carrey e outros grandes comediantes, o ator brasileiro tem o terreno todo para si e consegue, com isso, estabelecer uma boa dobradinha com Vladmir Brichta, que vive Carlos, seu melhor amigo. O roteiro, sim, é o fundo do poço do longa. Linear demais, previsível e frágil na maioria das cenas, ele leva a história a pontos bem chatos. No entanto, creio que o tipo de história cairia perfeitamente num daqueles seriados noturnos de sexta-feira da Globo, com muita comédia e temática mais adulta.


Amparado numa história real e com grande implicação social e política, o filme “Jean Charles” faz desse pano de fundo apenas uma muleta para levar à frente sua verdadeira história: a dificuldade de imigrantes brasileiros em Londres. E é apenas com as belas atuações do elenco que o filme se sustenta, apresentando uma narrativa e roteiro bem criativos.
“Jean Charles” conta a história do protagonista que dá nome ao longa (Selton Melo) e de sua prima Vivian (Vanessa Giácomo), que vivem na Inglaterra uma rotina de duras provações e subempregos mal remunerados.
A história de milhares de brasileiros que vivem fora do país já é bastante conhecida do público, que vê constantemente nos telejornais casos parecidos, com pessoas subempregadas e retornando ao país do jeito que foi: com a mão na frente e a outra atrás. Essa imigração, na sua maioria ilegal, é o mote do filme, que mostra não só os dois principais personagens, Jean e Vivian, mas também outra infinidade de brasileiros que vivem em Londres.
“Jean Charles” é apenas o registro do cotidiano de alguns brasileiros que vêem num país estrangeiro oportunidades que não encontram no Brasil. Fato corriqueiro e antigo, é verdade, mas que de certa forma não foi tratado ainda no cinema.
A dinâmica desses atores, aliás, é o grande trunfo do filme. Selton Melo encarna um Jean alegre e bem humorado, mas sem nunca deixar de ser prestativo e tentar ajudar a todos. Essa característica é que pontua toda trajetória de Jean pelo filme, que consegue resolver os problemas dos outros, mas os seus ficam sempre em segundo plano. Vivian, sua prima que vai à Inglaterra para juntar dinheiro para ajudar a mãe no interior de Minas, apresenta-se frágil, mas que percorre uma trajetória de crescimento pessoal considerável. Luis Miranda faz seu Alex despojado e engraçado em praticamente todas as falas, usando bem o corpo (quase numa teatralização de sua atuação) para uma quebra da dramaticidade do filme.
Em “ Jean Charles” com um papel difícil, cheio de sutilezas e riscos, Selton Mello mostrou de forma categórica que seu talento é muito maior do se poderia imaginar. A cena do telefonema para a mãe, por exemplo. Só um ator de maturidade plena conseguiria imprimir tanta vida e verdade a um personagem comum, cujo nasceu tão somente da tragédia estúpida que o matou.
Palmas também, nesse sentido, para o diretor Henrique Goldman, que optou por realizar um filme sóbrio, sem qualquer apelação, quando as tentações e as pressões para transformar Jean Charles num mártir não devem ter sido poucas. Goldman se concentra na morte incomum de Jean Charles, está mais preocupado como o cotidiano de um brasileiro comum numa cidade estrangeira. Simplesmente registra, com humanidade, uma história interrompida no meio pela violência, como tantas outras, infelizmente.


O diretor Júlio Bressane baseou-se em dois contos do genial Machado de Assis (A causa secreta e Um esqueleto), escritor de onde saiu a matéria prima para o seu Brás Cubas de 1985, um de seus filmes mais inesquecíveis.
Bressane, que para muitos considerado o Godard brasileiro, em “A Erva do Rato” nos mostra uma das melhores interpretações da carreira de Selton Melo e também uma atuação hipnótica de Alessandra Negrini. Temos, assim, dois atores globais completamente deslocados do que costumam fazer na televisão, o que já garante algumas interrogações iniciais no público que não acompanha a carreira do diretor. Mas isso é só o começo.
Na seqüência de abertura, vemos o mar banhado pelo sol e numa só tomada em 180º somos jogados pra dentro de um decadente cemitério. Lá estão Selton Mello num canto e Alessandra Negrini de outro. Apenas identificados como ele e ela. Isso é só o cartão de visita do que teremos pela frente. Imensidão, mistério, morte e muita ironia machadiana. Dessa externa somos jogados para dentro de uma claustrofóbica casa, onde praticamente todo o resto do filme se desenvolve. Tudo se concentra na estranha relação entre o casal central. Uma relação que começa na aproximação e, aos poucos, se mostra como uma espécie de servidão e entrega. Ele fala sobre mitologias, natureza e Rio de Janeiro, enquanto ela, obediente, anota todos os seus pensamentos. A entrega da mulher como objeto de posse do homem, quase um senhor feudal. Aos poucos, a relação de obediência e aprendizado se transforma em servidão erótica. Ele passa a fotografá-la, primeiro em comportados vestidos. Aos poucos as roupas são descartadas e a beleza dela passa a disputar atenção com sua própria fisiologia. Até que a relação de fetiche chega ao limite com a chegada de um rato. Um roedor safado que se alimenta das fotografias eróticas, surge a tríade um homem, uma mulher e um rato. As interpretações dos dois únicos atores ajudam a imprimir a força, seja pela imposição vocal levemente debochada de Selton Mello e a indiferente nudez (matadora, como sempre) de Alessandra Negrini. Ah, sim, e uma ratazana que bem poderia ser Hamlet em outra encarnação.
O que se passa no decorrer dos planos estáticos, com a fotografia do Walter Carvalho ameaçando transbordar o tempo todo, é simples: homem conhece mulher no cemitério e desenvolve com ela uma relação curiosa. A curiosidade não é só do ponto de vista do espectador em direção ao filme, mas dele em direção a ela, aos mistérios do corpo feminino, à revelação do órgão sexual por uma câmera fotográfica. O estranhamento de quem está diante da tela encontra um eco no estranhamento do personagem de Mello diante do corpo imóvel e desnudo, que parece esconder um mundo para o qual ele não tem acesso que não seja pela mediação de uma lente.
Nos minutos finais, a bizarrice domina (mais do que isso não posso dizer), e o filme cresce com isso. O último plano, de uma complexidade formal absurda para dar conta de uma ação simples, que pode ser percebida pelo barulho da máquina fotográfica, revela que Bressane ficou realmente deslumbrado com a técnica de Walter Carvalho.
“A Erva do Rato” tem muitos méritos, um deles certamente é o desconforto que provoca no espectador, que se sente impelido a uma revisão, desde que a preguiça ou a intolerância com o diferente não o tenha levado à desistência num primeiro momento. Mas esse encanto preciosista, a curto ou médio prazo, pode significar um beco sem saída para seu cinema. Não duvido que possa dar marcha a ré. Mas seria, de qualquer forma, uma involução.

Fonte: Cine Pop

Elas são bi. Ser bi está na moda ou é estratégia de marketing?


Elas são bonitas, femininas, vaidosas. E gostam uma das outras. Ao mesmo tempo é o que dizem cada vez mais. Em três semanas consecutivas de maio, três estrelas americanas famosas revelaram que sentem atração pelo mesmo sexo. Megan Fox, símbolo sexual da nova geração, afirmou que prefere mulheres por serem mais limpinhas. O furacão Fergie, do Black Eyed Peas, disse que gostou de experimentar moças. A performática Lady Gaga confirmou sua bissexualidade e aproveitou para lançar um clipe da nova música beijando outra mulher. Em abril, fora a vez de Kelly McGillis, musa dos anos 80.
A jovem atriz americana Lindsay Lohan, ídolo teen do cinema, não tem escondido sua dor de cotovelo depois que sua namorada, uma DJ, a abandonou. Isso sem falar na megaestrela Angelina Jolie, que antes de se tornar mãe de família, alardeava sua bissexualidade. Brad Pitt acreditou, mas na cama do casal em vez de outras mulheres, há cada vez mais crianças.
No Brasil, Preta Gil não cansa de se rotular como “total flex”. Afinal, trata-se da liberação do desejo feminino ou de estratégia de marketing?
Para os especialistas as duas respostas estão corretas. O erotismo que envolve duas mulheres é infalível em termos de mídia, graças à curiosidade geral sobre a homossexualidade e ao fato de ser a fantasia número um dos homens. Mas a natureza feminina, mais flexível e com menos defesas em relação à afetividade, acaba proporcionando uma liberdade mais no campo sexual sem que necessariamente haja rotulações e nem todas as pessoas crescem com a definição tão absoluta quanto à orientação sexual, muitas vezes é preciso amadurecer para a experimentação. Homens e mulheres têm essa mesma curiosidade sobre o mesmo sexo, mas as mulheres não tem barreiras em beijar e abraçar confortavelmente suas amigas.
“É marketing total”, diz a webdesigner paulista Del Torres, idealizadora do Leskut, um site de relacionamento só entre meninas, que em nove meses, já tem 14 mil participantes. Del que lésbica assumida, diz que quando existe o desejo verdadeiro, o comportamento é discreto, as celebridades estão cansadas de saber que esse tipo de declaração chama a atenção, além de torná-las modernas e mais interessantes.
Não há dúvida de que mulher com mulher dá audiência. Há quem diga que tudo começou com o beijo cinematográfico que Madonna deu em Britney Spears no Vídeo Music Awards em 2003. Daí uma epidemia de beijos femininos na mídia, das brasileiras do axé Daniela Mercury e Alinne Rosa, na gravação de um DVD no ano passado, às francesas Sophie Marceau e Mônica Bellucci, nuas e abraçadas na capa da revista Paris Match do mês de junho deste ano. No último Big Brother, a sensação foi o selinho debaixo d’água de Priscila e Milena, que bateu recordes nos sites de notícias, até Woody Allen não resistiu e colocou no filme Vicky Cristina em Barcelona, uma cena em que Scarlett Johansson beija Penélope Cruz, acontecimento que foi badalado insistentemente anos antes de o filme entrar em cartaz.
Se a homossexualidade ou a bissexualidade feminina está mais palatável é porque vem embrulhada num pacote delicado e feminino. Quando o armário se abre saem dele mulheres magras, sexy,de batom. É o fenômeno chamado: light lesbian chic ou lipstick lesbian.
De repente, mulher gostar de mulher entrou na moda, mas desde que elas tenham características consideradas femininas, que atraiam os olhares masculinos e não choquem, assim os especialistas dizem que o imaginário social fica mais bem trabalhado para compreender e aceitar bissexuais e lésbicas de uma maneira geral.

Fonte: Revista Época.

domingo, 21 de junho de 2009

Imediato

Uma vez certame
Outra vez, vexame
Outro passo inverso
Curto passo, converso
Maré cheia mareia
Mente cheia, clareia
Verde intenso florido
Mundo intenso, sofrido
Riso imundo esquecível
Gosto imundo, factível
Face falsa sombria
Nuvem falsa, sangria
Corpo escarlate impune
Raio escarlate, imune
Amor viril insuspeito
Calor viril, perfeito
Vida audaz rotineira
Morte audaz, passageira.

(Codinome Pensador)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cinema, teatro e a caixa dos fetiches

Experiências radicais kitsch
Psicologia da multi-sexualidade
Dramas clássicos, filmes recentes

Matéria-prima para o gênio
Amores estranhos, tensões sexuais
Orgamos múltiplos, jogos de sedução

Abre-se a caixa dos fetiches
Divisões teatrais
E as gotas de água caem sobre as pedras escaldantes

Chega o anjo exterminador
E vira um obscuro objeto do desejo
Não há rótulos sexuais

Somente astros e estrelas
Num mosaico utópico
Desprezam-se os simples mortais

Personagens falsos
Personalidades vazias
Um absurdo plausível

Dançam lado a lado
Uma coreografia bizarra
Artificial por natureza

A câmera desfila mesmo assim
Pela genitália desnuda
E findasse o teatro dos desejos.

(Codinome Pensador)

Quem pode, pode. Quem não pode...




Ao som de uma versão da música Hung Up, música originalmente sucesso de Madonna, surge a figura mais esperada da São Paulo Fashion Week, a top Gisele Bündchen arrasou, como sempre no desfile da Colcci, marca que a lançou no mundo das passarelas.
A top apareceu logo no começo do desfile, com a barriga de fora e com os cabelos mais curtos e lisos.
Pela segunda temporada consecutiva, a top Gisele Bündchen cruzou a passarela da semana de moda de SP como um furação de sensualidade. Como o esperado, a brasileira mais renomada no mundo da moda transformou o desfile da marca no momento mais esperado e concorrido do evento.
Quem também chamou a atenção tanto e quanto Gisele foi nada mais, nada menos que o modelo brasileiro Jesus Luz, que tem enchido o seu cofrinho em ensaios fotográficos badalados e campanhas internacionais. Jesus chegou ao Pavilhão da Bienal onde acontece a edição da SPFW de cara fechada.
Nada como uma "madrinha" famosa para alavancar a carreira de um jovem modelo.
Desde que começou a namorar a popstar Madonna, Jesus ganhou status de celebridade. O moreno exigiu camarim exclusivo e avisou que não falaria com a imprensa durante a sua participação na semana de moda. O cachê do rapaz? Em torno de R$ 100 mil. Ele está podendo né? Ou melhor eles estão podem, porque Gisele também não fica atrás, nem em status e nem em cachê, afinal Gisele ainda é a modelo brasileira mais bem paga do mundo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Namorar ou não namorar?

Quem não namora é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorar é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorar de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.Mas namorar, mesmo, é muito difícil.
Para se namorar não precisa ser bonito ou bonita, basta apenas ser aquele ou aquela à quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele ou dela a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção.A proteção não precisa ser decidida ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não namora é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar.Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado ou namoradada.
Quem não tem um namoro, é quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Quem não namora, é quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Quem não namora, é quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Quem não namora, é quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Quem não namora, é quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Quem não namora, é quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Quem não namora, é quem não redescobre a criança própria e a do amado ou amada e sai com o o seu amor para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Quem não namora, é quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Quem não namorar, é quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Quem não namora, é quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Quem não namora, é quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Quem não namora, é quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não namora é porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não namora é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

(Artur da Távola)

Saudades

Saudades
Saudades de um céu
Saudades de um tempo
Saudades sem véu
Saudades sem vento
Saudades de uma saudade
Saudades de um sentir imenso
Saudades de um sentimento
Saudades de um eu
Saudades do que não sou mais
Saudades do que ficou para trás
Saudades

(Codinome Pensador)

Have you ever seen the rain?

Someone told me long ago
There's a calm before the storm, i know
It's been comin' for some time.
When it's over, so they say,
It will rain a sunny day, i know
Shinin' down like water.

I wanna know
have you ever seen the rain?
I wanna know
have you ever seen the rain?
Comin' down on a sunny day?

Yesterday, and days before,
Sun is cold and rain is hard, i know
Been that way for all my time.
'Till forever, on it goes
Through the circle, fast and slow, i know
It can't stop, i wonder.

I wanna know
have you ever seen the rain?
I wanna know
have you ever seen the rain?
Comin' down on a sunny day?

I wanna know
have you ever seen the rain?
I wanna know
have you ever seen the rain?
Comin' down on a sunny day?

Autor: John Fogerty.

A inconfundível voz paraense se calou

Walter Bandeira
Ah! se o encanto deste canto.
Vai te atirar num palco.
e voar contigo alto.
Pra tua voz nos refletir.
Pode embriagar as mentes,
ou sera tão indecente
Mas tua lucidez demente.
Certamente ha de nos seduzir.
Quando cantas as mundanas,
e verdades tão profanas.
As donzelas e as sacanas,
vão te aplaudir.
E neste delirio louco,
nos requebros de teu corpo.
mais este teu cantar tão rouco.
vem pra redimir.
Se a platéia te permite,
tudo o que tiver de triste.
Ha de te correr nas veias e então sangrar.
e nesse contra compasso,
do requebro deste corpo.
Como se a vida num abraço,
viesse te cobrar.
E nesta história louca,
uma noite é pouca pra tanta solidão.
Tu que cantastes a vida e a morte.
o azar e a sorte,
Foi a tua emoção.

(Alcyr Guimarães)
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A música paraense perdeu na manhã desta terça-feira, (2/6/09), uma das maiores vozes do canto local. O Cantor, ator, compositor e locutor, Walter Bandeira, de 67 anos, morreu de câncer no pulmão, depois de ter sido internado no hospital Porto Dias desde o final de maio.
Familiares se encontram no Hospital e aguardam a liberação do corpo. O funeral deve acontecer por voltas das 17h, no Teatro Waldemar Henrique.
Conhecido como a grande voz do Pará, Walter fez historia nos mercados publicitário e do audiovisual, figurando como um dos mais requisitados e prestigiados locutores paraenses.
Nos palcos, sua voz inconfundível e suas performances irreverentes sempre atraíram grande público. Como ator, participou de vários espetáculos e filmes. O último que estrelou foi 'Lendas Amazônicas', de Moisés Magalhães, ao lado de Dira Paes e Cacá Carvalho.
Fonte: portalcultura.com.br

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Reflexão

Sonho, silêncio
Fantasia, realidade fingida
Capricho da imaginação
Transformação
Simétrica relação
Simples meditação
Uma direção
Quimérica invenção
Delírio, desvario, devaneio
Encantamento
Visões
Abstrações, interrogações
Pensamentos perdidos, perdição
Própria respiração, clareira da ilusão `
Prudência, provável precaução
Reformulação
Fantasias confusas, desconexão
Refletir
Reflexos de uma reflexão.

(Codinome Pensador)

Eu vi.Filme: Romance

Sinopse: Pedro (Wagner Moura) é um ator e diretor de teatro, que se apaixona por Ana (Letícia Sabatella), também atriz, ao contracenar com ela a peça "Tristão e Isolda". O namoro deles é afetado pelo posterior sucesso dela na TV, impulsionado pela empresária Fernanda (Andréa Beltrão). Além disto, ao gravar um especial de TV, Ana conhece Orlando (Vladimir Brichta), um ator por quem se apaixona.
Ficha Técnica: Direção: Guel Arraes/ Ano de Lançamento: 2008 (Brasil)/ Título Original: Romance/ Gênero: Drama/ Elenco: Wagner Moura (Pedro),Letícia Sabatella (Ana), Andréa Beltrão (Fernanda),Vladimir Brichta (Orlando), José Wilker (Danilo), Marco Nanini (Rodolfo).

A dona do castelo


Castelo de Luz é o nome do novo CD da cantora Lia Sophia, que está em temporada de lançamento todas as quartas de junho no bar Relicário, com a participação dos músicos Adelbert Carneiro, Luiz Pardal, Jacinto Kahwage, Davi Amorim, entre outros, sempre a partir das 21h30. Após três anos do lançamento de seu primeiro CD “Livre”, Lia Sophia apresenta agora o álbum “Castelo de Luz”, onde a artista revela todas as suas facetas artísticas, cantando, compondo, tocando, arranjando e co-produzindo, ao lado de Adelbert Carneiro, que também assina a direção musical do CD.
Com 13 faixas autorais inéditas, “Castelo de Luz” consolida a vertente compositora da artista. “Em um universo de trinta músicas compostas por mim para este novo trabalho, o difícil foi definir as músicas que comporiam o CD”, diz a artista. As letras retratam desde cenas do cotidiano e histórias simples e românticas como em “Mais Uma Vez” e “Quero Te Encontrar”, até imagens oníricas e questionamentos filosóficos como nas músicas “Castelo de Luz”, composta em parceria como compositor pernambucano Sóstenes, e “Deixa Chover”.
Gravado no estúdio Midas, em Belém, entre os meses de abril e setembro de 2008, “Castelos de Luz” foi co-produzido e dirigido por Adelbert Carneiro, músico e produtor reconhecido por atuar em trabalhos de artistas do Norte.
Conta também com os talentos de músicos da região, como o maestro Luiz Pardal, que assina os arranjos de cordas nas músicas “Castelo de Luz”, que dá nome ao disco, e “Minha Prece”. E, juntamente com Lia Sophia, o arranjo da música “Meu Verso”.
A atmosfera do disco passeia pelo ambiente das décadas de 60 e 70, trazendo em seus arranjos de sopros o clima das big bands e em suas guitarras, os delays típicos dos anos 70. Seguindo esta linha, na música “A Flor” é possível perceber o toque regional das guitarradas, no groove de guitarra criado por Davi Amorim. Já em “Minhas Verdades”, um rock’n roll ao estilo “ie ie ie”, quem marca presença é o ritmo lundu (típico da região). E em “Mulher” a influência do brega é percebida de maneira sutil.
Carreira: Lia Sophia nasceu em 1978 na Guiana Francesa e, aos dois anos de idade, veio para o Brasil. Cresceu em Macapá e aos seis anos já era solista da igreja. Os primeiros acordes ao violão surgiram aos nove anos por influência da mãe, que na juventude foi cantora de rádio. Foi somente aos 17 anos, quando Lia Sophia veio para Belém cursar psicologia, que ela entrou em contato pela primeira vez com a MPB, através dos CDs de João Gilberto e Marisa Monte. Sua primeira composição, “Eu só quero você”, alcançou sucesso nas rádios do Estado. Em 2005, lançou seu primeiro CD, “Livre”.
Entre os sucessos deste disco estão “Eu só quero você”, de Lia Sophia, “Boca”, de Débora Vasconcelos, “Velhos Sonhos”, de Mapyu e Nilson Chaves, e a dançante “Eu”, composta em parceria com ElianeMoura. No final de 2008, Lia Sophia deu início a um projeto no qual já vinha mergulhando em pesquisas há quase dois anos: regravações de grandes clássicos da música brega da região Norte. Essa pesquisa da artista resultou em seu terceiro CD, chamado “Amor Amor Amor”, gravado no estúdio Zagas Music no Rio de Janeiro, com produção de Alexandre Moreira e que tem previsão de lançamento para o segundo semestre de 2009.

Fonte: Jornal Diário do Pará.